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Por Ciro Antonio Rosolem, Vice-Presidente de Estudos do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) e Professor Titular da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCA/Unesp Botucatu).

“Bom Dia! Como está Chicago?”. Essa tem sido a saudação entre sojicultores ultimamente. A cada respiro do clima nos Estados Unidos, a cada ajuste na previsão de produção de algo próximo de 100 milhões de toneladas de soja lá pelas bandas da América do Norte, algumas centenas de agricultores brasileiros passam do verde para o vermelho. Estaríamos iniciando um ciclo de baixos preços de commodities? Alguns economistas dizem que sim.

Os preços internacionais dos produtos agrícolas obedecem a ciclos, mediados por diversos fatores. Após um período de aumento rápido de preços, vive-se um período de vacas gordas. Mas, logo em seguida vem um período de ajustes, quando os preços sobem menos, e depois sofrem queda. Muito bem. Alguns economistas apontam fortes evidências de que o pico de alta teria passado e, agora, enfrentaríamos um período de baixa. Até aí, tudo normal. É cíclico. O problema é o que aconteceu, ou deixou de acontecer, durante a bonança.

O desenvolvimento da agricultura brasileira é conhecido e hoje reconhecido. Ganhos em eficiência, em tecnologia e em escala compensaram a primeira onda de diminuição de preços. Entretanto este elástico está no fim. Quase arrebentando. Apesar de ainda haver algum aumento na produtividade média da soja no Brasil, no Mato Grosso, onde se tem as maiores produtividades, ela tem oscilado de 3.000 a 3.200 kg/ha há aproximadamente 10 anos. Está estagnada. Por outro lado, os ganhos em produtividade foram engolidos pelos altos custos logísticos, tributários e trabalhistas. Enquanto isso, com as obras públicas emPACadas, tome conversa eleitoreira.

O ciclo de alta, mais a evolução da tecnologia e da gestão agrícola, permitiram à agricultura brasileira viver um ciclo virtuoso, onde o crescimento econômico foi acompanhado da melhoria na sustentabilidade dos sistemas e do respeito ambiental. O grande exemplo são os sistemas integrados. Entretanto, segundo levantamento da EMBRAPA, boa parte da soja brasileira é produzida em áreas marginais para a cultura. Também a rotação com pastagem, ou florestas, se dá, na maioria das vezes, em áreas marginais de cultivo. Isso quer dizer: custo alto. Daí muitos agricultores oscilarem entre o verde e o vermelho a cada Bom Dia, Chicago!

Mas a China não tem conseguido produzir toda soja que precisa. E vai precisar mais. É um indicativo de que, talvez, aquisições chinesas contenham a queda livre dos preços. Os americanos estão de olho neste mercado, e têm mostrado competência em negociar suas safras. De qualquer modo, as obras necessárias teriam mais um tempo para desemPACarem no Brasil, que assim manteria a competitividade.

Sobre o CCAS

O Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça.

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Comentário de Gilberto Fugimoto em 6 janeiro 2015 às 10:08

Já dizia Nelson Rodrigues: "Subdesenvolvimento não se improvisa, é uma obra de séculos"! Esse custo Brasil está arraigado na nossa cultura; desde Tiradentes nos revoltamos contra o peso do Estado. 
Espero que a desconstrução desse processo não seja tão lento.

Comentário de Francisco Lira em 5 janeiro 2015 às 21:48

Os profissionais e produtores fizeram sua parte nessas ultimas décadas, infelizmente as estruturas que fazem elevar o Custo Brasil quase não se alteraram, se a economia em grade parte nos últimos anos fora favorecida pelos bons ventos das cotações favoráveis, agora sem esse ''bônus'' que logicamente estava compensando o enorme dispêndio de por exemplo transportar soja por enormes distancias via rodovia, agora pelo visto vai enfrentar mais um grande desafio. O governo não fez a sua parte agora cabe ao produtor mais uma vez pagar pelos erros e incompetência dos outros.

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