Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Vejo muitos debates aqui na Rede, sobre a necessidade de valorização da nossa profissão. Sabemos que um dos caminhos mais básicos em minha visão é através da fiscalização do Exercício da Profissão pelo Sistema CONFEA/CREA.

Entretanto, lendo as atas da Câmara de Agronomia do CREA/SP me deparei com um relato sobre o funcionamento do sistema de fiscalização exercido pelo CREA. Simplesmente fiquei completamente horrorizado, uma vez que os próprios conselheiros concluíram que a metodologia empregada pelo CREA/SP é simplesmente para não funcionar.

Eu tenho uma curiosidade de saber se isso ocorre nos demais estados. Pois uma coisa bastante curiosa... Eu estou cadastrado no Sistema CONFEA/CREA há 23 anos e NUNCA pelo menos aqui na região central do estado de São Paulo ouvi falar que um fiscal do CREA esteve em um imóvel rural para efetivar alguma fiscalização.

Será que isso é exclusividade de São Paulo????

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Gilberto, 

O pessoal critica muito os técnicos agrícolas aqui.... Mas uma coisa curiosa e que diga-se de passagem nós agrônomos deveríamos mirar no exemplo deles é a presença de comitivas de técnicos semanalmente no Congresso Nacional, fazendo lobby pelos interesses da classe deles... é só dar uma olhadinha na página da FENATA.

Agora se dermos uma olhada na página da CONFAEAB.... cade o movimento de pressão sobre os parlamentares... cade o lobby???? Na página do CONFEA há somente um informativo sobre a tramitação de projetos de lei referentes a categoria... Mas onde está a representação junto ao nobres congressistas brasileiros?

Num momento que discutimos como valorizar a profissão... eu vejo a CONFAEAB e o CONFEA.... olhando para dentro deles mesmos. Mais ainda... pelo visto a parte documental do site d CONFAEAB não é atualizada desde de 2013.

Teremos muito trabalho para lutar pela valorização!


Gilberto Fugimoto disse:

Eduardo e colegas,

Perfeito! Vc chegou no ponto que é uma bandeira inovadora e, de quebra, coloca o sistema Confea / Crea na parede: transparência nos seus atos e decisões!

Pra quem não sabe a Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/11) obriga que os órgãos públicos (vale para autarquias como o Crea) a prestar informações e dar acesso a documentos públicos. Vale tanto para execução orçamentária até relatórios de fiscalização porventura existentes.

Já pensou um movimento nacional exigindo relatórios de fiscalização dos CREAs?

A fiscalização é a razão de existência do conselho profissional.

E os conselheiros são representantes de entidades de classe e das instituições de ensino superior.

Logo, quem faz funcionar o conselho profissional?

Ainda mais tendo em vista que definir diretrizes e opinar sobre plano de fiscalização é atribuição da Câmara Especializada de Agronomia.

 

 

É isso Eduardo,

Em termos de mobilização outras categorias dão um banho a despeito de toda estrutura de entidades representativas que temos. Mistério!

Também acredito que é preciso cobrar os regionais a publicarem os Relatórios de Fiscalização dos Creas. Vamos ver afinal com que seriedade trabalham....

Prezados,

Pode parecer singelo, mas parece que os temas de debate aqui na Rede Agronomia acabam por pautar as estruturas de fiscalização e defesa profissionais. Estabelecer um canal de comunicação é um sintoma de circulação de ideias, propostas e contribui para uma cultura de participação.

Reunião da CCEAGRO trata de Fiscalização

Concordo que a fiscalização é bastante deficiente com relação às nossas atribuiições, bem como nos imóveis rurais, objeto de atuação de nós profissionais da área. 

E aproveitando o ensejo, venho aqui manifestar minha preocupação com uma prática relativamente frequente e que é por demais prejudicial ao solo e ao meio ambiente, por consequencia. Falo das ações de aração que eventualmente observo em minhas viagens, as quais são realizadas em "morros" com acentuada declividade, as quais, tenho certeza, ou pelo menos espero, não ter nenhum profissional envolvido nelas. Mas como estamos tratando de fiscalização, pergunto se os CREA's teriam amparo e competência legal para atuar e coibir tais práticas?

Segue algumas imagens recentes conseguidas no norte do estado do Rio de Janeiro e que me impresionaram pela capacidade destrutiva potencial do patrimonio incalculável que é o solo de um imóvel.

Aqui no Paraná, tenho certeza, perante os fatos de mais de 20 anos de formado (e trabalhando por várias propriedades rurais de várias regiões deste estado) que é pior que São Paulo. 

Perante o acima descrito, eu te pergunto:

será que a nossa classe profissional só é organizada e articulada apenas para fazer churrasco e jogar bola?

será que a nossa classe não enxerga que, apenas meia dúzia de agrônomos (troca de favores e vantagens), se beneficiam de relação com o CREA?

será que a nossa classe é tão cega, surda e muda, que não percebe os benefícios que os profissionais de arquitetura conquistaram (no âmbito moral e de campo de trabalho) após se libertarem deste conselho?

Caro André,

Gostaria que a nossa classe fosse organizada pelo menos pro churrasco! Até pq seria um bom início de diálogo e conversações entre os profissionais, mas na maioria, nem isso!

André Albanese disse:

Aqui no Paraná, tenho certeza, perante os fatos de mais de 20 anos de formado (e trabalhando por várias propriedades rurais de várias regiões deste estado) que é pior que São Paulo. 

Perante o acima descrito, eu te pergunto:

será que a nossa classe profissional só é organizada e articulada apenas para fazer churrasco e jogar bola?

será que a nossa classe não enxerga que, apenas meia dúzia de agrônomos (troca de favores e vantagens), se beneficiam de relação com o CREA?

será que a nossa classe é tão cega, surda e muda, que não percebe os benefícios que os profissionais de arquitetura conquistaram (no âmbito moral e de campo de trabalho) após se libertarem deste conselho?

Parabéns senhores. Belos comentários. Será que nõ necessitamos de algo novo?

Caros Boa noite.

Inicialmente parabenizo por levantarem, mais uma vez este tema bastante complexo e importante.

Quero registrar que sou terminantemente contra a abertura de novo conselho, pois, não vejo vantagem em criar uma nova entidade visto que não temos participação alguma no existente, num novo será menos ainda.

Reclamamos que o CREA não faz nada para nós, mas o que exigimos? Temos propostas convergentes? A resposta é não.! 

Não nos articulamos para termos algum benefício do conselho, não temos representatividade e, por esse maior motivo, não desfrutamos de benefícios ou fiscalização.

Criar um novo conselho sem representação ou coro, é a mesma coisa que não ter algum.

Poderão argumentar... Agora será diferente! ... Será?

E se não tiver participantes suficientes, como se manterá a nova estrutura, SOZINHA? Os novos profissionais adentrarão para o novo conselho?

Desculpe-me, mas dúvido que haverá adesão maior do que já existe, os novos profissionais nem sequer pagam a unidade do CREA, quando tiram. 

Na minha opinião, os primeiros pontos a serem consolidados na Engenharia Agronômica seriam:

 1 - Quais os valores da nossa classe profissionais, não somente os anseios profissionais, mas o que defendemos?

 2 - Qual a formação mínima que precisamos do profissional para atuar no mercado? Dai cobrar a fiscalização

 3 - O que a sociedade espera de nós e, como podemos atendê-la.

 4 - A partir dos valores consolidados, como resgataremos a adesão dos novos profissionais a aderirem a classe, brigar por sua classe e renovar os quadros dos colegas que nos defendem e representam.

A partir desses pontos, haverá maior adesão, com pressão no conselho atual e finalmente, se o mesmo não for suficiente para nos atender, partimos para novo conselho.

Adendo que não vejo vantagem em sair do conselho de carreiras tecnológicas para um voo solo. Por quê ficarmos sozinhos.

Por fim, foi comentado sobre o conselho dos arquitetos, que está mil maravilhas. Não é esta a informação que tenho em São Paulo. Muito pelo contrário, foi um tiro pela culatra, feito por uma minoria e não vêem vantagens.

Aguardo comentários

Obrigado

Poderão argumentar... Agora será diferente! ... Será?

Caros colegas da rede, boa noite.

 

Sou engenheiro agrônomo Msc. em irrigação e drenagem pela ESALQ/USP e Dr. em hidrologia e recursos hídricos pela FEC/Unicamp, minha área de atuação são projetos de irrigação e dimensionamentos hidráulicos e hidrológicos para utilização dos recursos hídricos na agricultura e sistemas ambientais.

Recentemente estava envolvido em um trabalho técnico sobre disponibilidade hídrica de regularização de vazão por obras hidráulicas de barragem. Foi um trabalho exclusivamente de hidrologia, que no caso, segundo o artigo 5 da Resolução Nº 218, DE 29 JUN 1973, é enquadrado como "recursos naturais renováveis".

Dada a finalização desse projeto, com o recolhimento adequado a respectiva ART de responsabilidade técnica, solicitei ao CREA acervo técnico deste trabalho.

 

Segundo a primeira apreciação do analista:

 

"...pré análise resultou em indeferimento do pedido face incompatibilidade entre naturezas dos serviços x atribuições profissionais. 

Caso tenha interesse, poderemos submeter o assunto à CEA para análise final competente...".

 

Após a notificação de indeferimento, solicitei a câmara técnica de agronomia revisão do indeferimento, pois, o engenheiro agrônomo dispõe de tais atribuições profissionais para execução de trabalhos e estudos técnicos em hidrologia e recursos hídricos.

Conforme o artigo 1 da legislação vigente - Resolução Nº 218, DE 29 JUN 1973, o profissional cadastro no sistema CREA/CONFEA, apresenta entre suas atividades primordiais:

 

Atividade 02 - Estudo, planejamento, projeto e especificação;

 

Atividade 03 - Estudo de viabilidade técnico-econômica;

 

Atividade 04 - Assistência, assessoria e consultoria;

 

Tais atividades foram foco do trabalho elaborado no referido atestado.

 

Além do mais, compete ao engenheiro agrônomo, segundo artigo 5 da mesma resolução:

 

"...

I - o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referentes a engenharia rural; construções para fins rurais e suas instalações complementares; irrigação e drenagem para fins agrícolas; fitotecnia e zootecnia; melhoramento animal e vegetal; recursos naturais renováveis; ecologia, agrometeorologia; defesa sanitária; química agrícola; alimentos; tecnologia de transformação (açúcar, amidos, óleos, laticínios, vinhos e destilados); beneficiamento e conservação dos produtos animais e vegetais; zimotecnia; agropecuária; edafologia; fertilizantes e corretivos; processo de cultura e de utilização de solo; microbiologia agrícola; biometria; parques e jardins; mecanização na agricultura; implementos agrícolas; nutrição animal; agrostologia; bromatologia e rações; economia rural e crédito rural; seus serviços afins e correlatos.

..."

 

Tanto a ciência hidrológica, quanto a sua aplicação como engenharia hidrológica não é exclusividade de um único profissional registrado pelo CREA.

As mesmas disciplinas são cursadas em demais carreiras técnicas como geologia, minas, geografia, engenharia florestal e inclusive na engenharia agronômica.

Portanto, estudos hidrológicos, razão da solicitação deste atestado, são também competência do engenheiro agrônomo, especialmente o presente que é especializado nesta área do conhecimento.

 

Alguns meses depois, foi informado, que meu pedido fora revisado e me concederam o respectivo acervo.

 

Este caso acima apresentado demonstra que, embora o CREA, apresenta todas as dificuldades e deficiências apontadas, ainda trabalha para nós e que as câmaras técnicas buscam nossos interesses.

Se não tivesse o apoio da CEA, imaginem se o conselho de engenharia me forneceria tal acervo.... Dificilmente.

O que realmente falta nas câmaras técnicas é representatividade profissional.

Neste caso, existia a determinação curricular e somente um erro grosseiro. Nada mais correto do que sua correção. Os problemas começam pela falta de representatividade nas câmaras e avança nas dificuldades da categoria tais como formação muito ruim, falta de conhecimento de ética profissional, falta de atuação política profissional e a revolta que causa em nossos pares no campo por ter que pagar para serem fiscalizados. E as barbaridades quando entramos nos órgãos de controle ambiental e somos tratados como bichos. Segue por aí afora num sem número de eventos.

Parabéns, você foi atrás de seus direitos e conseguiu. Mas, uma maioria absoluta não vai, temendo simplesmente represálias.

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