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FECIA Debate Impacto dos Agrotóxicos na Região Serrana

Nesta quarta-feira, 4 de maio, ocorreu uma Reunião Pública na CEASA de Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro. Promovida pelo Fórum Estadual de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos (FECIA), que reúne 37 instituições como a AEARJ, e é apoioado  pelo Ministério Público do Estado para debater os impactos negativos do uso dos agrotóxicos na saúde do trabalhador, do consumidor e ao meio ambiente. 

A reunião contou com a participação de uma delegação de Engenheiros Agrônomos como Jorge Antonio (CREARJ), Celso Merola (MAPA), Gilberto Fugimoto , Dora, Leonel Rocha Lima e Elpídio Cronenberger (AEARJ), Cláudio Vaz entre outros.

Sem Vigilância de Intoxicação

A reunião foi aberta pelo Promotor Público do Estado do Rio de Janeiro e pela Promotora do Trabalho em Nova Friburgo. A primeira fala coube a Lise Ferreira, pesquisadora da Fiocruz, que relatou o esforço de implantação de uma política de vigilância à população exposta a agrotóxicos, promovida pelo Ministério da Saúde em parceria com a Secretaria Estadual. Foram feitas capacitações aos profissionais de saúde para diagnosticar, tratar e notificar intoxicações em 30 municípios da região serrana. A despeito do treinamento e repasse de verbas o serviço não foi implantado em nenhum município da região. 

Culturas contaminadas

Lúcia Bastos, pesquisadora do Instituto Nacional de Controle de Qualidade da Saúde (INCQS) da Fiocruz, realizou uma pesquisa sobre análise de resíduos de agrotóxicos em hortifrutigranjeiros no Estado do Rio de Janeiro. Em 2014, 80% das amostras de tomate coletadas mostraram-se satisfatórias. Entretanto a partir da restrição da ANVISA na prescrição de Acefato à esta cultura, 75% das amostras apresentaram-se insatisfatórias. O mesmo acontece com 80% das amostras de pimentão, 100% de abobrinha, e 100% das amostras de goiaba analisadas foram reprovadas. Algumas amostras tinham produtos não permitidos (como abobrinha) ou estavam acima do Limite Máximo de Resíduo (LMR).

Avanços na Logística Reversa

Houve um consenso entre os presentes que o recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos tem sido eficaz no estado do Rio de Janeiro. Jair Furlan Júnior, representando o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (INPEV) destacou que no ERJ tem uma central de recebimento em Campos dos Goytacazes e outras 7 unidades de recebimento de embalagens. Embora a Secretaria de Agricultura não tenha capacidade de fiscalização, o índice de crescimento na devolução de embalagens no estado tem sido maior que a média brasileira (com 40% de crescimento no retorno de embalagens).  Carlos Dantas, E.A. , produtor rural e comerciante, informa que a ARASEV no ERJ já retornou 62.000 toneladas de embalagens. 

Agricultor também é vítima

O Secretário de Agricultura de Nova Friburgo, destacou que o agricultor é também uma vítima da agricultura praticada, pois não há ninguém apaixonada por agrotóxico. Com a criação da Associação de Produtores de Morango, houve uma redução de 90% no uso de agrotóxico na região. Informou ainda que o CAR, "embora vença amanhã", apenas 40 a 50 % dos produtores já fizeram. "O CAR é mais uma multa ao agricultor"

Extensão de uso

O vice-presidente do Sindicato Rural de Nova Friburgo, José Adilson, nota que a contaminação dos rios ocorria pelo descarte do restante do produto nas embalagens do que pela sua lixiviação.  Alertou ainda que salsa e agrião não têm produtos indicados e que precisaria de extensão de registro, "mas a legislação não permite e o agricultor precisa de ajuda, de assistência técnica".

Outro produtor de salsa relatou que foi alvo de fiscalização sendo informado que toda sua produção poderia ser destruída ou confiscada e que sairia até "algemado" por utilizar produto não permitido. 

Celso Merola, engenheiro agrônomo do MAPA  sugeriu que o Governo do Estado encaminhe essa demanda aos órgãos responsáveis pelos licenciamentos para atender a essa demanda dos produtores rurais . 

Não usei e perdi!

O presidente do Sindicato de Agricultura Familiar de N.Friburgo, Evanir de Oliveira, relatou que não usou agrotóxico em seu último plantio, mas o tomate produzido não teve aceitação no mercado. "Acabo de vir do CEASA do Rio e não consegui 1 real pelo produto!"

Pâmela, moradora da região, lembrou da importância de adotar EPI na aplicação. "Meu pai, produtor rural, perdeu a vista quando o agrotóxico caiu nos olhos". 

Leonel Rocha Lima, presidente da AEARJ e extensionista da EMATER, relatou que a EMATER  de fato tem apenas 300 técnicos para 45 mil agricultores no ERJ e que a empresa está numa transição para agroecologia. É preciso mais técnicos para atender a demanda. 

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