Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

O Congresso Nacional aprovou dia 24.6.2020 o marco do Saneamento Básico, permitindo que a empresa privada possa universalizar os serviços de água e esgoto, quando 100 milhões de pessoas no Brasil não têm coleta de esgoto e 35 milhões não têm acesso à rede de água. O saneamento melhora a qualidade de vida, a educação e a produtividade. Serão necessários entre R$ 500 bilhões e R$ 700 bilhões para universalizar a prestação de serviços de saneamento no Brasil até 2033.

Pesquisa desta semana mostrou que, no Brasil, a classe mais afetada pelo Covid-19 foi, justamente, a mais pobre, onde a densidade habitacional é maior e milhares de famílias nem água potável têm em casa se quer para lavar as mãos.

O fato da urbanização ter chegado no Brasil aos 85%, não diminui a responsabilidade dos ruralinos (nós no meio), seja por contribuirmos com os nossos próprios esgotos mas, principalmente, pelos dos animais domésticos e indústrias rurais. Além do mais, a boa formação em Hidráulica e Biologia (as bases do Saneamento Básico) do Engenheiro Agrônomo, o habilita a colaborar com a empreitada, mesmo que restrita ao campo, com o projeto de estações de tratamento de esgotos por zona de raízes, wetlands construídas, irrigação com esgoto bruto, campos de infiltração, e outros.

Há, também, materiais típicos do campo, que podem ser úteis no tratamento da água e esgotos como, p. ex., sementes da morangueira e palha de arroz calcinada no tratamento da água, e plantas aquáticas como o aguapé e pedaços de bambu (como suporte de tanques biológicos aerados) para o tratamento de esgotos domésticos.

Serviços de água: 33 milhões de pessoas no Brasil vivem sem acesso à água potável. Como boa parcela da população bebe água de poço raso, se nós difundíssemos o uso da garrafa cloradora feita com PET, areia lavada de rio e Hipoclorito de Cálcio, já seria u'a mão na roda.

Coleta e tratamento de esgotos: 104 milhões de pessoas, ou quase a metade da população brasileira não tem acesso a serviços de esgoto em casa. Aqui na Rede Agronomia, já escrevi dezenas de artigos falando sobre o assunto.

Destino adequado do lixo: existe uma lei de 2010 que 'ordena' a substituição dos lixões por aterros sanitários em todos os municípios do país, que nunca foi cumprida por sucessivos adiamentos de prazo. E por falar em resíduos sólidos urbanos, é bom lembrar que a mistura da matéria orgânica (que compõe cerca de 60% do lixo doméstico no país) com a poda de árvores ou restos culturais (lascas de madeira, palha de arroz e outros materiais do campo), são a base para a compostagem do lixo que, além de aumentar (o dobro) a vida útil dos aterros sanitários, produz um excelente condicionador do solo, que pode ser usado na agricultura.

Macrodrenagem pluvial: esta é a quarta parcela que compõe o Saneamento Básico, e é a responsável pelas inundações.

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 1 agosto 2020 às 11:47
Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 31 julho 2020 às 0:04

RECALL DO PROJETO DA REDE

Relendo com calma o projeto, vi que cometi um equívoco e, portanto, peço desculpas por ter recalculado as vazões (4a. coluna da Tabela da planilha). É que, como a rede foi calculada do final (trecho 1) para o princípio (na caixa d´água), a vazão do trecho 2 teria de ser somada à do trecho 1, (anterior a ele); a do trecho 3 somada à do trecho 2, e assim por diante. Por outro lado, o trecho 7, até o cruzamento com o ramal 6, não tem contribuição em marcha (valor de Qm = 0,001 L/s.m, que foi alterado, por subtração desse trecho de 100 m dos cálculos) e, portanto, sua vazão é a mesma do trecho 6. Com o aumento das vazões, para que o resultado final não se alterasse, aumentei o diâmetro do trecho 7, até o cruzamento com o ramal número 6, que passou de 25 mm (uma polegada) para 50 mm (duas polegadas).

Aproveito o ensejo para esclarecer alguns detalhes do projeto acima apresentado.

1) O valor 40 m  (linha 23 da planilha) acrescentado à soma das perdas de carga (ou pressão) nos trechos, refere-se à pressão hidrostática recomendada por norma para que a água saia das torneiras com pressão, até um prédio de 3 pavimentos;

2) As Normas da ABNT também costumam adotar diâmetros mínimos no ramal principal (aquele perpendicular aos ramais prediais mostrado no croqui da rede), o que não segui para tornar menos complicada a planilha; e

3) O mesmo acontece com as velocidades médias nos ramais pois, abaixo de V = 0,30 m/s (como foi o caso dos ramais 1 a 3 e do 7), pode haver acúmulo de sólidos em suspensão na água.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 30 julho 2020 às 11:00

ÁGUA NA ZONA RURAL

A água é uma parte integrante do bem-estar dos seres vivos. Além de ser indispensável para o sustento da vida, ela é essencial para o desenvolvimento agrícola e industrial. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), são necessários entre 50 a 100 litros de água por pessoa, por dia, para assegurar a satisfação das necessidades mais básicas e a minimização dos problemas de saúde. A OMS ainda afirma que a fonte de água deve estar localizada a uma distância máxima de 1.000 metros do lar e o tempo para a realização de sua coleta não deve ultrapassar 30 minutos. Porém, a maior parte da população que é categorizada como tendo problemas de acesso a água limpa possui, apenas, 5 litros por dia para a sua sobrevivência. (1)

De acordo com o relatório conjunto da UNICEF/OMS (2015), 663 milhões de pessoas em todo mundo ainda bebem água de fontes que não são seguras, sendo que a maioria delas se encontra em áreas rurais. Esse relatório ainda afirma, em sua página 17 que “é estimado que 79% das pessoas que não possuem fonte segura de abastecimento e 93% das pessoas que utilizam água da superfície moram no meio rural”.

O fluxo da água num sistema público do abastecimento de uma comunidade, é mostrado na Figura abaixo.

A cobertura de serviços de saneamento e abastecimento de água em zonas rurais brasileiras é precária ou inexistente, o que acarreta em baixa qualidade de vida, saúde e bem estar da população, além do alto nível de propagação de doenças. As políticas governamentais, em sua maioria, contemplam as zonas urbanas, abandonando as áreas rurais e contribuindo para a falta de sistemas apropriados de abastecimento de água, esgotamento sanitário, e coleta de resíduos sólidos nessas localidades.

Quando não existe rede pública de abastecimento, uma forma usual de fornecimento de água potável à população de uma pequena comunidade, é através do chafariz comunitário, como o mostrado na Figura abaixo. A população total do município é de 325.441 habitantes, de acordo com a última estimativa do IBGE; a da Comunidade de Caucaia, atende a 150 famílias e 500 pessoas.

Quase metade da humanidade, principalmente na Ásia e na África, ainda vive em áreas rurais e é de grupos de baixa renda. A população rural pobre não tem acesso ao suprimento básico de água (900 milhões) e ao saneamento seguro, o que resulta não apenas em tremendos custos econômicos e de saúde humana, mas também gera desigualdades de gênero e outras formas de sociedade. A maioria da população rural no mundo em desenvolvimento é analfabeta e não qualificada, e é composta principalmente por idosos, mulheres e crianças, que não possuem recursos para apoiar/lidar com a variabilidade natural e seus impactos. (2)

A Figura abaixo mostra algumas diferenças entre fases do abastecimento de água potável na zona rural e na zona urbana.

 O apoio ao abastecimento de água e saneamento nas áreas rurais é mais desafiador devido à localização dos assentamentos, principalmente em áreas ambientalmente frágeis; modelos de desenvolvimento dominados por diversos valores culturais, más condições econômicas e desafios associados à recuperação de custos. Em muitos casos, assentamentos dispersos, dominados pela economia agrícola e recursos hídricos limitados, suscitam desafios para o fornecimento de infraestrutura. A maior parte da infraestrutura hídrica existente é de sistemas descentralizados (por exemplo, ponto de coleta de água da comunidade, posto público, latrinas e fossas sépticas em alguns casos). Esses sistemas de infraestrutura também caíram em ruínas devido a limitações técnicas, financeiras e gerenciais. A população rural geralmente depende de fontes de água locais (poços, bombas manuais, rios), que são em muitos casos contaminados.

Segundo a OMS, o consumo de água potável na zona rural é de cerca de 38 litros por pessoa por dia quando se usa bomba manual; de 57 L/dia quando se usa torneira na pia; e até de 190 litros quando a cozinha tem água quente e fria, há lavanderia e banheiro.

O norte e o nordeste do país que tem a maior população rural e os menores índices de atendimento. Normalmente pessoas menos favorecidas, especialmente na calha do Rio Amazonas e no Semiárido Nordestino.(3)

Uma das maiores dificuldades em levar o abastecimento às zonas rurais é o custo, principalmente pela distância e escassez de recursos nesses locais.

O cenário atual para muitos moradores de áreas rurais no Brasil é o consumo de água proveniente de mananciais superficiais sem qualquer tratamento. Além disso a inadequação das soluções técnicas disponíveis para a realidade das comunidades rurais é um agravante. (3)

Fontes

Segundo a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) as formas de captação da água na zona rural são mostradas na Figura abaixo.

A Figura abaixo mostra as principais fontes de água potável utilizadas na zona rural, além das quais existem, ainda, a água da chuva (telhados, açudes, barreiros e cisternas) e a água do mar dessalinizada.

Consumo per cápita

Segundo o Manual de Saneamento da Fundação Nacional de Saúde (FNS), Ministério da Saúde, Brasília – DF, 1999, existem 2 critérios de adoção do consumo diário de água por habitante:

  1. População abastecida sem ligação domiciliar.
  • Abastecimento somente com torneiras públicas ou chafarizes: 30 a 50 L/hab.dia;
  • Além de torneiras e chafarizes, existem lavanderias públicas: 40 a 80 L/hab.dia;
  • Abastecimento com torneiras públicas e chafarizes, lavanderias públicas e sanitário ou banheiro público: 60 a 100 L/hab.dia.
  1. População abastecida com ligações domiciliares.

População (hab.)

L/hab.dia

< = 6.000

100 a 150

6.000 a 30.000

150 a 200

30.000 a 100.000

200 a 250

Ø  100.000

250 a 300

                              

 

 

                  

            Para a população flutuante, adotar o per cápita de 100 l/hab.dia.

Qualidade da água

Os derivados de Cloro geralmente empregados em pequenas comunidades são o hipoclorito de sódio (líquido) e o hipoclorito de cálcio (sólido).(6)

O hipoclorito de cálcio é formado por um precipitado resultado da dissolução de cloro gasoso em solução de cal e hidróxido de sódio. São utilizados em forma de pastilhas com 60% de cloro ativo, podendo permanecer de 10 a 15 horas fornecendo cloro à água em desinfecção (DANIEL, 2001).

A Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde determina a obrigatoriedade de se manter na saída do tratamento (após desinfecção) concentração de cloro residual livre de 0,5 mg/L e em qualquer ponto na rede de distribuição 0,2 mg/L. Recomenda, ainda, que o teor máximo seja de 2,0 mg/L em qualquer ponto do sistema de abastecimento (FUNASA, 2009).

Projeto de rede ramificada

REF.:

  • ACESSO AO ABASTECIMENTO DE ÁGUA EM COMUNIDADES RURAIS: O DESAFIO DE GARANTIR OS DIREITOS HUMANOS À ÁGUA, Anna Machado e auxs., 2016

https://www.inovarse.org/sites/default/files/T16_203.pdf

  • UNESCO

https://en.unesco.org/themes/water-security/hydrology/water-human-s...

  • EOS

https://www.eosconsultores.com.br/dificuldades-abastecimento-de-agu...

  • AUTOGESTÃO DE SISTEMAS RURAIS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA: ESTUDO DE CASO DA COMUNIDADE QUILOMBOLA DE LAGEDO, SÃO FRANCISCO – MG, TCC de Allyson Silva, EEUFMG, Belo Horizonte – MG, 2016

https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUOS-AV2MSG/1/allyson_su...

  • FUNASA

http://www.funasa.gov.br/site/wp-content/files_mf/blt_san_rural.pdf

  • DIAGNÓSTICO DO SANEAMENTO RURAL ATRAVÉS DE METODOLOGIA PARTICIPATIVA. ESTUDO DE CASO: BACIA CONTRIBUINTE AO RESERVATÓRIO DO RIO VERDE, REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA, PR, TCC de Daniel Larsen, Curitiba – PR, 2010.

https://acervodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/26294/Diagnostico%...

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 27 julho 2020 às 17:40

UM ÚLTIMO ROTEIRO PARA FILTRO LENTO

Bom proveito.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 27 julho 2020 às 11:58

OUTRO CRITÉRIO PARA DIMENSIONAR FILTRO LENTO DE AREIA

Segundo o Manual de Projeto de Filtro Lento de Areia, da Associação Americana de Trabalhos com Água, deve-se iniciar o projeto limitando a área do filtro à taxa de filtração, como mostra a Figura abaixo. (1)

REF.:

(1) Manual of Design for Slow Sand Filtration, American Water Works Association, 1991.

http://protosh2o.act.be/VIRTUELE_BIB/Watertechniek/350_Waterbehande...

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 26 julho 2020 às 21:02

PROJETO DE FILTRO LENTO DE AREIA

No tratamento de água por filtração lenta registra-se um acúmulo de partículas de origem orgânica, bactérias e outros microrganismos que são carreadas e depositadas na superfície do filtro ou nos grãos na parte superior do leito. Este processo forma uma camada chamada Schmutzdecke. A maior eficiência registrada na filtração lenta tem sido atribuída a esta camada (Valencia, 1973). (1)

Características

O fundo de filtro geralmente é constituído por drenos compreendendo uma tubulação principal ao longo da linha central, alimentado por laterais igualmente espaçadas e perfuradas, nos seguintes diâmetros:

  • no principal, de 0,20 a 0,60 m; e
  • nas laterais de 0,05 a 0,15 m, dependendo do tamanho do filtro.

Os drenos devem ser projetados com velocidades baixas, da ordem de 0,30 m.s1  no principal e 0,20 m.s-1 nas laterais. Também podem ser construídos empregando-se manilhas com juntas abertas. (2)

Na minha página da UFRRJ sobre Riscos de Acidentes e Saneamento Rural, mostro o esboço de um pequeno projeto de filtro lento de areia. (3)

Projeto

REF.:

  • Avaliação do desempenho de mantas sintéticas não tecidas no tratamento de água para consumo humano visando utilização em comunidades rurais - ensaio em escala piloto, TCC de Hélder Cumbi, UFMG, Belo Horizonte, 2013.

http://www.smarh.eng.ufmg.br/defesas/1097M.PDF

  • Saneamento Básico, UFRRJ, Daniel e aux.

http://www.ufrrj.br/institutos/it/deng/leonardo/downloads/APOSTILA/...

  • Riscos de Acidentes na Zona Rural e Saneamento Rural

http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/agua9.htm

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 24 julho 2020 às 18:29

REATOR BIOLÓGICO COM LEITO MÓVEL

(IFAS - Integrated Fixed-film Activated Sludge)

Bom proveito

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 24 julho 2020 às 12:58

PROJETO DE REATOR COM MBBR

Apesar de relativamente nova, se comparada a outros processos com biofilme ou ao Lodos Ativados, a tecnologia MBBR vem se consolidando como um sucesso comercial, contemplando mais de 400 plantas de tratamento de grande porte em operação, além de diversas unidades menores, em mais de 20 países (dados de 2006) (RUSTEN et al., 2006).

Uma das formas de aumentar a concentração de biomassa é através da utilização de meios suportes de alta área superficial. Os suportes são tipicamente um material inerte, como pedra britada, seixo rolado ou plásticos, aos quais a biomassa adere, formando biofilmes (ABNT, 2011). Diferentemente de reatores com biomassa em suspensão, o desempenho está intimamente atrelado à superfície disponível para crescimento do biofilme e não ao volume do reator em si (ØDEGAARD et al., 2000).

Fatores como temperatura, composição do meio (presença de nutrientes ou de inibidores), inóculo, hidrodinâmica (vazão, TDH, tensão) e características do meio suporte (rugosidade, propriedades químicas) desempenham papel relevante no desenvolvimento de biofilmes (DONLAN & COSTERTON, 2002).

A imobilização da biomassa na forma de biofilmes é um método eficiente para a retenção de organismos de crescimento lento, como as nitrificantes.

Os suportes móveis, também conhecidos como biomídias ou simplesmente mídias, são o coração do processo MBBR: cilindros lisos, ranhurados, com aletas internas, cubos, esferas, cerâmicas porosas, esponjas, polietileno entre outros, várias são as possibilidades, diferindo tanto no material de composição, quanto na forma, tamanho e área específica (LEVSTEK & PLAZL, 2009; QIQI et al., 2012).

Como funciona

Uma das formas de aumentar a concentração de biomassa é através da utilização de meios suportes de alta área superficial. Os suportes móveis, também conhecidos como biomídias ou simplesmente mídias, são o coração do processo MBBR: cilindros lisos, ranhurados, com aletas internas, cubos, esferas, cerâmicas porosas, esponjas, polietileno entre outros, várias são as possibilidades, diferindo tanto no material de composição, quanto na forma, tamanho e área específica (LEVSTEK & PLAZL, 2009; QIQI et al., 2012).

A NBR 12.209/2011 pontua que a densidade do meio suporte deve ser entre 0,92 e 0,98 e a superfície específica interna superior a 250 m2/m3, sendo esta a relação entre a área superficial interna do material suporte e o seu volume aparente (ABNT, 2011).

A turbulência causada pelo fluxo de ar necessário para manter 3 mgO2/L em situações de alta carga orgânica parece ser mais que necessária para manter a espessura do biofilme controlada (QUÉBEC, 2009; RUSTEN et al., 2006).

Neste tipo de reator, o biofilme cresce em pequenos elementos, em geral plásticos, de alta área específica e densidade ligeiramente inferior à da água, que se movimentam livremente por todo reator, por meio da aeração (sistemas aeróbios) ou agitadores mecânicos (sistemas anóxicos ou anaeróbios) e que são mantidos no sistema por um peneiramento na saída (RUSTEN et al., 1995).

Dessa forma, algumas vantagens do MBBR frente a outros métodos convencionais incluem a possibilidade de maior concentração de biomassa, sem sobrecarga dos decantadores, ausência de entupimento, sem necessidade de reciclo de lodo e de retrolavagem, menor requisito de área, menor perda da biomassa e operação estável e mais robusta frente a choques de carga (MARTÍN-PASCUAL et al., 2012; RUSTEN et al., 1995a).

Além disso, o sistema dispensa controles específicos como a relação A/M, idade do lodo ou IVL (OLIVEIRA, 2008; QUÉBEC, 2009) e, assim como na tecnologia de Lodos Ativados, tem se mostrado bastante flexível, podendo integrar reatores em série, tanques anóxicos, anaeróbios, reatores com membrana (MBBR-BRM), entre outras variantes, conforme o tratamento desejado (CANLER et al., 2012; DUAN et al., 2013).

Em termos de utilização, a tecnologia MBBR tem sido empregada em diferentes aplicações, abrangendo águas residuárias municipais, efluentes industriais diversos, fazendas de peixes e até mesmo como pré-tratamento para águas de abastecimento (ØDEGAARD, 2004).

A NBR 12.209/2011 pontua que a densidade do meio suporte deve ser entre 0,92 e 0,98 e a superfície específica interna superior a 250 m2/m3, sendo esta a relação entre a área superficial interna do material suporte e o seu volume aparente (ABNT, 2011).

Além de alta área superficial efetiva, suportes para MBBR devem possuir baixo custo, simples produção, ausência de efeitos tóxicos sobre a biomassa e facilidade de adesão desta, além de boa resistência mecânica (KRIKLAVOVA & LEDERER, 2010).

Em termos de utilização, a tecnologia MBBR tem sido empregada em diferentes aplicações, abrangendo águas residuárias municipais, efluentes industriais diversos, fazendas de peixes e até mesmo como pré-tratamento para águas de abastecimento (ØDEGAARD, 2004).

Grandes nichos de aplicação desta tecnologia encontram-se na melhoria do desempenho nitrificante e no aumento de carga e atualização (retrofit) de ETEs já saturadas e com pouca área disponível para ampliação.

A adição de suportes móveis no reator tipo Lodos Ativados é um método consagrado para aumentar a capacidade nitrificante da planta, já que favorece a retenção de microrganismos de crescimento lento, que, para idades do lodo baixas, estarão principalmente associados ao biofilme (FALÅS et al., 2013).

No que tange à matéria orgânica, é possível até triplicar a carga volumétrica afluente se comparado a um reator de dimensão semelhante tipo Lodos Ativados e mesmo alcançar uma redução de área de 30%, considerando toda a estação (CANLER et al., 2010). Além disso, outro ponto favorável é que a ampliação da carga orgânica aplicada pode ser realizada com poucas modificações pontuais e sem necessidade de obras civis de ampliação.

Mesmo tratando-se de leito móvel, como a maior parte da biomassa em sistemas MBBR puros encontra-se aderida aos suportes, é conveniente expressar a carga afluente ao reator e sua eficiência de remoção em termos de carga superficial, em vez de carga volumétrica, como usualmente expresso para reatores tipo Lodos Ativados.

A turbulência causada pelo fluxo de ar necessário para manter 3 mgO2/L em situações de alta carga orgânica parece ser mais que necessária para manter a espessura do biofilme controlada (QUÉBEC, 2009; RUSTEN et al., 2006).

Por último, é importante discutir o armazenamento de biomassa por m2 (ou mesmo m3) de suporte, parâmetro essencial no projeto de sistemas MBBR. De acordo com o fabricante, a mídia utilizada (MOD940, AMBIO) possuí área específica de 687m2/m3 e armazenamento de biomassa de 20,00 gSST/m2 ou 8,70 kgSST/m3.

Refazendo-se os cálculos em termos de área efetiva para crescimento do biofilme, considerando-se os pontos acima ressaltados, chegou-se a 428 m2/m3 , o que representa uma redução superior a 30% frente ao valor fornecido.

Fração de recheio

A quantidade de suportes é conhecida como fração de recheio (FR) (ou de enchimento), definida pela razão do volume ocupado pelas mídias, consideradas como blocos sólidos, e o volume total do reator (SALVETTI et al., 2006). Assim como para a definição da área específica, o recheio deve considerar o volume empolado, ou seja, o espaço ocupado pelas peças de forma desarrumada dentro do reator (OLIVEIRA, 2008).

No trabalho DESEMPENHO DE SISTEMAS MBBR EM DIFERENTES CONDIÇÕES DE RECHEIO E VAZÃO: ESTUDO EM ESCALA PILOTO E LABORATORIAL, a fração de recheio (FR) pareceu ser o parâmetro de maior influência sobre o armazenamento de biomassa por mídia, havendo aumento deste na passagem de 70 para 50% de recheio.

Na maioria dos trabalhos científicos, admite-se um recheio único, tido como ideal (em geral, entre 30 e 50%) e analisa-se a eficiência do reator frente a alterações operacionais como temperatura, carga orgânica, tempo de retenção hidráulica, entre outros.

Em termos desse parâmetro, é recomendável que não se ultrapasse 70%, de modo que as mídias possam se movimentar livremente por todo reator, podendo valores tão inferiores quanto o necessário serem usados (ØDEGAARD, 2006; RUSTEN et al., 2006; SALVETTI et al., 2006).

Em termos brasileiros, a NBR 12.209/2011 admite como MBBR sistemas com FR entre 30 e 70% (ABNT, 2011). Já JORDÃO & PESSÔA (2011) apontam como mais usuais valores entre 40 e 70%.

No que tange ao biofilme, esses mesmos autores (WANG et al., 2005) constataram que o mesmo tornou-se mais fino e denso com o aumento da FR, sendo principalmente formados por bactérias filamentosas a 20%, ao passo que a concentração destas diminuiu em enchimentos maiores. Já em termos de biomassa, a concentração em suspensão diminuiu com o aumento do recheio, sendo a fração aderida predominante após 20% e apresentando pico a 50%.

Com base nas mesmas configurações operacionais anteriores (mídias, TDH e recheio), MARTÍN-PASCUAL et al. (2012) perceberam um aumento na remoção de matéria orgânica tanto com o aumento do TDH, quanto com o da FR.

PICULELL et al. (2013) também identificaram melhora na ETO com o aumento da fração de recheio para diversas intensidades de aeração, mesmo para recheios mais altos como 60 ou 70%. Os autores afirmam, contudo, que a ETO depende não só da FR e da intensidade de aeração, mas também da forma da mídia e do tipo de bolha gerado pelo sistema de aeração. Em sistema de bolhas finas, a coalescência pode ser favorecida, enquanto em bolhas grossas a ruptura pode favorecer o aumento da área de contato.

Reforma de ETEs com Lodos Ativados

A adição de suportes móveis no reator tipo Lodos Ativados é um método consagrado para aumentar a capacidade nitrificante da planta, já que favorece a retenção de microrganismos de crescimento lento, que, para idades do lodo baixas, estarão principalmente associados ao biofilme (FALÅS et al., 2013).

No que tange à matéria orgânica, é possível até triplicar a carga volumétrica afluente se comparado a um reator de dimensão semelhante tipo Lodos Ativados e mesmo alcançar uma redução de área de 30%, considerando toda a estação (CANLER et al., 2010). Além disso, outro ponto favorável é que a ampliação da carga orgânica aplicada pode ser realizada com poucas modificações pontuais e sem necessidade de obras civis de ampliação.

Em geral, quando se objetiva apenas a remoção da matéria orgânica, TDHs baixos, da ordem de 15 a 90 min podem ser aplicados, com a fração biodegradável dissolvida facilmente degradada e a particulada em parte capturada pelas irregularidades da biomassa aderida (ØDEGAARD, 2006).

Mesmo tratando-se de leito móvel, como a maior parte da biomassa em sistemas MBBR puros encontra-se aderida aos suportes, é conveniente expressar a carga afluente ao reator e sua eficiência de remoção em termos de carga superficial, em vez de carga volumétrica, como usualmente expresso para reatores tipo Lodos Ativados.

Projeto

Legenda:

P = população atendida; Q = vazão de esgoto; DBO = demanda bioquímica de Oxigênio; Ef = eficiência do sistema; Aes = área específica superficial da mídia (Ambio MOD940); Fr = fração de recheio do reator; Tr = taxa de remoção de DBO.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 23 julho 2020 às 11:27

TECNOLOGIAS DISPONÍVEIS PARA O TRATAMENTO DE ESGOTOS

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 22 julho 2020 às 12:20

SISTEMAS ANAERÓBIOS DE TRATAMENTO DE ESGOTO

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