Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

A imprensa volta à carga alertando a população sobre os graves problemas de escassez de água que assolam a região Sudeste. Dessa vez sobrou pra nós, Engenheiros Agrônomos, dizendo que o DESPERDÍCIO É MAIOR NO CAMPO (O Globo, 24.08.2014, p.13), com o sub-título “Especialista aponta irrigação de lavouras como vilã; no Brasil, consumo humano responde por 10% da água e agricultura e pecuária, por 83%”.

O artigo começa pontuando que a seca ameaça 1.369 municípios brasileiros. Continua, dizendo que entre 2006 e 2010, houve um incremento de 29% na retirada de água dos mananciais e este aumento ocorreu principalmente para irrigação, que passou de 47% para 54% do total. No Brasil, 56,7% dos municípios são abastecidos por águas superficiais, de rios e córregos, que têm sido poluídos por esgoto e agrotóxicos. Sem proteção de mata nas margens, são também assoreados.

Outro dado alarmante, do mesmo jornal, nesta mesma segunda-feira, mas em outro artigo, este sobre as estradas (“No Brasil, 80% das estradas não contam com pavimentação”), diz que o País perde US$ 2,2 bilhões por ano, 50% no manuseio da carga e no transporte. Quanto desperdício !

Se alguém estiver pensando em me perguntar se eu sou contra a tecnologia e o transporte rodoviário, digo que não. Inclusive, sou especialista em irrigação.

O motivo desse texto, então, é estranhar não ter visto ainda neste fórum, esses 2 problemas sendo discutidos.

Ao abandonarmos a prática do avestruz, estaremos nos impondo como profissionais, responsáveis que somos pelo abastecimento agrícola do País. Então, quem atira a primeira semente ao solo ?

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 21 setembro 2014 às 12:47

De volta para o futuro

Gilberto,

O fenômeno a que se referiu aqui no Estado acontece, também, na foz do Rio São Francisco, onde a diminuição progressiva da vazão com os anos, provoca a intrusão da língua salina. Ou seja, na foz, faltando a energia das vazões maiores, o mar avança de jusante para montante, vários quilômetros pelo rio. Esse fato às vezes prejudica inclusive a captação da água pelas companhias de saneamento para (os posterior) tratamento convencional.

Parece que estamos desaprendendo.

Agora mesmo, no Globo Rural (TV), passou uma reportagem mostrando que no Paraná, a retirada dos terraços para facilitar o trabalho das (grandes) máquinas de plantio, mesmo com o plantio direto, está voltando (a criar voçorocas e a poluir os rios) décadas atrás quando ainda não praticávamos no Brasil essas técnicas de controle da erosão laminar do solo.

Um abraço cordial pra você também.

Comentário de Gilberto Fugimoto em 21 setembro 2014 às 11:12

Conexões ecológicas

Caros,

Devemos lembrar que a utilização de recursos apresenta impactos em diversas ordens e escalas.

A exploração indiscriminada de recursos hídricos, aliada a falta de cuidado na preservação dos solos, são fatores decisivos para assoreamento dos rios. 

Lembro de um resultado impactante no ERJ, mas que tbém ocorre em diversos estuários de grandes rios brasileiros: o mar avança sobre o rio sem vazão. A situação de Atafona, em São João da Barra é angustiante para quem conhece: ali não há intervenção que consiga deter o avanço do mar.

Grande abraço

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rj/atafona-a-cidade-que-esta-...

Comentário de Mario Sergio Alves de Godoy em 21 setembro 2014 às 8:16

Sinceramente... não vejo tanto problema para a dessedentação humana dos centros urbanos em quem retira água do manancial acima ou abaixo dos pontos de captação. Da mesma forma que toda a "preocupação" ambiental como reservas legais e APPs recaem somente sobre o pessoal do campo, mais uma vez quem desperdiça água nas cidades não é o vilão... ele retira água diretamente do ponto de coleta e joga para baixo dele (pelo esgoto ou coleta fluvial). A agricultura devolve a água ou nos alimentos ou na evapotranspiração já a com uma significativa energia potencial... Outro aspecto que poderia ser considerado: "águas passadas não movem moinhos". Na maioria dos municípios que sofrem atualmente escassês, a água que foi retirada anteriormente para irrigação dificilmente não teria sido lançada a jusante e não armazenada, desorte que a irrigação também poderia ser interrompida somente no período de escassês, da mesma forma que fizeram os esbanjões que lavam calçadas e carros aos borbotões - e empurram lixo com esguichinho! - durante o ano todo.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 4 setembro 2014 às 17:14

DESSALINIZAÇÃO DA ÁGUA DO MAR

http://www.revistadae.com.br/novosite/noticias_interna.php?id=10190

(aqui no Brasil, inclusive). 

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 3 setembro 2014 às 18:05

De fato, Denise, apesar de ser um povo workholic (viciado em trabalho), temos muito a aprender com o japonês. Lembro da estrada que reconstruíram em uma semana, logo após o tsunami que destruiu parte da ilha. E, mais ainda, de uma foto que vi do piscinão que fica sob Tóquio (parece um hangar de jumbo) para evitar enchentes na superfície, provocadas pelas enxurradas. Aliás, nós brasileiros achamos que somos os maiorais e estamos sempre reinventado a roda, quando há milhares de soluções disponíveis nos países que já atingiram o desenvolvimento. Um abraço cordial.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 3 setembro 2014 às 16:48

Denise, entendo e compartilho a sua preocupação com as nossas lavouras futuras mas, com relação à água, os anjos não foram muito camaradas com a gente: botaram muita água onde tem pouca gente (na Amazônia) e vice-versa. E a irrigação – mesmo a mais eficiente – requer um bocado desse precioso líquido. Para você ter uma idéia, as necessidades hídricas das culturas (estimadas por meio de fórmulas empíricas) variam, em média, de 3 a 6 mm/dia mas, um único milímetro em um hectare significa 10.000 m² x 0,001 m = 10 m³ reservados, ou dez caixas d´água de mil litros cada.

A água da chuva deveria sim ser melhor aproveitada (*) e reservada, seja no campo ou nas cidades. Na lavoura, [deveria ser] armazenada em açudes ou infiltrada no solo (para abastecer as nascentes) e, nas cidades, para uso desde a descarga da privada até o consumo humano.

Dizer que você é bonita como um beija-flor não foi um elogio qualquer; apenas uma constatação pela foto com que se apresenta à nossa comunidade.

(*) A quantidade de água da chuva que costuma vir da Amazônia para o Sudeste [pelas correntes aéreas da Zona de Convergência Intertropical] é tão grande, que se convencionou chamá-las de Rios Voadores. Um grande alívio para a irrigação das lavouras.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 3 setembro 2014 às 8:29

Denise, como já disse, não posso ser contra a irrigação da lavoura, já que esta é a minha especialidade na Agronomia. Agora, que podemos colaborar economizando água ao indicar e operar os métodos [de irrigação] mais eficientes, isso podemos. É possível que o desmatamento na Amazônia influencie o clima regional sim, devido à circulação da atmosfera. Boa parte de nossa chuva (aqui no Rio e Sampa) vem de lá. O papel urbano é que há um desperdício de água [potável] nas cidades, por conta das concessionárias de água e esgotos (inclusive), de cerca de 40%. Continue participando pois, se você não é um beija-flor por aspergir água no incêndio, com certeza é um deles pela sua beleza.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 2 setembro 2014 às 17:12

Ou seja, dá a sua contribuição.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 31 agosto 2014 às 12:24

O ESGUICHO DO BEIJA-FLOR

Todos conhecem aquela fábula em que perguntam ao beija-flor de que adianta ele aspergir a água captada com o seu bico num grande incêndio e ele responde que, pelo menos, está fazendo a sua parte. Seria muito bom ter mais “pássaros” como esse aqui neste debate. Neste tópico, fui eu quem provocou o incêndio mas, também, tenho contribuído para apagá-lo.

Estamos abordando um assunto [água] que diz respeito a todos os Engenheiros Agrônomos. Alguns (poucos) colegas já deram a sua opinião sobre o assunto. Todas são válidas mas, sem sombra de dúvida, a maior delas reside no conhecimento (técnico, no caso). Felizmente, hoje, o conhecimento está disponível na rede, para a maioria. E nas revistas e jornais. O de hoje, p.ex. (O Globo, Mundo, 31.08.2014, pág. 51) publica uma notícia curiosa: “Nova-iorquinos viram fazendeiros sem sair de casa – Pesquisa registra ao menos 900 pequenos produtores que criam abelhas ou cultivam vegetais para consumo próprio no terraço ou no quintal”.

Noutro caderno, Jorge Paulo Lemann lista os 5 pontos mais importantes para construir a carreira: risco, foco, sonho, gente e eficiência. Desses, pinço o último, quando diz: “Eficiência em qualquer lugar: Nosso espírito é que tudo pode melhorar ou ser feito melhor, em qualquer lugar para onde você olhe tem coisa para melhorar (o grifo é meu). E eficiência poupa tempo e dinheiro”.

E para terminar, mais dois esguichos deste beija-flor de cabelos brancos:

1 – Desde quando era Professor universitário na UFRRJ, em 2000, eu mantenho pendurado na página deles um site que eu mesmo fiz e que começou para atender apenas a área de Riscos de Acidentes na Zona Rural (http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/), mas que depois eu expandi para a área ambiental (http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/limno.htm) e de saneamento básico rural (http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/sane.htm), entre outras.

2 – Ontem minha neta Giovanna, de 13 anos, que mora nos Estados Unidos (Cranford, NY), me deu o link da escola de primeiro ciclo que vai passar a freqüentar a partir da próxima quinta-feira (http://www.cranfordschools.org/oas/) e fiquei maravilhado com os recursos didáticos que apresenta e, inclusive temas técnicos de relevância, até para nós, profissionais de Agronomia, como técnicas e programas municipais para aumentar a infiltração da água da chuva no pavimento urbano e, pasmem, planilhas Excel para cálculos de irrigação.  

Bom proveito.

Comentário de Álex Ramos em 30 agosto 2014 às 14:57

Caro José Luiz Viana do Couto e participantes do debate .Desculpem me sair um pouco da área tecnica , mas este recreio é preciso ..rsrsrsrs . Realmente não se trata de exorcisar a irrigação como tentativa de amenizar o desequilíbrio que cada vez mais se acentua em nosso Planeta .Soluções como o plantio até na beira-d´água, ignorando os benefícios ambientais da mata ciliar como vc citou aparecem a todo o momento justificando uma solução momentãnea e irresponsável com os danos ambientais e consequências futuras . Mesmo que exista aqui certa polarização de idéias , é natural que isto aconteça num tema tão relevante. A discussão sobre a utlização de Recursos Hídricos e do Solo sempre é bem vinda , no mínimo documentando nossa preocupação . O nível do debate é excelente ... Continuemos, pois ainda existem outros enfoques a serem abordados ....Como a da eficácia do método a médio prazo e suas implicações na Natureza . A falta de laboratórios de Hidraulica e Hidrologia nas Universidades ,a maioria pobres e  de fachada ,... é evidente. Não ha interesse, pois o que move nosso País infelizmente é a Política econômica premente .ou seja , com resultados de  objetivos eleitoreiros    de no máximo 2 anos, quando sabemos  a Natureza não funciona desta maneira .

Isso só pra começar...

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