Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

A NOSSA ATUAÇÃO COMO PROFISSIONAIS DE AGRONOMIA

No artigo “Boa formação, a base da engenharia”, publicado no último número (Abr/Jun-2014) da Revista Brasileira de Saneamento e Meio Ambiente – BIθ, que eu assino, Fernando Pedrosa destaca a baixa qualidade da formação dos engenheiros no Brasil, sobretudo a falta de qualificação específica na área de engenharia sanitária. Menos de 30% desses profissionais teve acesso a uma formação em curso de bom desempenho, segundo estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA.

Para o diretor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, José Roberto Cardoso, a relativa estabilidade na demanda por engenheiros no país só se verifica porque técnicos e profissionais de outras áreas têm desempenhado funções de engenheiros. Ele questiona também a qualidade daqueles que têm ingressado no mercado recentemente, e diz que apenas um quarto dos engenheiros tem boa formação, de acordo com a avaliação do Enade.

O Professor Divonzir Gusso, citado no texto, considera a formação básica “razoável”, mas acha que “o mercado exige experiência e formação posterior à graduação”. Concordo, e dou um exemplo. Na empresa de Engenharia Hidráulica Consultiva em que eu atuava até o início do carnaval passado, com cerca de 100 funcionários e uns 20 engenheiros, apenas eu e o chefão (dono) tínhamos o Doutorado; os demais, nem Mestrado.

Falando agora de quantidade e não de qualidade. Diz o artigo que há pesquisas que mostram  que apenas 10% das Prefeituras [Municipais] do Brasil contam com engenheiros em seus quadros funcionais. E olha que o prazo para o fim dos lixões no Brasil termina hoje.

O Brasil tem hoje mais de 700 mil engenheiros ativos registrados nos CREAs e forma anualmente 10% desse total. [A nossa Rede Agronomia detém 1% deles].

Saindo da Revista BIθ, eis o meu depoimento: a capacidade profissional, além da boa formação e atualização, depende também das experiências vividas após a formatura. Eu, p.ex., nunca tive a oportunidade de descrever um perfil de solo, profissionalmente, mas tive a felicidade de trabalhar no único Laboratório de Hidráulica Experimental particular do país e (agora em outra empresa aqui do Rio de Janeiro) de conduzir, no campo, um Teste de Infiltração de Sulcos (na área onde seria construído grande projeto público de irrigação, com 60.000 ha, em Jequitaí – MG na década de 70), um dos métodos de irrigação ainda mais utilizados em todo o mundo. E, mesmo a minha turma (da UFRRJ) completando 50 anos de formada nas próximas Olimpíadas, ainda sei pilotar um ArcGIS, que muitos dos novos colegas de profissão nem conhecem.

E para você, amigo, além da recente criação da Agência Nacional de Extensão Rural – ANATER, pelo Governo Federal (equivalente à Embrapa), que outras oportunidades se abrem para os Engenheiros Agrônomos no Brasil ?

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Comentário de marco aurelio dos santos em 26 agosto 2014 às 9:59
Comentário de PEDRO LUIZ DE FREITAS em 11 agosto 2014 às 12:54

No caso da Engenharia Agronômica, a boa formação inclui a necessidade de entender e dialogar com a natureza. Produzir alimentos, fibras, biomassa e biocombustíveis requer esse dialogo. Nos trópicos, produzir se resume a 3 regras básicas: movimentar o mínimo possível o solo, rotacionar o máximo possível o seu uso e as culturas e, manter o solo coberto com plantas ou resíduos durante todo o ano, sem pausa. São os princípios do Sistema Plantio Direto ou, como a FAO prefere, da Agricultura Conservacionista. São conceitos aparentemente simples, mas que requerem vasto e profundo conhecimento agronômico, inserido em um mercado globalizado e perverso.

As mesmas forças de delapidam engenheiros, penetram nas entranhas da engenharia agronômica. Começa com o famoso “em se plantando tudo dá”, se vulgariza na mídia e nas redes sociais e acaba no receituário agronômico. O engenheiro agrônomo sofre do mesmo mal que médicos e farmacêuticos: o doutor só serve para escrever a receita ou vender o remédio. O agrônomo (que de longe é um engenheiro agrônomo), “serve para assinar o receituário para comprar o agrotóxico que meu vizinho usou e eu vou também usar”. E, o pior, alguns até querem cobrar para fazer isso. O erro do médico a terra esconde, o erro do agrônomo a terra mostra.

Um veneno (que os mais “sabidos” insistem em chamar de agrotóxico) mal aplicado pode matar quem aplica e quem se alimenta. Um Engenheiro Agrônomo, além de recomendar o veneno na hora e na dose corretos, depois de todos os procedimentos de manejo integrado e respeitando as três regras básicas, acompanha a aplicação, a colheita e a comercialização. Isso é responsabilidade técnica e deve ser bem remunerada.

E, onde está o engenheiro agrônomo que decide “encarar” seu contratante não permitindo que ele use o veneno errado na hora errada? Desempregado.

Esse é o desafio de uma agência como a ANATER: exigir responsabilidade técnica ao engenheiro agrônomo em sua função de produzir alimentos seguros e de forma responsável e, por fim, vencer as forças que ainda acham que: “em se plantando tudo dá!!!.

Comentário de PEDRO LUIZ DE FREITAS em 11 agosto 2014 às 12:29

Exigir que um profissional de engenharia saia devidamente preparado do curso de graduação para atuar no mercado é uma tentativa de descaracterizar os profissionais e suas profissões. Engenheiros sofrem ataques a todo o momento, especialmente vindos de técnicos e tecnólogos que buscam um lugar no mercado. Para isso temos as associações de classe e, sendo otimista, os CREAs.

O maior risco para a engenharia reside hoje no processo endêmico de corrupção, que desvia recursos públicos para os caixas II de campanha. São recursos que poderiam transformar obras, hoje medíocres, em obras sólidas e eficientes. Uma estrada sem corrupção tem uma base robusta, um asfalto de qualidade, obras de drenagem e escoamento de água ideais e taludes devidamente vegetados. Uma estrada com corrupção tem uma duração bastante restrita e nunca resiste ao transito para a qual foi planejada (alias, a primeira lição da apostila do curso de perpetuação de poder oferecido pela escola de governo de Celso Daniel na Rua Santo André diz que o planejamento impede a geração de contribuições não contabilizadas para os caixas II).

Na obra com corrupção e sem planejamento, o engenheiro assina o que não será executado e, algumas vezes, é ele quem carrega as malas com contribuição em dinheiro (quando não em cuecas e meias) até o tesoureiro oficial de campanha.

Uma obra com corrupção gera reclamação e, o engenheiro é o responsável técnico que vai responder pelos desastres, que pode ser um simples acidente de transito (vide BRT no Rio), um viaduto que amassa ônibus, o volume morto para o abastecimento urbano, vagões de trem ou metro de segurança duvidosa, vazamento de combustível nuclear, erosão que destrói casas e vidas, e muito mais.

Por melhor que seja a formação, por mais treinado e experiente que seja o engenheiro, dificilmente ele resiste ao vírus da corrupção.

Engenheiros Agrônomos são igualmente susceptíveis aos efeitos da corrupção. Com certeza, alguns depoimentos se seguirão a esse comentário.

Comentário de Francisco Lira em 2 agosto 2014 às 14:34

Realmente nossa profissão tem um grande leque de atribuições, muitas vezes não aproveitada por uma serie de fatores entre elas creio eu a falta justamente de uma boa formação não só teórica, mas prática, sendo assim muitos acabam por abandonar a profissão pela falta de ''reconhecimento'' pós formado, outra coisa que vejo é a falta de uma estrutura de qualificação a nível nacional que não seja só mestrado e doutorado que absorve poucos, que  inevitavelmente os tiram do mercado por um bom tempo por isso   as especializações lato sensu que permitem conciliar o crescimento profissional com uma qualificação flexível, como eu fiz em irrigação aqui no Piauí graças aos esforços de colegas da EMBRAPA, UESPI e UFPI, lembrando que a própria instituição UFPI não tinha interesse nesse caso, sendo via faculdade do setor privado com apoios do colégio agrícola de Teresina (estrutura), em fim temos que buscar caminhos para consolidação dos espaços agronômicos através da ocupação de nossas áreas a principio por especializações que possam  firmar nossas atribuições como: Irrigação e Drenagem, Forragicultura, Piscicultura,Bovinocultura,  Solos, Construções Rurais, Maquinas e Motores Agrícolas, entre tantas outras, assim como fazem os médicos e advogados, que não abrem espaço para criação de outros cursos porque simplesmente ocupam todas as especialidades.

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