Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Agronomia e Rentabilidade de Investimento Agropecuário

Engenheiro Agrônomo dá Lucro?

A pergunta que não quer calar: vale a pena contratar um Engenheiro Agrônomo para propriedade rural? A atuação do profissional se paga num estabelecimento agropecuário?

Para responder à essa questão, é preciso formular outra: Quanto custa um Engenheiro Agrônomo? Precisamos então fazer uma projeção do custo anual de um profissional em tempo integral e com todos os direitos trabalhistas. 

Podemos então partir de um patamar de 9 salários mínimos mensais de acordo com Lei 4.590-A/66. O que nos dá um valor mensal de R$ 8.685,00 (considerando o salário mínimo de R$ 965,00 a partir de 2018). Entretanto os custos não se limitam a salário mas incluem FGTS, INSS, 13º, adicional de férias. Em nosso cálculo não consideramos outras despesas como plano de saúde, vale transporte, vale refeição ou mesmo horas extras, o que nos dá uma estimativa de R$ 150 mil anuais.

Quem consegue arcar com essa despesa? Ou ainda, qual o nível de rentabilidade necessária para um estabelecimento agropecuário contratar um engenheiro agrônomo em tempo integral?

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Comentário de Mario Sergio Alves de Godoy em 20 janeiro 2018 às 22:09

É o Estado destes produtores que deixam seus solos esvairem-se... é o Estado que temos e que temos a missão de melhorá-lo. Desculpem os não-religiosos, mas o papa FRANCISCO adverte assim: "Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão. Nós, cristãos, não podemos nos fazer de Pilatos e lavar as mãos. Não podemos! Devemos nos envolver na política porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, porque ela procura o bem comum. (...) A política é uma atividade nobre. É preciso revalorizá-la, exercendo-a com vocação e uma dedicação que exige testemunho, martírio. Ou seja, morrer pelo bem comum."

Há que se fazer uma Reforma Política que, de imediato, admito, não pode ir além do voto distrital, mas que altere a Política não do ponto de vista eleitoral, mas da carreira política. Se nós elegemos um colega, seis meses depois, ainda que mantenha-se íntegro, as suas preocupações serão totalmente outra: um deputado federal manuseia em 6 meses mais de 500mil reais... é "quase" o objetivo patrimonial de uma vida (quem consegue poupar 10mil por ano por 35 anos).

Li recentemente uma entrevista que achei interessante na GLOBO RURAL: "e se a gente vai para o âmbito setorial, qual é a política agrícola? Industrital? De serviços? Eu não conheço, se alguém conhecer me avise. (...) Não há nenhum mal em fabricar commodities. O que não pode é se acomodar no ciclo das commodities. É preciso, sobretudo, industrializar a commodity" (prof. Antonio Correa de Lacerda). Não se vai loge (literalmente): na safra passada perderam-se milhões na BR-163... e BLAIRO MAGGI ainda fala em DEZ ANOS para compor o corredor Norte...

Eu cito FERNÃO com uma lente míope suficiente para acreditar que colocaremos o município no centro da arrecadação e não o governo Central. Esse ficaria com a política setorial e com a de redistribuição. FERNÃO, na sua pequena extensão teria 05 agrônomos trabalhando na conservação, nas estradas e voçorocas, na iLPF e nos sistemas de produção (inclusive distribuição) e nos projetos de financiamento da produção e da terra. Mais de 5.000 no Estado de São Paulo e alguns milhões pelo País.

Comentário de Manoel José Sant´Anna em 19 janeiro 2018 às 16:42

Boa tarde colegas, tens muita razão em suas afirmações amigo Mario!. Afinal independente ao fator valor pago em Fernão, concordo contigo, de que somos sonhadores, somos otimistas, somos cordatos, e acreditamos que tudo pode melhorar, até o governo!. Mas volto a reforçar, nenhum brasileiro, entra para a política por salários!. Sim a população é carente de cultura, não apenas nos pequenos centros, mas em todo Brasil!. Infelizmente as grandes Empresas, inclui-se principalmente Bancos, trabalham com o dinheiro do povo, não o deles!. Já presenciei, e participei, confesso!. De receber um produto de química fina, para uso na agricultura, com nota de emissão da matriz de US$ 4,00 / litro já formulado, e vendido por aqui a US$ 16,00/ litro. As justificativas foram muitas... custo Brasil, etc... Mas o produtor não tem estas margens em seus produtos! Não é !!!!???.

Comentário de Francisco Cezar Dias em 19 janeiro 2018 às 15:58

Boa tarde, Mário. Qual estado? Se estamos vendo Legislativo e Judiciário desesperado para não ir à cadeia.

Comentário de Mario Sergio Alves de Godoy em 19 janeiro 2018 às 14:28

Acompanhei até com certo interesse... por fim perdi o certame, mas trabalhar em FERNÃO-SP pareceu-me algo desafiador e interessante.

https://arquivo.pciconcursos.com.br/prefeitura-de-fernao-sp-realiza...

cerca de R$4.200,00 para trabalhar numa cidade acolhedora (pequena, inclusive de extensão territorial), mas com diversidade de culturas e modos de produção.

eu sempre achei que agronomia é questão de Estado. Acho que o Estado (e os Estados) brasileiro nega-lhe a devida atenção. As prefeituras têm lá seu agrônomo, mas FERNÃO é dos mais acolhedores em termos de rendimentos, de valorização do profissional.

para contratar um profissional numa empresa privada ela tem que ser grande mesmo (uma usina, um banco, um grande produtor com milhares de hectares onde R$150mil seja 1% do faturamento e o agrônomo possa provocar um ganho muito maior! ou seja uma exigência legal). Resta o serviço autônomo e os pequenos projetos e o empreendedorismo pessoal.

Voltando ao caso de FERNÃO, por exemplo - e de "metade do estado de São Paulo - falta fiscalização (ambiental) e conscientização quanto às perdas de solo e de escorrimento de água - por exemplo. Como a maioria é de produtores padrão (o que a gente chama de pequeno, médio ou mesmo grande... é pequeno), ou seja, não tem lá muita visão de longo prazo falta um trabalho de Governo intensivo de conscientização e... de fiscalização.

O incentivo a produção via Extensão Rural, a reestruturação dela, é de oportunidade e interesse de Estado. O Armazenamento, a Indústria de Alimentos, etc... A EMBRAPA está trabalhando (fizeram críticas interessantes a pouco tempo no ESTADÃO), a PETROBRAS está trabalhando, BANCO DO BRASIL ou ELETROBRÁS... mas foram idéias (desculpe, detesto esse negócio de não acentuar idéias) brilhantes "daquela" época... hoje precisamos de novas soluções de Estado.

Comentário de Manoel José Sant´Anna em 18 janeiro 2018 às 7:34

Bom dia colegas!. Caro Dr Eduardo, trabalhar em Empresas Multinacionais!?. Bem fiz isto por 8 anos de minha vida, foi uma nova faculdade, sem dúvida!. Mas a questão é :- Quando iniciei, meu salário de aprendiz, era de acordo com o CREA, ( acho que menor que ele, pois já não lembro), mas enfim com 6 salários comprava uma carro popular zero do ano!. após estes 8 anos já como gerente regional, (aumentarão muito mais meus serviços), precisava de 12 salários para o mesmo veículo!. Vamos encarar por outro ângulo!. Meu relatório de despesas, era menor que meu salário, e precisava até usar táxi aéreo, para distâncias maiores que 400 km, após o 8 ano como gerente regional, equiparava-se despesas e salários!. Hoje deve estar muito pior!???!!.

Comentário de Gilberto Fugimoto em 17 janeiro 2018 às 20:23

Exatamente Eduardo,

A provocação do artigo é justamente para dimensionar que demandas por Assistência Técnica justificam o pagamento de um profissional, conforme bem pontuado pelo comentário do Manoel.

Comentário de Eduardo B. Teixeira Mendes em 17 janeiro 2018 às 12:28

Boa tarde... Na verdade o debate em minha opinião é um pouco diferente.

Em primeiro lugar, muitas empresas nacionais e multinacionais pagam salários até maiores para Engenheiros Agrônomos. 

Como o Gilberto colocou é uma provocação.

Aquela visão romântica Engenheiro Agrônomo, em tempo integral dentro da fazenda é um pouco utópica. Pois exigiria, uma fazenda com alto faturamento e uma grande quantidade de produção que justificasse a presença desse profissional em tempo integral.

Eu sempre uso a referência do SMP para calcular minha hora técnica, pois como não quero ser empregado não me preocupo com salário cheio.

Comentário de Manoel José Sant´Anna em 17 janeiro 2018 às 9:42

Bom dia colegas, talvez possa transformar a dúvida em uma fração da qual sou atuante!. Cultura da lima ácida chamada TAHITI ( também conhecida como limâo tahiti ), dentro da cultura dos citrus, uma das mais rentáveis por unidade de área, perfeita para agricultura familiar!. Uma árvore adulta tem um custo de manutenção anual de R$ 40,00, e é capaz de produzir até 6 caixas de colheita por ano, e segundo informações dos órgãos oficiais, o preço médio do tahiti em 2.017 ficou em R$ 75,00 por árvore de renda bruta!. Então o lucro liquido foi de R$ 35,00 / árvore de tahiti adulto, mas não se contabilizou o custo da colheita ( em média R$ 4,00/ caixa ) Dai esta família deveria tem quantas árvores deste citrus para pagar a assistência do profissional???!!. 

Comentário de Gilberto Fugimoto em 17 janeiro 2018 às 7:08

Esclareço que a Lei 4.590-A/66 estabelece piso salarial aos profissionais da Engenharia, Química, Arquitetura, Agronomia e Veterinária.

Na democracia este, como qualquer outro direito, se consolida com a luta pela sua garantia. 

As instituições que o defendem são associações, sindicatos e conselhos profissionais das categorias.

Fica a provocação sobre o custo de um profissional em tempo integral que pode dimensionar o mercado de trabalho do Engenheiro Agrônomo.

Comentário de Francisco Cezar Dias em 16 janeiro 2018 às 18:31

Este salário é proposto pelo CREA cuja finalidade não é politica salarial. Mais, quanto tempo de experiência, etc.

Nasceu morta.

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