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Em janeiro mais chuvoso da história na capital, Minas tem 55 mortos

( O Globo, caderno País, Quinta-feira 30.1.2020, pág. 8)

Até agora, o primeiro mês de 2020 acumulou 932,2 mm de chuva no município, de acordo com o INMET, mais da metade do previsto para todo o ano. O recorde anterior era de janeiro de 1985, quando o acumulado foi de 850, 3 mm.

Nenhuma cidade do mundo resiste a 183 mm de água em três horas como aconteceu aqui, disse o Prefeito. A canalização de rios agravou a situação em BH. Geografia da cidade, com suas ladeiras, e impermeabilização do solo com concreto e asfalto, fazem com que a água da chuva desça com força e muita velocidade para as partes mais baixas, provocando até a 'explosão' de bueiros. A foto abaixo é do Valão do Arruda, construído em 2007 e com 1.400 m de extensão, que transbordou.

E por falar nele, com base em alguns dados disponíveis no Google, elaborei um cálculo expedito da sua vazão, mostrado na Planilha abaixo. Para comparação, anexei uma Tabela com a velocidade máxima da água admissível nos projetos de canais em concreto.

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 2 fevereiro 2020 às 11:27

NOVA ESTIMATIVA DA CHUVA DE BH

A TV de ontem noticiou que o tempo de recorrência das chuvas recentes de Belo Horizonte foi de Tr = 110 anos, ou seja, este seria o intervalo de tempo entre precipitações de igual ou maior intensidade. Isso facilitou a nossa estimativa anterior pois, com base nos parâmetros das duas equações das chuvas intensas elaboradas para a cidade, a incógnita (para se atingir os 61 mm/h registrados nos pluviógrafos para a chuva) ficou restrita à sua duração (t). A figura abaixo mostra os cálculos que fiz.

Observe que a menor duração (t = 55 min) encontrada na equação do livro Hidrologia Aplicada é mais coerente com os dados da tabela do Limite Inferior de Chuvas Intensas e, portanto, ela representa melhor o fenômeno meteorológico ocorrido.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 31 janeiro 2020 às 17:12

EQUAÇÃO DAS CHUVAS INTENSAS

A Figura abaixo apresenta uma simulação da equação Intensidade-Duração-Frequência (IDF) para Belo Horizonte, utilizando as equações constantes do livro Hidrologia Aplicada, de Swami Villela, 1975, pág. 61, para Belo Horizonte (coluna à esquerda), e outra do TCC de Daniel Coelho.(1)

Eu fiz várias combinações dos Tempos de retorno (Tr) e duração da chuva (t) para chegar ao valor mais próximo dos 61 mm/h registrados em Belo Horizonte no temporal recente.

Conclusão:

Nenhuma das equações obteve durações menores e tempos de retorno maiores, mostrando que não se adequaram ao temporal que ocorreu. Uma chuva dessa magnitude, comportaria valores de Tr superiores a 100 anos ou mais, e tempos de duração menores.

REF. 1:

http://www.dcta.cefetmg.br/wp-content/uploads/sites/21/2019/03/DANIEL-TEIXEIRA-REZENDE-COELHO.pdf

P.S.

Impressionante, MESMO, amigo Gilberto.

Comentário de Gilberto Fugimoto em 31 janeiro 2020 às 10:47

Impressionante!

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 30 janeiro 2020 às 15:44

LIÇÕES TIRADAS DAS CHUVAS

A Figura abaixo, mostra os dados da Internet nos quais eu me inspirei para elaborar a Planilha anterior com o cálculo da vazão do Valão Arruda, em Belo Horizonte - MG.

A velocidade da água no canal, de 9,6 m/s, está pouco abaixo da média obtida em medições diretas. Comparando-a com a recomendada para projetos, que é de 4,5 m/s pra canais em concreto, entende-se porque causou tantos estragos.

Quanto à chuva referida pelo Prefeito de Belo Horizonte, de 183 mm em 3 horas, ou 61 mm/h, observa-se que ela foi superior em 1 mm à menor duração estabelecida por Norma significando que, de fato, ela foi muito intensa.

O volume total de chuva ocorrido num único dia (Vo) na bacia do Valão do Arruda, foi calculado pelo software ImageJ, e resultou na Figura abaixo:

Dividindo-se este volume pelo de uma piscina olímpica: 12.620.900 m³ ÷ 2.500 m³ = 5.048 unidades; ou 701 piscinões (18 milhões de litros) como o da Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro.

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