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Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Mistério da Quebra de Safra na Soja no Paraná

Vagens em canivete caídas ao solo

As redes sociais veicularam esta semana fotos de abortamento de vagens de soja ocorrendo na região do Paraná, em municípios como São Clemente, Mercedes e Guaíra, municípios banhados pelo Lago de Itaipu. 

O impasse foi gerado especialmente por que diferentes cultivares apresentaram o mesmo comportamento mesmo sem apresentar deficiência nutricional ou doenças identificadas. 

A resposta veio de Engenheiros Agrônomos especialistas como Prof Gil Câmara da ESALQ. Em áudio publicado ele desvendou o mistério informando que o fenômeno se deu em razão de estresse a que a cultura fora submetida causada pelas chuvas e nebulosidade prolongadas sem incidência solar direta. Ao diminuir a fotossíntese e a fixação de carbono, não pode atender plenamente ao metabolismo da planta, justamente no período de formação da vagem.

Além disso o solo encharcado inviabilizou a respiração das raízes, a absorção de nutrientes e os processos de translocação na planta. O resultado desse estresse tem resultado na quebra de safra em grandes regiões do Paraná.

O episódio demonstra a importância de um corpo de profissionais Engenheiros Agrônomos atuantes na Assistência Técnica e em diálogo constante com a pesquisa na detecção, formulação de hipóteses e diagnóstico preciso de problemas complexos que se apresentam.

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Comentário de Jose Luiz M Garcia em 20 janeiro 2018 às 11:01

"We dance in a round and suppose but the truth sits in the middle and knows"

Vejam. Não existe mais SOJA, OK ?

Pela estatística essa "soja" da qual vcs estão falando provavelmente é uma Soja RR.

Tudo o que foi dito até agora faz sentido, inclusive a nebulosidade reduzindo a fotossíntese assunto sobre o qual já escrevi anos atrás.

Ao invés de ficarem "chutando" essa ou aquela teoria, como agrônomos e até como especialistas, teriam por obrigação corroborar essa teoria.

Isso seria feito facilmente medindo-se o teor Brix da seiva assim como o seu pH. Se o Brix estivesse baixo, então, com 100% de certeza poderíamos dizer que falta carboidrato. Como não o fizeram, a teoria, foi/é, nada mais nada menos do que, um chute, embora seja um "educated guess" que é o têrmo inglês para designar um chute bem dado.

Eu desconfio da afirmação de que "não foram detectadas deficiências minerais".

Qual foram as analises feitas ? De solo ? totalmente inúteis por não diferenciarem entre minerais na forma reduzida e oxidada , o que hoje sabemos fazer diferença em termos de atividade biológica.

Analises foliares ? Igualmente inúteis por trabalharem com minerais ligados a proteínas da parede celular e que requerem ácidos fortes para extrair os minerais principalmente os micronutrientes, já que trabalham com folhas secas.

Dessa forma se tivermos por exemplo um manganês quelatizado e imobilizado pelo Glifosato, e portanto, biologicamente inativo, ele irá aparecer na analise foliar como "disponível" o que sabemos ser totalmente absurdo.

Manganês é de vital importância para a formação de flores e o seu pegamento. Esse mesmo fenômeno vai acontecer com Ferro, Cobalto, etc....

O único tipo de analise aceitável nesse caso seria uma analise do pecíolo em tecido vivo.

Sinto muito em ser o estraga prazeres mas o buraco é mais em baixo.

Não creio que o diagnóstico esteja totalmente fechado.

Jose Luiz M Garcia

Instituto de Agricultura Biológica

São Paulo - S.P.

Comentário de Gilberto Fugimoto em 20 janeiro 2018 às 8:38

Anne Marie,

Excelente contribuição. A importância do seu estudo sobre Yield Decline Syndrome merece uma publicação a parte na Rede Agronomia para amplo debate e divulgação!

Grande abraço

Comentário de Anne-Marie Holman em 20 janeiro 2018 às 8:29

O abortamento de vagens de soja muito provavelmente está ligado à falta de carbono na planta que por sua vez é devido ao Yield Decline Syndrome - sindrome de declínio de produção. Estamos fazendo estudo sobre o assunto desde 2007 com 3 publicações oficiais até o momento, 1 deles um peer review feito pela Universidade de Wageningen (Holanda). + 2 patentes.

Já realizamos inúmeras palestras sobre o assunto. Mas a inercia dos políticos, principalmente, mas também do mundo acadêmico, evita que o trabalho realizado ganha força e resulta em medidas para parar a perda de produtividade na grande maioria das culturas e perda de florestas inteiras devido a doenças que nunca antes tiveram este resultado. www.dessa.com.br 

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