Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Caros colegas engenheiros agrônomos e estudantes de agronomia venho aqui expor minha revolta e insatisfação sobre essa  terrível situação que ameaça o futuro da profissão, diante da criação do conselho dos técnicos agrícolas, embora não seja  contra a criação do mesmo, eles levarão consigo de forma absurda e irresponsável  mas fruto de sua força e união conforme decreto n.º 4.560 de 30 de dezembro de 2002, sancionado no apagar das luzes pelo senhor FHC, atribuições que em face da complexidade deveriam ser únicas e exclusivas dos profissionais de nível superior em agronomia, e agora fica a pergunta: Existe capacidade de mobilização, consciência  política e vontade de nos profissionais e estudantes para reverter tamanha aberração que com certeza será um duro golpe ao futuro da profissão?

Engenheiro Agrônomo Francisco Lira

(Esp. Engenharia de Irrigação). Piauí.

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Comentário de Eduardo B. Teixeira Mendes em 11 junho 2014 às 0:21

Boa noite a todos.

O que o colega Charles Leonel colocou eu achei perfeito. Até mesmo por que tenho uma formação muito similar a ele, fiz o curso técnico em agropecuária e posteriormente fiz a Engenharia Agronômica. E além de atuar em vário ramos da agronomia também dou aula em um curso técnico.

E concordo com o que ele diz que existem técnicos do mais alto gabarito, que devem ser respeitados e ainda acrescento que as profissões Engenharia Agronômica e Técnico em Agropecuária não são concorrentes são complementares.

Agora uma coisa que eu pergunto, principalmente para aqueles possuam melhor entendimento jurídico que o meu.... Quando um técnico em agropecuária solicita ao Judiciário o direito de emitir uma receita agronômica, como é instruído o processo? É solicitado manifestação do órgão de classe? É avaliado o ementário de formação escolar?

Faço estes questionamento, pois dentro Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos Técnicos em Agropecuária, em nenhum momento diz que os aluno são capacitados para a emissão de receita. Nas diretrizes é informado no itinerário formativo que os alunos aprenderão sobre o uso, cuidados, técnicas de aplicação mas não sobre recomendação.

De um grande número de escolas técnicas públicas no Brasil, pouquíssimas possuem a disciplina de Fitossanidade, que eu me recorde somente da UTFPR de Dois Vizinhos, que possuia uma disciplina bastante específica, mas o curso foi extinto esse ano.

Falando como professor de um curso técnico em agropecuária, os alunos não possuem uma carga horária específica para basear essa atribuição profissional. Mas como eu disse, eu nunca tive um desses processos em minhas mão para analisar.

Na verdade, como o Charles comentou, após iniciar o curso de Engenharia Agronômica é que pude verificar a diferença enorme entre as formações. E em minhas aulas sempre as ressalto essas diferenças. Agora, o que na verdade acontece é que muitos técnicos são incentivados por revendas a solicitarem essas atribuições e o que nossas associações de classe fazem???? Quantas associações de engenheiro agrônomos ingressaram com ações contra o decreto 4.560/2002???? E as que ingressaram foi com qual base de argumentação????

Além disso é importante lembrar uma coisa os CREAs são autarquias normativas fiscalizadoras, cabe a eles emitirem normas de exercício profissional e fiscalizar. Entretanto um decreto federal é superior a qualquer ato normativo de um CREA ou do CONFEA. Inclusive, não cabe a eles questionar a legalidade do decreto e sim a CONFAEAB.

Comentário de Ric. Anônimo em 10 junho 2014 às 22:12

Prezado Charles Leonel, estou aqui eu novamente, um repetidor.

Parabéns pelo seu discernimento. O difícil é colocar tudo isso que você comentou na cabeça dos juízes (todos) que têm dado ganho de causa aos técnicos, e também aos empregadores, que só vêem redução de custo.

Dentro do mérito da questão, veja como era as atribuições dos técnicos no Decreto 90.922/85 e veja como ficou com o Decreto 4.560/02. 

Com o 4.560/02, os técnicos estão com mais atribuições e poder que os Engenheiros Agrônomos, e os juízes dão ganho de causa à eles baseado no 4.560/02, que foi aprovado no dia 30 de dezembro de 2002 (no último dia do mandato do FHC, de madrugada)

Comentário de Charles Leonel em 10 junho 2014 às 22:04

Prezados colegas Engenheiros Agrônomos.

De fato essa articulação é comprometedora. Não só do ponto de vista da atuação profissional, mas principalmente por questão de segurança na produção nacional de alimentos.

Sou Técnico Agrícola e Engenheiro Agrônomo e não vejo "mistura" na atuação das duas profissões. São etapas completamente distintas com atribuições para os dois profissionais. Como Técnico Agrícola, (ético) jamais quero (ou iria querer) atuar nos âmbitos que os tais documentos indicam. É muita responsabilidade diante do grau de ensino que recebemos em tal nível (E olha que fiz um ótimo curso de Técnico Agrícola. Um dos melhores do país!).

Quanto conclui Engenharia Agronômica percebi a distância que foi percorrida em conhecimento entre uma formação e outra. Não que me ache melhor ou mais conhecedor do que todos os Técnicos Agrícolas do mundo... mas é nítido o quanto se acumula de conhecimento e o quanto se aplica do mesmo no momento da tomada de decisões.

Há hoje no país muitos Técnicos Agrícolas de alto nível de conhecimento. E até sobrepõem alguns Agrônomos em alguma situações. O que se faz muitas vezes por conhecimento empírico de campo pela grande vivência e não científico. Ou por curiosidade mesmo daqueles profissionais. Curiosidade em ler sobre os assuntos, se aprofundarem em atualizações, aproveitarem o máximo de Engenheiros Agrônomos que atual em suas empresas. O que é um grande mérito dos mesmos. Mas é incabível, e no mínimo irresponsável, querer colocar um Técnico Agrícola para se responsabilizar por certas atividades. ART é algo de grande responsabilidade e definitiva na execução de práticas sérias e comprometedoras.

Tenho Mestrado em Produção Vegetal, já atuei em assistência técnica, consultoria agronômica e ambiental. Hoje sou docente no Instituto Federal Baiano, onde leciono para os dois cursos. Posso afirmar com certeza e profundidade de conhecimento que não são profissões com atribuições semelhantes. Basta comparar a mesma disciplina que se trabalha a nível médio e a nível superior.

Só posso pensar que isso foi alguma articulação política - APENAS!

Cabe ao CONFEA se posicionar ante isso, tanto diante dos profissionais a ele filiados, como à instituições que, direta e indiretamente participam ou utilizam dos trabalhos desses dois profissionais.

Acho até que o Ministério da Agricultura deveria se posicionar sobre esse assunto!!!

O país está cheio de irresponsabilidade técnicas acontecendo por aí. Muitas atuações sem ética e sem conhecimento técnico têm levado a sérios problemas de produção (surgimento de novas pragas e doenças, recomendações fitotécnicas completamente equivocadas, prejuízos financeiros, etc.) e ambientais (contaminação de solos e águas, desperdício de água, etc.).

Olha prezados, sou um Engenheiro Agrônomo completamente apaixonado pela minha profissão. Acredito no que faço e tenho grande satisfação em formar novos Engenheiros Agrônomos. Estou pronto a brigar pela derrubada desse documento e ir além. Cabe um processo a quem assinou tal documento sem uma consulta aberta e concreta sobre tais deliberações. Isso mesmo! Os responsáveis por tais liberações devem ser punidos por colocarem a vida de pessoas em risco bem como a economia e o meio ambiente.

Certo de ser bem compreendido,

saúdo a todos com abraço e considerações Agronômicas.

Comentário de Ric. Anônimo em 10 junho 2014 às 17:08

Francisco, deixe que eu respondo a dúvida do Sr. Antônio Carlos Coutinho.

Prezado Coutinho, Leia primeiramente o Decreto n.º 90.922/85. Depois Leia o Decreto n.º 4.560/02. Depois leia o Decreto n.º 23.196/1933 e a Resolução 218/73 do Confea.

Verifique que com o Decreto 4560/02 os técnicos agrícolas passaram a ter praticamente todas as atribuições dos Engenheiros Agrônomos. Os CREA's não tem conseguido segurar porque os técnicos entram com mandatos de segurança para fazer valer o Decreto 4.560/02.

Se eles saírem do conselho, aí sim ficará difícil reverter este decreto. Não se pode permitir.

Não sei o que a classe agronômica estava fazendo nos últimos 30 anos quando permitiu que os técnicos avançassem sobre nossa profissão...

Comentário de Antônio Carlos Coutinho em 10 junho 2014 às 16:45

 Francisco Lima, não estou vendo ligação entre a criação do Conselho Federal e Regional dos Técnicos Agrícolas e a ampliação das suas atribuições funcionais!

Você poderia me explicar melhor?

Grato.

Comentário de Orlandino Mariussi em 10 junho 2014 às 16:26

Na verdade os grandes culpados pelo que está acontecendo somos nós engenheiros agrônomos que fazemos o jogo das multinacionais do veneno e treinamos os técnicos para realizarem o reconhecimento de pragas e doenças a nível de campo e outras atividades mais por serem mão de obra barata, a recomendação e venda dos respectivos produtos para o combate/controle. Nós apenas assinamos a receita!!!!! Cadê o confea, os creas para defenderem seus escravos, pois somos obrigados a contribuir anualmente com um valor que é absurdamente elevado frente ao salário que o engº agrº percebe no final do mês conquistado com comissões de suas vendas, No Paraná tivemos um incremento no valor da anuidade próximo de cem por cento isso é absurdo. Então tem jeito? quero que sim, mas vai demorar eu já ouvia os técnicos brigando para obter registro no crea no inicio de minha carreira e hoje não mais atuante como engº agrº os técnicos estão quase tomando a direção dos creas e logo logo o confea. Só mais uma questão: como os técnicos conquistam espaços junto ao crea e confea? porquê permitimos?

Saudações agronômica.

Comentário de Francisco Lira em 10 junho 2014 às 15:51

Hoje aqui em Teresina teremos uma reunião no CREA e depois AEAPI, para tratar com urgência desse assunto e se possível os colegas do Piauí darão sua contribuição respeitando as devidas proporções participativas da classe de engenheiro agrônomos  a nível nacional.

Vamos lutar contra esse decreto absurdo, temos que mobilizar a classe a nível nacional.

Comentário de André Luís Alves Ferreira em 10 junho 2014 às 15:33

E agora ..temos de nos mobilizar  exigir a extinção dese decreto absurdo...

Comentário de Gilberto Fugimoto em 10 junho 2014 às 15:26

Caro Francisco,

Vc tem sido um profissional atuante não só na Rede Agronomia como também na articulação da categoria, vejo que esse é mais um dos riscos e contextos que irão afetar a integridade do exercício profissional.

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