Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Um debate que há muito precisa ser travado:

Que ações de fiscalização estão ausentes no Sistema CONFEA / CREAs e que precisam ser implementadas?

Que critérios e ações desejamos para que se garanta ocupação profissional ao Engenheiro Agrônomo?

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Respostas a este tópico

Prezados,

Como foi dito realmente a fiscalização é falha ou mesmo não existe e também há o descrédito da opinião do agrônomo no próprio CREA, eu vejo que a solução seria criar um conselho independente como a medicina ou mesmo a veterinária, pois somos aglomerados com outras profissões e não temos representatividade, acredito que esta seria uma boa alternativa para resolver alguns dos problemas da nossa profissão.

É urgente que a Agronomia (os Agrônomos) estejam atentos. A Agronomia é parte estratégica para economia e desenvolvimento do país, pois a produção de alimentos se tornará ponto crítico diante das mudanças pelas quais o planeta, sociedade, economias e governos estão passando. A autonomia da produção de alimentos não pode ser perdida e isso passa pela atuação e força de representatividade dos Agrônomos. 

A falta que a fiscalização faz!

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Cléber eu atuo prestando esse serviço de assistência a pequenos produtores. Eles pagam uma pequena taxa mensal e eu vou duas a três vezes por mês nas propriedades, onde os atendo. São todos produtores de cultivo protegido, pelos resultados que estamos obtendo, eles não reclamam do valor.

Só como exemplo, no caso de tomate em estufa, que na minha região os colegas agrônomos recomendam pulverizar a cada três dias, estamos com um trabalho com base em MIPD. Este produtor assistido, desde a implantação da lavoura há 60 dias, só fez 3 pulverizações, com o isso o impacto econômico sobre a lavoura está muito alto, fazendo com que o investimento em assistência traga bom retorno.

E só como curiosidade... mais de 90% dos estufeiros da minha região contam com assistência privada.


Cleber Kazuo Nishida disse:

Concordo com os colegas acima, mas na região onde trabalho (Campinas e adjacências) infelizmente essa questão de o agricultor pagar uma "pequena taxa" mensal, não soa muito bem, pois aqui (e em outras regiões paulistas) a visita de um agrônomo, via revenda, é dever do estabelecimento (até certo ponto, concordo). Cada sítio deveria ter um agrônomo responsável, para elaborar uma receita agronômica? Infelizmente, o agricultor pequeno não vai poder arcar com este tipo de serviço, daí vem todas as questões acima descritas (uso errado de defensivos, carência, dosagem, produto não recomendado). Vendedores de produtos fitossanitários e adubos estão aos montes por aí, e vão vendendo qualquer produto, pois o mais importante é a meta mensal alcançada... E daí vem a fiscalização e quem leva a pior? O agrônomo (ou engenheiro agrônomo). Há também que se considerar as atitudes de muitos de nossos colegas também que exercem a "função de contribuir" com os agricultores de forma totalmente errada, achando que são os donos da verdade. Ouvi relatos de colegas recomendando produtos não registrados para tal cultura, onde o resultado foi totalmente catastrófico (economicamente falando). O prejuízo foi tal que teve de tirar a placa de responsável técnico, colocado na entrada do sítio, e o produtor teve de parar com o plantio.

Aqui no Brasil, muitas vezes, é o bom profissional limpando a "_agada" de outros tantos que estão espalhados por aí, fazendo recomendação errada..."

É lógico que é possível Gilberto,

Como eu dei o exemplo para o Cleber com hortaliças em ambiente protegido. Eu conheço vários agrônomos que trabalham fazendo exatamente isso. Sejam para culturas de grãos, café, citros, hortaliças e outras culturas. São Profissionais que agem de forma independente de revendas. 

Tudo é uma questão buscar a oportunidade. 

O maior problema é ainda enfrentar uma questão cultural.... a resistência de muitos produtores. Em regiões onde a produção é mais tecnificada, essa resistência é menor, pois até mesmo pelo efeito demonstração dos vizinhos leva o produtor a se aprimorar.

Porém, o pessoal deve investir pesado em qualificação. 

Não sei como é ai no Rio, mas aqui no interior de SP tem bastante gente atuando como assistência independente. Alguns melhores.. outros meia boca..... Mas tudo é uma questão de você conquistar a confiança do produtor.

Gilberto Fugimoto disse:

É possível um grupo de agricultores dispor de Assistência Técnica (não é extensão!) Agronômica?

Para  produtores familiares a ATER parece estar se estruturando. 

E para os médios produtores, como fica? 

Quem assiste e quem garante?


De fato, colega Gilberto, contudo, de que modo poderíamos atuar como "fiscais" na nossa região? Denunciando suspeitas de ilegalidades ao CREA regional? 

Abraços a todos!


Gilberto Fugimoto disse:

Caro Kleber,

A fiscalização é uma atividade privativa do Conselho?
Somos cerca de 100 mil interessados na garantia das atribuições e atividades do E. A.

Jefferson,

De fato não tenho certeza, mas o bom senso aponta que todo cidadão (independente até de formação) pode fazer denúncia ao Crea por exercício ilegal ou qquer outra irregularidade no âmbito de sua fiscalização, mesmo que a autuação seja privativa do fiscal.

Temos um hábito de querer "ficar bem" com todo o mundo que acaba gerando uma cultura permissiva para quase tudo. 

abraços

Prezados colegas, boa tarde!

Quanto à relação entre nível tecnológico (dos produtores) e valorização profissional (por parte daqueles mesmos produtores), não acredito que se trate de algo tão linear assim... Por exemplo, moro atualmente numa região de médios produtores de grãos (soja, milho e trigo), muitos dos quais teriam acesso às mais novas tecnologias agrícolas, contudo, não sei de ninguém que tenha um RT pela sua lavoura de grãos! De fato, a maioria do pessoal receberia "assistência técnica" da parte dos vendedores técnicos safreiros e das revendas, sejam atreladas às cooperativas, sejam comerciais comuns... E quanto aos escritórios de AT? Bom, a grande maioria se dedicaria apenas a projetos para obtenção de crédito, CAR, etc. RT por lavouras? Lenda urbana, digo, rural...!

Abraços!

PS: A minha região seria a região norte do Rio Grande do Sul (região de Passo Fundo, importante polo regional e mesmo nacional do agronegócio ligado à produção de grãos - commodities). Sou professor federal, tanto do curso de Agronomia quanto do técnico em agropecuária, tendo vários alunos e ex-alunos ligados ao ramo produtivo.

Jefferson G. Acunha disse:

Prezados colegas, boa tarde!

Quanto à relação entre nível tecnológico (dos produtores) e valorização profissional (por parte daqueles mesmos produtores), não acredito que se trate de algo tão linear assim... Por exemplo, moro atualmente numa região de médios produtores de grãos (soja, milho e trigo), muitos dos quais teriam acesso às mais novas tecnologias agrícolas, contudo, não sei de ninguém que tenha um RT pela sua lavoura de grãos! De fato, a maioria do pessoal receberia "assistência técnica" da parte dos vendedores técnicos safreiros e das revendas, sejam atreladas às cooperativas, sejam comerciais comuns... E quanto aos escritórios de AT? Bom, a grande maioria se dedicaria apenas a projetos para obtenção de crédito, CAR, etc. RT por lavouras? Lenda urbana, digo, rural...!

Abraços!

Jefferson e colegas,

Estou impressionado. O Projeto de ATER Pública destina-se apenas à Agricultura familiar. 

Se médios produtores não têm A.T. de qualidade e há E.A. aos montes procurando trabalho, resta saber como unir as pontas!

abração

Caro Milton,

Creio que cabe uma manifestação formal ao CREA-PA sobre a superficialidade do artigo e cobrança maior no esforço de fiscalização da área da Agronomia. Nenhum serviço público melhora sem a cobrança da sociedade!

abração

Milton Leite Alves da Cunha disse:

Olá Gilberto,

Semana passada recebi meu exemplar da Revista do CREA-PA, que tem como artigo de capa o tema “Um novo olhar sobre o uso dos agrotóxicos”.

Me causou espanto e preocupação a forma superficial, incompleta e  de viés fortemente ideológico, da abordagem do assunto. Se o artigo fosse publicado por uma ONG ambientalista, eu facilmente compreenderia. Mas não por uma revista que, entre outras coisas deve representar de forma imparcial a opinião dos vários profissionais que o CREA-PA representa. Por exemplo, se observam expressões e frases que opõem o agronegócio (pelo contexto, claramente "do mal”) e a agricultura familiar (no caso "do bem”) e diversas outras que não condizem com a neutralidade que se espera de um periódico dessa natureza.

Aqui em meu estado, existe no MPE um grupo denominado "Fórum de Combate aos Impactos Causados pelos Agrotóxicos" onde as ONG prosperam e advogados, médicos, biólogos e pequenos produtores, que fazem as vezes de agrônomos opinando em favor do que eles próprios consideram "agroecologia".

Ecologia é uma ciência. Quem estudou e estuda a ecologia dos agroecossistemas - ou agroecologia  (lembrando, uma ciência, não uma ideologia) são os Engenheiros Agrônomos. Mas de forma cada vez maior nossa opinião é desconsiderada nesse debate. Talvez porque, embora reconheçamos os aspectos promissores do uso práticas agroecológicas (incluindo a agricultura orgânica) e da necessidade cada vez maior de sua adoção, também sabemos que não existem atualmente tecnologias que permitam realizar agricultura em larga escala, com alta produtividade, de modo a produzir alimentos suficientes para o planeta totalmente sem o uso de defensivos agrícolas. De fato, o mundo, quase em sua totalidade usa os defensivos agrícolas. Queremos chegar lá, mas ainda estamos longe disso.

Conhecemos bem os problemas associados ao uso de agrotóxicos. No entanto, um antigo ditado diz que “a diferença entre o remédio e o veneno costuma ser apenas a dose”. Diversos remédios usados na medicina são venenos ministrados em baixas doses. Ainda assim, ninguém em sã consciência sugere o banimento dos medicamentos receitados pelos profissionais da medicina em função dos bem conhecidos efeitos colaterais associados à automedicação, dos eventuais erros de prescrição por parte de alguns daqueles profissionais, dos efeitos de difícil previsão nas interações medicamentosas ou mesmo em razão das limitações na eficácia de diversos princípios ativos. O fato é que precisamos dos medicamentos – apesar de seus riscos.

Por essa ótica, os agrotóxicos (ou defensivos agrícolas como prefere a maioria dos Engenheiros Agrônomos) devem ser vistos como ferramentas – insumos – de alta relevância, que a exemplo dos medicamentos prescritos pela classe médica, possuem um nível de complexidade em suas características de aplicação e modo de ação, que exige que seu uso seja receitado e supervisionado exclusivamente por profissionais habilitados e qualificados.

Neste respeito, a revista do CRE-PA passa ao largo do maior problema de todos:  a ausência do Engenheiro Agrônomo na assistência ao produtor e consequentemente na emissão do receituário agronômico e na supervisão do uso dos produtos. Ninguém mais do que o CREA deve saber que a presença dos profissionais de Engenheiros Agrônomos qualificados no campo e o Receituário Agronômico são fatores vitais para, por um lado, restringir o uso impróprio e desnecessário de agrotóxicos, e por outro, para socorrer o produtor rural, por meio da prescrição e do uso correto destes insumos quando os lucros e a sobrevivência deste e de sua família é ameaçada pela ocorrência de pragas e doenças da agricultura.

Cabe ao CREA-PA e suas publicações defender a elevada qualificação e inserção no mercado dos profissionais da Agronomia, ao passo que respeitam seu espaço e atribuições. Em vez de fazer de conta de que não tem nenhuma parcela de culpa no problema, uma de suas tarefas principais  deveria ser empreender ações, incluindo a de fiscalização, que contribuam e promovam o correto exercício da atividade profissional e a proteção da sociedade.

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