Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Depois que o Brasil sediou as últimas Copa do Mundo e Olimpíadas, cresceu o interesse pela implantação de gramados "Padrão FIFA", em que o  lindo tapete verde se deve, em grande parte, a bons projetos de irrigação e drenagem.

Quem já assistiu a um jogo de futebol debaixo de uma chuva intensa em campo mal drenado, sabe que a bola para MESMO nas poças d´água e, na maioria das vezes, o jogo tem de ser interrompido. Além disso, a drenagem contribui para a saúde da grama, evitando doenças.

Existem 2 tipos de drenagem: a superficial e a subterrânea, esta, mostrada aqui na Figura 1. Se ao esquema hidráulico for acrescentado um sistema de sucção, a velocidade do escoamento da água do campo parecerá um milagre, mas os custos aumentam de 3 a 4 vezes.

O Projeto de Drenagem

Tudo começa com a estimativa da chuva intensa e, para isso, usamos a equação Intensidade, Duração, Frequência - IDF, calculada previamente para o local, com dados de uma hora de duração e 100 anos de período de retorno. No exemplo, usei a do Bairro de Bangu, na cidade do Rio de Janeiro - RJ.

Para o cálculo da vazão ou descarga, usamos a Fórmula Racional, que multiplica a altura de chuva pela área do campo de futebol. O chamado coeficiente de runoff (escorrimento superficial, em inglês) igual a unidade, indica que toda a chuva que cai no campo tem de ser recolhida.

Esses dois estudos iniciais referem-se à Hidrologia. A Hidráulica do projeto começa agora. A chuva que cai no gramado, se infiltra, sendo coletada por tubos perfurados de PVC (ou outro material), funcionando à meia-seção, ou seja, com água só até a metade. Para isso usamos a equação de Manning, onde as declividades devem ficar entre 0,5 e 1% e as velocidades entre 0,80 e 3 m/s.

Testei os diâmetros de 50 a 200 mm, tabelando para cada qual a sua área molhada (A), perímetro molhado (P), raio hidráulico (R=A/P), velocidade média do fluxo (V) e descarga (Q). O tubo deve funcionar como canal, ou seja, sem pressão hidrostática e à meia-seção. Antes de decidir qual deles usar, devemos imaginar a disposição dos tubos em campo, sendo mais comum o traçado chamado "espinha de peixe". Consideramos que cada metade do campo teria um sistema de coleta, daí resultar a divisão à metade da vazão calculada.

A estimativa do número de ramais ou drenos, é feita dividindo-se esta meia-vazão pela vazão total de um dos drenos da tabela. Escolhemos o tubo de 125 mm de diâmetro e, assim, obtivemos 20 ramais ou drenos de cada lado do campo. O espaçamento será dado pela divisão do comprimento do campo pelo número de drenos (antes calculado), considerando que eles sejam perpendiculares à linha do lado. Como eles costumam ficar num ângulo de 45% em relação ao eixo, há uma pequena variação em seu número e comprimento, que pode ser ajustado quando desenharmos, em escala, a planta baixa do projeto.

À rigor, o espaçamento deveria ser calculado pela fórmula de Hooghout, que leva em conta a permeabilidade do solo. Ou seja, em princípio, quanto maior é a profundidade do dreno, maior é o seu espaçamento. Em campos de esporte, no Brasil, a bibliografia técnica se refere às profundidades de 40 a 60 cm e espaçamentos entre 4 a 6 m entre drenos.

Conclusão

O projeto de drenagem é um investimento que se paga com os benefícios que apresenta, mas depende de uma grama bem formada e de manutenção periódica. A qualidade da areia que se utiliza na camada superficial do gramado é muito importante para garantir uma boa permeabilidade do solo e, assim, a eficiência drenante do sistema.

O layout do sistema de drenagem também é importante porque dele depende (além da chuva de projeto), o número de ramais e o diâmetro do(s) tubo(s) do sistema sistema de transporte da água coletada. 

jviana@openlink.com.br

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO quinta-feira

QUALIDADE DO EFLUENTE PARA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL

http://cdn.intechopen.com/pdfs/34008/InTech-Effluent_quality_parame...

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO quinta-feira

MANEJO DA DRENAGEM AGRÍCOLA NA AMÉRICA DO NORTE

https://naldc.nal.usda.gov/download/10084/PDF

(para nos situarmos)

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO quarta-feira

MANUAL DE DRENAGEM AGRÍCOLA

http://www.wq.illinois.edu/dg/

(bom proveito)

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 15 julho 2017 às 11:07

CÁLCULO DO ESPAÇAMENTO DOS DRENOS

PELA EQUAÇÃO DE HOOGHOUT

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