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Mistério da Quebra de Safra na Soja no Paraná

Vagens em canivete caídas ao solo

As redes sociais veicularam esta semana fotos de abortamento de vagens de soja ocorrendo na região do Paraná, em municípios como São Clemente, Mercedes e Guaíra, municípios banhados pelo Lago de Itaipu. 

O impasse foi gerado especialmente por que diferentes cultivares apresentaram o mesmo comportamento mesmo sem apresentar deficiência nutricional ou doenças identificadas. 

A resposta veio de Engenheiros Agrônomos especialistas como Prof Gil Câmara da ESALQ. Em áudio publicado ele desvendou o mistério informando que o fenômeno se deu em razão de estresse a que a cultura fora submetida causada pelas chuvas e nebulosidade prolongadas sem incidência solar direta. Ao diminuir a fotossíntese e a fixação de carbono, não pode atender plenamente ao metabolismo da planta, justamente no período de formação da vagem.

Além disso o solo encharcado inviabilizou a respiração das raízes, a absorção de nutrientes e os processos de translocação na planta. O resultado desse estresse tem resultado na quebra de safra em grandes regiões do Paraná.

O episódio demonstra a importância de um corpo de profissionais Engenheiros Agrônomos atuantes na Assistência Técnica e em diálogo constante com a pesquisa na detecção, formulação de hipóteses e diagnóstico preciso de problemas complexos que se apresentam.

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Comentário de Francisco Cezar Dias em 21 janeiro 2018 às 18:25

Vamos gente, no meio de tanta gente ilustre, precisamos explorar esta moçada experiente. E aí, Doutores?

Comentário de Francisco Cezar Dias em 21 janeiro 2018 às 18:20

Li em alguns textos que as plantas de Ciclo C3 têm dificuldade de produzir em climas quentes e as C4 não. Inverte em climas mais frios. Para você fazer uma soja apresentar alta produtividade no Piauí é uma dificuldade e o milho não. Aceitei isto como um fato.

Em solos equilibrados, algumas variedades de soja vegetam demais, ficam exuberantes e produzem pouco. Existe um produto no mercado que se aplicado em época correta, a soja supera o problema e produz muito. A explicação dos profissionais da empresa é que em dias muito quente, estas variedades respiram demais deixando de canalizar para os grão sua seiva elaborada. Com este produto ela supera este fato.

Comentário de Francisco Cezar Dias em 21 janeiro 2018 às 18:09

Mais uma novidade na minha vida. Nesta mesma safra, uma variedade de soja Brasmax - Desafio num talhão de 210 ha, com 20 plantas nascidas, 68 vagens, possibilidade de colheita acima de 85 sc, encurtou o ciclo, não completou o enchimento de grãos e fechou com 57 sc. As raízes morreram e o talhão ficou com plantas que completaram o ciclo e plantas que secaram num prazo muito rápido.

Comentário de Francisco Cezar Dias em 21 janeiro 2018 às 18:04

Desculpem, porte não, cor.

Comentário de Francisco Cezar Dias em 21 janeiro 2018 às 18:03

Estes, senhores, são os sintomas que encontro no Piauí, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, quando passamos por 6 a 7 dias de chuvas e sem sol. Esta imagem é desta safra 17/18, em 14 horas ficou assim um talhão de 110 há. Com a volta do sol, em 8 dias recuperou porte e desenvolvimento.

Comentário de Francisco Cezar Dias em 21 janeiro 2018 às 18:00

Comentário de Gilberto Guarido em 21 janeiro 2018 às 9:35

Bom dia,

Na safra 2016/2017 esta situação ocorreu aqui próximo a Campo Mourão.

Caso 1: Em solo de alta fertilidade, argiloso,  terra roxa estruturada, anteriormente cultivada com pastagem sem qualquer problema aparente de deficiências minerais. A quantidade de vagens prometia produtividade altíssima.

Ocorre a queda de vagens e na colheita as plantas permaneciam verdes.Simplesmente não completaram o ciclo. Colheita inviabilizada.

Caso 2: Solo arenoso, município de Tuneiras do Oeste. Média fertilidade aparente. Lavoura bem conduzida, alto percentual de vagens até o início da queda. Na colheita, grande parte da área foi inviabilizada por hastes verdes.

Detalhe: quanto mais deficiente a mancha de solo, mais produção. Nas partes mais férteis, ou com maior teor de matéria orgânica pior produção.

É bem provável que na colheita desta safra, a depender do clima, parte dos produtores tenham uma surpresa desagradável, com prejuízos maiores do que a simples queda de vagens.

Resumindo: Ironicamente, parece que quanto mais eu melhorar o solo, mais exposto estarei a este fenômeno. Podemos estudar o caso, provar qual teoria melhor se aplica na fundamentação de suas causas, escrever tratados científicos, condenar as tecnologias transgênicas, o uso de agrotóxicos, a monocultura, etc. 

Ok. Explicaremos o caso, mas não resolveremos este problema. A natureza é caprichosa.

Comentário de Francisco Cezar Dias em 20 janeiro 2018 às 23:36

Normalmente os sintomas apresentados pela soja em situações de período longo sem sol e excesso de umidade no solo é de intoxicação por oxidação dos micronutrientes metálicos que oxidam. Nas folhas aparecem sintomas de amarelecimento das folhas sem definição de um elemento específico. Basta esperar o retorno do sol e as coisas voltam ao normal. Já presenciei abortamento desta natureza em soja onde foram feitas doses de fertilizantes foliares pesadas em período de 5 dias. Três aplicações seguidas e a soja no início do enchimento das vagens. Nesta situação, vi perda total de flores também.

Comentário de Manoel José Sant´Anna em 20 janeiro 2018 às 14:24

Boa tarde leitores!. Vejam como a natureza pode ter respostas inesperadas na conduta humana exercendo suas técnicas agrícolas!. Isto pode acontecer em muitas outras lavouras!. O aprendizado que podemos receber é que quando mudamos o sistema produtivo, ou por vontade própria, ou por condições naturais, podemos ter surpresas!. Assim usar tecnologias nos agronegócios pode ser lucrativo!. Mas jamais esqueçam dos fatores de equilíbrio, para a harmonia no desempenha agrícola!.

Comentário de Anne-Marie Holman em 20 janeiro 2018 às 12:18

Concordo com o Sr. José Luiz. A falta de fotossintese está diretamente ligada a falta de carbono nas plantas, ou seja, falta de reserva para fazer as vagens. Falta de carboidratos; falta de açúcar livre. Só que e a falta de carboidratos não é somente ligada a nebulosidade e excesso de calor. Está ligada também a ineficiência na respiração das plantas, causada pelas poluições do ar. 

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