Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Vejo muitos debates aqui na Rede, sobre a necessidade de valorização da nossa profissão. Sabemos que um dos caminhos mais básicos em minha visão é através da fiscalização do Exercício da Profissão pelo Sistema CONFEA/CREA.

Entretanto, lendo as atas da Câmara de Agronomia do CREA/SP me deparei com um relato sobre o funcionamento do sistema de fiscalização exercido pelo CREA. Simplesmente fiquei completamente horrorizado, uma vez que os próprios conselheiros concluíram que a metodologia empregada pelo CREA/SP é simplesmente para não funcionar.

Eu tenho uma curiosidade de saber se isso ocorre nos demais estados. Pois uma coisa bastante curiosa... Eu estou cadastrado no Sistema CONFEA/CREA há 23 anos e NUNCA pelo menos aqui na região central do estado de São Paulo ouvi falar que um fiscal do CREA esteve em um imóvel rural para efetivar alguma fiscalização.

Será que isso é exclusividade de São Paulo????

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Boa noite, gostaria de trazer uma contribuição ao debate sobre Fiscalização do Execício e Valorização Profissional transcrevendo um texto do Eng. Ênio Padilha. VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL Ênio Padilha Este artigo foi publicado, originalmente, em partes, na newsletter “Três Minutos” que é enviada semanalmente para os leitores cadastrados no site www.eniopadilha.com.br Pense bem e responda: o que é, afinal, Valorização Profissional? Quantas vezes você já participou, aí na sua entidade de classe, de alguma palestra, seminário, curso ou um outro evento qualquer em que o tema central era a Valorização Profissional? Você sabia que a Valorização Profissional é a segunda principal motivação para a criação ou revitalização de entidades de classe de Engenharia e Arquitetura no Brasil? (a primeira é, ainda, Tabela de Honorários). Não lhe parece estranho que, com tanta gente querendo, e com tantas entidades se movimentando... a tal da valorização profissional pareça estar cada vez mais distante? Inacessível? Inatingível? E sabe onde está o "X" da questão? No termo "Valor", embutido na palavra "Valorização". Infelizmente, para a maioria das pessoas, valorização significa "ganhar mais". Ter mais "valor" significa "valer mais (em dinheiro)". É o famoso "Ter" e "Parecer" sobrepujando o "Ser" e o "Saber". Isso significa transformar conseqüência em objetivo. O meio em fim. Estive envolvido em um trabalho de Consultoria muito interessante, com uma grande entidade nacional, que reúne os melhores profissionais do país em sua área de atuação. Realizamos seminários de discussão deste tema e eu (como orientador dos debates) propus uma abordagem diferente para o assunto: é preciso ver o clássico objetivo de melhorar a remuneração não mais como um objetivo e sim como uma conseqüência de um processo. Para isso é preciso revisitar o conceito de Valorização Profissional. E entender que, ganhar mais não significa, automaticamente, ser mais valorizado. No entanto, quando se é, realmente, valorizado pelo mercado, ganhar mais é uma conseqüência natural. Para isso, vamos estabelecer aqui uma simplificação: você é valorizado pelo mercado se você se sente à vontade neste mercado. Se você gosta do que você faz (do jeito que você faz) e se as coisas acontecem como você entende que as coisas devam acontecer. Em outras palavras: você está no comando (ou, pelo menos, está nos degraus superiores da cadeia de comando). Fora disso, não importa o quanto você ganha. Você e seu trabalho não são, definitivamente, valorizados. Dignidade, Realização, Reconhecimento, Segurança, Perspectivas promissoras... Essas são as cinco condições fundamentais e os principais indicadores da verdadeira valorização profissional. A Dignidade é determinada pelo respeito que a sua presença impõe. A certeza interior que você tem de que está fazendo o melhor, da melhor maneira possível e que ninguém, em momento algum poderá desestabilizar a sua atuação. A Realização Profissional se dá quando você consegue ver materializado as suas idéias sem intervenções, sem mutilações, sem comprometimentos. A sensação maravilhosa de ver que o seu trabalho teve princípio, meio e fim. Aí vem o Reconhecimento Profissional aquela impagável manifestação do mercado (não apenas do cliente) de que o seu trabalho é diferenciado e valioso. Nenhum profissional poderá se sentir valorizado se estiver se sentindo inseguro na relação com o mercado. A Segurança, portanto, é uma condição absolutamente indispensável para determinar que você tem Valorização Profissional. Se você não se sentir seguro, nunca irá fazer bons negócios. O problema com a segurança é que esse é um sentimento que você precisa conquistar. Não é dado pelos outros. A Perspectiva Promissora fecha esse nosso pequeno conjunto de indicadores de valorização Conheça o trabalho do engenheiro Ênio Padilha. Visite o site www.eniopadilha.com.br 2 profissional. Se o seu trabalho não lhe dá perspectiva, você não tem uma vida ligada a esse trabalho. Ele, definitivamente, não vale a pena. Não tenho dúvidas de que esse tema e esses indicadores precisam ser dissecados com muita atenção. É o que pretendemos fazer neste artigo. O importante é deixar claro que a conquista dessas condições fundamentais (esses indicadores) nos leva diretamente (como conseqüência) para a valorização financeira. Você pode até ganhar muito dinheiro. Porém, sem Dignidade, Realização, Reconhecimento, Segurança, Perspectivas Promissoras... você terá tudo, menos valorização profissional DIGNIDADE Poder. Se você não fizer um esforço para entender as relações de poder (e como as pessoas buscam e exercem poder) terá alguma dificuldade para entender a importância da dignidade para o sentimento de valorização que o profissional quer ter. Vamos ao dicionário: Dignidade é qualidade moral que infunde respeito; consciência do pró- prio valor; honra, autoridade, nobreza; qualidade do que é grande, nobre, elevado; modo de alguém proceder ou de se apresentar que inspira respeito; solenidade, gravidade, brio, distin- ção; respeito aos próprios sentimentos; amor-próprio... Como eu disse antes, a Dignidade é determinada pelo respeito que a sua presença impõe. A certeza interior que você tem de que está fazendo o melhor, da melhor maneira possível e que ninguém, em momento algum poderá desestabilizar a sua atuação. Muita gente tem dificuldade de entender o que é Dignidade porque não sabe se é uma coisa que a pessoa tem ou se é uma coisa concedida a essa pessoa pelas outras. Pois bem. Vou tentar ser objetivo, correndo o risco de ser simplista: Dignidade é uma coisa que sempre começa dentro de nós. Ninguém nos tira a Dignidade, a menos que permitamos isto. Dignidade é um estado de espírito. Uma "aura". Algo que ninguém consegue identificar objetivamente ou medir com algum critério ou instrumento. É um direito que o indivíduo dá a si mesmo de olhar os outros de frente, de cabeça erguida, sem medos, sem vergonhas, sem constrangimentos. Esse DIREITO a pessoa se dá, baseada em sua retidão de caráter, na sua firmeza de princí- pios, nas suas intenções honestas, na sua consciência de que representa algo útil e importante. Observe essa última frase desse último parágrafo: "sua consciência de que representa algo útil e importante". Esta é a certeza fundamental, sem a qual o processo de construção da Dignidade fica prejudicado. A certeza de que você é útil e importante. Estou sendo repetitivo? Não. Estou determinando claramente um ponto. E por que repetir três vezes a mesma coisa ? Porque é aí, neste ponto, que somos atacados. E, muitas vezes, é nesse ponto que nossa Dignidade é ferida de morte. As relações comerciais são, em certa medida, disputas por territórios emocionais. Na presta- ção de serviços essa característica fica mais evidente, pois as relações são muito mais pessoais e as fortalezas individuais são elementos decisivos no jogo dos negócios. Muitos clientes, por ignorância ou má-fé, tentam nos enfraquecer emocionalmente minando nossa auto-confiança, nossa auto-estima... nosso sentimento de utilidade e de importância. Se percebem alguma fragilidade no nosso caráter, na honestidade, na competência (leia-se qualidade do serviço) colocam isso sobre a mesa, de forma sutil ou escancarada (dependendo da conveniência). Se, porém, o produto tem a qualidade desejada, lançam mão de práticas de exercício de poder como falta de atenção, ausência de respostas, chá de espera, chá de cadeira, exigências desca- Conheça o trabalho do engenheiro Ênio Padilha. Visite o site www.eniopadilha.com.br 3 bidas, comentários depreciativos à categoria profissional... Aí é que entra em cena a necessária Fortaleza Espiritual que o profissional precisa ter para não se deixar levar por esse "jogo" e acabar acreditando que vale pouco ou nada. Não pode perder a Dignidade e se submeter à certas humilhações. Não pode aceitar um trabalho do qual não possa vir a se orgulhar. Não pode aceitar que o cliente o trate como um mal necessário - ou desnecessário. Não pode viver com medo! Acredite. Na maioria das vezes, basta um olhar para colocar as coisas no devido lugar. Um olhar que diga "Eu sei o que eu sou. E sei quanto eu valho. Se você não tem a capacidade de perceber isso, talvez você não tenha nenhuma utilidade para mim..." Mas, atenção: não adianta treinar esse discurso. Se utilizar apenas palavras, não vai surtir o mesmo efeito! Tem de vir da alma. A Dignidade está no olhar. REALIZAÇÃO A REALIZAÇÃO é parte fundamental do caminho que leva à Valorização Profissional pois quem não realiza não se realiza. Do que estamos falando ? De quem estamos falando ? Dos caneteiros. Dos acobertadores. Assinadores de planta, capachos de desenhistas... Estamos falando dessa raça nefasta de levianos irresponsáveis que desgraça a profissão, jogando lama sobre tantos anos de dedicação e sacrifícios deles próprios e também dos seus colegas. Esse bando que não realiza nada, nunca. E que, por isso, nunca se realiza profissionalmente. Que não sente orgulho do que faz. Que não tem dignidade profissional. Me desculpem pelo destempero, mas esse é um tema que me ferve o sangue. Os acobertadores constituem um pequeno grupo (e têm seus similares em qualquer outra profissão, não há dúvida). Nunca representam mais do que oito ou dez por cento de uma determinada comunidade profissional. Mas o estrago que conseguem fazer é uma coisa descomunal. São uma praga. Um câncer. Uma desgraça ! É um problema que precisa ser enfrentado com coragem e determinação. Acredito que o sistema profissional (Confea/Crea /Entidades de Classe/Sindicatos...) precisa declarar uma luta sem tréguas a essa causa. A prática do acobertamento precisa ser considerada falta gravíssima e o castigo precisa ser extremamente severo, pois trata-se de um desvio que leva às mais nocivas conseqüências para a profissão. Nenhum estudante de Engenharia, Arquitetura ou Agronomia "sonha" em ser um caneteiro. Nenhum profissional recém-formado quer ser um acobertador... A escolha desse caminho se dá por: 1) Fraqueza de Princípios; 2) Dificuldades Naturais do Mercado; 3) Impunidade Legal; 4) Impunidade Moral. A Fraqueza de Princípios pode e deve ser combatida durante o processo de formação, com a Inclusão Profissional. A Inclusão Profissional deve ser promovida pelo sistema (Confea/Crea/Entidades de Classe, Sindicatos...) através de palestras, cursos, seminários, eventos sociais e esportivos cujo objetivo é a transmissão dos preceitos éticos e morais do exercício da profissão. O Código de Ética profissional precisa ser introduzido nas universidades e sua discussão e prática deve ser permanente. Da festa do calouro ao dia da formatura. Conheça o trabalho do engenheiro Ênio Padilha. Visite o site www.eniopadilha.com.br 4 O estudante de Agronomia, de Engenharia, de Arquitetura e das demais profissões do sistema precisa se sentir DENTRO. Precisa sentir-se Engenheiro, Arquiteto e Agrônomo, desde o primeiro dia de aula. Só assim irá desenvolver o necessário sentimento de respeito e ética para com os colegas. Alguém aí tem coragem de dizer que isso não reduziria consideravelmente o número de caneteiros no mercado ? As Dificuldades Naturais do Mercado são outra explicação (não justificativa) para o desvio que alguns colegas tomam em direção à prática do acobertamento. Pode ser combatida com informação, treinamento e preparo empresarial. Se o profissional não sabe como enfrentar as dificuldades naturais do mercado... dá-lhe cursos de gestão empresarial, marketing, administração de custos, relacionamentos interpessoais... essas coisas que, infelizmente, ainda não temos nas escolas de engenharia, de arquitetura e de agronomia. É preciso aprender uma coisa simples: ganha-se mais trabalhando direito. E ainda tem a vantagem de que isto nos dá realização profissional e dignidade (leia-se "valorização profissional") A Impunidade Legal, bem como a Impunidade Moral são responsabilidades do sistema e também nossa. De cada profissional individualmente. O sistema precisa criar mecanismos para punir com maior RAPIDEZ e RIGOR os casos de acobertamento. Nós, profissionais, precisamos ser menos tolerantes com esse desvio moral. Não podemos mais fechar os olhos e fazer de conta que não é conosco. As entidades de classe precisam ter uma comissão permanente de "patrulha" e esclarecimento (o primeiro estágio) para fazer um "policiamento ostensivo" e impedir que um desvio eventual se torne uma prática profissional permanente. É preciso eliminar a possibilidade de um profissional acobertador sentir-se confortável ou seguro. É preciso dar a ele apenas uma saída. Apenas um caminho. O retorno à prática profissional digna e correta. Essa luta é de todos. De toda a classe. Não é uma coisa pontual. Se eu, um engenheiro eletricista, estiver cometendo acobertamento, o meu colega agrônomo, que pensa que não tem nada a ver com isso, estará, também, pagando uma parte da conta. Valorização profissional é um conceito muito complexo. Difícil de ser obtido. A maior dificuldade está justamente no fato de que é uma conquista coletiva. Depende de todos e de cada um. RECONHECIMENTO O Reconhecimento é talvez o único dos fundamentos da Valorização Profissional que depende muito menos de nós e muito mais dos outros. É, com certeza, uma das coisas mais difíceis de ser obtida. O Reconhecimento Profissional é aquela impagável manifestação do mercado (não apenas do cliente) de que o seu trabalho é diferenciado e valioso. Uma das chaves para o reconhecimento profissional é a paciência. Sim, paciência, pois, como já me disse certa vez o colega engenheiro Petrolinces, em Itumbiara, Goiás, "o sucesso é uma coisa que uma pessoa leva uma vida inteira para conseguir de um dia para outro". O reconhecimento profissional geralmente aparece muitos anos depois que você mesmo já se deu conta de que o seu trabalho tem muito valor. Daí a importância da paciência. Você precisa entender que as pessoas levam muito tempo para perceber aquilo que, para você, parece óbvio: a excelente qualidade do seu produto. Conheça o trabalho do engenheiro Ênio Padilha. Visite o site www.eniopadilha.com.br 5 Outra coisa importante: o reconhecimento profissional começa pelo reconhecimento dos seus colegas de profissão. Isto é, realmente, muito importante. Um profissional que quer ser valorizado pelo mercado precisa ser valorizado pelos seus colegas. Eu não conheço nenhum caso de um grande profissional reconhecido pelo mercado que não seja reverenciado pelos seus colegas. Portanto, não esqueça: as estratégias de marketing profissional que você vai por em prática tem de incluir os seus colegas como público alvo. Pois sem o conhecimento e o reconhecimento deles você nunca obterá o conhecimento e o reconhecimento do mercado (o que inclui os seus potenciais clientes) SEGURANÇA A tão sonhada Valorização Profissional nunca chegará para um profissional que não seja absolutamente seguro quanto ao seu trabalho. Que não tenha certezas profissionais. Que não transpire a convicção da competência. Um profissional seguro é muito mais respeitado. E um profissional respeitado está a mais de meio-caminho da Valorização Plena. O problema é que Segurança não cai do céu. Segurança é privilégio dos competentes. E competência tem um custo direto muito alto. Nem todos os que gritam por Valorização Profissional estão dispostos a pagar esse preço. A engenheira e professora universitária em Lisboa, Portugal, Maria Teresa de Barros tem uma frase que é muito apropriada, quando o assunto é ética profissional: “A primeira e principal regra de ética profissional para um engenheiro é ser competente.” Podemos, sem susto algum, estender esta afirmação também à segurança. E, por decorrência natural, à Valorização Profissional. Todo profissional precisa, todos os dias, perguntar a si próprio: “Em que medida eu estou desenvolvendo as minhas competências profissionais?” “Estou suficientemente atualizado quanto aos conhecimentos da minha profissão?” FUTURO Uma profissão só pode ser considerada “Valorizada” se os seus praticantes têm futuro. Se as perspectivas são promissoras. Como eu já disse na introdução deste ensaio, se o seu trabalho não lhe dá perspectiva, você não tem uma vida ligada a esse trabalho. E, definitivamente, não vale a pena. Mais uma vez preciso chamar a atenção para o ponto de vista que serve de base para este texto: a Valorização Profissional não pode ser expressa em renda financeira. Se for assim, teremos que admitir que os estelionatários, aliciadores de prostitutas, os assaltantes e os traficantes de drogas têm profissões muito valorizadas. Afinal, todas essas atividades rendem um bom dinheiro. Mas veja, leitor, quanta coisa falta a essa gente para que sejam (e se sintam) realmente valorizados.

Caro Eduardo Hode.

Gostei muito da sua colocação e argumentação, parabéns.

Em resumo: Primeiro "Ser", depois "Ter"

Queria colocar que embora concorde, integralmente, que o primeiro passo da mudança é em nós mesmos, o debate sobre profissionalização e representativa não se esvazia, pelo contrário ainda é necessário mudança de postura da classe como um todo.

Também concordo com o colega que as outras engenharias (algumas mais, outras menos) apresentam problemas de representatividade no conselho.

Mas isso não é desculpa para não arrumarmos nossa casa. Estão de acordo?

Colocaram um ponto que repito muito para meus colaboradores:

O engenheiro agrônomo do presente precisa deixar a visão bucólica da atividade e precisamos responder, de forma efetiva a sociedade, sobre nossa importância e como atuamos.

Neste contexto as questões de uso de recursos hídricos, ambientais, agroquímicos e etc precisam ser esclarecidas e convencidas de sua importância na produção de alimentos, energia e etc.

Em suma: O engenheiro agrônomo é cada vez mais um profissional urbano cujo meio de produção é a cadeia do agrobusines, sendo que, a sociedade é sedenta por respostas nossas. 

Não podemos nos esconder nas fazendas e esquecer da cidade, que no final, são quem nos paga!

Caros colegas. Esta situação é via de regra. Em determinada época visitava lavouras de tomate em Minas e Goiás.

Jamais encontrei fiscal do CREA ou algum extensionista da EMATER, isto em ambos estados.

Devido a falta de fiscalização cheguei a presenciar, um fato no mínimo criminoso. Um contrabandista vendendo defensivos do Paraguai, e proibidos no Brasil.

Os CREAS são voltados as engenharias urbanas com maior enfase,basta ler uma revista do CREA local. De vez em quando lá no final da revista uma reportagem acanhada com alguma referencia à agronomia. Lamentável ! Nosso colega,Francisco César Dias tem razão, esta na hora de organizar o nosso próprio concelho.

Boa noite a Todos

Eu iniciei essa discussão, quase como um desabafo, pois há muito tempo faço questionamentos aos meus colegas do CREA sobre a fiscalização do exercício da profissão. E eles somente me dão respostas evasivas.

Em primeiro lugar eu acredito que nós temos que enfrentar é um paternalismo, tanto dos órgãos públicos da área rural quanto de nós mesmo em relação ao produtor. Sempre com aquela visão que o produtor coitado não pode ser mais onerado, e outras coisas do gênero. 

Entre as minhas atividades, eu tenho um escritório de planejamento e assistência técnica e como o colega Eliezer falou, são muitos os escritórios de fachada, que fazem projetos e assistência DDD (isto por telefone sem saber onde fica o imóvel), além de outros casos. Eu conheço colegas agrônomos que recomendam aplicação de desinfetante industrial a base de Cloro via fertirrigação como nematicida. Ou ainda recomendam a produtores fazerem aplicações misturando no tanque até 7 princípios ativos diferentes e com uma frequência altíssima. Vejo colegas recomendando fazerem aplicações de inseticidas de contato como preventivos e sistêmicos de ação prolongada em colheita de hortaliças.

Em resumo, muitos de nós cometem barbaridades.

Eu muitas vezes relato isso para o chefe dos fiscais do CREA aqui de minha região.... e a única resposta é faça a denúncia que a gente vê o que faz. Um detalhe o Chefe dos Fiscais é Engenheiro Agrônomo.

Quando eu comecei a fazer projetos de financiamento bancários, seguindo as instruções do CREA emitia uma ART por projeto, até que os gerentes de Banco pediram para não fazer, pois essa despesa não podia ser paga pelo projeto e que os clientes reclamavam de pagar isso a parte. Eu relatei que isso era uma exigência do CREA, e me respondiam que se lixavam para o CREA.

Reclamei no CREA, de modo informal, e a fiscalização me disse que eles não tem prerrogativa e nem meios de fiscalizar operações de crédito rural feitas por bancos. Depois disso, deixei de recolher as ART sobre projetos. E digo, nos últimos 4 anos devo ter deixado de recolher mais de 500 ARTs. E porque? Por que o CREA disse que não tinha como fiscalizar. E como os demais escritórios não recolhiam eu tinha que sobreviver a competição.

Atualmente aqui em SP acredito que só emitem ARTs com frequencia os agronomos que trabalham na área ambiental, pois é exigência dos órgãos ambientais a ART.

Mas e na produção???? No setor agroindustrial tanto as industrias caseiras, como as de grande porte são obrigadas a manter responsáveis técnicos. Lojas, dedetizadoras, laboratórios e outros estabelecimentos. Mas existe uma resolução do CONFEA que diz que toda atividade agrícola deve ter um responsável técnico.... e cade a fiscalização disso.

Recordo-me do meu irmão, que também é engenheiro agrônomo, contando que quando ele fez estágio na COOPAVEL (91-92) o CREA/PR tinha um trabalho sistemático na área rural. Ele dizia que a fiscalização chegava ao imóvel e solicitava: Planta e ART das construções, Projeto e ART da Produção, Receituários, e demais documentos onde o engenheiro agrônomo atuava. Se o produtor não tivesse ele era notificado a apresentar tudo dentro de um prazo, caso contrário ocorreria a imposição de multa.

Não sei se esse trabalho continua no PR, mas lá é um dos estados em que nós profissionais somos mais valorizados. 

Além disso, recordo-me de um ex-presidente da CONFAEAB, que dizia, que no início da década de 2000, os agrônomos haviam ultrapassado a emissão de ARTs, em comparação a todas as demais modalidades de engenharia, no estado de Goiás. Não sei se essa situação continua... mas já ocorreu num passado não muito distante.

O que eu aqui proponho é a luta pelos direitos da nossa profissão e exigir esses direitos junto ao CREA! Não vejo como solução a criação de uma nova entidade.... pois além de tudo somos também engenheiros.

Eu gostaria que os colegas aqui compartilhassem casos concretos onde já observaram a falha do CREA na Fiscalização da Agronomia. E queria aproveitar para saber.... quantos colegas daqui atuam dentro dos CREAS e das Associações.

Vou separar o Material e em seguida eu adiciono. E queria aproveitar para perguntar, quantas câmaras de Agronomia tem publicado a suas atas?



Gilberto Fugimoto disse:

Caro Eduardo,

É possível transcrever a ata da Câmara de Agronomia?
Seria didático à categoria entender como se dá a fiscalização na Regional mais rica do Confea.

abraços

Wesley,

Eu discordo quando a sair do CREA. Ao invés de curar a dor de cabeça cortanto ela fora ... o ideal e ir na raiz do problema. Se estamos insatisfeito com a atuação, vamos cobrar melhoria. Até mesmo, por que o CREA/CONFEA sendo uma autarquia de direito privado, mas com subrogação de poderes públicos, um fiscal que não fiscaliza comete o crime de prevaricação.... na essencia.

Além disso, quantos colegas já formalizaram queixas nos CREAs sobre esses problemas? Se a profissão não tem união para atuar junto do conselho que faz parte porque criar um conselho próprio?

Wesley Assenheimer disse:

Caros colegas. Esta situação é via de regra. Em determinada época visitava lavouras de tomate em Minas e Goiás.

Jamais encontrei fiscal do CREA ou algum extensionista da EMATER, isto em ambos estados.

Devido a falta de fiscalização cheguei a presenciar, um fato no mínimo criminoso. Um contrabandista vendendo defensivos do Paraguai, e proibidos no Brasil.

Os CREAS são voltados as engenharias urbanas com maior enfase,basta ler uma revista do CREA local. De vez em quando lá no final da revista uma reportagem acanhada com alguma referencia à agronomia. Lamentável ! Nosso colega,Francisco César Dias tem razão, esta na hora de organizar o nosso próprio concelho.

Boa noite colegas! Concordo em partes com o colega André Albanese sobre o Paraná. Atuei durante 13 anos como extensionista da Emater-PR, de 1992 a 2005 e dou testemunho da fiscalização que ocorreu no estado neste período, quando as propriedades rurais eram fiscalizadas e onde não houvesse a comprovação (ART)  do responsável técnico o proprietário era notificado por exercício ilegal da profissão. Este fato gerou inúmeras questões judiciais dos proprietários rurais contra o CREA-PR e inclusive políticos defendendo interesses próprios pois interpretaram erroneamente, não pela segurança do agricultor e do consumidor,, mas com o julgamento de que isto tratava-se de um jeito de obrigar o proprietário rural contratar um engenheiro agrônomo a fim de garantir o emprego deste. Absurdo, pois sim , hoje o CREA-PR não fiscaliza mais o exercício da Agronomia. Está um absurdo!!! Empresas de consultoria ambiental constituídas por biólogos realizando obras com atribuições aos agrônomos em georreferenciamento, diagnóstico, projetos e outros afins!!! Empresas contratam engenheiros agrônomos formados como trainees e pagam salários de encarregados; prefeituras municipais abrem concursos e anunciam salários de 2 ou 3 SM mensais e enchem de inscritos!!!! Faculdades privadas que abriram cursos noturnos de Agronomia despejando no mercado profissionais sem senso crítico, tornou-se o jeitinho dos encarregados práticos conquistarem seus títulos de engenheiros agrônomos!!! As multinacionais com as cooperativas continuam utilizando o conhecimento e o título de engenheiro agrônomo para fazer do Brasil o maior consumidor mundial dos seus produtos!!! Temos que acordar contra os abusos e com habilidade e conhecimento não facilitar a desonestidade e a corrupção para saber utilizar a tecnologia com consciência sem exageros e prejuízos aos agricultores e ao meio ambiente. Se o poder de decisão estiver em nossa mãos não podemos nos omitir!

Bom... Problemas existem, o sistema Confea/CREA's é um conselho complexo, que abrange exatamente 306 profissões, e nós Engenheiros Agrônomos temos a segunda maior representatividade no conselho, atrás apenas da Civil. A valorização profissional deve começar individualmente, cada  um se fazendo valorizar e não dependendo de um milagre único do conselho e das entidades de classe (AEA's e sindicato), embora seja papel do conselho e das AEA's regulamentar a profissão e valorizar a mesma (através da nossa participação nos cargos de diretoria). Mas mudando de assunto e aproveitando meus três anos envolvidos com conselho (como inspetor) e AEA (como diretor), vejo a importância de estarmos envolvidos como conselheiros e inspetores no CREA e participando na diretoria das Associações. Pelo menos em nível regional isso dá resultados (experiência própria). Temos influenciado inclusive as políticas públicas, as administrações regionais vêm nos consultar, etc...

E não pensem que só nossa classe tem problemas: Vejam os médicos, não teve profissão mais desvalorizada nos últimos anos do que os médicos. Primeiro o governo veta o Ato Médico, depois trazem os médicos estrangeiros, depois retiram a autonomia do CRM em conceder registros, depois os fazem de sal: branco, barato e tem em todo lugar (Ciro Gomes, Alexandre Padilha)... Então problemas existem em todas profissões.

Mas eu vejo que talvez a criação de um conselho próprio poderia ajudar, porém não seria fácil: os arquitetos embora foram valorizados em alguns aspectos, são penalizados até hoje em outros, como na questão de estrutura (financeira, instalações etc.). No nosso caso, parece não ser interessante para muitos de fora (para o sistema) que a profissão seja valorizada e que o EA tenha autonomia: Já pensou um EA podendo interferir no sistema e no lucro...? Mesma coisa ocorre com a classe médica, no Brasil e nos EUA modelada pelo Relatório Flexner (1910), o qual desacredita toda alternativa de cura para depender exclusivamente de remédios. E ai de quem não dançar conforme a música... 

Então sinto que a classe agronômica não é valorizada propositalmente, pois não é de interesse para o sistema. Estudem, pensem, reflitam...

Caro Eduardo,

Fui ver a Câmara de Agronomia do Crea do meu estado (RJ) e de fato não há nenhuma publicação de Atas.

Mas o buraco é ainda pior: mesmo que se publique poucos entenderão a sopa de letrinhas e termos específicos daquela repartição!

Um exemplo concreto é a postagem Agenda Parlamentar das Câmaras de Agronomia de junho de 2014.

Num esforço sincero e louvável de comunicação a CCEAGRO (Coordenação das Câmaras de Agronomia) nos solicitou a publicação da pauta de Projetos de Lei que irão afetar o nosso exercício profissional.  Ocorreo que mesmo este assunto é árido para a maioria dos profissionais; o que dirá uma ata corriqueira de reunião. No caso das atas das Câmaras, talvez tenhamos que reconhecer que algumas informações ali não sejam públicas, uma vez que envolve análise crítica de empresas que se registram.

Isso nos remete à questão fundamental: o que nós estamos fazendo para fortalecer um esforço de valorização profissional?

Eduardo Rode: o que vc postou merece um blog a parte!

abração



Eduardo B. Teixeira Mendes disse:

Vou separar o Material e em seguida eu adiciono. E queria aproveitar para perguntar, quantas câmaras de Agronomia tem publicado a suas atas?



Gilberto Fugimoto disse:

Caro Eduardo,

É possível transcrever a ata da Câmara de Agronomia?
Seria didático à categoria entender como se dá a fiscalização na Regional mais rica do Confea.

abraços

Prezados colegas,realmente concordo com as palavras do Ricardo, existe propositadamente por ação  do sistema uma barreira contra a valorização dos profissionais de agronomia. Não se compreende uma área que a cada dia apresenta ganhos imensuráveis a sociedade e a economia brasileira, levando-se em consideração a influencia positiva das pesquisas agronômicas e a força do agronegócio, que ainda tenhamos tão pouca expressividade no contexto nacional como categoria e também nos salários. Não se concebe por exemplo anúncios de empregos exigindo uma gama e conhecimento com salários vergonhosos incompatíveis com  o tamanho da vivencia profissional, o que mostra o fraco reconhecimento do saber agronômico. E pela falta de fiscalização e leis forte e atualizadas que definam com clareza nossa atuação tem fragilidade de forma severa nosso crescimento como profissão. Cito o exemplo da construção civil que teve um boom em termos de vagas e salários aos profissionais da área, o que não acontece na agronomia, mesmo com o fantástico progresso em nossas área de atuação e isso tem que ser sanado. Precisamos de mais fiscalização e focar nossas pressões ao CREAs nisso.

E respondendo ao colega Eduardo, sou diretor em minha associação AEAPI e suplente da câmara de agronomia, ao qual estou presente em praticamente todas as reuniões mesmo na presença do titular.

Prezados,

Precisamos de um Plano Nacional de Valorização Profissional que permita rebater e fortalecer a atuação local. É preciso um esforço conjugado das entidades na proposta de:

A Valorização Profissional do Engenheiro Agrônomo e

um Plano Estratégico que o Sustente

Seja realista: peça o impossível

 

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