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Um novo modelo de desenvolvimento sustentável para a floresta

(Amazônia 4.0, Época Negócios, Carlos & Ismael Nobre, Outubro 2019, pág. 104)

Eu tenho um forte vínculo com a Amazônia, mesmo distante (moro no Rio - RJ), por ter nascido lá (Belém - PA), onde passei as duas primeiras décadas da minha vida, como por ter sido a floresta um dos palcos do meu 1o. emprego (INCRA, colonização da Transamazônica) na década de 70. Fecha parêntesis.

Segundo o climatologista Carlos Nobre, profundo conhecedor da região, Amazônia 4.0 é trazer o conhecimento do século 21 para o coração da floresta, por meio do aproveitamento dos ativos biológicos presentes na biodiversidade, utilizando tecnologias para agregar valor via bioindústrias locais e regionais de produtos farmacêuticos, alimentos e bebidas, cosméticos, matérias industriais, recursos genéticos etc. Esse novo paradigma de desenvolvimento sustentável deve ser socialmente inclusivo, combinar conhecimento científico com o tradicional (dos índios, p.ex.) para empoderar comunidades tradicionais e indígenas e as populações urbanas, e fazer tais tecnologias servirem ao bem-estar delas e à proteção das florestas.

Já há evidências crescentes que produtos da biodiversidade trazem melhor qualidade de visa, protegem a floresta e são economicamente viáveis. Dados do IBGE mostram com clareza que a economia de alguns produtos da floresta --- como açaí, castanha-do-Pará e cacau (além do cupuaçu) desenvolvidos em sistemas agroflorestais --- apresentam rendimento por hectare de 4 a 10 vezes superior ao da pecuária, ou mesmo da soja. E beneficiam um número muito maior de famílias. Entretanto, a agregação de valor a estes e outros produtos da floresta é ainda pequena na própria Amazônia.

Míriam Leitão, em Como preservar e desenvolver, caderno Economia, O Globo, 19.10.2019, pág. 36, sobre o mesmo tema, diz que há saídas sustentáveis para desenvolver a Amazônia, e cita como exemplo a cidade de Tomé-Açu - PA, que apresenta cerca de 60 produtos, mas existe potencial para exploração de uns mil produtos da floresta com as mais diversas aplicações e usos.

Diz ainda que o lucro do açaí, produzido, descascado e vendido em polpa pelo agricultor familiar, já é hoje quatro vezes o lucro da pecuária na Amazônia, usando 7% da área da pecuária, e empata com o lucro da soja. O açaí já atingiu uma escala de R$ 3,5 bilhões. Superou o faturamento da madeira. E isso sem agregação de valor.

Sugerimos que haja bioindústrias, biofábricas, conectadas pela tecnologia da informação e usando energia renovável de geração distribuída . Nenhuma exploração de minério produz essa riqueza. Pelo contrário. Que desenvolvimento a exploração de minério trouxe para as populações da Amazônia ?

Carlos Nobre terminou a entrevista Globonews dizendo que ainda há tempo de salvar a floresta. Um dos caminhos é cumprir o que prometemos em Paris, como restaurar 12 milhões de hectares. Outro é o de construir um modelo de fato sustentável na Amazônia, como esse proposto por ele.

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 1 novembro 2019 às 6:28

UMA CIDADE DA AMAZÔNIA

https://www.facebook.com/icoaracivilasorrisooficial/videos/36194525...

Conheça quando puder.

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