Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil


Engo. Agro. JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO

jviana@openlink.com.br

A figura acima mostra o chorume escorrendo de um lixão e, ao lado, uma tabela com a sua composição química (variável com a idade do aterro). Logo abaixo, mais 3 fotos: do armazenamento provisório em tanques cilíndricos; do seu transporte do aterro para uma ETE convencional; e de aeradores de superfície numa estação de tratamento de chorume (ETC). Ao lado, 2 esquemas: das 4 fases por que passa o aterro; e as curvas de evolução do pH, da DBO e dos ácidos voláteis.

Chorume, também conhecido como líquido percolado ou lixiviado é uma substância líquida resultante do processo de putrefação (apodrecimento) de matérias orgânicas. Este líquido é muito encontrado em lixões e aterros sanitários. É escuro, muito poluente (elevadíssima carga de demanda bioquímica de oxigênio ou DBO), viscoso e possui um cheiro muito forte e desagradável (odor de coisa podre).

O chorume é o pior poluente conhecido. Mais até que o vinhoto ou vinhaça (sub-produto da fabricação do álcool da cana-de-açúcar) pois, além da elevadíssima carga orgânica (DBO), contém metais pesados e germes patogênicos. É originado de processos biológicos, químicos e físicos da decomposição de resíduos orgânicos (umidade dos resíduos sólidos urbanos e pela passagem da água da chuva através dos resíduos acumulados em lixões e aterros sanitários) e, caso não seja tratado, ele pode atingir lençóis freáticos, rios e córregos, levando a contaminação para estes recursos hídricos. Neste caso, os peixes podem ser contaminados e, caso a água seja usada na irrigação agrícola, a contaminação pode chegar aos alimentos (frutas, verduras, legumes, etc).

ASPECTOS A CONSIDERAR

A fração orgânica do lixo é a responsável pela produção do chorume. Ora, no caso do Brasil, mais da metade em volume dos resíduos sólidos urbanos (RSU) é matéria orgânica. Além de originar o chorume, essa parcela do lixo doméstico é também a responsável por inviabilizar (ou, pelo menos, dificultar tremendamente) a coleta seletiva, que precisa do lixo seco.

Com base nesse raciocínio, se as Prefeituras incentivassem a reciclagem do lixo (como prega a nova Lei de Resíduos) e promovessem a compostagem (uso da matéria orgânica como matéria-prima na produção de adubo a partir do lixo), elas “matariam 2 coelhos com um tiro só”:

1 – reduziriam em até 70% a área destinada aos aterros sanitários, diminuindo na mesma proporção os seus gastos com a coleta e o transporte do lixo; e

2 – produziriam adubo (melhor dizendo, condicionador de solo) bom, barato, ecológico e, de sobra, praticamente evitariam a produção de chorume.

A INFLUÊNCIA DO CLIMA

O volume de chorume produzido no lixão ou no aterro sanitário, varia na ordem direta da incidência das chuvas. Assim, p.ex., um aterro na Amazônia deverá produzir bem mais chorume do que outro localizado no semi-árido nordestino, onde pouco chove. Por outro lado, no NE brasileiro, dada a elevada evaporação, o pouco chorume produzido nos aterros sanitários pode ser tratado de forma simples. Basta coletá-lo em barris de petróleo de 200 litros e deixá-los ao ar livre, lá mesmo onde foi produzido, para evaporar naturalmente.

Como calcular

Uma forma simples de estimar o volume de chorume a ser produzido em um aterro sanitário, é a través do método suiço:

Q = (1/t).P.A.K onde,

Q = volume de chorume (L/s)

P = altura anual de chuva (mm)

A = área útil do aterro (m2)

K = compactação do aterro (0,25 a 0,50 para peso específico de 0,4 a 0,7 t/m3 e 0,15 a 0,25 para p.e. > 0,7 t/m3)

t = segundos em um ano (365 x 86.400)

Ex.: Calcular aquantidade de chorume produzido num pequeno aterro de 5.477 m2, que serve à uma cidade de 23.000 habitantes (cerca de 9 t/d de resíduos), localizada no Sul de Minas Gerais, e com baixa compactação. Obter os dados de chuva anual no site do Inmet (www.inmet.gov.br/html/clima.php#).

Solução:

Q = (1/31.536.000) x 1.500 x 5477 x 0,50 = 0,13 L/s

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