Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Eng. Agr. JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO

jviana@openlink.com.br

 

Sem querer “puxar a brasa para a minha sardinha”, farei um breve comentário da influência desse profissional (o Engenheiro Agrônomo) no meio ambiente, sob o meu ponto de vista, é claro. A Figura abaixo mostra os principais ramos estudados e explorados, após a conclusão do curso. O da Floresta, que aparece sem ramificação, foi perdido há alguns anos para o Curso de Engenharia Florestal. O de Zootecnia, na parte de alimentação e manejo, foi “cedido” ao Zootecnista. E o de Irrigação, em parte, para o Engenheiro Agrícola.

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O LADO RUIM

Não há dúvida de que a agricultura é uma das atividades mais impactantes ao meio ambiente. Entre as práticas inerentes à profissão do Engenheiro Agrônomo e as suas correspondentes conseqüências nefastas, podemos citar:

a)     desmatamento: perda da biodiversidade e erosão do solo;

b)     agrotóxicos: contaminação do solo, água e animais;

c)      irrigação: usa muita água, energia e pode salinizar o solo;

d)     práticas agrícolas equivocadas: erosão e assoreamento;

e)     queimadas (plantio; colheita da cana): contaminam o ar;

f)       produção de vinhoto (da cana): o maior poluente conhecido;

g)     criação de gado: compacta o solo e emite gás metano;

h)     introdução de espécies exóticas: interfere na biodiversidade; e

i)       outras.

USO RACIONAL DA ÁGUA

Depois da erosão do solo e dos agrotóxicos, o maior vilão é o gasto de água, estimado em 70% do que é retirado dos mananciais. Tanto a chuva como a irrigação, jogam água ao solo, o que é bom para as plantas. A diferença é que a 1a. é feita de forma natural, e a 2a., artificial. Aliás, os melhores métodos de irrigação, depois do gotejamento, são os que imitam a chuva, como a aspersão, com eficiência média de 80% (ou seja, de cada 10 litros de água aplicados ao solo, apenas 8 vão servir ao desenvolvimento da planta; os outros se perdem por escorrimento ou infiltração profunda).

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Há, também, aqueles métodos de irrigação que gastam mais água, como o de inundação (usado na cultura do arroz) e os sulcos de infiltração, com eficiência de 40 e 60%, respectivamente. Infelizmente, estes 2 ainda são os mais usados em todo o mundo; justo por não exigirem tecnologia, equipamentos e energia elétrica. De qualquer forma, essa água não é desperdiçada, pois abastece os lençóis freáticos e voltam depois a fazer parte do ciclo hidrológico.

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A EVOLUÇÃO

Entre todos os ramos da Engenharia, com exceção da Computação e Biotecnologia, a Agronomia foi uma das que mais evoluíram, no Brasil, nestes últimos 50 anos. Na década de 60, era comum se cultivar morro-abaixo, com sérios prejuízos para a erosão do solo e assoreamento dos rios. Na década de 70, p.ex., o Governo Federal pagava para desmatar (vide a construção e colonização da rodovia Transamazônica). Ainda hoje, somos o maior consumidor de agrotóxicos do mundo.

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A outra face da moeda

Graças à criação da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias – EMBRAPA, há 35 anos, temos a agricultura mais desenvolvida dos trópicos. Aprendemos a fazer o plantio direto na palha (que evita a erosão do solo e conserva a umidade); a usar métodos de irrigação menos “gastadores” (70% da água retirada dos rios vai para a irrigação); e a utilizar adubos naturais, através da Agricultura Orgânica.

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Por outro lado, há métodos de irrigação (gotejamento, microaspersão) e técnicas agrícolas (hidroponia, plasticultura, agricultura de precisão) bem racionais, que chegam ao extremo de dispensar o solo e usar apenas borrifos de água com nutrientes, como a AEROPONIA, da qual já falei antes neste tópico.

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Os Planos Diretores de Recursos Hídricos, elaborados pelos Engenheiros Agrônomos (eu mesmo, já fiz vários), podem habilitar os produtores rurais como merecedores de remuneração mensal por serviços ambientais (PSAs; isso já é feito por algumas Prefeituras), de conservação da água, em quantidade e qualidade (todas as nascentes dos rios estão na zona rural), conservação do solo e manutenção da biodiversidade.

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 27 fevereiro 2011 às 7:21

ERRATA

Item 5 --> canos enterrados.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 27 fevereiro 2011 às 7:18

5) PAULO NUNES

Nossa profissão não tem a valorização que merece, e isso se deve ao desconhecimento do grande público das nossas atividades. Mal comparando, com os benefícios dos canos interrados de água e esgoto que, como não aparecem, deixam de receber os créditos (à saúde) devidos. Quando disse a um colega de outra profissão, que o agrônomo era o principal responsável pela produção de alimentos, ele ficou admirado.

 

6) GILVAN

"Analisar as omissões e ações na Rede". Com essa frase, você deu a maior contribuição ao debate. Era isso o que deveríamos fazer. Nem tanto por orgulho profissional, mas por patriotismo.

 

7) FIGUEIREDO

Aliás, foi você o primeiro a falar em omissão, ação e valorização profissional. Concordo com você. Deveríamos ter uma participação mais ATIVA e EFETIVA, e não, "deixar a banda passar", como dizia aquela memorável música do Chico Buarque de Holanda.

 

8) GILBERTO

Agora, a bola está com você. Dois ganchos interessantes: a ONU dedicou 2011 ao Ano Internacional das Florestas; e a década (que se inicia), aos Desertos e o Combate à Desertificação.

 

Um abraço em cada qual. E grato pelos elogios.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 27 fevereiro 2011 às 7:00

RESPOSTAS

 

1) CRISTINA

Concordo que a contribuição dos agrônomos deve extrapolar as práticas sustentáveis. Inclusive, fiquei curioso. Você poderia nos falar um pouco sobre as interrelações da flora nativa com o ambiente ? Tem a ver com os Sistemas Agroflorestais (SAFs) ?

 

2) JOÃO CARLOS

De fato, o solo agrícola, manejado de forma incorreta, é um dos maiores vilões do ambiente, pelo estrago que fazem com o assoreamento de rios e córregos. Só fica atrás da água (em periculosidade). Aliás, eu acho que os colegas não dão a devida importância à mesma. Décadas atrás, participei de um encontro técnico sobre Microbacias numa cidade fluminense, e nos debates só se falava em solo. Por outro lado, você tocou num ponto fundamental: a necessidade de divulgar as soluções.

 

3) MAURÍCIO

Alguém já disse que as generalizações são sempre perigosas (se bem que eu, também, gosto de fazer isso). Eu suponho que o colega tenha cometido um equívoco, quando afirmou que na prática agronômica, apenas os maus profissionais agridem o ambiente. Tomando um único exemplo: até o agrotóxico utilizado no combate ao Aedes aegypti (mosquito transmissor da dengue), inofensivo ao homem, foi proibido por exterminar as abelhas e outros insetos sensíveis.

 

4) LUIZ REGO

Gostaria de lhe esclarecer que os Planos Diretores de Recursos Hídricos de que participei, contaram também com outros profissionais, em sua maioria Engenheiros Civis. Parece que você é outro ardoroso defensor do solo.

Comentário de MARIA CRISTINA T. BRAGA MESSIAS em 26 fevereiro 2011 às 8:53
Prezado Jose Luis e demais colegas. Os comentários apresentados são muito pertinentes quanto a nossa responsabilidade com o meio ambiente quanto à utilização de práticas agricolas mais sustentáveis. Porem, a contribuição dos agronomos ainda vai alem disso. Existem varios profissionais da agronomia, como eu, que trabalham com a flora nativa e interrelacoes desta com o ambiente. É encantador e surpreendente o leque de atribuições desempenhadas por agrônomos e como este curso maravilhoso nos capacita e habilita a desempenhar diversas atividades. No entanto, não importa o tipo de atividade desempenhada por nós, nao ha como negligenciar a responsabilidade com o meio ambiente.
Comentário de joão carlos flôres em 25 fevereiro 2011 às 19:16

Colega José Luiz

Colegas que já comentaram

O assunto é oportuno, polêmico e por isto e muito mais, merece profundas ponderações. Algumas já bem colocadas pelos comentários e no próprio texto.

Mas ao se relacionar AMBIENTE/AGRÔNOMOS e / ou AGRONOMIA precisamos ter muito claro : ao mesmo tempo que somos os profissionais que podem - e DEVEM - ter as melhores soluções; somos - em muitas situações os profissionais que muito contribuem para interferências  danosas ao AMBIENTE.

Começando pelo fato de - uma grande maioria de agrônomos(as) - tratarem/estudarem o solo como um simples suporte físico de plantações. A visão do solo como um  SER VIVO com todo o enfoque ampliado e bem direcionado para uma vida longa para os solos - tem muitos colegas no caminho certo. Infelizmente, ainda somos poucos. A maioria ainda traz a visão simplificada e  EQUIVOCADA de que os solossuportam tudo - mecanização excessiva,abusiva, doses sucessivas de adubos químicos, herbi/inseti/fung/nemati-cidas, queimadas dos restos culturais, solos descobertos com exposição durante mêses com pouca ou nenhuma quantidade de chuvas, compactações de vários tipos - pés de grades, de bois, etc...etc...

Destaco ainda, algumas modalidades de agricultura - ditas modernas - que deveriam nos provocar muitas,inúmeras reflexôes sobre a  "  Sustentabilidade " - dentre elas : Aeroponia, Hidroponia e os  Pivôs de irrigação - verdadeiros devoradores do elemento vital para as atividades  agrícolas - ÁGUA !!!

As soluções adequadas para uma intervenção harmonica com o Ambiente, já temos. Precisamos - todos nós a grande classe Agronômica, nos debruçarmos na divulgação das mesmas. Creio ser uma dasmelhores bandeiras para a categoria - divulgação intensiva destas Soluções.

Parabéns ao colega que lançou o Assunto e a todos que já contribuiram para o enriquecimento do debate.

E aos estudantes - estes futuros jovens agrônomos(as) fica o convite : Enriqueçam o debate. Entrem

Comentário de Mauricio Dutra Garcia em 25 fevereiro 2011 às 18:11

Apesar de uma lida rápida,tendo a concordar com os aspectos negativos da agronomia QUANDO PRATICADA por maus profissionais. Tudo que o colega aponta como "consequencia nefasta" está relacionada ao trabalho profissional mau feito, sem planejamento e sem considerar as peculiaridades de cada bioma ou cada caso de intervenção agronomica. E, penso que em todas as profissões ocorre da mesma forma, os bons e qualificados profissionais e os "outros".

Mauricio Garcia 

Comentário de LUIZ DE MORAIS RÊGO FILHO em 25 fevereiro 2011 às 15:46

Caro José Luiz,

Excelente seu comentário.

Felicidade sua ter participado de planos diretores. O que vemos comumente é o plano diretor ser conduzido por arquitetos ou economistas. Nada contra. No âmbito da Engenharia Agronômica estudamos na Ciência dos Solos, os solos e por conseguinte pedologia. O solo é o maior e melhor estratificador de ambientes. Então, quem quiser ter uma noção de como se "comporta" o ambiente tem que ter necessariamente o domínio da Ciência do Solo. Para meu espanto, os novos cursos de Engenharia Ambiental abordam muito superficialmente a questão (Solos e principalmente pedolologia) e os planos diretores (poucos) dão importância à esse aspecto. É triste saber que esses profissionais não sabem nem onde estão pisando.

Grande abraço,

LUIZ REGO

Comentário de Paulo Rogério Nunes em 25 fevereiro 2011 às 15:09

José Luiz,

Muito válida sua defesa de nossa profisão tão desvalorizada diante dos grandes e inestimáveis serviços prestados à sociedade. Grande abraço.

Comentário de Gilvan Alves Ramos em 25 fevereiro 2011 às 11:12

Caro Alberto Figueiredo,

Analisar no debate principalmente as omissões, além das ações, naturalmente, tenho certeza que nessa Rede Agronomia poderíamos criar algo novo nesse particular do papel histórico da agronomia brasileira. 

Um abraço

Comentário de ALBERTO FIGUEIREDO em 25 fevereiro 2011 às 10:56

Congratulo-me com o colega José Luiz pela defesa e, ao mesmo tempo demonstração de amplitude dessa profissão tão importante e também tão desvalorisada pela sociedade e pelos poderes públicos.

Vejo muito leigo dando palpite em assuntos que deveríamos ser consultados.

Quem sabe não é chegada a hora de um debate mais profundo entre nós para que possamos analisar nossas ações e omissões, e, eventualmente corrigirmos alguma coisa através da reciclagem?

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