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CONTRATOU SEGURO AGRÍCOLA DE GRÃOS E NÃO ENTENDEU NADA QUE OCORREU NO SINISTRO? 8 PONTOS IMPORTANTES SOBRE.

Em alguns anos trabalhando com seguro agrícola em diversas regiões do país, principalmente em soja, sempre observei problemas e fatos que considero extremamente interessantes a produtores que venham a contratar o seguro agrícola, que apesar de todos estarem expostos nas apólices, normalmente são ignorados ou nem mesmo lidos, listei os mais relevantes abaixo para suprir algumas duvidas ou curiosidades.

1 - A partir de quando haverá cobertura?

 Em algumas apólices, tem se como início da cobertura algum estagio pré-determinado da cultura ou pode ser determinado por altura de plantas, normalmente no caso de soja, fica entre 10 a 15 cm, e isso tem influencia principalmente em casos de cobertura de replantio, pois se a planta vier a sofrer stress hídrico antes desta fase, não haverá cobertura, e o agricultor pode ter sua apólice recusada e perder o seguro por população insatisfatória de plantas, e infelizmente só ficará sabendo quando precisar e não ter, então o correto é se informar desde o momento da contratação.

2 - Existe cobertura de replantio?

 Várias seguradoras possuem este modelo, porém normalmente se da por garantia adicional, ou seja, ela não é inclusa normalmente no seguro, e deve ser solicitada ao agente vendedor. Porém é preciso avaliar em quais casos há cobertura, pois na maioria das vezes há cobertura apenas para excesso de chuvas, o que não dará cobertura em diversas situações, como os de seca e/ou má germinação de sementes, e isso deverá ficar claro no ato da contratação para ambas as partes.

 3 - Qualidade de grãos

 Dificilmente alguém prestará atenção neste item, pois se tem a ideia que se disser que há cobertura para excesso de chuvas, já teremos incluso nisso grãos ardidos e avariados ocasionados por estas chuvas na colheita, porém isso não ocorre, a cobertura somente ocorre em umidade, ou seja, ao se aferir a produtividade final, somente o desconto referente a umidade será considerado, sendo que todo o resto será estimado como grãos bons, conseqüentemente reduzindo o valor a ser indenizado.

 4 - Nível de cobertura

 Para se efetuar a contratação do seguro, constará na apólice o nível de cobertura que pode variar de seguradora para seguradora, 65%, 70%, 75% sobre a média da região, e assim por diante, porém o que ocorre em diversos casos em que a contratação é feita via banco, é que a garantia final ficará igual o penhor da CPR, em alguns casos com garantias baixíssimas, 10 sc/ha, 15 sc/ha ou assim por diante, então vale a pena dar uma olhada nesta garantia, pois para quem quer ter segurança em sua produtividade, não pode ficar com níveis tão baixos de garantias, mas isso ocorre casualmente, não é muito comum.

 5 - Tipo de solo

 Freqüentemente, principalmente na região do nordeste do país, seguradoras recusam risco, talvez por falta de explicações de quem vende o seguro para o produtor, pois solos muito arenosos, classificados como solo tipo 01, não são aceitos, ou mesmo áreas com solo tipo 2, com textura superior a 15% de argila e inferiores a 35% será aplicado algum desconto na garantia, que pode variar de 10% até 30%, ficando a critério da seguradora contratada. Outro fator a se ponderar é que seguradoras não aceitam solos com nematoides, toxidez ou de primeiro ano.

 6 - Como será aferido a media de produtividade em situações de sinistro?

 Isso pode variar de seguradora para seguradora, ou mesmo de um perito para outro, de forma geral a orientação das seguradoras é retirar amostras significativas, e sempre pedem aos agrônomos ou técnicos que realizam estas vistorias que sejam imparciais, entrando em acordo com o produtor da melhor forma a ser desempenhada, se por amostragem manual ou mecanizada. A mais utilizada é a mecanizada com colheitadeira, andando em ”Zig-Zag” por toda a área assegurada, colhendo sempre plataforma cheia, e ao final, conferir peso considerado e dividir por área colhida, que é calcula através da largura da plataforma multiplicado pela distancia percorrida, também possui o método manual, onde o perito irá colher pequenas parcelas e extrapolar para toda a propriedade, mas este eu não aconselho, uma vez que esta não demonstra a realidade de colheita do agricultor. Importante salientar que não existem apólices que deem coberturas apenas para parte da lavoura, sendo assim, em um contrato de 1000 ha, a média final a ser considerada será a desse montante todo, e não para um talhão ou outro que venha dar quebra de produtividade, sendo que a meu ver, vale a pena o produtor negociar durante a contratação e tentar segregar estas áreas, em vários contratos para que ele tenha coberturas divididas em áreas menores, aumentando as chances de ressarcimentos por sinistros.

 7 - Riscos excluídos

 Existem diversos riscos que não há cobertura alguma, porém os principais deles, que por diversas vezes observei problemas, foram perdas ocasionadas por doenças ou pragas, ou seja, um dos maiores problemas que as lavouras pode sofrer, a meu ver, a ferrugem, não possui cobertura alguma, e nestes casos a seguradora não irá pagar nada e o agricultor ficará sem qualquer ressarcimento de valores.

 8 - Como será a indenização?

 Comumente produtores assegurados que tem perdas ocasionadas por fatores que possuem coberturas, reclamam sobre o valor indenizado, de maneira geral, estes seguros contratados via bancos são atrelados a financiamentos, e os cálculos de como são realizados são um pouco confusos, porém podemos simplificar para se chegar ao valor aproximado ou até exato, da seguinte forma:

 Exemplo:

Neste exemplo podemos ver que o real preço da soja praticado no mercado não influenciará no montante a ser ressarcido final, mas lembrando que estes cálculos são simplificados e em algumas apólices onde há cobertura de receita/renda, o calculo pode variar um pouco conforme a oscilação do preço de mercado e quando o seguro é contratado via corretora, o valor por saca já será pré-fixado quando fechar o contrato.

 Conclusão

 De forma geral ainda podemos dizer que produtores normalmente não são bem orientados pelos bancos a respeito do funcionamento do seguro, sobre deveres e direitos, neste pequeno resumo simplifiquei os fatos mais comuns que ocorrem, porém poderíamos listar muitas ocasiões, onde a falta de informações claras prejudicam o planejamento dos produtores. Ainda recomendaria, quem queira comprar seguro agrícola a buscar uma corretora de seguros que já tenha experiência no ramo, elas com certeza passará informações mais detalhadas referente a sua apólice, mas caso a contratação ocorra via banco, daria a dica para indagar sobre estas situações acima, e quais seriam as resoluções de tais problemas.

Engenheiro Agrônomo, Glaudston Ângelo Ramos Martins

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Este texto é de um colega do Linkedin, mas eu acho muito interessante para a área de seguro rural.

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