Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Caros amigos, convidado pelo Gilberto, estou dividindo com vocês preocupação que carrego comigo a respeito do afunilamento da biodiversidade que estamos vivenciando presentemente, cujas causas tem raízes na destruição ambiental e nos programas de melhoramento genético vegetal atuais. Segue abaixo um escopo do tema que perambula pela minha mente e, creio, da de vocês também. Então, que tal se pudéssemos ouvir suas opiniões e construirmos juntos alguma saída ?

Saudações.

engº agrº Carlos Alberto de Conti.

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O anexo postado pelo Carlos Conti


Caríssimos colegas.

Recentemente fui desligado da área de sementes e mudas da Superintendência do Rio de Janeiro do MAPA. Nela atuei, concomitantemente a outras áreas, durante 25 anos.

Participei de boa parte das reuniões que antecederam a montagem do atual Sistema Nacional de Sementes e Mudas materializado na atual legislação: Lei 10711, de 05.08.2003 e seu correspondente Decreto, número 5153, de 23/07/2004 e seu Anexo, o Regulamento da citada Lei, além das Instruções Normativas: IN nº 09, de 02/06/2005 (que aprovou as normas p/produção, análise, embalagem, armazenagem, comercialização e utilização de sementes); nº 24, de 16/12/2005, (que aprovou as normas p/produção, análise, transporte, comercialização e utilização de mudas); IN nº 15, de 12/06/2005, (que fixou as garantias de padrão mínimo nacional de sementes p/grandes culturas); IN nº 30, de 21/05/2008, (que estabeleceu as normas e padrões p/produção, análise, e comercialização de sementes de forrageiras de clima tropical), e IN nº 50, (que aprovou as Normas p/Importação e Exportação de sementes e mudas).

Juntando essa à legislação fitossanitária e a de biossegurança, temos, então, o universo legal onde se situam as sementes e mudas em nível de Brasil. É evidente que antes de sua edição houve discussões e acordos prévios entre os vários países e respectivos blocos comerciais (OMC, MERCOSUL, p. ex.) além de serem ouvidos os organismos internacionais que tratam de questões correlatas (Codex Alimentarius, Organização Mundial da Saúde, IICA-OEA, PNUD/ONU, p. ex.).

Mas confesso, em nenhum momento me chegou às mãos algum documento contendo preocupação clara no sentido de coibir o "afunilamento" da biodiversidade, quer pela destruição do ambiente natural onde se originou determinada espécie, quer pela perda de biodiversidade fruto do desuso de variedades "caipiras" e o crescente e desmedido incentivo ao uso de cultivares derivadas de linhagens formadas a partir de indivíduos geneticamente muito semelhantes e/ou de híbridos obtidos a partir dessas linhagens.

Parece que, de repente, nossos pesquisadores se esqueceram do básico: o fato de que eles próprios estão dando um tiro no pé ao "afunilar" as pesquisas, produzindo plantas semelhantes por todo o planeta e, dessa forma, ir paulatinamente perdendo a chance de poder contar com indivíduos dotados de carga genética diferente, indivíduos esses necessários a futuros programas de melhoramento, e, assim, ficando mais vulneráveis ao ataque de uma determinada praga à medida em que os indivíduos guardam intrinsecamente uma desaconselhável semelhança genética.

Também defendo a manutenção dos estoques genéticos atuais através de bancos de germoplasmas e vou mais além. Acredito que os governos do mundo deveriam se unir e criar/manter/cuidar, nos diversos biomas espalhados pelo planeta, um vigoroso banco de germoplasma a partir das espécies nativas, capaz de fornecer genes diferentes (diferenciados soa horrível) de forma a possibilitar a manutenção da biodiversidade e seu emprego nos vários programas de melhoramento genético presentes e futuros espalhados pelos cinco continentes.

Falo não apenas em reprodução sexual via sementes mas em quaisquer forma de propagação vegetativa, com ênfase para as unidades de propagação in vitro – na verdade micropropagação vegetal a partir de pedacinhos minúsculos de tecidos, que requerem espaço mínimo nas prateleiras dos laboratórios mas, embora exijam condições controladas p/sobreviverem ao tempo. Não é de hoje que ambientalistas e cientistas contabilizam a perda anual de espécies animais, vegetais, fungos e bactérias, nos alertando para o prejuízo que tal redução representa para esta e para as futuras gerações.

Quem tiver sensibilidade, faça alguma coisa. Divulguem esta preocupação, pois nós sabemos o quanto isto é importante.

Atenciosamente, Carlos Alberto de Conti.
Por que estamos armazenando bilhões de sementes


Nesta breve palestra em 2009, Jonathan Drori nos encoraja a salvar a biodiversidade -- uma semente de cada vez. Nos relembrando que plantas suportam a vida humana, ele compartilha a visão do "Millennium Seed Bank", o qual armazenou mais de 3 bilhões de sementes de espécies ameaçadas pórem essenciais.
Caro Gilberto,
Que bom saber que a gente não está sozinho nessa preocupação com os destinos da agricultura e, por extensão, da própria humanidade. A semente encerra a vida. Logo, é nela que devemos nos concentrar ededidar nossa atenção pois, desculpe o trocadilho, sem sementes não ficaremos para semente.
Abração.
Carlos Conti.

Gilberto Fugimoto disse:
Por que estamos armazenando bilhões de sementes


Nesta breve palestra em 2009, Jonathan Drori nos encoraja a salvar a biodiversidade -- uma semente de cada vez. Nos relembrando que plantas suportam a vida humana, ele compartilha a visão do "Millennium Seed Bank", o qual armazenou mais de 3 bilhões de sementes de espécies ameaçadas pórem essenciais.
Caro Colega Conti,
Obrigado por ter expresso sua preocupação, que também é nossa. Restringir a atividade agronômica a tão poucas espécies é, sem dúvida, um “tiro no pé”.
Sabemos, no entanto, que esta imensa diversidade genética está sendo preservada nos laboratórios da Embrapa em Brasília (CENARGEN) e de outros centros de produtos que mantém coleções, além de algumas universidades e até em alguns locais ao redor do Planeta. No Brasil temos ainda a Plataforma Nacional de Recursos Genéticos (veja em (http://plataformarg.cenargen.embrapa.br/pnrg/).
Mas, caro Carlos Alberto, nada disto tem importância se nós, Engenheiros Agrônomos, não estivermos atentos para aumentar adequadamente a agrobiodiversidade nas nossas áreas de atuação.
Lembro que um dos princípios básicos que norteiam os sistemas conservacionistas de manejo do solo como o Sistema Plantio Direto, a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e os sistemas agroflorestais e agrosilvipastoris, é a biodiversidade. O Sistema Plantio Direto, por exemplo, só existe se houver uma verdadeira rotação de espécies vegetais no decorrer dos anos e a utilização de espécies especificas como cobertura do solo.
Quantos são, colega, os Engenheiros Agrônomos cientes de que não existe uma solução agronômica para a realidade brasileira, tropical ou subtropical, que não passa pela aplicação destes princípios, em conjunto com o principal, que é o não revolvimento ou revolvimento mínimo do solo.
Alguns colegas engenheiros agrônomos já são preparados nas universidades para atuarem na agricultura brasileira com estes princípios Poucos, no entanto, o são nas universidades do Rio de Janeiro e de São Paulo (com certeza, com algumas exceções).
Não se trata, assim, de um problema restrito à pesquisa agropecuária brasileira, mas a toda a categoria agronômica, em todas as áreas de atuação. Unidos podemos fazer a diferença e resolver problemas sérios tais como a insegurança alimentar, o aquecimento global, a escassez de recursos naturais e, como o colega aponta, a falta de biodiversidade.
Atenciosamente, Pedro Freitas
Embrapa Solos – Rio de Janeiro
Caro Pedro Luiz,
Não sei ao certo se a gente se conhece mas de cara o reconheço como um "baita" agrônomo, pois vc demonstrou que tem, além de suas qualidades acadêmicas, enorme sensibilidade para com o solo e à mãe natureza. Não querendo ser repetitivo, mas é muito bom saber que não estamos sozinhos. Obrigado pelas informações e até um dia.
Um abra~ço. Carlos A. Conti.

PEDRO LUIZ DE FREITAS disse:
Caro Colega Conti,
Obrigado por ter expresso sua preocupação, que também é nossa. Restringir a atividade agronômica a tão poucas espécies é, sem dúvida, um “tiro no pé”.
Sabemos, no entanto, que esta imensa diversidade genética está sendo preservada nos laboratórios da Embrapa em Brasília (CENARGEN) e de outros centros de produtos que mantém coleções, além de algumas universidades e até em alguns locais ao redor do Planeta. No Brasil temos ainda a Plataforma Nacional de Recursos Genéticos (veja em (http://plataformarg.cenargen.embrapa.br/pnrg/).
Mas, caro Carlos Alberto, nada disto tem importância se nós, Engenheiros Agrônomos, não estivermos atentos para aumentar adequadamente a agrobiodiversidade nas nossas áreas de atuação.
Lembro que um dos princípios básicos que norteiam os sistemas conservacionistas de manejo do solo como o Sistema Plantio Direto, a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e os sistemas agroflorestais e agrosilvipastoris, é a biodiversidade. O Sistema Plantio Direto, por exemplo, só existe se houver uma verdadeira rotação de espécies vegetais no decorrer dos anos e a utilização de espécies especificas como cobertura do solo.
Quantos são, colega, os Engenheiros Agrônomos cientes de que não existe uma solução agronômica para a realidade brasileira, tropical ou subtropical, que não passa pela aplicação destes princípios, em conjunto com o principal, que é o não revolvimento ou revolvimento mínimo do solo.
Alguns colegas engenheiros agrônomos já são preparados nas universidades para atuarem na agricultura brasileira com estes princípios Poucos, no entanto, o são nas universidades do Rio de Janeiro e de São Paulo (com certeza, com algumas exceções).
Não se trata, assim, de um problema restrito à pesquisa agropecuária brasileira, mas a toda a categoria agronômica, em todas as áreas de atuação. Unidos podemos fazer a diferença e resolver problemas sérios tais como a insegurança alimentar, o aquecimento global, a escassez de recursos naturais e, como o colega aponta, a falta de biodiversidade.
Atenciosamente, Pedro Freitas
Embrapa Solos – Rio de Janeiro
Olá CARLOS ALBERTO DE CONTI, eu sou a Ingrid.

A diversidade de espécie, a diversidade de elementos naturais, é o que provoca a harmonia do planeta terra, pois esses dois fatores são reponsáveis pela manutenção de todas as formas de vida.
Infelizmente o homem, com sua ambição e nessecidade, está provocando algumas alteração que, inicialmente, eram imperceptíveis, mas agora é tão visível e perceptível que todos os moradores do planeta estão sofrendo com as alterações do ambiente, que se mostrou tão rápido e tão decisivo para a vida.

Sinceramente, a melhor alternativa para a amenização da atual situação do planeta, é deixar de lado a preocupação de fazer e acontecer no agora para pensarmos um pouca mais nas futuras consequências do que causamos no passado. Esse pensamento deverá partir dos nosso representantes, de modo geral. Representantes que conseguem manipular tantas pessoas, mudando seu modo de pensar e agir, poderam também exercer um papel decisivo, no que tange a conservação planeta terra, que é o nosso lar ideal e impar, o nosso refúgio, a nossa mãe, o nosso alimento.

Vamos fazer a nossa parte, um simples ato pode ser muito mais do que pensamos. Vamos ser mais justo com o nosso planeta.

Obrigada.
Eu é quem devo lhe agradecer Ingrid. Muito bom saber que mais pessoas estão preocupadas com o 'NOSSO FUTURO COMUM", conforme expressão retirada do filme homônimo.
Abração.Carlos Conti.

Ingrid Cardoso Morais disse:
Olá CARLOS ALBERTO DE CONTI, eu sou a Ingrid.

A diversidade de espécie, a diversidade de elementos naturais, é o que provoca a harmonia do planeta terra, pois esses dois fatores são reponsáveis pela manutenção de todas as formas de vida.
Infelizmente o homem, com sua ambição e nessecidade, está provocando algumas alteração que, inicialmente, eram imperceptíveis, mas agora é tão visível e perceptível que todos os moradores do planeta estão sofrendo com as alterações do ambiente, que se mostrou tão rápido e tão decisivo para a vida.

Sinceramente, a melhor alternativa para a amenização da atual situação do planeta, é deixar de lado a preocupação de fazer e acontecer no agora para pensarmos um pouca mais nas futuras consequências do que causamos no passado. Esse pensamento deverá partir dos nosso representantes, de modo geral. Representantes que conseguem manipular tantas pessoas, mudando seu modo de pensar e agir, poderam também exercer um papel decisivo, no que tange a conservação planeta terra, que é o nosso lar ideal e impar, o nosso refúgio, a nossa mãe, o nosso alimento.

Vamos fazer a nossa parte, um simples ato pode ser muito mais do que pensamos. Vamos ser mais justo com o nosso planeta.

Obrigada.

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