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Certificação Sensorial: um passo além da rastreabilidade

Por José Luiz Tejon Megido, Conselheiro Fiscal do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS), Dirige o Núcleo de Agronegócio da ESPM, Comentarista da Rádio Jovem Pan.

Em viagem pela Europa, numa região chamada Francia Corta, na Itália, ao lado de Brescia, são produzidas uvas especiais que se transformam em vinhos e destilados, grapas fantásticas como uma degustei chamada Acquavite de castanha. Imaginem que um hectare de terra aqui custa mais de um milhão e quinhentos mil euros, ou seja, estamos na terra do agronegócio sofisticado, fino e do luxo.

Mas, a lição hoje foi a de mergulhar na próxima revolução da gestão do agronegócio chamada Certificação Sensorial. Já estamos com selos, certificados de origem e rastreabilidade dentro do agronegócio brasileiro. A próxima mudança vem com um estudo que assegura o consumidor se aquela laranja, tomate, café, carne, leite ou soja, está dentro de padrões sensoriais. Quer dizer que, a medida em que o produtor certifica a sensorialidade do produto, ele estaria dizendo para você que aquele produto, além de ter rastreabilidade e segurança alimentar, ele também tem dentro dele, o padrão esperado para sua qualidade vitamínica, de sabor, de cheiro. E tudo isso muito acima do padrão da beleza. Se os melhores experts em qualidade dos alimentos aprovassem o produto, por exemplo, esse estaria dentro dos padrões sinestésicos de qualidade.

Muita comida vai para o lixo por estar feia, o pimentão que não ficou bonito, a laranja que não ganhou o troféu de miss Brasil, ou a manga que não passou no teste de top model. Com a certificação sensorial, tudo isso será desvendado, e o que vai interessar cada vez mais no agronegócio será a sua qualidade efetiva e sensorial, acima de outros padrões estéticos que só servem ao desperdício.

Em Francia Corta, na Itália, ao lado do Dr. Luigi Odelo, da Universidade de Udine, e do Instituto Assaggiatori, participei de um show de análise sensorial, com a grapa, Acquavite di Castagne.

Se vier a Itália, não deixe de visitar o Borgo Antico San Vitale, no Borgonato di Corte Franca, e você pode ver tudo isso também pela internet, através do website: www.borgoanticovitale.it

Direto da Europa, estudando o agronegócio a partir das cidades, para compreender a agrossociedade. E agora vem ai, certificação sensorial, um passo além da rastreabilidade.

Sobre o CCAS

O Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça. Mais informações no website: http://agriculturasustentavel.org.br/. Acompanhe também o CCAS no Facebook: http://www.facebook.com/agriculturasustentavel

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Comentário de Gilberto Fugimoto em 23 fevereiro 2016 às 13:44

Interessante, é uma saída para ninchos de mercado com produtos sofisticados.

Comentário de Francisco Lira em 22 fevereiro 2016 às 18:22

Muito interessante, mas a anos luz no Brasil, para o consumidor brasileiro, o que existe mesmo é muito alimento de origem e qualidade duvidosa. Como profissionais de Agronomia precisamos força a mudança dessa realidade.

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