Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Câmara de Engenharia Florestal, um privilégio a margem da legislação do sistema Confea/Crea


É do conhecimento de todos que o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia abriga mais de 300 títulos profissionais das mais variadas atividades e que vive um absurdo inchaço abrigando novos nomes e títulos fruto da fragmentação descontrolada e irresponsável de tradicionais profissões entre elas a mais prejudica a dos profissionais de Agronomia.

Para facilitar algo de extrema complexidade existem dois  grupos engenharia e Agronomia e suas modalidades como forma de agrupar profissões com atribuições e áreas afins criando as devidas câmara com base nesses agrupamentos, caso contrario tornaria inviável a criação de mais de 300 câmaras, algo absurdo e imaginável, mas pasmem vivemos em um país que costuma afrontar as leis e decreto ao gosto do momento político e politiqueiro.

 Mas senão vejamos

A lei nº 5.194, de 24 dez 1966 que Regula o exercício das profissões de Engenheiria e Agronomia é bem clara em seu artigo 34 - São atribuições dos Conselhos Regionais: entre estas b) criar as Câmaras especializadas atendendo às condições de maior eficiência da fiscalização estabelecida na presente Lei;

Resolução nº 1.071, de 15 de dezembro de 2015 Dispõe sobre a composição dos plenários e a instituição de câmaras especializadas dos Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia – Creas e dá outras providências.

Da Criação de Câmara Especializada

Parágrafo único. O Crea deve considerar para criação ou manutenção de câmaras especializadas a existência de, no mínimo, três representantes da mesma categoria ou modalidade profissional.

Art. 14. Observado o critério estabelecido no parágrafo único do art. 13, a câmara especializada pode ser constituída da seguinte forma:

I – correspondente às categorias da Engenharia e da Agronomia;

II – correspondente às modalidades profissionais previstas no § 1º do art. 10;

 ou

III – correspondente à associação de mais de uma modalidade da mesma categoria.

Parágrafo único. A câmara especializada deve indicar explicitamente em sua denominação as categorias ou as modalidades profissionais que representa.

Ora, é de conhecimentos de todos que a engenharia florestal é um titulo profissional com pouco mais de 13 mil profissionais do grupo Agronomia, modalidade Agronomia conforme resolução 473 de 2002 ou seja é uma profissão junto as mais de 300 que soma-se a  esse  conselho profissional mas que a essa  profissão tem se dados privilégios a margem das leis e resoluções, configurando como um desrespeito as demais profissões que fazem o sistema Confea/CREA e pior ignorando  a própria deliberação número 27 de 2016 da Comissão de Normas e Procedimentos –CONP que em estudo detalhado recomendou a extinção de tais câmaras mais uma vez reafirmando na deliberação número 80 de 2016 com base naquilo que encontra na lei em virtude de tais abusos a margem das normas do sistema.

Portanto engenharia florestal como titulo ou seja uma profissão não poderia jamais ser enquadrada como câmara especializada e muito menos possuir uma coordenação nacional,o que configura-se como um privilegio inaceitável e um desrespeito as demais profissões que compõem esse conselho multiprofissional, o que vem de N formas favorecendo essa profissão como ampliação de suas atribuições em parques e jardins, as tentativas de limitar nossa atuação em silvicultura e seus desdobramentos e suas tentativas de criar sua própria modalidade argumentando que em nada tem haver com os conhecimento agronômicos como se as atividades florestais em nada dependessem dos conhecimentos em solos, pedologia, nutrição vegetal , melhoramento, entomologia, mecanização, irrigação, fitopatologia e demais áreas agronômicas para o sucesso de importante setor.

Francisco Lira
Engenheiro Agrônomo Esp.
CREA-PI 18.222/D

Bibliografia

http://normativos.confea.org.br/downloads/anexo/0473-02.pdf

http://normativos.confea.org.br/ementas/visualiza.asp?idEmenta=25

http://normativos.confea.org.br/downloads/1071-15.pdf

http://www.confea.org.br/media/DEL027.2016-CONP.pdf

http://www.confea.org.br/media/DEL080.2016-CONP.pdf

 

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Comentário de Francisco Lira em 16 dezembro 2016 às 19:24

Mario e demais colegas realmente precisamos aprimorar a nossa mídia profissional, todos sabem que um bom especialista em zootecnia, ou florestal, ou agrícola e etc, pode e deve nascer via formação em Agronomia, para isso precisamos mostrar a sociedade e aos estudantes do ensino fundamental e médio que esse é o caminho mais racional para uma formação superior na área. Creio que um conselho uniprofissional apenas e somente composto por Engenheiro Agrônomos, com uma fiscalização forte mostrando a sociedade nossa importância e com associações e sindicatos fortes podemos mudar os rumos da Agronomia. Agronomia para engenheiros Agrônomos e tenho dito""

Comentário de Mario Sergio Alves de Godoy em 15 novembro 2016 às 16:08

Outra opção seria um mecanismo eficaz de veicular uma propaganda massiva: "se V. tem interesse nestas áreas: zootecnia, florestas, ambiental, pastagens, mecanização, paisagismo, técnicas de alimentos, levantamento topográfico, agricultura de precisão, produção de sementes, melhoramento vegetal e animal, construções rurais, avaliações periciais, conservação do solo e da água, sistemas integrados de produção e muito mais, muuuuiiiiito mais... faça AGRONOMIA". Levantar o moral "da tropa" "para o bem de todos e felicidade geral da nação".

Comentário de José Luiz Bortoli de Azambuja em 8 novembro 2016 às 15:52

Colegas, esta situação demonstra a nossa fragilidade enquanto organização. Seria preciso organizar uma grande discussão sobre o nosso sistema, com a visão, em primeiro lugar, que somos ENGENHEIROS. Perdemos muito tempo e energia "brigando" entre nós, debatendo atribuições de olho em um mercado de trabalho que, a rigor e a considerar pelos números de profissionais formados, tem espaço para todos. Precisaríamos nos UNIR em defesa da Engenharia, da qualidade dos cursos oferecidos, contra a proliferação de "modalidades" que, não passam de especializações! A meu ver estamos nos matando, e matando a nossa profissão...

Comentário de Gilberto Fugimoto em 6 novembro 2016 às 10:00

Uma lição a ser aprendida desse episódio que culminou na vitória esmagadora da engenharia florestal é a capacidade de articulação e construção de projetos propositivos para a categoria. 

No momento a Agronomia passa por uma crise de liderança em nível nacional que tem se mostrado incapaz de construir projetos e alianças em favor da nossa categoria.

Não dá pra fazer uma análise clara com meias palavras!

Comentário de Francisco Lira em 5 novembro 2016 às 13:06

Penso da mesma forma prezados colegas. É preciso resgatar a importância do Engenheiro Agrônomo especialista, seja zootecnista, silvicultor, paisagistas, fitopatolgista, pedologista e outraS tantas outras especialidades, mas para isso precisamos de união,articulação e principalmente debater com a classe agronômica uma solida e robusta estrategia nacional

Comentário de herbert dittmar em 5 novembro 2016 às 11:41

Concordo contigo Mario Sergio! Muitas profissões são meras especializações! Por conta disso, as profissões de origem são enfraquecidas e ao final não temos profissões fortes e que formem o profissional de forma eclética! A Medicina não permitiu que isso acontecesse!

Comentário de Mario Sergio Alves de Godoy em 5 novembro 2016 às 9:43

Ratifico opinião de que alguém com a devida competência deveria propor, de forma firme, a reunificação das diversas profissões emergentes da agronomia, áreas ainda de competência de agrônomos (são apenas devidamente especializados) enquanto ainda há alguma esperança de controle sobre a situação. Possivelmente será derrotado (não detonado porque não deixa de ser lógico e facilitador para todos), MAS a farra precisa receber um balde de água fria.

Comentário de José Leonel Rocha Lima em 3 novembro 2016 às 18:26

Bom o relato do que está acontecendo no Sistema  ante a realização da 2° Etapa do CNP e muito bem pontuado para uniformizar as informações.

Todos os colegas devem conversar com outros colegas sobre o assunto para que reação venha a ser uma mudança no tratamento à nosso profissão.

Apoio o trabalho dos colegas que estão ampliando a defesa da nossa profissão fazendo circular os fatos que vem acontecendo no Sistema e alertando da necessidade de mobilização ampla.

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