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Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Artigo Publicado no JEA/ AEASP sobre PAISAGISMO - Visão integrada

Caros colegas, Vim aqui compartilhar artigo sobre PAISAGISMO publicado no ‘Jornal do Engenheiro Agrônomo’ da AEASP,  JEA n° 291, Set.Out 2016, página 19, intitulado “Visão integrada – Paisagismo na escala do quilômetro quadrado como atividade do engenheiro agrônomo” de minha autoria. Agradecemos o apoio da AEASP- Associação dos Engenheiros Agrônomos de São Paulo. Rodolfo Geiser.

Paisagismo na escala do km2, como atividade do Engenheiro Agrônomo.

Engenheiros agrônomos devem ser também fundamentalmente paisagistas. Não me refiro somente ao que se pensa comumente, o projeto e execução de parques e jardins.  Refiro-me em pensar a ocupação humana na paisagem como um todo, nas zonas urbana e rural. A planejar a macropaisagem na escala do quilometro quadrado. Parques e jardins são pensados na escala do metro quadrado.

Veja-se. Pensando-se em termos simples e absolutos, a atividade do engenheiro agrônomo é pensar e atuar no desenvolvimento da agropecuária baseada no correto aproveitamento e valorização dos recursos naturais renováveis. São duas atividades básicas: a agropecuária e o manejo dos recursos naturais renováveis. Uma é função da outra. Não se pode fazer agricultura em prejuízo dos recursos naturais, em especial solo e água. O manejo dos recursos naturais renováveis deve ser planejado também em função da ocupação humana do território em todas suas facetas:  a agrícola, a urbana, o transporte, a construção de represas, a criação de parques e reservas naturais. Em tudo aquilo que ocasiona impacto na paisagem. Estou aqui substituindo as palavras conservação da natureza por paisagem, pois a atividade do engenheiro agrônomo paisagista implica também em pensar de maneira integrada o manejo dos recursos naturais renováveis com o social e a cultura humana como um todo.

Esta tarefa é do engenheiro agrônomo. Não é do geógrafo. O geógrafo tem por formação entre outros assuntos, o conhecimento dos recursos naturais em si incluindo os não renováveis. É o engenheiro agrônomo que tem a formação dirigida ao cultivo, ao ‘manejo’; ao manejo dos recursos naturais renováveis, inclusive na agropecuária. Nós engenheiros agrônomos temos  a responsabilidade de pensar o ‘manejo’ em todas as facetas, repetindo,  tanto a rural quanto a urbana e a de preservação. É fundamental conscientizarmo-nos disso. O engenheiro florestal poderia nessa altura, dizer que também está habilitado. Discordo, pois está em questão saber diferenciar o potencial econômico da produção agropecuária, o que, como as próprias palavras o dizem, não é florestal, e sim de produtos alimentares e similares (álcool como energia, tecidos, ...), cujo valor econômico é mola para o sustento da população brasileira e equilíbrio financeiro e riqueza da Nação. Essa atividade do engenheiro agrônomo não impede que se trabalhe em equipe, com geógrafos, florestais e especialmente arquitetos e urbanistas.

Em nossa vida profissional, tivemos a oportunidade de trabalhar em planejamento na escala da macropaisagem. Por exemplo, em 1968 trabalhamos na equipe que planejou o ‘Zoneamento do Sistema Cantareira’, que fornece 40% da água para a região metropolitana de São Paulo. Posteriormente elaboramos um ‘Plano de Zoneamento e Manejo da Paisagem’ para a região de mineração em Itabira, MG, cuja paisagem degradada tanto magoou nosso poeta máximo, Drummond de Andrade.

Como ilustra o CROQUI ABAIXO, elaboramos para uma indústria de álcool e açúcar, na região de Bauru, o ‘Projeto do Cinturão Verde’ que protege uma cidade dos efeitos poluidores da industrialização. LEGENDA. No croqui, a mancha marrom escura à esquerda é a área urbana e a mancha avermelhada ao centro do círculo é a área da indústria que produz açúcar e álcool. A mancha negra é o cinturão verde projetado, integrado nas APPs, cujas manchas estão em tons verdes. As manchas “C” em verde claro e roxa “F” são áreas que não mais serão cultivadas com cana.  As glebas com números são lavouras de cana.  

Dois comentários adicionais. O exposto demonstra a necessidade de se preocupar com ‘Planejamento’ em si como atividade essencial no currículo das Escolas de Agronomia. E à lamentar a tendência em pulverizar a atividade do engenheiro agrônomo criando profissões específicas: tais como o engenheiro florestal e o engenheiro ambiental, o que reduz a representatividade da Engenharia Agronômica na sociedade brasileira.

JEA291_setout2016_artigopg19.pdf

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Comentário de Agno Tadeu da Silva em 11 janeiro 2017 às 21:53

Excelente texto, Rodolfo. Nos leva a refletir sobre necessidade de ampliarmos nossa visão, quanto engenheiros agrônomos, para além das questões meramente de produção.

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