Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Dando uma olhada em diagonal na coluna Leitores do caderno Rio, pág. 14, da minha edição de hoje de O Globo, parei na palavra Saneamento, um texto de Fernando Leitão da Cunha, Rio.

"Qual deve ser a reação de todos os ex-presidentes ao lerem que mais de 70 milhões de brasileiros não possuem saneamento básico ? E o que dizer de governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores ? E nós, eleitores brasileiros, não estamos envergonhados com essa triste realidade ? Enquanto isso, estamos discutindo porte de arma, Coaf, astrologia, filhos 01,02 e 03. Nós não podemos esperar que a classe política mude se nós não mudarmos. Se continuarmos a fazer tudo igual, como poderemos gerar mudanças ?"

Coloquei essa descarga de esgoto bruto num córrego, como símbolo máximo do descaso com o Saneamento Básico no Brasil, que transformou todos os nossos rios (na Amazônia nem tanto mas, lá, o Mercúrio --- que contamina os peixes e quem os come --- tem um efeito bem maior que as simples fezes humanas, pois afeta o sistema nervoso central) em latrinas a céu aberto.

Não devemos nunca perder a nossa capacidade de nos indignar. Mas (como diz o texto acima), não adianta apenas lastimar; temos de nos posicionar, reagir, e exigir que as obras (de saneamento) se façam, pois o que está em jogo é a nossa saúde. Domingo que vem estão preparando uma grande manifestação popular em prol do presidente (com minúscula, mesmo) Bolsonaro. Já viram algo parecido protestando contra os esgotos sem coleta e tratamento ?

De minha parte, como Sanitarista (além de Engenheiro Agrônomo), há 10 anos venho batendo nessa tecla aqui na Rede Agronomia, mas com pouca repercussão. Uma pena.

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Comentário de Gilberto Fugimoto em 1 junho 2019 às 18:38

Impressionante!

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 26 maio 2019 às 16:52

SANEAMENTO URGENTE

Desta vez o clamor não veio da Opinião dos Leitores, mas do Professor Rubens Penha Cysne da FGV EPGE (coluna Opinião, O Globo, 26/05/2019, pág. 3).

Diz o artigo (de meia página) que no trabalho "Uma análise das condições de vida da população brasileira", publicado pelo IBGE em 2018, cerca de 5,4 milhões de pessoas (ou 1,6 milhão de domicílios) convivem no Brasil com a ausência de banheiro (aqui incluindo sanitários ou instalações para banho) de uso exclusivo dos moradores.

Segundo a Pnad Contínua do IBGE, divulgada esta semana, 8,9% dos domicílios brasileiros não contam com coleta de lixo; 11,7% não possuem abastecimento diários de água por rede geral; e 33,7% não têm esgotamento sanitário por rede geral ou fossa ligada à rede para escoamento de esgotos.

São exatamente os mais jovens os mais expostos à ausência de serviços de saneamento. É comum a visão, na cena brasileira, de crianças brincando sobre valas de esgoto a céu aberto. As doenças infectocontagiosas daí decorrentes são abundantes, incluindo mais recentemente as arboviroses decorrentes da proliferação de mosquitos.

A responsabilidade maior (por esta situação) se encontra atualmente nas mãos do Congresso Nacional, que no momento analisa a aprovação de uma medida provisória (MP 868/2018) que tem por objetivo resolver os inúmeros impasses atuais que dificultam os investimentos privados no setor.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 24 maio 2019 às 9:37

Obrigado, Gilberto.

Eu só espero é que a turma (deixe o celular de lado e) leia o que escrevi.

Há tanta coisa a fazer (além disso).

Um abraço.

Comentário de Gilberto Fugimoto em 23 maio 2019 às 19:14

Excelentes dicas José Luiz!

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 23 maio 2019 às 17:54

Gilberto, obrigado pelo apoio.

Num outro blog meu (que ainda está visível aqui na Rede) eu prego o mea culpa no caso da aplicação indevida de agrotóxicos, que tem matado meio mundo. Com o Saneamento, apesar da Disciplina não constar do nosso Currículo (que eu saiba), eu acho que o Engenheiro Agrônomo deveria se interessar mais pela área, principalmente aqueles com especialidade indefinida. Nem que seja apenas difundindo a fossa séptica biodigestora desenvolvida pela Embrapa, e a garrafa PET cloradora de poços rasos, também desenvolvida por um Engenheiro Agrônomo.

Observo que ainda tem muito colega procurando emprego. Assisti a um webinar da ABES-SP semana passada em que os debatedores ressaltaram bastante a importância do Saneamento Rural no boom que se espera dessa área nos próximos anos. Em resumo: muitos empregos nessa atividade.

Aliás, os próprios Engenheiros Civis (que tinham a exclusividade dos projetos e obras de Saneamento Básico no país) já estão considerando a ajuda de outros profissionais, como Agrônomos, Administradores, Sociólogos, etc.

Uma curiosidade: o livro Tratamento de Esgotos Domésticos, 8a. ed., de Jordão & Pessôa, com 915 páginas (que adquiri em Fevereiro deste ano por R$ 96,00 por ser sócio da ABES-RJ), há vários anos tem sido o mais vendido na Associação.

Um abraço.

Comentário de Gilberto Fugimoto em 23 maio 2019 às 16:55

Muito bem destacado José Luiz,

Estamos vivendo as escolhas e prioridades que fizemos como nação!

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