Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

O Congresso Nacional aprovou dia 24.6.2020 o marco do Saneamento Básico, permitindo que a empresa privada possa universalizar os serviços de água e esgoto, quando 100 milhões de pessoas no Brasil não têm coleta de esgoto e 35 milhões não têm acesso à rede de água. O saneamento melhora a qualidade de vida, a educação e a produtividade. Serão necessários entre R$ 500 bilhões e R$ 700 bilhões para universalizar a prestação de serviços de saneamento no Brasil até 2033.

Pesquisa desta semana mostrou que, no Brasil, a classe mais afetada pelo Covid-19 foi, justamente, a mais pobre, onde a densidade habitacional é maior e milhares de famílias nem água potável têm em casa se quer para lavar as mãos.

O fato da urbanização ter chegado no Brasil aos 85%, não diminui a responsabilidade dos ruralinos (nós no meio), seja por contribuirmos com os nossos próprios esgotos mas, principalmente, pelos dos animais domésticos e indústrias rurais. Além do mais, a boa formação em Hidráulica e Biologia (as bases do Saneamento Básico) do Engenheiro Agrônomo, o habilita a colaborar com a empreitada, mesmo que restrita ao campo, com o projeto de estações de tratamento de esgotos por zona de raízes, wetlands construídas, irrigação com esgoto bruto, campos de infiltração, e outros.

Há, também, materiais típicos do campo, que podem ser úteis no tratamento da água e esgotos como, p. ex., sementes da morangueira e palha de arroz calcinada no tratamento da água, e plantas aquáticas como o aguapé e pedaços de bambu (como suporte de tanques biológicos aerados) para o tratamento de esgotos domésticos.

Serviços de água: 33 milhões de pessoas no Brasil vivem sem acesso à água potável. Como boa parcela da população bebe água de poço raso, se nós difundíssemos o uso da garrafa cloradora feita com PET, areia lavada de rio e Hipoclorito de Cálcio, já seria u'a mão na roda.

Coleta e tratamento de esgotos: 104 milhões de pessoas, ou quase a metade da população brasileira não tem acesso a serviços de esgoto em casa. Aqui na Rede Agronomia, já escrevi dezenas de artigos falando sobre o assunto.

Destino adequado do lixo: existe uma lei de 2010 que 'ordena' a substituição dos lixões por aterros sanitários em todos os municípios do país, que nunca foi cumprida por sucessivos adiamentos de prazo. E por falar em resíduos sólidos urbanos, é bom lembrar que a mistura da matéria orgânica (que compõe cerca de 60% do lixo doméstico no país) com a poda de árvores ou restos culturais (lascas de madeira, palha de arroz e outros materiais do campo), são a base para a compostagem do lixo que, além de aumentar (o dobro) a vida útil dos aterros sanitários, produz um excelente condicionador do solo, que pode ser usado na agricultura.

Macrodrenagem pluvial: esta é a quarta parcela que compõe o Saneamento Básico, e é a responsável pelas inundações.

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 12 julho 2020 às 18:21

PROJETO DE SUMIDOURO

Sumidouro é um dispositivo para despejo de esgoto doméstico residencial (após passar por uma fossa séptica), muito usado em casas de praia. Depois do tratamento em filtro anaeróbio o efluente pode ter tratamentos adicionais como tratamentos em sistemas aeróbios, decantação, filtração e cloração ou lançado diretamente no meio ambiente, mas um dos descartes ou lançamentos ao ambiente previstos na legislação é o lançado em Sumidouros. (1)

Os sumidouros são usados de acordo com a capacidade de absorção do solo. O volume útil do sumidouro deve ser maior ou igual ao volume útil da fossa séptica e o o nível mais baixo do sumidouro deve estar, no mínimo, a 1,50 m acima do nível máximo do lençol freático; se a área de um tanque não for suficiente, deve-se aumentar o número de sumidouros. O tratamento fossa – filtro -- sumidouro por gravidade tem aplicações no tratamento de esgotos sanitários e despejos comerciais de bares, lojas e restaurantes de altas ou baixas cargas orgânicas.

Em locais onde o lençol freático atinge no período chuvoso seu nível máximo próximo à superfície do terreno, torna-se inviável a execução do sumidouro e, nestes casos, é indicado o sistema de Valas de infiltração.

Dimensões

As dimensões dos Sumidouros são determinadas pela capacidade de absorção do solo/terreno (coeficientes de infiltração) que variam segundo os tipos dos solos por meio de ensaios delineados no local, antes do seu dimensionamento, como ilustra a Figura abaixo.

Os Sumidouros, também normatizados pela NBR 7229/1993, podem ser cilíndricos sem enchimento, cilíndricos com enchimento e prismáticos. Os sumidouros podem ser construídos em alvenaria de tijolo comum, furado ou anéis de concreto. Para uso do tijolo comum, estes devem ser colocados afastados entre si, com argamassa só na horizontal. Existem no mercado anéis de concreto furados, que facilitam a construção de sumidouros.

A Figura abaixo mostra o corte de um sumidouro.

Quando os tanques e suas áreas de contato com o solo são construídos de forma a permitir fácil infiltração no terreno/solo e são preenchidos com pedra britada número 3, são chamados de Fossas de pedras.

Os Sumidouros são construídos com lajes de cobertura, em concreto armado, ficam ao nível do terreno, e são dotadas de aberturas de inspeção com tampão de fechamento hermético com dimensão maior ou igual a 0,60 m. Quando projetados 2 ou mais sumidouros, a distância entre eles deve ser equivalente a 3 vezes o seu diâmetro interno e igual ou maior que 6 m.

Número de Sumidouros

Os Quadros da Figura abaixo sugerem o número de unidades em função do número de pessoas e tipo de solo, indicando sua profundidade e diâmetro.

Projeto

REF.:

(1) http://www.naturaltec.com.br/sistema-fossa-filtro/

(2) http://site.sanepar.com.br/sites/site.sanepar.com.br/files/sanepar-...

(3) http://www.monteiroengenharia.com/conteudo/fossaesumidouro3.pdf

(4) http://araguaina.to.gov.br/aguaservida/pdf/cartilha-agua-servida.pdf

(5) http://acquasana.com.br/legislacao/nbr_7229.pdf

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 11 julho 2020 às 12:16

PLANTAS AJUDAM NO TRATAMENTO DE ESGOTOS - Vídeos

https://youtu.be/hBrnjYbgQdU

https://youtu.be/GoPCJ8vdSgM

https://youtu.be/gUSlNXdIgeE

https://youtu.be/euV59pPw82g

https://youtu.be/8PSxWxlcP2k

E para que não se pense que essa solução é típica de país em desenvolvimento, a Figura abaixo mostra uma Wetland construída na Dinamarca.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 10 julho 2020 às 20:29

O USO DA TECNOLOGIA NO TRATAMENTO DE ESGOTOS

Eu acabei de assistir a uma webinar da ABES sobre o Novo Marco do Saneamento Básico (Lei No. 4162/2019), onde uma palestrante alertou para a necessidade da adoção de modernas tecnologias de tratamento, seja para acelerar o processo de universalização, aumentar as eficiências dos processos e reduzir os custos na construção de instalações de menor porte.

Logo em seguida consultei o Google sobre as novas tecnologias (new technology for sewage treatment), e numa visita superficial fiquei surpreso com tanta inovação.

Ela alertou, também, que não precisamos melhorar apenas a nossa tecnologia mas, também, combater o desperdício, citando que as nossas perdas de água potável nas atuais Companhias Estaduais de Saneamento ficam entre 40 e 75%.

Na pesquisa também encontrei o que ainda usamos, como mostra a Figura abaixo.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 10 julho 2020 às 10:23

PROJETO DE WETLAND CONSTRUÍDA

As wetlands construídas (WC), também conhecidas como Alagados construídos, são sistemas alagados artificiais desenvolvidos para tratar águas residuárias (principalmente as de esgotos sanitários), através de plantas aquáticas e outras resistentes ao encharcamento. Elas possuem três componentes principais: as macrófitas aquáticas, o material suporte e as comunidades microbianas. Sendo assim, o tratamento efetivo do esgoto é obtido através da interação física, química e biológica da água residuária (esgoto) com esses três parâmetros.

As macrófitas aquáticas podem ser classificadas em três grupos principais: 1) emergentes ou emersas, 2) livres flutuantes e 3) submersas.(1) Exemplares do primeiro grupo são o Caniço-de-água, Taboa, Junco e Papiro-brasileiro. O Aguapé pertence ao grupo das macrófitas livres flutuantes, assim como a Alface d´água e a Samambaia-aquática. Quanto às macrófitas submersas, entre as enraizadas, temos a Elódea e a Cabomba; e entre as livres, a Utriculária.

Nas zonas rurais e nas pequenas comunidades, os sistemas alternativos de tratamento de esgotos são opções viáveis, em relação aos sistemas convencionais e coletivos de grande porte, por utilizarem tecnologias simples, serem de baixo custo de implantação e fácil manutenção. Dentre as tecnologias alternativas, constituídas por sistemas simples e isolados, destacam-se as fossas sépticas, os filtros biológicos e as wetlands construídas.

Achei na Internet o Manual de sistemas de Wetlands construídas para o tratamento de esgotos sanitário: implantação, operação e manutenção, do Prof. Dr. Dácio Roberto Matheus e equipe, da Universidade Federal do ABC, patrocinado pelo Ministério da Saúde - FUNASA e Sabesp, 53 pág. (2)

Esse material faz parte de um projeto de pesquisa e extensão financiado pela FUNASA, intitulado Desempenho de sistemas de tratamento de efluente sanitário por leito de macrófitas aquáticas emergentes para remoção de poluentes e reaproveitamento de nutrientes: contribuições para o aprimoramento do uso e disseminação da tecnologia/SISTREMAE.

A Figura abaixo apresenta uma classificação das wetlands construídas, constante do trabalho Experiências brasileiras com wetlands construídos aplicados ao tratamento de águas residuárias: parâmetros de projeto para sistemas horizontais, de Pablo Heleno Sezerino e auxs., ABES, 2015.(3)

Tipos de Wetlands Construídas

Há basicamente dois tipos, classificadas de acordo com o nível da coluna d´água: as de fluxo superficial e as de fluxo subsuperficial, sendo esta última dividida em fluxo horizontal ou vertical.

As Wetlands Construídas de Fluxo Superficial (WCFS) apresentam o meio suporte (substrato) saturado e com fluxo de água escoando pela superfície, ou seja, acima do material suporte.

As WCFS possuem condições favoráveis para o desenvolvimento de diversa espécies de macrófitas aquáticas, que podem ser flutuantes, submersas ou emergentes. O afluente a ser tratado é distribuído homogeneamente na superfície do leito, escoa horizontal e superficialmente, com lâmina d´água em torno de 0,5 m e baixa velocidade de escoamento. O efluente tratado é coletado por tubulações de drenagem localizadas na parte inferior do material suporte. Sua operação é de forma contínua.

As WCFS são recomendadas, principalmente, para o tratamento terciário e com foco na remoção de nutrientes, em especial o Fósforo. Deste modo, é necessária uma etapa prévia de tratamento secundário, com foco na remoção de matéria orgânica e sólidos suspensos.

Vale destacar que as WCFS podem ou não possuir substrato e, deste modo, utilizam-se apenas de macrófitas aquáticas flutuantes, com destaque para o Aguapé (Eichornia crassipes), que se caracteriza por suas propriedades cumulativas de biomassa nas raízes, por acelerar a ciclagem de nutrientes e por sua elevada capacidade de crescimento vegetativo.

As Wetlands Construídas de Fluxo Subsuperficial (WCFSS) apresentam o nível d´água abaixo da superfície do solo, correndo horizontal ou verticalmente, e se utilizam de macrófitas aquáticas enraizadas no material suporte, ou seja, macrófitas emergentes.

As de fluxo horizontal são chamadas Wetlands Construídas de Fluxo Subsuperficial Horizontal (WCFH), e o fluido é inserido no sistema pela zona de entrada e percola lentamente em uma trajetória aproximadamente horizontal pelos vazios do sbstrato, até atingir a zona de saída, onde é coletado por um dispositivo simples de controle de nível. Esse tipo é recomendado para o tratamento secundário, como foco na remoção de matéria orgânica e sólidos em suspensão nos esgotos. As plantas mais usadas são a Taboa (Typha sp.) e o Junco (Eleocharis sp.).

A Figura abaixo mostra como o sistema pode ter, inclusive, aplicação no Paisagismo.

As Wetlands Construídas de Fluxo Subsuperficial Vertical (WCFV) apresentam também o N.A. abaixo da superfície, mas o fluido é introduzido na superfície e escoa homogênea e verticalmente no suporte até a parte mais inferior do leito, onde é coletado por tubulações de drenagem. Esse sistema é recomendado principalmente para o tratamento terciário de esgotos, com foco na remoção de nutrientes, em especial o Nitrogênio e, deste modo, requer uma etapa prévia de tratamento secundário. Operam com alimentação intermitente em períodos curtos, seguidos de intervalos longos de descanso, para evitar a obstrução do filtro e aumentar a transferência de Oxigênio para o interior do meio filtrante. As plantas utilizadas, incluem a Taboa e até algas.

Há ainda os sistemas híbridos ou combinados, que associam sistemas de fluxo vertical e horizontal, aliando as vantagens de ambos os fluxos e potencializando a eficiência do tratamento, como mostra a Figura abaixo.

Sistemas de plantio

Para os sistemas de fluxo subsuperficial, recomenda-se que sejam plantados inicialmente de 10 a 20 indivíduos por metro quadrado, distribuídos ao longo de todo o leito. Já para os sistemas de fluxo superficial, recomenda-se que as macrófitas ocupem inicialmente apenas a metade da área superficial do leito.

É importante realçar que as macrófitas aquáticas demandam manutenção adequada, como podas, retirada de ervas daninhas e de folhagem desprendida, a fim de garantir a eficiência do sistema e evitar a devolução de nutrientes e matéria orgânica ao sistema.

Material suporte

O material suporte ou substrato, também conhecido como material filtrante, funciona tanto como meio de suporte para o estabelecimento das macrófitas aquáticas, quanto como filtro para a retenção de sólidos em suspensão no esgoto, e como meio para aderência dos microrganismos.

Além disso, é no material suporte que ocorre a maioria dos processos físicos, químicos e biológicos característicos desses sistemas e principais responsáveis pela melhoria da qualidade da água.

A escolha do tipo está associada à finalidade do tratamento, além de manter boas condições de fluxo e promover a absorção de compostos inorgânicos, como o Nitrogênio amoniacal e o Ortofosfato. Os tipos mais comuns são: areia, brita e cascalho. A granulometria desses materiais é mostrada no quadro da Figura abaixo.

Nas zonas de entrada e saída de esgoto, bem como próximo às tubulações, recomenda-se a utilização de materiais suporte de maiores granulometria, a fim de minimizar a ocorrência de entupimentos.

Microbiota

A microbiota mais comumente encontrada em WC é composta por fungos e bactérias, que se desenvolvem, principalmente, aderidos ao material suporte ou às raízes das macrófitas aquáticas, formando um biofilme.

Eficiência dos sistemas

O quadro da Figura abaixo apresenta as eficiências de remoção da carga orgânica (DBO e DQO) e de Nutrientes (Fósforo e Nitrogênio) dos três principais tipos de Wetlands construídas.

Exemplo de projeto

REF.:

(1) http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/bio.htm

(2) Manual de sistemas de Wetlands construídas para o tratamento de esgotos sanitário: implantação, operação e manutenção.

(3) https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-4...

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 9 julho 2020 às 9:51

ETE COM LAGOAS AERADAS AERÓBIAS

As lagoas (de oxidação), como vimos no meu blog anterior, são as ETEs mais econômicas e fáceis de operar, embora sejam aquelas que requerem maior área para sua implantação. Está muito em voga ultimamente as chamadas lagoas aeradas, que reduzem o espaço mas que encarecem o custo de operação.

O roteiro da planilha abaixo é para atender a população de 15 mil habitantes. Se ela fosse projetada para apenas 1.500 habitantes (como no caso anterior), sua área seria de apenas 350 m², volume de 1.400 m³ e o número de aeradores cairia para 3 (três), com a mesma eficiência (90%) e densidade de potência (15 w/m³).

Para concluir as reflexões sobre Lagoas de Estabilização, a Figura abaixo resume as características de dois tipos de lagoas aeradas: a aeróbia e a facultativa.

Bom proveito.

REF.:

(2) https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/21208/6/Dimensioname...

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 8 julho 2020 às 18:10

PROJETO HIDRÁULICO DE LAGOA DE ESTABILIZAÇÃO

As lagoas de estabilização são sistemas de tratamento biológico em que a estabilização da matéria orgânica é realizada pela oxidação bacteriológica (oxidação aeróbia ou fermentação anaeróbia) e/ou redução fotossintética das algas. (1)

Aproveitei o roteiro do trabalho de conclusão de curso (TCC) de Paulo Roberto dos Santos, LAGOAS DE ESTABILIZAÇÃO: SOLUÇÃO PARA O TRATAMENTO DE ESGOTOS DOMICILIARES, apresentado à Universidade São Francisco, como um dos requisitos para a obtenção do bacharelado em Engenharia Civil, Itatiba - SP, 2007, por ser didático e, segundo o meu entendimento (vide quadro abaixo), enquadrar-se num povoado rural.

As lagoas são usadas para o tratamento de esgotos há séculos mas, apenas nos últimos 50 anos, experimentos e critérios racionais de projeto foram desenvolvidos, de modo a se estabelecer parâmetros de carga orgânica, tempo de detenção, profundidade, etc. Apenas em 1948, nos EUA, entrou em operação a primeira lagoa projetada especificamente para tratar o esgoto bruto (a lagoa de Maddock, no Estado de Dakota). Logo em seguida, a Austrália e,no Brasil, a primeira foi em São José dos Campos - SP. Em 1963, a lagoa Cidade de Deus foi construída no Rio de Janeiro.

A simplicidade  e eficiência do processo, o baixo custo de construção e operação, e as condições climáticas (temperatura elevada) extremamente favoráveis, levaram o processo a sua completa aceitação entre nós. Atualmente, as Lagoas Aeradas são uma ótima opção para as ETEs, desde que haja área disponível.

Entre os vários tipos de lagoas, destacam-se as: aeróbias, facultativas, de maturação, de polimento, aeradas e com macrófitas (aguapé).

A Figura abaixo apresenta uma classificação das lagoas de estabilização e seus parâmetros de projeto onde as siglas LA = lagoa aerada, LF = lagoa facultativa, LAF = lagoa aerada facultativa, etc.

A planilha abaixo detalha o projeto hidráulico de uma lagoa de estabilização mostrada no TCC acima referido, onde eu alterei um pouco para mais (para arredondar o dado) a população atendida.

REF.:

(1) Tratamento de Esgotos Domésticos, ABES-RJ, Eduardo Pacheco Jordão e Constantino Arruda Pessôa, Rio de Janeiro, 8a. ed., 2017, 915 pág.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 6 julho 2020 às 10:24

ETE TIPO UASB - SOLO

No planejamento do projeto hidráulico e sanitário de uma estação de tratamento de esgotos (ETE), uma das primeiras decisões é sobre o tipo de tratamento a ser adotado, esclarecido na Figura abaixo.

Como esse fluxograma foi elaborado por mim alguns anos atrás, sugiro que se troque o filtro biológico pela ETE do título, cujas iniciais significa Upflow Anaerobic Sludge Blanket ou reator anaeróbio de fluxo ascendente. Também não foram incluídas as chamadas Wetlands (terras alagadas) construídas, e nem os emissários submarinos de esgoto.

Logo em seguida vem o problema do porte da estação, que está relacionado à população a ser atendida. A Figura abaixo fornece uma orientação quanto ao porte da localidade, vazões ou cotas e demanda bioquímica de Oxigênio. O coeficiente de retorno (R) é a parcela da água de abastecimento que é computada no cálculo da vazão de esgoto; no caso, 80%. Vale lembrar que devemos utilizar um método estatístico ou equação para o cálculo do aumento da população.

Uma terceira preocupação é com as etapas do projeto ou tipo ou grau de eficiência do tratamento, que envolve as fases mostradas na Figura abaixo. O ideal é que se chegue até o tratamento terciário mas, na prática, até o secundário já está de bom tamanho, desde que a eficiência ultrapasse os 90%. Quando isso não acontece, como no caso mostrado ao final deste texto, deve-se complementar o tratamento com outro (tipo) para que se atendam às Normas.

etapas.gif (Saneamento)

A aplicação do efluente no solo apresenta algumas vantagens, como: benefício agrícola, baixo investimento, pequeno custo de operação e o baixo consumo de energia. Porém apresenta como limitação, os diferentes tipos de tratamento para os diversos tipos de solos e quando o solo apropriado se encontra a distâncias maiores que 20 km, este sistema não é economicamente viável e necessita de uma análise mais aprimorada, PROSAB (Campos, 1999).

Os principais processos de disposição controlada no solo (que não constam do fluxograma do início) são o escoamento superficial, a infiltração/percolação e a irrigação. Atualmente são utilizados em larga escala o escoamento superficial, a infiltração/percolação e a irrigação, PROSAB (Gonçalves, 2003). (1)

Na Figura abaixo, o processo de aplicação no solo adotado é o escoamento superficial, onde, à medida que o efluente percola no terreno, uma grande parte evapora, uma parte menor infiltra e o restante é coletado em canais, posicionados na parte inferior da rampa de tratamento.

Segundo ReCESA (2008), neste fluxograma, o esgoto proveniente do reator UASB é aplicado de forma intermitente na parte superior de terrenos com certa declividade, através dos quais escoa, até ser coletado por valas na parte inferior. Para auxiliar no tratamento do esgoto e evitar a erosão do terreno, este deve ser plantado com uma vegetação resistente ao alagamento como, p. ex. a grama Brachiaria humidicola. Esse sistema propícia, além da remoção complementar da DBO, a remoção de nitrogênio, o que ocorre por interações químicas no solo e absorção pela biomassa vegetal. Outro aspecto de importância é o reuso do  efluente, uma vez que contribui para a produção de biomassa vegetal para alimentação animal.

Na Figura 21, é apresentado o sistema reator UASB seguido de aplicação no solo.

A disposição de esgotos no solo ou em corpos hídricos é uma alternativa ainda muito empregada. Dependendo da carga orgânica lançada no meio ambiente, o esgoto poderá causar danos nocivos ao solo, água e ar. Contudo, em outros casos, o meio ambiente pode receber e decompor os contaminantes até que estes não representem problemas e danos que prejudiquem o ecossistema local e vizinho. Desta forma, a disposição do efluente no solo se mostra uma excelente opção de tratamento, desde que se respeite a capacidade natural do meio e dos microrganismos decompositores presentes, PROSAB (CAMPOS, 1999).

Segundo Campos (1999), as aplicações para alguns usos e finalidades podem ser feitas sem que a água residuária tenha sofrido algum tipo de tratamento. Para tanto, é necessário à caracterização dessas águas a fim de verificar se os resíduos nelas existentes não poluem o meio.

Segundo Von Sperling (2005), a aplicação no solo, além de funcionar como tratamento primário, pode ser considerado tratamento de nível secundário ou terciário, ou ambos. Os esgotos aplicados no solo conduzem à recarga do lençol subterrâneo e à evapotranspiração e supre as necessidades das plantas em termos de água e nutrientes.

Taxas de aplicação no solo

As taxas médias de aplicação de esgotos no solo são definidas pela capacidade de infiltração, pelas condições de drenagem e pelo tempo de secagem após cada aplicação. Uma grande variação de taxas é encontrada na literatura, desde 150 a 5.000 m³/ha.dia; porém, em pesquisa realizada numa estação experimental em Torres - RS, constatou-se que taxas superiores a 450 m³/ha.dia para esgotos com tratamento preliminar, são muito elevadas, conduzindo à colmatação muito rapidamente. (2)

O método de escoamento à superfície é recomendado para terrenos com baixa permeabilidade e solos com maior porosidade. O afluente é lançado na parte superior de um plano inclinado, com aspersores ou tubos janelados, e a parte que não se infiltrou é recolhida na parte inferior, por canais de drenagem que transportam o líquido ao corpo receptor.

O plano inclinado constituído de um sistema solo-planta, deve ter declividade entre 2 a 8%, de modo a evitar empoçamento e erosão do solo. Os processos de tratamento, no caso, são físicos, químicos e biológicos. Recomenda-se comprimentos da rampa entre 30 e 45 m e, nos esgotos da indústria alimentícia, entre 60 e 90 m. Na Austrália, varia entre 150 e 400 m. O turno de rega usual é de 7 dias/semana e, em pequenos projetos, entre 5 ou 6 dias/semana. O tempo de irrigação varia de poucas horas até 24 hs/dia. Taxa de aplicação: 0,06 a 0,24m³/h.m.

Vegetais passíveis de irrigação

Nesse sistema, os vegetais devem ser resistentes ao encharcamento do solo, dentre os quais os mais citados na bibliografia são: Brachiaria humidicola, B. decumbens, B. brizantha, B. tannergrass, B. mutica, Tipha angustipholia e Panicum repens, entre outros.

Projeto

REF.:

(1) https://www.ufjf.br/engsanitariaeambiental/files/2014/02/APLICABILI...

(2)

 https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6134/tde-27072018-1047...

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 5 julho 2020 às 11:43

REATOR ANAERÓBIO AVANÇADO

https://youtu.be/bDamXmzwo8Y

Não fui pago pela Ambio para reproduzir os seu produtos, mas aproveito o vídeo para mostrar na prática como se dá a operação da mídia filtrante conhecida como MBBR. Além do mais, boa parte dos reatores é projetado e construído com cimento.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 4 julho 2020 às 12:14

TRATAMENTO BIOLÓGICO DE ESGOTOS

Até a década de 80 uma das estações de tratamento de esgotos (ETEs) mais comuns no Brasil era o Filtro Biológico, que consistia num tanque cilíndrico de concreto preenchido com pedra britada número 4, irrigada com esgoto bruto por braços móveis (impulsionados pelos jatos de saída da água dos canos), que recirculava durante certo tempo. Com os dias, formava-se nas superfícies das pedras uma fina camada de limo, chamada de zooglea, onde bactérias aeróbias tratavam a matéria orgânica, e o próprio esgoto. A eficiência do tratamento, de cerca de 80%, é considerada baixa, comparada a dos lodos ativados, que chega a 99%.

Um dos problemas construtivos era o peso da pedra, que exigia uma parede de concreto armado, encarecendo a obra. Na década de 90 surgiram outros materiais para substituir a pedra, não tanto por seu peso, mas pela reduzida superfície de suporte à formação do filme de bactérias. Houve no Brasil experiência com bambu, sabugo de milho, tampas plásticas de garrafas, eletroduto cortado em pedaços de 4 cm,  bobs de cabelo e, finalmente, o material mais leve e de maior superfície específica foi o MBBR, mostrado na Figura abaixo. MBBR é a sigla de Moving Bed Biofilm Reactor ou reator com biofilme de leito móvel.

Os materiais suporte, também chamados de mídias filtrantes são comumente avaliados e comparados através da área de superfície total disponível por metro cúbico de mídia, essa medida se chama superfície específica. Para se ter uma ideia, a superfície específica da pedra britada número 4, usada nos filtros biológicos antigos, vale de 50 a 70 m²/m³, enquanto à do suporte NAT-Mídia600, conhecido como MBBR, é de 800 m²/m³, cerca de 11 vezes maior, apesar de ser menor e mais leve. A Figura abaixo lista uma série de características operacionais de uma das mais modernas mídias filtrantes comumente utilizadas nas ETEs.

As mídias ou superfície suporte para desenvolvimento de microrganismos (como os MBBR) são misturadas à água para facilitar o desenvolvimento dos microrganismos responsáveis pela redução da carga orgânica dos efluentes. Os microrganismos se fixam na superfície do elemento, crescem e se multiplicam rapidamente aumentando a taxa de redução de DBO (demanda biológica de oxigênio) dos reatores biológicos. É importante que as mídias utilizadas ofereçam maior área superficial, permitindo maior crescimento bacteriano por unidade de volume das mídias do filtro e, consequentemente, maior eficiência na remoção de compostos nitrogenados.

Com o auxílio do software ImageJ, eu calculei a superfície específica de uma mídia filtrante, como mostram os cálculos da planilha abaixo.

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