Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Engo. Agro. JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO

jviana@openlink.com.br

(A aeroponia viabiliza o cultivo sem uso de terra. Além da economia de água e de fertilizantes, a técnica pode aumentar a produção em até cinco vezes).

 

A aeroponia é uma técnica de cultivo que consiste essencialmente em manterem as plantas suspensas no ar, geralmente apoiadas pelo colo das raízes (que ficam confinadas e em ambiente escuro), e aspergindo-as com uma névoa ou com uma massa de gotículas de solução nutritiva. O sistema permite uma enorme economia de solução nutritiva, a qual chegará ás raízes das plantas altamente oxigenadas. A aeroponia difere da hidroponia por não usar a água como substrato.

 

A revista GLOBO RURAL que está nas bancas (N.302, dezembro 2010), publica à pág. 15 o artigo de Juliana Bacci Batatas suspensas, que fala sobre o assunto. (*)

 

No sistema aeropônico, as plantas se desenvolvem em uma câmara (caixa) com dimensões de 2,0 x 0,5 x 0,6 m, sendo a solução nutritiva aplicada em pequenas gotas por meio de nebulizadores do tipo fogger no sistema radicular das plantas, que crescem dentro da caixa e no ar. O tempo de nebulização varia em função do ciclo da cultura (10-20 segundos) ligado (30-60) desligado e o sistema é fechado, ou seja, a solução retorna para o tanque de armazenamento. A colheita é escalonada e facilitada, pois é feita através de janelas laterais construídas para tal finalidade. Dessa forma, os minitubérculos podem ser colhidos tão logo atinjam o tamanho desejado. Veja alguns detalhes na Figura abaixo:

 

ANTECEDENTES

Quando a hidroponia (cultivo em água, onde o adubo é colocado à disposição do sistema radicular na forma de solução nutritiva) surgiu nos Estados Unidos em 1937, foi uma revolução. Na década de 60, aqui no Brasil, quando a cientista da Embrapa Joana Doberainer descobriu que bactérias nas raízes fixavam (pegavam) o Nitrogênio do ar dispensando o adubo nitrogenado, foi outra revolução agrícola, principalmente na cultura da soja. Agora vemos mais esta descoberta (leia o TCC de Doutorado em Agronomia do Thiago Leandro, defendido na Unesp de Jaboticabal-SP, em 2007). (**)

 

VANTAGENS

O solo, como sabemos, serve de substrato (fixação) e de alimento (ar+água+sais minerais) às plantas. Mas, além disso, dependendo da compactação, impede o desenvolvimento das raízes. Nele, também estão presentes incontáveis vírus, bactérias, fungos e outros microrganismos, que podem prejudicar os vegetais. Assim, entre as principais vantagens da Aeroponia, podemos destacar:

a)     facilidade de aeração (no solo, a presença de água pode impedi-la);

b)     falta de impedimento ao crescimento livre das raízes (compactação); e

c)      ausência de patógenos (pelo contato dos microrganismos).

 

LIMITAÇÕES

Nem tudo são flores, reza um ditado. Por ser uma técnica recente, ainda pouco estudada, as principais limitações ao seu uso são:

a)     sensíveis à variação da temperatura, umidade e falhas de energia (elétrica);

b)     dificuldade no controle da solução nutritiva (excesso de sais); e

c)      desconhecimento da fisiologia das plantas (fotoperiodismo, p.ex.).

 

DESENVOLVIMENTO FUTURO

Não resta dúvida que essa é uma técnica promissora. Já imaginou plantar em sua casa, sem solo e com um mínimo de água ? Isso seria possível até nas futuras naves espaciais, em viagens longas. No momento, a aeroponia pode ser aplicada no cultivo de batata (inglesa), alface, tomate, flores, plantas ornamentais e medicinais. Numa pesquisa realizada em 2000 por Relloso e auxiliares, comparando o cultivo de batata-inglesa pelos métodos convencional (na terra), hidropônico (em água) e aeropônico (suspenso no ar), a produtividade foi de 7, 5 e 12 minitubérculos por planta, respectivamente.

 

Alguns aspectos técnicos que merecem um estudo mais apurado são:

a)     luminosidade das plantas;

b)     cultivares mais adaptadas;

c)      densidade de plantio;

d)     duração e intervalo entre pulverizações;

e)     influência dos fatores ambientais;

f)       solução nutritiva mais adequada; e

g)     outros.

 

Pena que o brasileiro, de modo geral (talvez por influência do clima quente e úmido), tenha tamanha preguiça mental. Vi dia desses uma propaganda de um higienizador comercial que, a intervalos regulares, borrifava no ar um aromatizante. Imagine que, em vez de perfume, tivesse água com solução nutritiva. Agora, só precisava ir no supermercado da esquina comprar as mudinhas de alface (com raízes, é claro) e pendura-las numa caixa de sapatos na cozinha. Pronto. Ali estaria a sua salada.

 

(*) www.abbabatatabrasileira.com.br/revista12_015.htm

 

(**) www.scribd.com/doc/28816872/Aeroponia-Batata-Semente

 

 

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Comentário de joao joaquim avila de oliveira em 22 dezembro 2010 às 8:05
Conceitos relevantes em Agronomia ao tratados nesta reportagem do globo rural,parabens pela iniciativa
Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 21 dezembro 2010 às 14:05

Arlindo,

não só alunos como, também, os seus pais (em casa). Eu só faço uma correção: a idéia principal não seria enfatizar as raízes em si, mas a sua alimentação, através de sais minerais e da água (a importância da irrigação).

 

Gilberto,

grato pelo elogio. Uma pena que nós, profissionais de Agronomia, pesquisemos tão pouco. Aliás, acho que também produzimos pouco.

 

Um abraço em cada qual.

Comentário de Arlindo Tamelline Jr em 21 dezembro 2010 às 11:34

Muitíssimo interessante, seria aqui a oportunidade para implantação, como projetos piloto, em escolas para que os alunos tenham uma idéia do sistema radicular.

Comentário de Gilberto Fugimoto em 20 dezembro 2010 às 9:53

José Luiz,

Excelente artigo, uma proposta que promete muito ao setor e desafia a nós profissionais a continuar avançando na pesquisa e aplicação de novas tecnologias.

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