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Necessidade de Calagem na Cana-de-Açúcar

Embora seja tolerante aos solos ácidos, a cana-de-açúcar responde muito bem a calagem, com resultados significativos no aumento da produtividade da planta. Benedini (1988) apresentou uma fórmula de cálculo da necessidade de calagem na cana.
NC (t/ha) = [3 - (Ca + Mg)] x 100 /PRNT
Onde:
3 = requerimento de Ca + Mg pela cana, considerando 1,4 cmolc/dm³ o nível crítico + 0,9 cmolc/dm³ a exportação + 0,7 cmolc/dm³ as perdas por lixiviação.
Mais tarde, apareceu o cálculo da necessidade de calagem pelo método saturação por bases (V%):
NC (t/ha) = (V2 - V1) x T / 10 PRNT
Aqui, no cálculo procura-se elevar o V2 para 60%. Alguns pesquisadores propõem 65%. Os solos arenosos apresentam uma CTC (T) menor que 5,5 cmolc/dm³, enquanto os argilosos apresentam o T maior que 5,5.
A prática da calagem proporciona um equilíbrio entre as relações Ca, Mg e K trocáveis do solo. Segundo a literatura, um solo deve apresentar, para uma saturação por bases V=60%, os seguintes valores:
K/T = 3 - 5%
Mg/T = 10 - 15%
Ca/T = 35 - 40%
A relação K:Mg:Ca deve estar entre 1:3:9 e 1:5:25, donde resulta uma relação Ca/Mg de 3 a 5:1.
Martins & Cerqueira Luz apresentam uma fórmula para o cálculo da necessidade de calagem na profundidade de 0-40 cm do solo.
NC (t/ha) = V2-V1)T1 + 1/2(V2-V1)T/ PRNT
onde T1 = valor da CTC a pH 7,0  na camada de 0-20 cm.
T2 = valor da CTC a pH 7,0  na camada de 0-40 cm.
Vitti & Mazza (1998) apresentaram a seguinte fórmula:
NC (t/ha) = (V2-V1)T1 + (V2-V1)T2 / PRNT
Os Estados de Espirito Santo, Goiás, Minas Gerais, mais o Cerrado usam o método da neutralização de alumínio (Al) no cálculo da quantidade de calcário para corrigir a acidez do solo. O Estado de São Paulo utiliza o método de saturação por bases (V%). O Estado do Paraná utiliza os dois métodos: neutralização do Al e o saturação por bases (V%).
Na cana soca, a necessidade de calagem deve ser para um V igual a 60%, na camada de 0-20 cm e uma dose próxima de 3 t/ha.
calagem deve ser feita no preparo do solo. A incorporaçãodeve ser profunda e com auxílio de um arado de aiveca. Isto proporciona condições melhores para o desenvolvimento mais profundo do sistema radicular da planta. A aplicação do calcário deve ser feita 40 a 60 dias antes do plantio dependendo do PRNT e do Poder de Neutralização, em toda a área de maneira uniforme e profunda. Valores menores de PRNT tornam a calagem mais lenta.
É recomendado um adicional de 20% na quantidade de calcário encontrada por causa à deriva da aplicação, à acidificação do solo pelo emprego de fertilizantes químicos. 
Rossetto,R. et al (2004) observaram que a resposta da cana à calagem se verifica em solos com baixa fertilidade, pH menor que 4,4, teor de Ca de 0,6 cmolc/dm³ e Mg 0,1 cmolc/dm³.
Nas soqueiras, em solos com baixa CTC, a aplicação de calcário mostrou resultados significativos. Albino,F.E & Miller,L.C. observaram que 2 t/ha de calcário sobre a soqueira mostrou-se tecnicamente viável, pois os níveis de Ca e Mg foram suficientes para favorecer a produtividade da cana. Os resultados dos experimentos sugerem, para a soma Ca e Mg, valores entre 24 a 37 mmolc/kg e a relação Ca:Mg entre 2 a 2,5:1. A saturação por alumínio (m%) maior que 35% na camada 25-50 cm, um teor de argila maior que 25% são indicativos para a utilização de gesso agrícola que corrige o Al e favorece o desenvolvimento das raízes das plantas. O uso de escória de siderurgia é uma alternativa para a neutralização da acidez do solo, além de fornecer silício e micronutrientes. Embora eles sejam absorvidos em pequenas quantidades, são essenciais para a cana-de-açúcar, pois a deficiência de um ou mais causam redução no desenvolvimento e na produtividade da planta. Além disto, solos pobres em micronutrientes podem ter problemas, pois a calagem aumentando o pH do solo diminui a disponibilidade deles. E as escórias já trazem micronutrientes , na sua composição.

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