Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Pelo fato de exercermos a nossa profissão, em sua maior parte no campo, não temos muita familiaridade com os assuntos e temas ligados às cidades, embora muitos de nós vivermos nelas. Nosso currículo também não comporta noções de urbanismo e, embora o nosso título comece pela palavra Engenheiro, só nos é permitido construir casas de até 2 pavimentos. O termo Agrovila, p. ex., só passamos a conhecer na década de 70, quando dos estudos do INCRA para a colonização às margens da Rodovia Transamazônica.

Depois disso, que eu saiba, uma única tentativa de envolver os Engenheiros Agrônomos com os problemas inerentes às cidades, surgiu décadas atrás, quando o CREA-RJ instituiu um concurso para projeto de uma Cidade Sustentável, com o objetivo de adaptar o projeto vencedor à uma cidade do Estado, o que nunca foi feito.

A área ocupada pelas cidades

Segundo dados da Embrapa, mais de 80% da população brasileira habita 0,63% do território nacional.(1)

Em termos mundiais, os atuais padrões de ocupação das cidades, segundo Michail Fragkias, especialista da Universidade Estadual do Arizona, gera graves problemas ambientais, colocando a Humanidade em risco. Ele lembra que, há um século, existiam menos de 20 cidades em todo o mundo com mais de um milhão de habitantes. Hoje, elas são 450. E, embora cubram apenas 5% da superfície da Terra, elas são as maiores consumidoras de seus recursos naturais.(2)

Quanto espaço ocupam todos os seres humanos da Terra? Depende, porque a distribuição de pessoas pelas áreas habitáveis não é homogênea. Se todo mundo se “apertasse” na mesma proporção que os habitantes do principado europeu de Mônaco, por exemplo, seria possível colocar todos os 7,2 bilhões de habitantes do planeta em Barbados, um pequeno conjunto de ilhas no Caribe! Por outro lado, se fôssemos distribuir os 148.647.000 km2 de área dos continentes entre todos os terráqueos, cada um teria direito a 0,02 km2 (cerca de três campos de futebol) para chamar de seu. O índice que mede a taxa de ocupação de uma determinada área é chamado de “densidade demográfica” e pode variar radicalmente entre países – e mesmo entre cidades num mesmo país. (3)

A Figura abaixo apresenta a disposição das habitações em uma agrovila construída no exterior.

Brasil luta com realidade mais complexa

(O Globo, caderno Mundo, Camila Zarur e Thayz Guimarães, 7.6.2020, pág. 31).  Sub-título: País enfrenta desigualdades históricas com a falta de saneamento básico e o gigantesco déficit de moradia, problemas que dificultam a adoção de medidas mais eficientes no combate ao novo coronavírus.

Em síntese, o artigo compara as nossas cidades com outras (como as da Argentina, p.ex.), quando se trata das adaptações urbanas necessárias para lidar com a "nova normalidade" imposta pelo coronavírus destacando, principalmente, a falta de saneamento básico e o déficit habitacional, para tornar as cidades, de fato, mais seguras e evitar novas crises sanitárias.

Fala-se em aumentar calçadas (4), construir ciclovias, transporte público, saneamento básico, fazer melhorias dos espaços urbanos e escolas.

O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil - CAU/BR lembra que a pandemia mostrou a importância de ter cidades "saudáveis e inclusivas para todas as comunidades e territórios".

O Congresso Mundial de Arquitetura será realizado em Julho de 2020 no Rio de Janeiro, se a quarentena permitir.(5) Uma ótima oportunidade de debater e difundir essas práticas.

REF.:

1) Embrapa Notícias

https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/28840923/mais-de...

2) O Globo Sociedade

https://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/em-2050-mundo-tera-area-...

3) Super Interessante

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/quanto-espaco-ocupam-todo...

4) Se essa rua fosse minha

http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/se-essa-rua-fosse-minha

5) Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil

https://www.caubr.gov.br/uia-rio-2020-como-sera-o-congresso-mundial...

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 24 junho 2020 às 17:13

DENSIDADE DEMOGRÁFICA E PLANEJAMENTO URBANO

O planejamento das cidades deve levar em conta a densidade real e as características das áreas projetadas de forma a promover, permitir ou conduzir o adensamento e/ou esvaziamento. (1)

A densidade projetada deverá imbricar fatores indeterminados quando é estabelecida, como: a tipologia habitacional; a forma de ocupação do solo; a relação entre área ocupada e área verde das edificações; a qualidade e oferta de infraestrutura sejam para grandes empreendimentos habitacionais privados ou megas ocupações informais. Assim, não existe uma fórmula matemática precisa que forneça a densidade ideal de um território. Uma série de condicionantes deve ser analisado conjuntamente com a densidade populacional, para promover um habitar de qualidade.

O estudo da densidade demográfica é fundamental para o processo de planejamento urbano e regional. O entendimento sobre densidade demográfica ou populacional compreende a relação entre o número de habitantes e a área do território, geralmente expressa em quilômetros quadrados ou habitantes por hectare. As leis de zoneamento podem fixar densidades brutas ou líquidas para as diferentes zonas.

Uma área é superpovoada quando as necessidades da população excedem ou ameaçam a capacidade de suporte do meio ambiente, considerando, por exemplo, a disponibilidades de recursos naturais (água potável em especial), ou a capacidade da infraestrutura instalada.

Consequências da alta densidade

A densidade populacional é apenas um, dos muitos indicadores utilizados no planejamento urbano das cidades, contudo seu estudo continuado e criterioso fomenta muitas análises aplicadas ao crescimento e desenvolvimento urbano.

Vieira e Cunha (2001) assinalam que “o crescimento de áreas urbanizadas tem gerado aumento no escoamento superficial pela impermeabilização do solo, acompanhado de grande volume de sedimentos, produzidos pelas construções e pelo solo exposto das encostas pelo desmatamento”. Essa afirmação é realçada no gráfico da Figura abaixo.

Por ele, uma densidade de 16 casas por hectare provoca uma impermeabilização do solo de cerca de 30%.

Por outro lado, Acioly (1998) considera que “quanto maior a densidade, melhor será a utilização e maximização da infraestrutura e do solo urbano”. No entanto, reconhece que os “assentamentos humanos de alta densidade” poderão aumentar a pressão sobre o solo urbano, contribuindo para a “saturação das redes de infraestrutura e serviços urbanos”.

Parâmetros a serem considerados

Entre os indicadores urbanísticos usuais, três se destacam na avaliação da densidade urbana: 1) Taxa de Ocupação (T.O.), 2) Coeficiente de Aproveitamento do Solo (C.A.); e 3) Densidade construída e populacional. Importante também é a relação entre o espaço construído e aberto.

Entre os aspectos ligados à densidade e planejamento urbano, sete merecem destaque:

  1. Escolha do sítio;
  2. Tipologia das formas urbanas;
  3. Renovação urbana;
  4. Compactação e densidade para uma utilização econômica do espaço;
  5. Equilíbrio entre os espaços construídos e os espaços livres;
  6. Aceitação social da densidade; e
  7. Gestão do aproveitamento do espaço.

As dimensões do leito e passeio das vias públicas, deverão ajustar-se à natureza, uso e densidade da população, de acordo com os gabaritos para veículos e pedestres.

A organização do espaço urbano no Plano Diretor deve ser estruturada em macrozonas de ocupação, classificando a cidade como espaços uniformes, minimizando a complexidade de suas relações.

Com respeito aos usos do solo, pode-se definir o percentual variável (de 60 a 80% p.ex.) em relação a cada Zona do Setor Urbano, de acordo com os tipos de utilização das edificações (comercial, residencial, serviços, recreativo e institucional) e com o grau de permissibilidade: Adequado, Tolerado e Inadequado, especificado na legislação (tabela do zoneamento urbano).

Vale observar que a densidade demográfica varia com o decorrer do tempo, como mostra o caso de Vitória da Conquista - BA (População = 338.400 hab. em 2019, área = 3.254 km² e DD = 91 hab/km² em 2010, segundo o IBGE), e que isso deve ser considerado no planejamento inicial. A implantação de um loteamento novo e até a implantação de um shopping center podem influenciar esse crescimento. Já as áreas de proteção permanente (APPs) e a ocorrência de superfícies líquidas (rios, lagos e áreas pantanosas) ocasionam uma baixa densidade demográfica.

Estudo teórico do planejamento de uma pequena cidade

A Figura abaixo mostra um ensaio com algumas variáveis que devem ser consideradas no planejamento urbano.

A cidade seria composta por módulos, ou conjunto de quarteirões de meio hectare cada, alguns dos quais reservados para o comércio, serviços, postos de saúde, praças e outros imobiliários urbanos, como mostra o croqui abaixo.

A Tabela abaixo apresenta algumas definições de densidade demográfica, incluindo as formas de calcular, indicadores e índices. (2)

REF.:

(1) DENSIDADE DEMOGRÁFICA COMO INSTRUMENTO DE PLANEJAMENTO URBANO: UM ESTUDO DE CASO SOBRE VITÓRIA DA CONQUISTA - BA.

https://core.ac.uk/download/pdf/229288881.pdf

(2) A Densidade e a Morfologia Urbana como parâmetros para o Planejamento de Bacias Hidrográficas.

http://anpur.org.br/app-urbana-2014/anais/ARQUIVOS/GT1-308-118-2014...

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 16 junho 2020 às 9:20

COMO PLANEJAR UMA CIDADE

O planejamento de uma pequena cidade ou de uma vila envolve três estratégias básicas.

1 – O arranjo da terra, relativo ao projeto da parcela (lote), quarteirão e traçado das ruas.

2 – O uso da terra, ou o propósito da ocupação (residencial, comercial, industrial, etc.).

3 – O formato da terra, o amplo projeto de melhorias da terra (ou seja, estruturas separadas/ anexadas etc.). (1)

Além da disponibilidade de área, localização, disponibilidade de água e topografia, o traçado envolve a densidade demográfica desejada e o número de habitantes. A Figura abaixo mostra algumas alternativas de lay out de uma pequena cidade ou vila.

Tamanho da cidade

Os critérios adotados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) definem o tamanho da cidade pelo número de habitantes, apresentando a seguinte classificação: pequenas cidades ─ aquelas com população inferior a 100 mil habitantes; cidades médias ─ com população entre 100 e 500 mil habitantes; cidades grandes ─ com população acima de 500 mil habitantes.

Segundo Bacelar (2012), o critério para definir uma pequena, média ou grande cidade é o aspecto político-administrativo. Para o autor, a pequena cidade se caracteriza por contar com população inferior a 10.000 habitantes, pouca produção e pouco emprego, tendo seus habitantes como dependentes, em sua maioria, do poder público, ou seja, das prefeituras, estas consideradas como maior empregador.

Intensidade de ocupação do lote

Corresponde ao percentual da área da edificação que é projetada no lote, podendo ser mais intensa ou menos intensa, conforme a disponibilidade de área livre do terreno com solo permeável. A Figura abaixo ilustra esse conceito.

A intensidade de replicabilidade do solo refere-se à possibilidade de reprodução da capacidade construtiva do lote expressa em área construída, aumentando a intensidade de ocupação.

Forma da cidade

No estudo da forma urbana, algumas condicionantes são importantes de serem consideradas, tais como as características do meio físico (topografia, geomorfologia e hidrografia), as Leis Ambientais (áreas de proteção ambiental e outras), características socioeconômicas da população e outras.

A Figura abaixo mostra algumas características espaciais dos componentes morfológicos.

Necessidade de áreas verdes

Bargos e Matias (2011) definem áreas verdes como uma categoria de espaço livre urbano, composto por vegetação arbórea e arbustiva, onde pelo menos 70% do piso seja permeável, de acesso público ou não, e que cumpram funções ecológicas, estéticas e de lazer. O valor da área verde recomendada pela Organização Mundial de Saúde - OMS é de 9 m²/hab. da zona urbana, sendo que o ideal seria entre 10 e 16 m². A Sociedade Brasileira de Arborização Urbana - SBAU recomenda um mínimo de 15 m²/hab. para que forneça bem-estar, lazer, recreação, isolamento acústico e microclima, entre outros benefícios. A recomendação usual na bibliografia é de 12 m²/hab.

Número de escolas

No Brasil, os municípios são responsáveis por fornecer a educação de base, ou seja: creches (até 3 anos), pré-escolas (educação infantil; 4 e 5 anos) e o ensino fundamental (7 a 14 anos). O aluno prefere a escola mais próxima da sua residência, vez que a distância residência - escola é percorrida pela criança duas vezes por dia. Para o aluno de nível secundário, a distância máxima deve ser de 8 km.

O mapa dos setores censitários do IBGE (cada um corresponde a cerca de 300 residências) e seus centroides são medidos por suas distâncias euclidianas, aos quais são atribuídos pesos, tomando como elemento básico a área de influência de cada escola. Um dos métodos usados nesses estudos é o da p-mediana, que se baseia no critério de menor distância e simboliza o deslocamento do aluno até a escola mais próxima. O problema das p-medianas pode ser descrito como o de localizar p facilidades (ou centros) em uma rede minimizando a soma de todas as distâncias de cada ponto de demanda a sua mediana mais próxima.

Quanto à área construída, nas escolas de 1o grau é obrigatório a existência de local coberto para recreio, com área no mínimo igual a 1/3 da soma das áreas das salas de aula. Pé direito de 4,0 m tendo um mínimo sob viga de 3,0 m. (Resol. SS-493, de 8/9/94 de São Paulo). A área das salas de aula devem ter um mínimo de 1 m²/aluno. Cada sala deve ter área mínima de 20 m². Recreio: local coberto com área de 1/3 da soma das áreas das salas de aula. Os auditórios e anfiteatros, área de 120 m². Refeitório: 1 m²/aluno e 1/3 dos alunos. Cozinha: 20 m². Cantina: 10 m². Vasos sanitários: 1 para 25 alunos; 1 mictório para 40 alunos; e 1 lavatório para 40 alunos.

REF.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 11 junho 2020 às 9:42

PROJETO DE PEQUENAS CIDADES

O Decreto-lei 311/38, que trata da divisão territorial do país define como Rural, se tiver população inferior a 50 mil habitantes, valor adicionado da agropecuária superior a uma terça parte do PIB municipal e densidade demográfica inferior a 80 habitantes por quilômetro quadrado (ou 100 hectares). (1)

Funções das cidades

Dentre as principais funções estão: cidades turísticas, cidades industriais, cidades portuárias, cidades comerciais e prestadoras de serviços. Dependendo da função, o seu projeto deve obedecer certas diretrizes. No caso, como ela é pequena, sua principal função será Residencial, ou a de abrigar pessoas, embora deva contar com algum comércio e serviços básicos.

Densidade urbana

A densidade urbana pode ser definida como uma composição de conceitos como: intensidade, compactação, altura de edifícios e relação de espaços livres. Os principais índices de densidade urbana são listados na Figura abaixo.

Os impactos da densidade na produção do espaço urbano afetam diretamente outros aspectos de qualidade urbana como: mobilidade, permeabilidade do solo, drenagem, poluição, geração de resíduos e custo da infraestrutura. Quanto maior a densidade, melhor será a utilização e maximização da infraestrutura e solo urbano. Quanto menor, maior a área a ser ocupada, para um dado número de habitantes, estimulando o uso do automóvel, a extensão das estradas e os gastos em Saneamento. Nas áreas com grande densidade, como nas favelas, entre outros problemas, ocorre baixa insolação e ventilação, resultando no aumento de doenças.

Os principais tipos de adensamentos urbanos são mostrados na Figura abaixo, destacando os parâmetros urbanísticos que os definem.

A redução das distâncias urbanas incentiva o caminhar do pedestre e o uso de bicicletas, o que melhora a qualidade de vida. Frank Wright sugere como baixo adensamento o índice de 10 habitantes por hectare. Alta densidade, segundo a ONU, parte de 450 hab./ha.

Outra medida atrelada à qualidade do adensamento urbano é a definição de no máximo 20.000 m² (ou 2 hectares) de lote edificável para todos os usos, e o comprimento máximo de 200 m na quadra.

A influência da impermeabilização do solo (provocado pelos telhados e pavimentações) é mostrada na Figura abaixo. Quanto menor a área do lote, maior é a sua porcentagem de impermeabilização, e vice versa.

Os efeitos da impermeabilização do solo sobre as enchentes urbanas são ilustrados abaixo.

Em parcela considerável dos municípios brasileiros, a taxa mínima de permeabilidade é de 15%. No entanto, isto varia, podendo chegar a até 30% a depender da cidade em questão. Se adotarmos uma taxa de permeabilidade de 20%, isso significa que num lote de 10.000 m² (ou um hectare de área), pelo menos 2.000 m² precisam obrigatoriamente ficarem livres de quaisquer edificações. Mas é preciso levar em consideração que esta área livre não inclui o calçamento, marquises ou estacionamentos (mesmo em áreas gramadas).

Critérios para início do projeto

Além da seleção da função e estimativa da densidade inicial, outros aspectos vitais devem ser decididos, entre os quais a existência e vazão de uma fonte de água potável próxima.

Levando em conta que a água é o insumo básico para os moradores das cidades, o Quadro abaixo limita o tamanho da cidade a 200.000 habitantes, 250 km da fonte e vazão mínima de 2.000 m³/d.

Considerando os dados usuais do Brasil (Quadro AGLOMERADO URBANO, de minha autoria e o de baixo), uma cidade precisaria de um mínimo: 10.000 hab x 150 l/hab = 1.500.000 l = 1.500 m³/d de água.

Cálculo da área de cidade com 10.000 habitantes

Levando em conta que o espaço urbano se dá em função dos deslocamentos humanos e que, por motivos de qualidade de vida devem ser incentivados o caminhar e o uso de bicicletas, o traçado das pequenas cidades deve priorizar o pedestre e o biciclista. Assim, a referência a um círculo com raio de 400 metros feita abaixo, se explica pela prioridade que se deve dar no planejamento de uma cidade aos pedestres, andando a pé ou de bicicleta.

  • Área de círculo de 400 m de raio: A = π*R² = 3,14*400² = 502.400 m²
  • Área de quarteirão com 100 m de lado: a = L² = 100*100 = 10.000 m²
  • Número de quarteirões por círculo: N = A/a = 502.400/10.000 = 50 unid
  • Número de casas por quarteirão: C = 2 casas (adotado)
  • Número de habitantes por casa: H = 4 pessoas (adotado)
  • Número de habitantes por quarteirão: D = C*H = 2*4 = 8 hab/quarteirão
  • Número de quarteirões para 10.000 habitantes: Q = 10.000/8 = 1.250 unid
  • Número de habitantes por círculo: Hc = N*D = 50*8 = 400 hab/circ.
  • Número de círculos para 10.000 habitantes: Nc = 10.000/400 = 25 circ.

Traçado da malha urbana

As localizações urbanas são determinadas por uma rede de infraestrutura: ruas, redes de água e esgotos, linhas de energia elétrica, etc. e, também, por estradas ligando esta comunidade (cidade) a outras.

As larguras em uma rua padrão são mostradas na Figura abaixo e, segundo o esquema, a largura mínima de uma rua (em que se pretenda circulem carros nos dois sentidos) é de 12 m.

O sistema viário, infraestrutura física que compõe uma malha definida e hierarquizada, reúne o conjunto de vias e logradouros que estruturam o tecido urbano e tem importante papel na configuração da paisagem e da vida urbana.

Essa infraestrutura do sistema viário compreende a caixa de via e abrange os seguintes elementos de composição: Pistas de rolamento; Estacionamento, quando for o caso;  Canteiro central ou divisor físico, quando for o caso;  Espaço para circulação de ciclistas (ciclovias, ciclo-faixas); Calçadas; Travessias;  Vegetação, quando for o caso;  Mobiliário urbano;  Acostamento, no caso de rodovias; e Baia, quando for o caso.

REF.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 9 junho 2020 às 11:12

DENSIDADE E URBANISMO

A densidade é o tema principal do urbanismo sustentável. Bairros densos que contêm uma mistura ampla de bens e serviços, geram menos deslocamentos per capita que lugares dependentes de automóveis. Exemplo:

A densidade dos novos empreendimentos nos Estados Unidos é de cerca de cinco unidades de habitação por hectare, muito baixa para permitir destinos a pé. Esse uso do solo depende de automóveis, não tem futuro e precisa mudar. Para proteger as fontes de água do uso excessivo, as prefeituras estão adotando uma grande variedade de estratégias de uso do solo, incluindo a urbanização de baixa densidade. Por outro lado, pesquisas mostram que pavimentos impermeáveis podem diminuir a qualidade da água. Estudos mostram que uma bacia hidrográfica pode começar a ficar prejudicada com uma impermeabilidade de 10%, e piora conforme ela aumenta.

Com uma urbanização mais densa (20 moradias por hectare), os índices de escoamento superficial da chuva por moradia diminuem cerca de 74% em relação à densidade de 2,5 moradias por hectare. Para o mesmo número de moradias, a urbanização mais densa produz menos escoamento superficial e menos cobertura impermeável que a urbanização de baixa densidade. Para determinada quantidade de crescimento urbano, a urbanização de densidade mais baixa ocupa uma parte maior da bacia hidrográfica. Ocupar menos área significa criar menos coberturas impermeáveis.

Transporte

É mais fácil atrair e reter os usuários do transporte público em corredores com alta densidade urbana. Simplificando, uma concentração de pessoas que vive ou trabalha próxima a uma parada de ônibus cria um mercado estável de pessoas que percorrem uma distância curta à pé até o ponto.

Bairro

O tamanho total de um bairro deve ser adequado para o pedestre. Os bairros variam entre 16 e 80 hectares. A maioria das pessoas caminha uma distância de 400 m antes de retornar ou optar por dirigir ou ir de bicicleta. O raio de 400 m é um parâmetro para a criação de uma unidade de vizinhança com atmosfera e tamanho razoáveis e com orientação inerente para o pedestre. Grandes espaços cívicos, como escolas modernas com campos esportivos, exigem uma área grande e podem estar localizados onde sejam compartilhados por mais de um bairro. Centros significativos devem ter cerca de 800 m ou menos.

O bairro tradicional é a unidade básica do planejamento urbano. Um bairro isolado na zona rural é uma aldeia. Dois ou mais bairros agrupados compartilhando um eixo específico ou uma rua principal são uma cidade pequena.                O conceito de bairro permanece em vigor mesmo que o tamanho aumente para a escala da cidade grande. O dinamismo e a diversidade que caracterizam cidades atraentes dependem de uma base sólida de bairros ativos e coerentes.

Os bairros atendem as necessidades de habitação, locais de trabalho, centros comerciais, funções cívicas e outras, mas em formatos compactos, completos e conectados e, em última análise, mais sustentáveis e agradáveis. Um bairro genuíno é "compacto, orientado para o pedestre e de uso misto", segundo a Carta do Congresso para o Novo Urbanismo.

O Planejamento Urbano pode ser resumido no Organograma abaixo.

Traçado de ruas

Ao desenhar as vias, devemos nos esforçar para que possam, antes de tudo, serem percorridas a pé, e então incluir provisões para automóveis, caminhões e veículos de emergência. A "velocidade de projeto" é o número essencial que os engenheiros usam para configurar as vias para que o movimento do trânsito seja organizado. A velocidade de projeto adotada precisa ter um valor baixo, geralmente menor que 40 km/h, em ambientes orientados para o pedestre. As velocidades de projeto lentas que caracterizam as vias onde se pode caminhar resultam de uma escolha consciente de características como caixas de rua estreitas, ruas arborizadas, edificações com pequeno recuo frontal, estacionamento na rua e raios relativamente exíguos nas esquinas.

Deve ser criada uma rede integrada de vias orientadas para o pedestre. Esta rede deve permitir que os pedestres, ciclistas e motoristas se movimentem com segurança e conforto no seu bairro. O perímetro padrão máximo de uma quadra para que haja uma rede integrada é de 450 m, com um lado de quadra ininterrupto de no máximo 140 m, e ruas em intervalos de, no máximo, 180 m entre cruzamentos.

Fonte:

https://books.google.com.br/books?id=pYtDAgAAQBAJ&pg=PA93&l...

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 7 junho 2020 às 19:16

PLANEJAMENTO URBANO

É importante em todos os estudos realizados por urbanistas e gestores que estes desenvolvam uma visão holística do meio urbano por meio do desenvolvimento de trabalhos em equipes multidisciplinares, incluindo também a participação da sociedade. Entre estes, destacam-se a colaboração de sociólogos, historiadores, economistas, juristas, geógrafos, psicólogos etc. Isso resultou necessariamente na redução do papel do arquiteto no desenvolvimento das cidades.

O planejamento das cidades teve início com o surgimento das primeiras civilizações, há cerca de seis mil anos. Ao estruturarem suas habitações, gregos desenvolveram os primeiros sistemas de esgoto e abastecimento de água, em cidades como Ágora e Acrópole.

Um Manual de Planejamento inglês sugere numa Figura 3 aspectos muito importantes, ligados ao tipo de habitação, vizinhança e local. (3)

O planejamento urbano é um ramo da arquitetura que se concentra na organização de áreas metropolitanas. Formada por diversos campos, desde engenharia até ciências sociais, essa prática foi desenvolvida para corrigir problemas causados pela expansão das cidades espontaneamente, sem planejamento. Grande parte do planejamento urbano é baseada em um conhecimento combinado de arquitetura, economia, relações humanas e engenharia. (1)

Moradia, emprego, acessibilidade e segurança são as principais preocupações dos habitantes das cidades. Estes temas estão fortemente relacionados à forma urbana. As políticas adequadas de densidade, uso do solo, espaço público e projeto de infraestrutura e serviços podem fazer a diferença na qualidade de vida a um preço justo. O projeto de um modelo espacial que responda as preocupações dos cidadãos é um meio para proporcionar uma cidade melhor. O planejamento coordena a localização e distribuição espacial das atividades econômicas e facilita a captura de valor do investimento público.

Num manual de planejamento urbano de Hong Kong, a Figura abaixo destaca a necessidade de se planejarem corredores de vento (prevalente) entre os prédios, para prover a ventilação (o que não ocorre nas favelas). O mesmo deve ocorrer com a altura dos prédios. (2)

É importante em todos os estudos realizados por urbanistas e gestores que estes desenvolvam uma visão holística do meio urbano por meio do desenvolvimento de trabalhos em equipes multidisciplinares, incluindo também a participação da sociedade. Entre estes, destacam-se a colaboração de sociólogos, historiadores, economistas, juristas, geógrafos, psicólogos etc. Isso resultou necessariamente na redução do papel do arquiteto no desenvolvimento das cidades.

O planejamento das cidades teve início com o surgimento das primeiras civilizações, há cerca de seis mil anos. Ao estruturarem suas habitações, gregos desenvolveram os primeiros sistemas de esgoto e abastecimento de água, em cidades como Ágora e Acrópole.

Um Manual de Planejamento inglês sugere numa Figura 3 aspectos muito importantes, ligados ao tipo de habitação, vizinhança e local. (3)

O Jornal dos Arquitetos do Reino Unido mostra numa Figura as 10 características principais de um lugar bem planejado para se morar. (4)

REF.

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