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Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Fragmentos florestais são áreas de vegetação natural, interrompidas por barreiras antrópicas ou naturais, capazes de reduzir significativamente: o fluxo de animais, pólen ou sementes. A borda, o tipo de vizinhança, o grau de isolamento, o tamanho e a forma dos fragmentos, são os principais fatores a serem considerados (Viana, 1993).

A expansão do uso da terra, que acompanha o crescimento da população humana, resulta na fragmentação dos habitats naturais, com a formação de fragmentos florestais de diferentes tamanhos e formas. Essas alterações podem resultar no isolamento de populações e até extinção de espécies, reduzindo a biodiversidade local em função, principalmente, da perda de habitats e de uma maior incidência de raios solares entre os fragmentos (Wilcox & Murphy, 1985). (*)

Este fenômeno ocorre desde o início da nossa colonização, na Mata Atlântica; alcançou repercussão internacional com o chamado “arco de fogo” da Amazônia brasileira; foi destaque na imprensa com a interrupção temporária da construção do anel viário do Rio de Janeiro, por causa de uma perereca que estava em período de reprodução; e foi tema do trabalho apresentado pelo Henrique, aluno de Engenharia Ambiental em Salvador-BA. A fragmentação é um efeito das atividades madeireiras, pecuárias, industriais, da construção de rodovias e linhas de transmissão de energia, oleodutos e gasodutos.

MUDANÇAS ECOLÓGICAS
As alterações de paisagem que ocorrem em função do isolamento são, em geral, proporcionais ao tamanho do fragmento florestal e dizem respeito a:
> estoque de carbono;
> polinização vegetal;
> redução de espécies; e
> ciclagem de nutrientes.

IMPACTOS AMBIENTAIS
Os principais efeitos adversos são os de área, de borda, de distância (ou isolamento) e do seu arranjo espacial (tipo de matriz). Vejamos cada um deles.

1 – Efeitos de Área
São mudanças ecológicas que ocorrem como resultado da área do(s) fragmento(s) e que se traduzem por menor riqueza de espécies e menor densidade de espécies. Os efeitos negativos à flora e à fauna tendem a ser mais abruptos nos fragmentos de menor tamanho (< 100 ha), que predominam, p.ex., na Mata Atlântica (Ranta e aux., 1998).

2 – Efeitos da Distância
A distância entre fragmentos ou da floresta contínua, pode afetar o deslocamento de animais e de propágulos vegetais, como prega a “Teoria de Biogeografia de Ilhas”. Quanto maior a distância, pior o efeito. Na Amazônia central, esses efeitos negativos foram sentidos em pássaros insetívoros, mamíferos arbóreos, besouros e abelhas.

3 – Efeitos de Borda
Bordas são os limites do fragmento e formam uma transição abrupta entre a floresta e a paisagem adjacente alterada. Os efeitos negativos são diversos e incluem: alterações abióticas, na abundância das espécies e em processos ecológicos. Na Amazônia central, a distância de penetração dos efeitos de borda variam entre 10 e 400m, dependendo do tipo de efeito, que é influenciado pela sua forma, graças à relação perímetro/área. Veja a relação de alguns efeitos de borda:
a) aumento da taxa de mortalidade de árvores;
b) mudanças bruscas de luminosidade, temperatura, umidade e ventos;
c) extinção de espécies de insetos, pássaros e outros animais;
d) extinção de onças e felinos diminui a abundância de outros mamíferos; e
e) deixa a floresta mais suscetível à invasão por espécies exóticas ou não florestais.

Quando da colonização da Transamazônica, na década de 70, os arquitetos do INCRA projetaram as agrovilas, ao longo da estrada, com uma praça central, retangular, e com a mata nativa. Quando houve a derrubada da mata para a construção das casas dos colonos, em volta da praça, as árvores mais externas começaram a cair, por efeito do vento; e tiveram de reformular o projeto. Eles não sabiam, mas era o efeito de borda se manifestando.

4 – Efeitos do habitat matriz
O termo matriz se refere ao mosaico de habitats modificados pelo homem, tais como pastagens, culturas, plantações ou florestas em regeneração que circundam os fragmentos de floresta. A matriz tem grande influência sobre a conectividade dos fragmentos, ou seja, sobre o grau em que a população de um fragmento está ligada genética e demograficamente a outras populações. Estudos realizados na Amazônia, comprovaram que os efeitos de matriz prejudicaram sensivelmente as populações de formigas, pássaros e sapos.

FRAGMENTOS URBANOS
Nas cidades, os fragmentos florestais têm valores próprios como, p.ex., beleza cênica (lazer contemplativo), amenização do microclima (diminuição da temperatura, do ruído e da poluição do ar) e servem como área de recarga do lençol freático (captando a água da chuva e diminuindo ou anulando o escorrimento superficial) evitando as enchentes urbanas.
.
Embora o tema seja típico de áreas com florestas nativas (como a Amazônia e a Mata Atlântica), vez ou outra aparece no noticiário das cidades. Dia desses vi n´O Globo o croqui de uma solução bolada para permitir a travessia de animais num trecho de mata por uma autoestrada da cidade do Rio de Janeiro: eram duas passarelas; uma por baixo da pista para animais rastejantes e outra por cima, para os micos. O trabalho do Henrique em Salvador-BA também se referia a um trecho de mata separado de uma área florestada usada pelo Exército para treinamento militar, cortados por uma importante rodovia da cidade.

(*)

Tags: ambiente, floresta, fragmentos, meio

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Respostas a este tópico

Uma noticia para complementar a discussão:

Relator vai propor em lei o pagamento por serviços ambientais


O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) pretende incluir o pagamento por serviços ambientais no relatório que ele vai apresentar, em abril, à comissão especial que analisa 11 propostas que visam mudar ou mesmo revogar o Código Ambiental e a Lei de Crimes Ambientais. "Tenho sido motivado e creio que é uma solução muito boa, já adotada em muitos países. Eu só preciso encontrar um caminho para o financiamento do pagamento por esses serviços", disse Aldo nesta quarta-feira, quando questionado por internautas no bate-papo promovido pela Agência Câmara para discutir o tema.

O pagamento ou a compensação por serviços ambientais tem como principal finalidade transferir recursos, monetários ou não, àqueles que ajudam a conservar ou a produzir tais serviços. A idéia é que não basta apenas cobrar uma taxa de quem polui ou degrada, mas é preciso destinar recursos a quem garante a oferta dos serviços voluntariamente.

São exemplos de serviços ambientais a manutenção das condições naturais que permitem a produção de oxigênio e a purificação do ar pelas plantas, a estabilidade do clima, a preservação das nascentes e cursos d'água e o equilíbrio natural das enchentes e das secas.

Legislações estaduais
De acordo com Aldo Rebelo, "a legislação nacional não tem dado conta de administrar os conflitos e a realidade de cada estado", e é possível que estados e municípios também passem a legislar sobre as questões ambientais. Ele lembrou que Santa Catarina já aprovou uma legislação específica, que está sendo questionada em ação no Supremo Tribunal Federal (STF). "Enquanto não houver decisão do Supremo, o código está em vigor. E parece ter sido uma solução que encontrou grande apoio naquele estado."

O internauta Mário insistiu, questionando se a região Nordeste não mereceria um Código Florestal mais detalhado, dada as suas peculiaridades. De acordo com Aldo Rebelo, a ideia é justamente fazer um novo código que analise cada região. "É muito difícil ter a mesma regra para a região Norte e São Paulo, por exemplo. Visitei várias cidades do Nordeste, realizando audiências públicas, justamente para conhecer a região e colocar no relatório uma conclusão que leve em conta isso."

Quanto a uma possível conciliação entre "a rigidez da legislação ambiental", como afirmou o internauta Juca Viana, e a realidade do campo, Aldo Rebelo acredita que, após as diversas audiências promovidas pela comissão especial para discutir o tema, será possível conciliar os dois interesses. "No caso da agricultura familiar, ela é a mais prejudicada pelo rigor da lei, e não temos alternativa: ou modificamos a lei ou vamos conhecer um processo de concentração da propriedade, principalmente a pequena e a média, tornadas economicamente inviáveis pela atual legislação."

Florestas x cidades
Aldo Rebelo foi questionado se as possíveis mudanças valerão apenas para as florestas ou se o relatório a ser apresentado em abril será mais amplo e incluirá as cidades. O relator observou que a legislação nacional obriga que São Paulo, por exemplo, fixe 20% de reserva legal do bioma onde está localizado nas bacias e microbacias da região. "Portanto, o critério deve ser diferente para cada área, mas ainda estamos vendo como isso será feito", destacou.

Questionado se há vontade política para a votação das questões ambientais neste ano de eleições, Aldo Rebelo destacou: "Ou votamos uma legislação compatível com a realidade do País ou vamos esperar até julho do próximo ano para que o presidente da República, novamente por decreto, torne a adiar a entrada em vigor de uma lei impraticável. Creio que, mais do que uma possibilidade, votar a lei neste ano é uma necessidade."

Reportagem - Newton Araújo / SR
Agência Câmara 11/03/2010
Gilberto,
eu comparo esta questão do pagamento por serviços ambientais (PSA) com a recentíssima Lei do Ministério do Trabalho que beneficia as empresas que atuam, de fato, no combate às causas dos Acidentes do Trabalho. Tanto os Prefeitos (no caso do PSA) como os Empresários (no caso dos acidentes), podem até pensar que estão GASTANDO dinheiro e não fazendo um INVESTIMENTO, o que é um equívoco. Todos saem ganhando com essas medidas. O que deveria constar como um CRIME LESA-PÁTRIA (com direito à prisão) é dar o Alvará para a construção de casas e condomínios, sem a agarantia de que os ESGOTOS serão tratados. Isso vale, também, para as favelas.
Um abraço.

Gilberto Fugimoto disse:
Uma noticia para complementar a discussão:

Relator vai propor em lei o pagamento por serviços ambientais


O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) pretende incluir o pagamento por serviços ambientais no relatório que ele vai apresentar, em abril, à comissão especial que analisa 11 propostas que visam mudar ou mesmo revogar o Código Ambiental e a Lei de Crimes Ambientais. "Tenho sido motivado e creio que é uma solução muito boa, já adotada em muitos países. Eu só preciso encontrar um caminho para o financiamento do pagamento por esses serviços", disse Aldo nesta quarta-feira, quando questionado por internautas no bate-papo promovido pela Agência Câmara para discutir o tema.

O pagamento ou a compensação por serviços ambientais tem como principal finalidade transferir recursos, monetários ou não, àqueles que ajudam a conservar ou a produzir tais serviços. A idéia é que não basta apenas cobrar uma taxa de quem polui ou degrada, mas é preciso destinar recursos a quem garante a oferta dos serviços voluntariamente.

São exemplos de serviços ambientais a manutenção das condições naturais que permitem a produção de oxigênio e a purificação do ar pelas plantas, a estabilidade do clima, a preservação das nascentes e cursos d'água e o equilíbrio natural das enchentes e das secas.

Legislações estaduais
De acordo com Aldo Rebelo, "a legislação nacional não tem dado conta de administrar os conflitos e a realidade de cada estado", e é possível que estados e municípios também passem a legislar sobre as questões ambientais. Ele lembrou que Santa Catarina já aprovou uma legislação específica, que está sendo questionada em ação no Supremo Tribunal Federal (STF). "Enquanto não houver decisão do Supremo, o código está em vigor. E parece ter sido uma solução que encontrou grande apoio naquele estado."

O internauta Mário insistiu, questionando se a região Nordeste não mereceria um Código Florestal mais detalhado, dada as suas peculiaridades. De acordo com Aldo Rebelo, a ideia é justamente fazer um novo código que analise cada região. "É muito difícil ter a mesma regra para a região Norte e São Paulo, por exemplo. Visitei várias cidades do Nordeste, realizando audiências públicas, justamente para conhecer a região e colocar no relatório uma conclusão que leve em conta isso."

Quanto a uma possível conciliação entre "a rigidez da legislação ambiental", como afirmou o internauta Juca Viana, e a realidade do campo, Aldo Rebelo acredita que, após as diversas audiências promovidas pela comissão especial para discutir o tema, será possível conciliar os dois interesses. "No caso da agricultura familiar, ela é a mais prejudicada pelo rigor da lei, e não temos alternativa: ou modificamos a lei ou vamos conhecer um processo de concentração da propriedade, principalmente a pequena e a média, tornadas economicamente inviáveis pela atual legislação."

Florestas x cidades
Aldo Rebelo foi questionado se as possíveis mudanças valerão apenas para as florestas ou se o relatório a ser apresentado em abril será mais amplo e incluirá as cidades. O relator observou que a legislação nacional obriga que São Paulo, por exemplo, fixe 20% de reserva legal do bioma onde está localizado nas bacias e microbacias da região. "Portanto, o critério deve ser diferente para cada área, mas ainda estamos vendo como isso será feito", destacou.

Questionado se há vontade política para a votação das questões ambientais neste ano de eleições, Aldo Rebelo destacou: "Ou votamos uma legislação compatível com a realidade do País ou vamos esperar até julho do próximo ano para que o presidente da República, novamente por decreto, torne a adiar a entrada em vigor de uma lei impraticável. Creio que, mais do que uma possibilidade, votar a lei neste ano é uma necessidade."

Reportagem - Newton Araújo / SR
Agência Câmara 11/03/2010

VARIABILIDADE CLIMÁTICA


Trabalho descreve os efeitos da variação climática advindos do aquecimento global sobre as culturas agrícolas

De forma geral, com o aquecimento global, em um futuro próximo espera-se cenário de clima mais extremo, com secas, inundações e ondas de calor mais freqüentes. A elevação na temperatura aumenta a capacidade do ar em reter vapor d’água e conseqüentemente há maior demanda hídrica. Em resposta a essas alterações, os ecossistemas de plantas poderão aumentar sua biodiversidade ou sofrer influências negativas. Impactos como a elevação do nível dos oceanos e furacões mais intensos e mais freqüentes também poderão ser sentidos.

Mais detalhes em:
http://www.cpa.unicamp.br/prod_cc/trabalhos-em-anais-de-eventos/tem...

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