Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

A desconstrução das Escola de Agronomia: Um crime contra a pátria brasileira.

Alguns dias atrás um aluno de uma Ex-Escola Superior de Agricultura reclamava a falta de qualificação em maquinas motores e mecanização agrícola, falava que todo esse aprimoramento estava sendo ofertado apenas aos estudantes de engenharia agrícola. Em outro caso o aluno reclamava que ao pedir orientação em cálculo de rações o professor zootecnista falava que aquilo não era atribuição do Engenheiro Agrônomo, em situação mais dramática  professor aposentado de uma extinta escola de Agronomia no nordeste indignado dizia que vestia a carapuça, mas que se indignava com os rumos da qualidade da ex-escola e ai eu pergunto para onde caminha o que outrora era de excelência em formação plena dos Engenheiros Agrônomos desse país se hoje a tradição foi para as cucuias em um curso que pela lógica não cabe em um departamento mas virou tão somente isso, e onde em boa parte e caminha para a inanição como muitos desejam.

As escolas de Agronomia ou Escolas superiores de Agricultura foram construídas com o propósito de formar o profissional a altura dos desafios do setor agropecuário brasileiro o Engenheiro pleno de formação holística. Nascia ali em um ambiente puramente Agronômico um profissional com sólida formação capaz de responder de forma firme aos anseios do setor produtivo, do pequeno ao grande produtor e capaz de levar o conhecimento e os desafios de lidar com a natureza de forma menos agressiva, transformando esse país em grande produtor de alimentos, fibras e energia de forma racional e sustentável. Entretanto nossa profissão vem sendo desmantelada e desconstruída ao gosto do espírito fragmentista de muitos. Assim como ocorreu pela péssima e irresponsável iniciativa na década 60 e 70 do século passado por profissionais sem a visão das especialidades como chave para o aprimoramento profissional, muitas vezes movidos por sentimos pessoais de interesses particulares a levar a descontração de nossa profissão, esse processo vem se intensificando.

É de conhecimento de todos que a arquitetura de ex Escola de Agronomia como UFV, UFRRJ, UFRA, UFC, entre tantas outras refletem o esplendor do que outrora era o Ensino Agronômico Brasileiro. Hoje com raras exceções como na ESALQ onde o curso de Agronomia ainda é o carro chefe e por isso colhem os frutos como a melhor escola de agronomia com sólida formação em Engenharia Rural (Biossistemas), Zootecnia(Produção animal) e Produção vegetal integrados a formação estando entre as 5 melhores do mundo, as demais foram esmiuçadas em todo tipo de curso à revelia dos interesses da formação plena reduzindo a formação do Engenheiro Agrônomo a área de produção vegetal restrita   acatando a vontade míope   fragmentistas onde onera-se a sociedade em  cursos de graduação com milhares de horas com as mesma disciplinas básicas e profissionalizantes  em agronomia, quando pela lógica deveriam ser ofertadas como especialidades latu senso com 360 horas mais que  necessário para maior fortalecimento da área. Criam-se assim conflitos de toda ordem com atribuições idênticas, guerras judiciais, projetos de lei apelativos e reservistas de mercado e conflitos até dentro mesmo das entidades onde o ensino deveria ser o grande lema. O ego daqueles que promovem tais absurdos é o fim trágico do viés de construção do profissional que de fato constrói os pilares do conhecimento nesse país. Um desserviço à nação em nome de projetos pessoais. É preciso então lutar contra isso e resgatar a verdadeira formação em Agronomia mesmo que a contragosto daqueles que desejam a inanição de nossa profissão. É preciso coragem e vontade de trilhar novos rumos da formação do Engenheiro Agrônomo como ela deve ser de fato com base em nosso decreto  23.196 de 12 de outubro de 1933 bem como as diretrizes curriculares para formação do Engenheiro Agrônomo pleno e não essa formação pobre e medíocre que muitos tentam emplacar nos atuais cursos de Agronomia e que tem podado o sucesso profissional de muitos egressos limando a visão de milhares de formados a duas ou três áreas saturando o mercado e deixando livre áreas promissoras para profissões secundarias que se aproveitam dessa visão autofágica, uma vergonha.

Assim deixo bem claro que se o seu curso não oferece uma boa formação e carga horaria em produção animal, engenharia rural e ambiental, limitando suas formação a uma visão apenas em produção vegetal excluído em boa parte dos casos até a silvicultura e forragicultura você está sendo enganado. Assim convidamos a a todos a reagir a essa problemática nacional com garra e vontade de mudanças, pois somos nos Engenheiros Agrônomos e estudantes de Agronomia que podemos juntos fazer essa profissão cada dia mais forte e representativa no cenário nacional

 

Francisco Lira

Engenheiro Agrônomo Esp.

CREA-PI 18.222/D

Conselheiro da Câmara de Agronomia CREA-PI

 Referências bibliográficas

http://normativos.confea.org.br/ementas/visualiza.asp?idEmenta=2

http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rces01_06.pdf

Exibições: 981

Comentar

Você precisa ser um membro de Rede Agronomia para adicionar comentários!

Entrar em Rede Agronomia

© 2021   Criado por Gilberto Fugimoto.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço