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Do lixo para o Spa Liana John - 22/11/2012 às 13:23

O maracujá (Passiflora spp) é mesmo um curinga da boa saúde: já tratamos aqui no Biodiversa das propriedades do bagaço contra o diabetes e do potencial do alcaloide harmina para o controle de jet lag. E todo mundo conhece as vantagens extraídas da polpa: betacaroteno, vitaminas do complexo B, cálcio, ferro, fósforo e a tal maracujina (passiflorina para os cientistas), boa para acalmar de bebês a marmanjões estressados, sem causar dependência como os sedativos químicos.

Pois ainda tem mais: das sementes se extrai um óleo emoliente, hidratante, restaurador das camadas lipídicas da pele e relaxante (as sementes também contém passiflorina). A caracterização desse óleo foi feita por duas doutorandas da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), Eliana Monteiro Soares de Oliveira e Suelen de Alvarenga Regis, sob orientação de Eder Dutra de Resende, do Laboratório de Tecnologia de Alimentos (LTA/UENF).

O projeto ganhou uma dimensão prática por meio de parceria com o agrônomo e doutor em Tecnologia de Alimentos, Sergio Agostinho Cenci, da Embrapa Agroindústria de Alimentos. Ele coordena o Arranjo Produtivo Local do Maracujá, com o objetivo de reorganizar a produção da fruta no estado do Rio de Janeiro, difundindo inovações tecnológicas entre os produtores. Com isso, eles conseguem reduzir custos na lavoura; adotar variedades melhoradas; aproveitar integralmente o fruto e proteger o meio ambiente.

A utilização de sementes para produção de óleo entra nas duas últimas categorias. Consideradas resíduo pelas indústrias de sucos e sorvetes, as sementes eram descartadas no ambiente. Não são mais: agora elas garantem renda extra para os produtores e são transformadas no sofisticado óleo de maracujá para fins cosméticos pela Extrair – Óleos Naturais.

A empresa se instalou em Bom Jesus de Itabapoana, RJ, com apoio técnico da Embrapa e da equipe da UENF, mais um investimento inicial da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), da ordem de R$ 200 mil. “A comercialização do óleo só teve início em janeiro de 2011, mas estamos montando o projeto desde 2008, atrás do melhor equipamento, melhor processo”, conta o diretor da Extrair, o engenheiro agrônomo Sandro Reis. “Precisamos desenvolver e ajustar as máquinas para separar as sementes, que são coletadas sujas nas áreas de produção e aqui passam por um processo inédito de limpeza. Ainda adaptamos a máquina de extração e filtragem do óleo, totalmente mecânica e sem químicos. É difícil achar uma empresa parecida no Brasil”.

Também não é fácil encontrar um arranjo tão bem azeitado – se me perdoam o trocadilho. Tanto é que essa turma já foi premiada três vezes no último ano. Eles ganharam o Prêmio Brasil de Engenharia, o Prêmio Peter Muranyi e o Prêmio SESI de Qualidade do Trabalho – Etapa Regional. Apesar da ‘fama’, eles não perderam a conexão com os agricultores para quem repassam as dicas técnicas por meio de “Dias de Campo” como o que acontece no próximo 29 de novembro, organizado por Sérgio Cenci (cenci@ctaa.embrapa.br).

A capacidade instalada ainda está um pouco ociosa, é verdade. As máquinas poderiam processar 200 quilos de sementes por hora, mas nem sempre há tanta matéria prima disponível. A safra do maracujá no norte fluminense começa em novembro e dura até março/abril. “Nos outros meses, garantimos nossa produção graças ao armazenamento das sementes, que passam pelo processo de limpeza e secagem antes de serem estocadas em silos”, acrescenta o agrônomo-empresário.

Além de fornecer para todo o Brasil, Reis já exporta para os Estados Unidos, França e Colômbia. Com esse óleo de aroma suave e propriedades relaxantes, as indústrias de cosméticos fabricam desodorantes corporais, cremes para a pele de gestantes e bebês, óleos de massagem, entre outros produtos.

Então, cabe ou não cabe um Spa dentro dessa fruta curinga?

FOTOS: Liana John (ao alto, sementes de maracujá)

             Sandro Reis (acima, máquina de filtragem do óleo de semente de maracujá)

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