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PRODUÇÃO PECUÁRIA SUSTENTADA

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PRODUÇÃO PECUÁRIA SUSTENTADA

Abordagem sobre a necessidade de ampliação dos recursos disponibilizados pelos governos (federal, estaduais e municipais) e pela iniciativa privada, destinados à implantação das tecnologias já disponíveis, objetivando a produção pecuária sustentável.

Local: Rio de Janeiro
Membros: 104
Última atividade: 19 Jun

Rio de Janeiro/RJ, 12 de outubro de 2010.

Do Engenheiro Agrônomo – Carlos Alberto Piano Rocha

Ao Diretor Presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado do Rio de Janeiro – AEARJ

Sr. Sérgio Agostinho Cenci

Assunto: DIA DO ENGENHEIRO AGRÔNOMO

Respondendo ao Convite para a Solenidade Comemorativa do Dia do Engenheiro Agrônomo, onde inclui, além da oportunidade de confraternização, a possibilidade de conversarmos sobre agricultura, ambiente, ocupação dos espaços potenciais, entre outros assuntos, aproveitamos a ocasião para apresentar a seguinte abordagem sobre o tema: PRODUÇÃO PECUÁRIA SUSTENTADA E MANEJO SUSTENTADO DE PASTAGENS.

Considerando que as pastagens ocupam a maior extensão de área utilizada do país, atingindo um total de 172.333.073* ha;

Considerando que este valor representa 2,25 vezes a área cultivada com lavouras permanentes e temporárias, que somam 76.697.324* ha;

Considerando o efetivo total de 170.740.009* de bovinos e bubalinos, teríamos uma carga de 0,99 animais/ha, se as pastagens fossem ocupadas apenas com essas duas categorias;

*Dados obtidos do Censo Agropecuário/2006 do IBGE - resultados preliminares.

Considerando a matéria publicada no caderno de economia do Jornal “O Globo”, de 11/05/2008 – “Muita terra, pouco alimento” (anexa) e

Considerando a experiência profissional que adquirimos quando trabalhamos com consultoria pecuária; entendemos que:

1)Não adianta o país produzir ou importar insumos de qualidade, se estes forem utilizados de forma incorreta. Os fertilizantes, corretivos, agrotóxicos, sementes e mudas, são usados em muitas situações, unicamente porque o manejo inadequado das pastagens obrigou a sua reforma. Como Engenheiros Agrônomos, devemos atuar nas causas dos problemas, ao invés de recomendarmos insumos, que em muitos casos seriam desnecessários em uma atividade pecuária corretamente conduzida;

2)A baixa produtividade da terra ocupada por bovinos e bubalinos (próxima de 1,0 animal/ha), é uma das principais causas da degradação ambiental do país, devido às extensas áreas ocupadas desnecessariamente com pastagens. Com uma carga média de 2,0 animais/ha, índice que acreditamos poderia ser atingido se fossem realizados os investimentos para implantação das tecnologias já disponíveis; haveria a liberação de mais de 80 milhões de hectares para outras atividades, como: produção de grãos, frutas, álcool, biodiesel, fibras, madeira, recuperação da flora e fauna, etc.;

3)A atividade pecuária, para atingir seus objetivos econômicos, sociais e ambientais de forma sustentável, precisa assegurar a oferta de sua “matéria prima” (alimento para o gado), em termos de: Quantidade, Qualidade, Regularidade e Baixo Custo de Produção. As pastagens adequadamente manejadas são a melhor alternativa de oferta de alimento volumoso, de forma a atender no conjunto, essas exigências;

4)O fator limitante para elevar a produtividade da terra, do trabalho e do capital, na atividade pecuária, não está no desenvolvimento de novas tecnologias, mas sim, na implantação das já existentes, que apresentem resultados positivos de forma sustentável;

5)Os prejuízos que o manejo inadequado das pastagens geram, não se limitam ao meio rural, mas se estendem à economia nacional, em função das dimensões das áreas cobertas com pastagens e devido à importância do agronegócio da carne, leite e derivados;

6)Dentre os investimentos na atividade agropecuária, os que visem corrigir o manejo inadequado de pastagens são os que apresentam maior retorno dos recursos aplicados, em função das dimensões da área coberta por essa cultura, do potencial de incremento na produtividade da terra, do trabalho e do capital e das dimensões do agronegócio da carne, leite e derivados;

7)A Produção Pecuária Sustentável e o Manejo Sustentável de Pastagens, se implantados em larga escala, poderiam gerar os seguintes benefícios:

I) BENEFÍCIOS ECONÔMICOS:
I.1) Reduzir os custos de produção por litro de leite e kg de carne (redução por animal, dos custos com alimentação, com medicamentos, etc.);

I.2) Aumentar o volume de leite e carne produzidos / hectare / ano;

I.3) Atingir o “Máximo Retorno Econômico”: das pastagens, da suplementação alimentar e do rebanho;

I.4) Criar condições (vantagens competitivas) para incrementar as exportações de leite, carne e seus derivados;

I.5) Reduzir a dependência de insumos na atividade pecuária, (fertilizantes, agrotóxicos, sementes, mudas e suplementação alimentar para o gado), através da reciclagem de nutrientes e do manejo das pastagens;

II) BENEFÍCIOS SOCIAIS:
II.1) Melhorar a qualidade do leite e da carne oferecidos à população;

II.2) Tornar mais acessível à população de baixa renda, os alimentos a base de leite e carne, contribuindo para a redução da desnutrição e subnutrição, através da compatibilização dos interesses dos pecuaristas (rentabilidade), com os interesses da população (preços baixos e qualidade da mercadoria). Conciliação através do aumento da produtividade da terra, do trabalho e do capital;

II.3) Gerar empregos no campo (diretos) e na cidade (indiretos), contribuindo para a fixação do homem no campo, reduzindo a pressão demográfica, a pobreza e a violência nas cidades;

III) BENEFÍCIOS AMBIENTAIS:
III.1) Na Conservação do Solo (controle da erosão, redução da compactação, etc.);

III.2) Na Conservação das Águas para:
1)A regularização dos cursos d'água e conseqüente aumento da oferta e qualidade da água para a população e para os animais;
2)A geração de energia nas hidrelétricas;
3)O desenvolvimento das pastagens;

III.3) Na prevenção e no controle do fogo nas pastagens. Menos material combustível no ambiente, uma vez que há significativa redução da presença de folhas secas nos pastos, inclusive no período da estiagem;

III.4) Na disponibilização de áreas para recuperação da fauna e da flora.


CONCLUSÃO:
Acreditamos que o Manejo Sustentado de Pastagens não conta com recursos disponibilizados pelos governos (federal, estaduais e municipais) e pela iniciativa privada, na proporção de sua importância para o agronegócio;

Acreditamos que estes recursos devem ser ampliados, para que sejam alcançadas metas estabelecidas de incremento na produtividade da terra, do trabalho e do capital e para se atingir os benefícios anteriormente citados, em um trabalho em conjunto com os setores organizados da sociedade, interessados no desenvolvimento sustentável da atividade agropecuária.


PROPOSTA:
Baseado nos argumentos anteriormente descritos, entendemos que a Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado do Rio de Janeiro – AEARJ, deveria analisar o assunto e se considerasse pertinente, incluísse o tema entre suas prioridades de atuação.


Atenciosamente.

Engenheiro Agrônomo - Carlos Alberto Piano Rocha

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Tags: agricultura, Seeds, Wolf, cultivo, praga

Iniciado por Erick Dalllana 14 Fev, 2011.

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Comentário de Gilberto Fugimoto em 5 abril 2018 às 14:52

Sim, mas justamente o que tenho dito, a falta de iniciativas até hoje, só mostra oportunidades não exploradas!

Ainda sobre o tema, espero postar nos próximos dias, artigo que derruba a visão que eu tinha sobre pastejo rotacionado.

Comentário de Francisco Cezar Dias em 5 abril 2018 às 11:14

Acho que me expressei mal. Gostaria de ter dito Assistência Técnica pública.

Com exceção do Sul e Sudeste, a situação dos colegas é muito ruim.

Os conhecimentos técnicos existem desde o final da década de 50. Infelizmente o setor não propiciou ganhos para os Engenheiros Agrônomos, por isso, não evoluímos nisto. Então, em relação ao case, me refiro a colocar uma área para produzir com o objetivo de fazer o pecuarista entender que é possível investir com altos lucros. Muito mais do que se consegue nas áreas de agricultura de commodities. Isto falando em lucro liquido. 

Comentário de Gilberto Fugimoto em 5 abril 2018 às 10:12

Caro Francisco,

Tudo que você está dizendo está coberto de razão (menos qto a misturar política, até pq os temas de debates sao separados). 

A falta do estudo e publicação de um case de sucesso so mostra que ainda há grandes oportunidades de trabalho!

Comentário de Francisco Cezar Dias em 5 abril 2018 às 8:23

Trabalhar com agricultura é extremamente rentável, com pecuária, rentável e prazeroso. Com integração para carne e leite, o refino da técnica, mas que nunca vi um case de sucesso.

Comentário de Francisco Cezar Dias em 5 abril 2018 às 8:21

Obrigado, Gilberto.

Sou profissional de campo e acumulei muita experiência nestes 37 anos de Assessoria/ Consultoria em solos do Cerrado brasileiro com grãos, fibras e pastagens.

Infelizmente quando você mistura trabalho com política a coisa desanda. Acho linda e legítima estas iniciativas de vocês. Alerto apenas que nossas escolas foram excelentes em passar a técnica mas, pífias, pra não dizer zero, em avaliar as condições financeiras de um investimento. Então, começar uma iniciativa destas sem se atentar para detalhes extremamente importantes, pode ser mais uma iniciativa sem justificativas. 

Comentário de Gilberto Fugimoto em 4 abril 2018 às 22:45

569 cabeças em 55 ha? 

Excelente Francisco!

Comentário de Francisco Cezar Dias em 3 abril 2018 às 23:48

Comentário de Francisco Cezar Dias em 3 abril 2018 às 23:46

Sistema rotacionado com 11 piquetes, num total de 55 há, com pilheta de 60 mil l de água, abastecidos com reservatório com 60 mil l de água.

Pastoreio de 569 cabeças. Foi solicitado ao proprietário animais com era de 10 1 14 meses. Foi adquirido os animais acabados com 2,8 anos e peso médio de 21 @. Isto não dá dinheiro.

Comentário de Francisco Cezar Dias em 3 abril 2018 às 23:43

Comentário de Francisco Cezar Dias em 3 abril 2018 às 23:39

Os que ainda insistem na pecuária extensiva desaparecerão do processo produtivo. Fatos a serem considerados:

Quem faz a diferença são os consumidores que buscam gado exclusivamente a pasto e precoce.

São 17 sintomas que são tratados no rebanho com remédio e dizem respeito exclusivamente a desnutrição.

Não conheço o rebanho da região, mas, quem fornecerá reposição porque o rotacionado exige um volume muito grande de animais.

O capim terá que ser tratado como cultura e, para tanto, precisará de recursos para implantar novos projetos.

Os investimentos poderão ser feitos em parceria com investidores através de arrendamento ou como opção para o proprietário.

Precisa evoluir, além do acabamento, a cria e o leite.

Mão de obra especializada no manejo do gado e assistência técnica com profundos conhecimentos da formação, manutenção do capim e da exploração do capim pelos animais.

Necessário fazer um case de 50 ha rodando, com controle de custos e produtividade para que os pecuaristas entendam de onde retornará seu dinheiro investido. Etc...

 

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