Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

ÁGUA PARA O NORDESTE E DESSANILIZAÇÃO POR EMPRESA ISRAELENSE.

Caros colegas. NÃO DÁ PARA FICAR CALADO. DESSANILIZAÇÃO DA ÁGUA DO MAR EM PARCERIA COM ISRAEL. Nada contra esse país. Inclusive já o visitei em 1980 e conheço bem sua geomorfologia. Acontece que nessa onda da política nacional está levantando um enorme MAL ENTENDIDO. Escreveram: Diversos colegas nossos tem se levantado dizendo que existem dezenas de soluções que todos conhecemos à décadas e como não foram implementadas por razões “políticas”, estão dizendo que “SÓ POR MALDADE FICAMOS QUIETOS TODO ESSE TEMPO”. Trata-se de uma imensa confusão, plena de mal entendidos e falta de conhecimento da História do Brasil.

Penso que o que está em questão nessa história toda, de maneira super resumida e reduzida é a “velha” história da INDUSTRIA DA SECA (“Indústria da seca” termo utilizado para designar a estratégia de alguns políticos que aproveitam a tragédia da seca na região nordeste do Brasil para ganho próprio (Google).) Ou seja, faz-se obras imensas que beneficiam uma minoria ao invés de fazerem obras LOCALIZADAS, em pequenas comunidades rurais que estão esparramadas por toda região nordestina. Tais comunidades isoladas JAMAIS serão beneficiadas pela TRANSPOSIÇÃO do São Francisco , que beneficiará uma minoria que estará ao longo dos canais projetados da transposição. Isso sem considerar que a bacia hidrográfica do rio São Francisco situa-se em regiões secas e, portanto é bastante vulnerável e, como agrônomo que se dedica à paisagem e à ecologia, é TOTALMENTE DESACONSELHAVEL.

Construir uma ÚNICA E IMENSA USINA DESSANILIZADORA é assim outra obra IMENSA QUE INTERESSA A UMA MINORIA. Pequenas comunidades e pequenas propriedades no interior nordestino JAMAIS SERÃO BENEFICIADAS devido às dificuldades financeiras em ampla distribuição da água. Para que se tenha uma ideia da escala em que estamos tratando, no presente caso (empresas de Israel) considere-se que a área do NORDESTE Brasileiro é de 1.558.800 km2 enquanto que a área total de Israel é de 20.770km2. Ou seja, Israel corresponde à 1,4% de toda a área do nosso nordeste... pense-se agora na questão da ‘distribuição’ da água... Então, para começar, estamos diante de uma questão de escala.

Inversamente, investimentos muito inferiores distribuídos equivalentemente em todo o nordeste brasileiro, tais como as que vem sendo considerados, BENEFICIARIAM IGUALMENTE TODA A POPULAÇÃO RURAL NORDESTINA. O melhor exemplo disso são as cisternas que aproveitam a água das chuvas...

Incluo aqui, como modelo de pensar, o lema da ecologia: “Pensar global, agir local”. E mais um: “Pequenas obras distribuídas tecnicamente constituem-se numa solução melhor, mais eficiente e mais barata que a construção de obras imensas em um único local”.

Por que as propostas que vem sendo colocadas não foram ouvidas? Por que não interessa à industria da seca. E não é nossa mídia que vai esclarecer isso.

Estou do lado do Bolsonaro no sentido que espero dele COMBATE INCESSANTE E INCISIVO CONTRA A CORRUPÇÃO. Todos os políticos e empresários corruptos devem ser devidamente enjaulados. Mas em se tratando dessa questão específica, Bolsonaro não está certo. E cabe a nós, brasileiros vinculados à agronomia, ecologia, técnicos especializados em hidrologia, alertá-lo disso.

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Comentário de Rodolfo Geiser segunda-feira

Godoy e Manoel, bom dia! Muito obrigado por sua participação aqui nessa nossa troca de ideias. Quem sabe outros colegas coloquem também seus pontos de vista e ou contem alguma coisa sobre chuva no NE e em Israel. abr, R

Comentário de Manoel José Sant´Anna segunda-feira

Bom dia colegas!. Prezado Godoy, se me permite!. veja o Projeto Mandala!. exercício de modelo de irrigação, ao meu ver dos mais indicados para sua reportagem!. Neste Projeto se racionaliza toda produção para pequenos agricultores de todo Brasil!. Abraços...Manoel  

Comentário de Mario Sergio Alves de Godoy segunda-feira
Na discussão seria interessante ficar mais claro o que quer o BOLSONARO e/ou o que estamos discutindo. Creio que Israel produza água para agricultura. A transposição do São Francisco tem limitado muito a irrigação e tem como objeto principal o abastecimento dos grandes centros. Pequenas dessalinizações localizadas também seria para dessedentação. As cisternas para água de chuva, para uso domestico. Sem desconsiderar que a dessedentação e o bem estar do sertanejo é igualmente interesse da extensão rural, creio que os agrônomos deveriam ficar também na organização da produção e na manutenção de umidade no solo. O SEMI-árido chove 800mm no ano. Não sei quanto chove em Israel. Um dia que tive oportunidade, pedi para um sertanejo de IPU-CE mostrar-lhe sua roça. Confesso que tive dificuldades com as unidades de medida e o sotaque local, mas eu vi erosão hídrica... Sinal de desperdício de água e solo.
Comentário de Rodolfo Geiser em 5 janeiro 2019 às 10:41

Obrigado, Manoel, abraço, R

Comentário de Manoel José Sant´Anna em 5 janeiro 2019 às 10:37

Bom dia colegas!. É da forma que o Professor José Luiz assim vê!. Não se trata de dessalinização do oceano!. E sim equipamentos reduzidos, para comunidades carentes, e água de poços artesianos, que apresentam salinidade no nordeste Brasileiro!. Não sou expert no assunto, nem interessado, mas acredito que este realmente seja uma forma de produzir água de qualidade para nossos irmãos do nordeste!. Sem agredir ou arriscar as vazões de mínima do São Francisco!. 

abraços a todos

Comentário de Gilberto Fugimoto em 29 dezembro 2018 às 18:16

Boa tarde,

Debate em excelente nível técnico, sem achismos e agressões das demais redes sociais.

Parabéns Rodolfo pela iniciativa e José Luz pela valiosa contribuição!

Comentário de Rodolfo Geiser em 29 dezembro 2018 às 16:54

José Luiz Viana do Couto: Fantástico seu texto. Finalmente algo bem concreto do que JÁ EXISTE em nosso Nordeste, no tocante à dessanilização. Parabéns e Obrigado. A classe agronômica agradece, abraço, Rodolfo

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 29 dezembro 2018 às 16:13

DESSALINIZADORES NO NORDESTE

Estima-se que no Nordeste existam mais de 30.000 poços com vazão superior a 2.000 litros/horas, mas a água apresenta salinidade média de 5.000 mg/l contra os 500 mg/l estabelecido pela OMS (Organização Mundial de Saúde) para consumo humano. A osmose reversa é a única tecnologia viável (atualmente) para a dessalinização de poços e a que reúne a melhor aplicabilidade para instalação em poços tubulares, principalmente nas áreas rurais. O princípio de osmose reversa e a tecnologia de membranas são recomendados para recuperação e instalação de sistemas de abastecimento em comunidades carentes de água potável, através da instalação de dessalinizadores.

A Figura abaixo é um anúncio de membrana de osmose reversa, para dessalinização, publicado no Mercado livre. (1)

No Brasil, o Programa Água Doce (PAD), do Ministério do Meio Ambiente (MMA), investe em sistemas de dessalinização para oferecer água com qualidade a populações de baixa renda em comunidades do semiárido.

O PAD atende todo o Nordeste e o Norte de Minas Gerais, onde a disponibilidade hídrica é baixa e a salinidade das águas subterrâneas é elevada. Iniciado como Programa Água Boa, em 1997, para desenvolver técnicas de dessalinização, atualmente o PAD concentra-se na manutenção e no aproveitamento da estrutura de dessalinizadores instalados na década de 90.

A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, tem trabalhado com o MMA em sistemas de dessalinização. A técnica utilizada pelo Laboratório de Referência em Dessalinização (Labdes), do Departamento de Engenharia Química da instituição, é a osmose inversa — passagem da água por membranas filtrantes. O processo é responsável, por exemplo, pelo abastecimento de água no Arquipélago de Fernando de Noronha há uma década.

O professor Kepler Borges França, coordenador do Labdes, esteve à frente do programa do ministério desde o início e explica que a osmose reversa é responsável por retirar não somente os sais da água, mas também microorganismos, bactérias e fungos, deixando a água potável para o uso humano. Ele também ressalta a viabilidade econômica da técnica utilizada no Brasil.

A Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), em 1997, constatou que mais de 40% dos poços subterrâneos do Ceará possuem água salobra. Numa avaliação de desempenho dos dessalinizadores no Estado do Ceará, constatou-se que a principal causa de paralisação dos dessalinizadores relaciona-se com as membranas. A variável mais influente para o bom desempenho é a capacitação dos operadores da mini-usina. Existe predisposição de quebra dos equipamentos menores e instalados em poços com água altamente salinizada.

A Figura abaixo é um dessalinizador de pequeno porte fabricado pela empresa Nordeste Dessalinizadores, (2) destacando ao centro o filtro, formado por um tubo com membranas que retêm o sal da água, bombeada sob forte pressão.

Criado pelo Ministério do Meio Ambiente na gestão do ex-presidente Lula, o programa Água Doce já instalou 575 dessalinizadores em sete estados nordestinos, dos quais 540 estão em funcionamento beneficiando diretamente 216 mil pessoas.

No Rio Grande do Norte há 225 dessalinizadores instalados, a maioria em comunidades rurais, que beneficiam, em média, mais de 80 mil pessoas. Só o município de Mossoró possui 50 sistemas. Há no interior do Rio Grande do Norte, inclusive, uma experiência inédita no mundo com dessalinizador à base de energia solar.

Somente o Estado do Ceará detém praticamente a metade dos dessalinizadores instalados nas cidades do Semiárido Brasileiro. No semiárido brasileiro - que inclui os noves estados do Nordeste e Minas Gerais - a perspectiva é implantar 1.345 equipamentos do tipo. Destes, 450 já foram entregues, sendo 49,3% deles no Ceará, que no quinto ano consecutivo de seca conta com 222 dessalinizadores em 44 municípios.

A Figura abaixo, de um periódico local, mostra os Municípios onde estão. A notícia é do dia 08.04.2017.

Neste sistema, o valor da água para os usuários, segundo o titular da SRH, Francisco Teixeira, é definido pela própria população, mas em geral, custa R$ 1,00 para cada 20 litros fornecidos.

Conforme as regras do Programa, a empresa que instala os dessalinizadores deve garantir a manutenção dos mesmos por um ano. Enquanto isto, a comunidade acumula o dinheiro cobrado pela água para depois utilizá-lo para manter a máquina.

Quanto custa

Os valores investidos em cada dessalinizador, segundo o representante do Ministério do Meio Ambiente são, em média, R$ 200 mil. Destes, cerca de R$ 150 mil para a obra, R$ 36 mil para o dessalinizador, R$ 10 mil para o diagnóstico e cerca de R$ 1 mil por mês para manutenção. Do total, 90% é pago pelo Governo Federal e o restante pelo Governo do Estado. "Em termos de saúde pública esse investimento é mínimo perto dos resultados que podemos ter por garantir o uso de água de boa qualidade".

Risco ambiental

A destinação ambientalmente correta dos rejeitos do processo de dessalinização é um dos desafios enfrentados e deve ser ponderada. Isso porque a osmose reversa gera outro tipo de água, muito salina, com risco de contaminação ambiental elevado. E, geralmente, esse rejeito é devolvido ao solo ou até aos cursos d'água.

REFERÊNCIAS:

(1) https://lista.mercadolivre.com.br/membrana-dessalinizadoras-4040

(2) http://nordestedessalinizadores.blogspot.com/

Comentário de Rodolfo Geiser em 29 dezembro 2018 às 15:58

Gilberto, atendi sua solicitação?

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