Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

O Globo de hoje, 8.2.19, publicou o artigo "Como chuva chegou e devastou o Rio", na página 13, com um infográfico mostrando os índices pluviométricos nos bairros e onde ocorreram os 6 óbitos de moradores. Na Rocinha foi registrada uma chuva de 164 (embora o jornal não tenha colocado as unidades de medida, o usual é que sejam milímetros por hora ou mm/h).

Peguei na Internet a equação das chuvas intensas para a cidade do Rio de Janeiro (vide Figuras abaixo) conhecida como Curva da Intensidade-Duração-Frequência ou IDF e fiz uns cálculos no Excel, obtendo para esse índice da Rocinha o Tempo de Recorrência (o período que se espera, estatisticamente, que um evento de igual ou maior magnitude aconteça novamente no local) de 3.500 anos.

Essa equação é universal, mas os seus parâmetros são calculados para cada cidade, bairro ou pluviógrafo (já que os dados de pluviômetros não servem para a sua dedução). Além das constantes a, b, c e d, próprias do local, utiliza o Tempo de recorrência (T, em anos) e tempo de duração da chuva (t, em minutos). Quem a deduziu para o Rio de Janeiro foi um dos maiores Hidrólogos do Brasil, o Eng. Carlos Tucci (vide Fonte na Tabela 4.1 acima).

E não pense que 3.500 anos é muito tempo (embora o Prefeito Marcelo Crivela tenha declarado nesta mesma edição do jornal que era de 120 anos, um chute inadmissível para um Prefeito que é também Engenheiro), pois as chuvas realmente catastróficas (como as ocorridas no Rio - RJ em 1968) são conhecidas como decamilenares, ou seja, apresentam tempo de recorrência de 10.000 (dez mil) anos.

Se você achou 3.500 anos muito tempo, fique sabendo que com os meus 60 anos de Rio de Janeiro, já presenciei aqui mesmo, em 1968, duas chuvas decamilenares; curioso, que separadas por apenas 2 dias. Isso mostra que a Estatística é precisa, mas a Natureza é imprevisível.

Os estragos materiais que costumam resultar das chuvas intensas nas cidades com ocupação desordenada como o Rio de Janeiro, quando acompanhadas de forte ventania (velocidade maior que 100 km/h) vão, da inundação de ruas e casas, à velocidades da água  suficientes para arrastar pessoas e carros, além da queda de árvores. Tudo isso aconteceu na cidade.

Pior são as quedas de barreiras sobre casas em áreas de risco (encostas) relacionadas às chuvas não apenas pela sua intensidade mas, também, pela duração, repetição em dias seguidos e natureza do solo, como mostra esse gráfico que tomei emprestado de um trabalho publicado na rede, que relaciona intensidade de chuva (mm/h), chuva de um dia (mm/24h) e eventos notáveis (pontos e triângulos do gráfico).

Exibições: 73

Comentar

Você precisa ser um membro de Rede Agronomia para adicionar comentários!

Entrar em Rede Agronomia

© 2019   Criado por Gilberto Fugimoto.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço