Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Engo. Agro. José Luiz Viana do Couto

jviana@openlink.com.br

 

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É notório o estrago que as chuvas de verão têm provocado em centenas de cidades do Centro-Sul, já com mais de 30 mortes, por conta das inundações e dos deslizamentos de terras. Basta ligar a TV ou abrir o jornal, para ver.

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Aliás, O Globo de 11/01/12 (caderno O País, “Mesmo com histórico de tragédias, Brasil não investe em prevenção”, Marcelo Remígio, pág. 10) diz que o Brasil gasta R$ 6,3 bilhões em socorro e apenas R$ 745 milhões para evitar acidentes (com as chuvas): 8,5 vezes mais para consertar do que para evitar.

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Pois bem. É sobre prevenção de catástrofes climáticas provocadas pelas chuvas, que eu quero falar agora. A Figura abaixo é uma das 10 sugestões que apresentei ao CREA-RJ em janeiro de 2011, e tem a ver com o tema.

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Trata-se de um novo conceito técnico, que privilegia a infiltração da água da chuva no solo, em detrimento do seu escoamento pela superfície. Chama-se Drenagem Sustentável e, infelizmente, ainda não é ensinada em nossas escolas de Engenharia, pois é recente no Brasil. A alusão ao bairro-modelo do Programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal, seria aproveitar a atual visibilidade da cidade para a Copa do Mundo e as Olimpíadas, para lançar com estardalhaço jornalístico a “novidade”, caso o CREA-RJ o adotasse.

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Apesar do povão achar (e até mesmo algumas pessoas letradas) que essa estória de “aquecimento global” (por conta da emissão de gases do efeito estufa, como os dos escapamentos dos veículos e dos lixões) é apenas um jargão alarmista dos ambientalistas de plantão, a verdade é que, no mundo todo, os fenômenos climáticos ganham força, intensidade e maior freqüência. Eu traduziria o fenômeno à frase: “Eu não acredito em bruxas mas, que elas existem, existem”.

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O CICLO HIDROLÓGICO

Vale recordar que, mesmo em situações normais, da chuva que cai: parte evapora, uma infiltra e o restante, escoa pela superfície. Esta é a que provoca enchentes. Nem vou falar no lixo, que colabora.

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O QUE DEVEMOS FAZER, ENTÃO ?

Imitar a Natureza como se ela agisse antes do homem chegar, proliferar e impermeabilizar (com concreto, saibro, asfalto, etc.) as superfícies. Poucos dias atrás, do alto de um edifício onde mora um amigo na Barra da Tijuca, pude observar que 95% dos terrenos em volta eram todos cimentados e apenas um estacionamento era de piso permeável. Chovia e era fácil ver na prática o que eu disse aí em cima sobre o Ciclo Hidrológico. Apenas “aquele” estacionamento não acumulava poças de água.

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Portanto, entre as medidas de caráter prático da tal Drenagem Sustentável, cito as seguintes:

a)    Reter e usar ao máximo a água das chuvas na própria residência, pois ela é potável;

b)   Facilitar a sua infiltração no solo, construindo pisos permeáveis (mostro na Figura acima como dimensioná-los);

c)    Reflorestar as áreas urbanas e seus arredores;

d)   Não ocupar as margens de rios e as encostas;

e)    Substituir as galerias de drenagem por “piscinões”; e

f)     Difundir entre a população conceitos básicos de Hidrologia (do grego: Hydor = água + Logos = estudo).

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E se me escapou algo, você pode complementar. A Natureza agradeceria e, além disso, o meu, o seu, o nosso “dinheirinho” (dos impostos) seria melhor aplicado. Na próxima chuva, pense no que acabou de ler agora. 

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 18 janeiro 2012 às 13:26

OSVALDO,

Obrigado pelo elogio e pelo comentário. A filosofia do piscinão é resolver o problema das enchentes em áreas densamente povoadas, e isso ele faz bem, apesar do lixo (que já é outra questão). A solução arquitetônica pode ser diferente do caixote de concreto com que se parecem os piscinões de São Paulo: uma praça gramada em nivel mais baixo, taludes 1:3, ou mesmo "garagens fantasma" subterrâneas, como na cidade de Toquio, Japão, por exemplo. Essa solução dos tubos perfurados de grande diâmetro, eu não conheço.

Aliás, o que eu advogo, mesmo, é a utilização da água da chuva para fins potáveis ou, pelo menos, para as descargas nas privadas e irrigação. Se a chuva não cai, não escoa; e se não escoa, não provoca enchentes. Simples assim. Aliás, todos esses lixões que terão de ser fechados até 2014, poderiam servir de suporte para telhados que captassem a água da chuva. A sua venda, pela Prefeitura, cobriria -- depois de algum tempo -- os gastos com a instalação. Como lucro imediato, a suspensão da produção de chorume, o maior poluente conhecido.

 

JOSÉ LEONEL,

Obrigado.

 

Um abraço 

Comentário de Osvaldo Barbosa em 18 janeiro 2012 às 12:53

Muito interessante e fundamentado o artigo, com a abordagem de minimização dos impactos das chuvas.

Só discordo com relaçao a construção de piscinões. O exemplo de SP mostra o quanto é catastrofico tal solução que acumula grande quantidade de lixo, mau cheiro no entorno e proliferação de vetores com a agua acumulada a ceu aberto, além do custo muito elevado de construção e limpeza, sem contar a questão da agressão arquitetonica do espaço publico.

A utilização de baterias de tubos perfurados de grandes diametros no subsolo tem se mostrado como a melhor alternativa, ja que funciona como sistema de drenagem e acumulaçao semi-superficial, com filtragem de solidos, eliminando-se os problemas citados acima e os riscos de erosão por movimentação de material solido.

Comentário de José Leonel Rocha Lima em 17 janeiro 2012 às 10:19

Parabéns pela oportuna matéria!!!

Grande abraço

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 16 janeiro 2012 às 16:26

ÂNGELA,

o Mina Casa Minha Vida me ocorreu, pela dinheirama que está correndo solta e, também, pela possibilidade de Engenheiros e Arquitetos projetarem um conjunto habitacional novo, com os conceitos de Drenagem Sustentável (e mais captação da água da chuva, painel solar, energia eólica, etc.). Sugeri ao CREA-RJ convidar o Instituto dos Arquitetos do Brasil - IAB (conheço Dr. Sérgio Magalhães, o seu presidente).

JOÃO CARLOS,

 obrigado pelos elogios. Esta foi apenas uma das 10 (dez) idéias que apresentei ao CREA-RJ. Eu acho que nós, Engenheiros, deveríamos conversar mais, para propor soluções. Veja o caso dos lixões. Devem ser exterminados daqui a 2 anos e, sinceramente, nunca li um artigo técnico que descrevesse as técnicas para o seu transbordo/eliminação.

Comentário de joão carlos flôres em 16 janeiro 2012 às 16:02

Olá José Luiz

Muito oportuna a sua matéria. Muito URGENTE que todos - cidadãos, técnicos e autoridades - tomem iniciativas para minimizarmos os efeitos ruins _ causados pelos próprios homens - sobre a vida e o clima no Planeta.Concordo que é hora de mostarmos, insistirmos em apresentar algumas soluções para os grandes problemas ambientais. Você está mostrando uma delas.

Aproveito a oportunidade para comentar sôbre uma outra matéria publicada na edição desta semana na revista ISTOÉ - pag. 109. Na Ilha de Bom Jesus - Baia de Guanabara - está sendo projetado  " o primeiro distrito ecologicamente correto do País ". Lendo a matéria percebe-se que as " preocupações ecológicas " são aquelas tradicionais, digamos de muito marketing e pouco conteúdo técnico. Mas lembrei-me da matéria e creio que vc. poderia conferir se existe projeto igual ou parecido para este novo " paraiso ecológico " ?!?!

Fica a sugestão e meus sinceros parabéns pela matéria.

Saudações agroecológicas.

joão flôres

Comentário de Angela Jacob em 16 janeiro 2012 às 15:34

Olá José;

O crescimento desordenado, as obras feitas em desacordo com as leis naturais, a incompetência e a corrupção nas diversas esferas da sociedade  nos têm dado repostas trágicas, agravadas pelo desequilíbrio ambiental. 

Gostei muito deste seu texto e torço para que exemplos como estes sejam usados nas novas construções, usá-los no Minha Casa Minha Vida é uma excelente idéia, pois vejo esta como a única saída para evitar novas catástrofes.

Enfim, é preciso convencer as autoridades, se não for por consciência ecológica, que seja por notoriedade internacional. E quanto aos cidadãos, precisa haver muita conscientização, talvez os que sofreram na pele com tudo o que já ocorreu, estejam mais receptivos a enchergar como as coisas precisam ser diferentes.  Abraços

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 16 janeiro 2012 às 13:17

GILBERTO,

grato pelo apoio de sempre. Quanto às catástrofes, você tem razão. Aliás, semana passada, a imprensa anunciou que o relógio do fim do mundo foi adiantado (por causa do iminente conflito do Irã com os EUA no Estreito de Ormuz).

MAURÍCIO,

embora desiludido com o CREA-RJ, espero que o seu prestígio vença a barreira da inércia institucional. Mesmo sem muita esperança que "desse mato saia um coelho", como me pediu, vou aguardar.

FORTUNATO,

é claro que na zona rural podemos fazer muito pelo meio ambiente e, quanto à Drenagem Sustentável (a que me referi no meu texto), temos o exemplo das "barraginhas" (que começaram em Minas Gerais) e até mesmo as micro-bacias marginais às estradas vicinais.

Um abraço em cada qual.

Comentário de Fortunato Gabriel G. Delgado em 16 janeiro 2012 às 10:23

Perfeito josé luiz. também no ambiente rural, é possivel criar bacias de capitação em série , principalmente em saídas de estradas, atenuando as enchentes, no meio rural.

 

Um abraço

 

Fortunato

 

Comentário de Mauricio Dutra Garcia em 16 janeiro 2012 às 9:21

Excelente Jose Luiz. Estou trabalho naquela  proposta de distribuição aos prefeitos da cartilha que vc fez. Já falei com o Agostinho e estou aguardando a resposta.

Abç

Mauricio Garcia

Comentário de Gilberto Fugimoto em 16 janeiro 2012 às 9:14

José Luiz,

Excelente contribuição.

Como vc bem observou, queiramos  ou não as mudanças climáticas já estão provocando mudanças nos ciclos de chuvas e elas estão ficando cada vez mais intensas.

Se não houver abertura para mecanismos simples em seus princípios, estaremos enxugando gelo.

Grande abraço

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