Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Um debate que há muito precisa ser travado:

Que ações de fiscalização estão ausentes no Sistema CONFEA / CREAs e que precisam ser implementadas?

Que critérios e ações desejamos para que se garanta ocupação profissional ao Engenheiro Agrônomo?

Exibições: 1114

Responder esta

Respostas a este tópico

Cadê mesmo o fiscal do CREA?

Olá, caro Gilberto,

Há muitos anos venho apontando falta de RT (responsável técnico) de agronomia na produção de verduras, legumes e frutas. Tais produtos, por serem enviados "in natura" para os consumidores, muito frequentemente são produzidos sem orientação de um RT, daí, o uso indiscriminado e inadequado de agrotóxicos e de água poluída submete os consumidores aos riscos inerentes. Como tais práticas são regulamentadas em leis (Lei de agrotóxicos; Lei 5.194/66, c/c Res. 218/73 do CONFEA), os CREAs deveriam exigir um RT para cada grupo de 15 a 30 produtores de hortaliças, além de exercer fiscalização sistemática nos campos de produção.

Outro campo de atividade da agronomia, regulamentado por diversas leis (5.194/66; Res. 218/73; Res. 345/90 do CONFEA; Código de Processo Civil; Código Civil, etc.) é o de perícias rurais, em que cerca de 99% dos casos são de atribuição exclusiva da agronomia, como: avaliações rurais; divisão, partilha e demarcação de imóveis rurais; 80% das perícias ambientais; perdas de safras e seguro agrícola; controle de erosão dos solos utilizadas na produção agropecuária; proteção das nascentes e dos cursos de água, etc., mas que carecem da presença de um RT e da efetiva atuação política por parte do CONFEA, CREAS e das entidades de classe federal e estaduais, além de fiscalização por parte dos CREAs.

Por falta desta atuação, milhares de postos de trabalho de agronomia já regulamentados em leis ficam nas mãos de leigos, pondo em risco os legítimos interesses da sociedade. 

Concordo plenamente com o Eliezer. E quanto a parte da Lei dos Agrotóxicos o CREA só fiscaliza as revendas e qualquer produtor pode comprar e aplicar os produtos desde que cadastrados na revenda e sem nenhuma assistência técnica.É facil verificar que estão sendo mau aplicados, basta um fiscal do CREA se dirigir aos centros de Abastecimento (CEASAS) e recolher pequenas amostras de frutas e legumes e enviar a um laboratório de análises químicas de agrtóxicos. Nos resultados certamente será confirmada principalmente o desrespeito ao período de carência e superdosagens.Com a idéia do colega Eliezer poderia se formar talvez uma cooperativa (sediada nas próprias CEASAS), que reuniria pequenos produtores em grupos e para cada grupo um RT, não só para orientar e acompanhar o uso dos agrotóxicos, mas também adubações, calagens, etc.E estes grupos de pequenos produtores pagariam uma taxa mensal que seria destinada ao RT.Seria uma Extensão Rural Privada com baixo custo para o pequeno produtor. 

Concordo com os colegas acima, mas na região onde trabalho (Campinas e adjacências) infelizmente essa questão de o agricultor pagar uma "pequena taxa" mensal, não soa muito bem, pois aqui (e em outras regiões paulistas) a visita de um agrônomo, via revenda, é dever do estabelecimento (até certo ponto, concordo). Cada sítio deveria ter um agrônomo responsável, para elaborar uma receita agronômica? Infelizmente, o agricultor pequeno não vai poder arcar com este tipo de serviço, daí vem todas as questões acima descritas (uso errado de defensivos, carência, dosagem, produto não recomendado). Vendedores de produtos fitossanitários e adubos estão aos montes por aí, e vão vendendo qualquer produto, pois o mais importante é a meta mensal alcançada... E daí vem a fiscalização e quem leva a pior? O agrônomo (ou engenheiro agrônomo). Há também que se considerar as atitudes de muitos de nossos colegas também que exercem a "função de contribuir" com os agricultores de forma totalmente errada, achando que são os donos da verdade. Ouvi relatos de colegas recomendando produtos não registrados para tal cultura, onde o resultado foi totalmente catastrófico (economicamente falando). O prejuízo foi tal que teve de tirar a placa de responsável técnico, colocado na entrada do sítio, e o produtor teve de parar com o plantio.

Aqui no Brasil, muitas vezes, é o bom profissional limpando a "_agada" de outros tantos que estão espalhados por aí, fazendo recomendação errada..."

Olá Gilberto,

Semana passada recebi meu exemplar da Revista do CREA-PA, que tem como artigo de capa o tema “Um novo olhar sobre o uso dos agrotóxicos”.

Me causou espanto e preocupação a forma superficial, incompleta e  de viés fortemente ideológico, da abordagem do assunto. Se o artigo fosse publicado por uma ONG ambientalista, eu facilmente compreenderia. Mas não por uma revista que, entre outras coisas deve representar de forma imparcial a opinião dos vários profissionais que o CREA-PA representa. Por exemplo, se observam expressões e frases que opõem o agronegócio (pelo contexto, claramente "do mal”) e a agricultura familiar (no caso "do bem”) e diversas outras que não condizem com a neutralidade que se espera de um periódico dessa natureza.

Aqui em meu estado, existe no MPE um grupo denominado "Fórum de Combate aos Impactos Causados pelos Agrotóxicos" onde as ONG prosperam e advogados, médicos, biólogos e pequenos produtores, que fazem as vezes de agrônomos opinando em favor do que eles próprios consideram "agroecologia".

Ecologia é uma ciência. Quem estudou e estuda a ecologia dos agroecossistemas - ou agroecologia  (lembrando, uma ciência, não uma ideologia) são os Engenheiros Agrônomos. Mas de forma cada vez maior nossa opinião é desconsiderada nesse debate. Talvez porque, embora reconheçamos os aspectos promissores do uso práticas agroecológicas (incluindo a agricultura orgânica) e da necessidade cada vez maior de sua adoção, também sabemos que não existem atualmente tecnologias que permitam realizar agricultura em larga escala, com alta produtividade, de modo a produzir alimentos suficientes para o planeta totalmente sem o uso de defensivos agrícolas. De fato, o mundo, quase em sua totalidade usa os defensivos agrícolas. Queremos chegar lá, mas ainda estamos longe disso.

Conhecemos bem os problemas associados ao uso de agrotóxicos. No entanto, um antigo ditado diz que “a diferença entre o remédio e o veneno costuma ser apenas a dose”. Diversos remédios usados na medicina são venenos ministrados em baixas doses. Ainda assim, ninguém em sã consciência sugere o banimento dos medicamentos receitados pelos profissionais da medicina em função dos bem conhecidos efeitos colaterais associados à automedicação, dos eventuais erros de prescrição por parte de alguns daqueles profissionais, dos efeitos de difícil previsão nas interações medicamentosas ou mesmo em razão das limitações na eficácia de diversos princípios ativos. O fato é que precisamos dos medicamentos – apesar de seus riscos.

Por essa ótica, os agrotóxicos (ou defensivos agrícolas como prefere a maioria dos Engenheiros Agrônomos) devem ser vistos como ferramentas – insumos – de alta relevância, que a exemplo dos medicamentos prescritos pela classe médica, possuem um nível de complexidade em suas características de aplicação e modo de ação, que exige que seu uso seja receitado e supervisionado exclusivamente por profissionais habilitados e qualificados.

Neste respeito, a revista do CRE-PA passa ao largo do maior problema de todos:  a ausência do Engenheiro Agrônomo na assistência ao produtor e consequentemente na emissão do receituário agronômico e na supervisão do uso dos produtos. Ninguém mais do que o CREA deve saber que a presença dos profissionais de Engenheiros Agrônomos qualificados no campo e o Receituário Agronômico são fatores vitais para, por um lado, restringir o uso impróprio e desnecessário de agrotóxicos, e por outro, para socorrer o produtor rural, por meio da prescrição e do uso correto destes insumos quando os lucros e a sobrevivência deste e de sua família é ameaçada pela ocorrência de pragas e doenças da agricultura.

Cabe ao CREA-PA e suas publicações defender a elevada qualificação e inserção no mercado dos profissionais da Agronomia, ao passo que respeitam seu espaço e atribuições. Em vez de fazer de conta de que não tem nenhuma parcela de culpa no problema, uma de suas tarefas principais  deveria ser empreender ações, incluindo a de fiscalização, que contribuam e promovam o correto exercício da atividade profissional e a proteção da sociedade.

É possível um grupo de agricultores dispor de Assistência Técnica (não é extensão!) Agronômica?

Para  produtores familiares a ATER parece estar se estruturando. 

E para os médios produtores, como fica? 

Quem assiste e quem garante?

Em meados de 2015 a Coordenadoria de Câmaras Especializadas de Agronomia  fez levantamento de atividades de agronomia fiscalizadas pelos Creas. Segue em anexo.

Anexos

Caro Kleber,

A fiscalização é uma atividade privativa do Conselho?
Somos cerca de 100 mil interessados na garantia das atribuições e atividades do E. A.

Todas e ainda pior deixaram que esta profissão tão importante a agropecuária, ao meio ambiente ao ser humano e a outros muito setores ligados ao setor rural,praticamente não ter nenhuma evolução  o CONFEA e CREAS são uns obsoletos conselhos  de defesa e fiscalização das profissões principalmente da Engenharia Agronômica e eu concordo em tudo com o Sr. Eliezer nossa profissão precisa voltar a ter o valor que tinha nos anos 80 ai sim nossa profissão terá sua valorização e sua grande importância no setor Agropecuário e não o que é hoje simplesmente vendedores de defensivos uma barbárie quando olhamos as dimensões do setor agropecuário principalmente no responsável técnico  para as propriedades rurais e não importa se produzem hortaliças leguminosas etc... mas que a cada produto que sai da propriedade acompanhe um documento emitido por um engenheiro agrônomo de que aquele produto foi conduzido de acordo com as normas técnicas poderia até ser chamado de ART. 

Concordo com o Sr. Fugimoto. A fiscalização é de todos nós, engenheiros agrônomos e não somente do Conselho.

Caro Cleber e colegas,

De fato é uma questão a ser enfrentada. 

Mesmo entendendo que a fiscalização seja privativa do Conselho Profissional, 100 mil profissionais espalhados pelo território nacional terão melhores condições de identificar exercício irregular da Agronomia. 
Precisaria de um esforço do Sistema Confea / Creas em orientar os profissionais nesse sentido.

Veja, por exemplo, a amplitude das atividades de fiscalização na Agronomia, conforme manual de Fiscalização da Agronomia.
http://www.crea-rj.org.br/wp-content/uploads/2012/07/Manual-Fiscali...

1. AGRICULTURA FAMILIAR - PRONAF

2. AGRICULTURA ORGÂNICA

3. ANÁLISE, DIAGNOSTICO E PROGNÓSTICO DA ATMOSFERA E SUAS RELAÇÕES MUTUAS COM A HIDROSFERA,BIOSFERA, LITOSFERA E CRIOSFERA

4. ARBORIZAÇÃO

5. ARMAZENAMENTO DE GRÃOS

6. ARMAZENAMENTO (uso agrícola qualquer)

7. ARMAZÉNS GALPÕES E SIMILARES (uso agrícola)

8. CAPTURA DE PESCADO

9. CERTIFICAÇÃO FITOSSANITÁRIA DE ORIGEM (CFO)

10. CLASSIFICAÇÃO E CERTIFICAÇÃO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS E FLORESTAIS

11. COLHEITA E TRANSPORTE FLORESTAL

12. COMBATE À EROSÃO

13. CONSERVAÇÃO DE SOLOS

14. CRÉDITO RURAL

15. CULTIVO DE PLANTAS MEDICINAIS, CONDIMENTARES E AROMÁTICAS

16. CULTURA DE FRUTÍCOLAS

17. CULTURA DE OLERÍCOLAS

18. CULTURAS PERMANENTES

19. CULTURAS TEMPORÁRIAS

20. DESMATAMENTO E DESTOCA

21. DIAGNOSTICO DE DISPERSÃO DE POLUENTES ATMOSFÉRICOS

22. DRENAGEM PARA FINS AGRÍCOLAS E FLORESTAIS

23. ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS – CONVENCIONAIS E AUTOMÁTICAS

24. ESTERQUEIRAS

25. ESTUDOS DE IMPACTOS AMBIENTAIS (EIA/RIMA)

26. ESTRADAS RURAIS

27. ESTUFA

28. EXPURGO

29. FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO

30. FUMIGAÇÃO

31. GAIOLAS E CERCADOS

32. GEORREFERENCIAMENTO

33. INDÚSTRIA PESQUEIRA

34. INDÚSTRIAS AGRÍCOLAS E FLORESTAIS

35. INSTALAÇÕES PARA CRIAÇÃO DE ANIMAIS

36. INVENTÁRIO FLORESTAL

37. IRRIGAÇÃO EM CULTURAS

38. LOCAÇÃO DE SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO/ DRENAGEM

39. MANUTENÇÃO DE ÁREAS VERDES E PAISAGISMO

40. METEOROLOGIA AERONAUTICA E MARINHA

41. MODELAGEM DO TEMPO E CLIMA, HIDROMETEOROLÓGICA E DE INTERAÇÃO OCEANO / ATMOSFERA

42. MODIFICAÇÃO ARTIFICIAL DO TEMPO

43. MORADIAS RURAIS

44. PERÍCIAS

45. PLANO DE CORTE – EXPLORAÇÃO FLORESTAL

46. PLANO DE PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS FLORESTAIS

47. PREVISÃO DO TEMPO E CLIMA

48. PRODUÇÃO DE FLORES E PLANTAS ORNAMENTAIS

49. PRODUÇÃO DE SEMENTES E MUDAS

50. TANQUES DE PRODUÇÃO DE ALEVINOS

51. RECEITUÁRIO AGRONÔMICO

52. RESERVA LEGAL E ÁREAS DE PRESERVAÇÃOPERMANENTE

53. SILOS TRINCHEIRA

54. SISTEMA DE INFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS – SIG

55. SISTEMA DE VÁRZEAS

56. TANQUES DE PSICULTURA

57. ZOOTECNIA: ANIMAIS DE PEQUENO PORTE

58. ZOOTECNIA: ANIMAIS DE MÉDIO PORTE

59. ZOOTECNIA: ANIMAIS DE GRANDE PORTE

60. SENSORIAMENTO REMOTO

Responder à discussão

RSS

© 2017   Criado por Gilberto Fugimoto.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço

Offline

Vídeo ao vivo