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No dia 8/2/19 (dois meses atrás) eu publiquei aqui sobre a Equação das Chuvas Intensas no Rio de Janeiro (1), que apresentou um tempo de recorrência de 3.500 anos para a chuva daquele dia.

Hoje, a Climatempo, órgão da Prefeitura do Rio, divulgou os índices da chuvarada de ontem (que resultou em 10 mortes e muitos estragos), que reproduzo abaixo. (2)

REFERÊNCIAS:

(1) http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/a-equa-o-das-chuvas-intens...

(2) https://www.climatempo.com.br/alerta-rio/noticia-interna?nid=0

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 11 abril 2019 às 10:29

GRANDEZAS CARACTERÍSTICAS DAS CHUVAS

As chuvas são objeto de estudo da Pluviologia que, por sua vez, é um dos ramos da Hidrologia (estudo da água na Natureza). As principais grandezas características das chuvas são: altura, duração, intensidade, frequência e tempo de recorrência.

A chuva é coletada num dispositivo metálico tipo funil chamado pluviômetro Ville de Paris (cidade de Paris), com diâmetro da boca de 22,57 cm, que deve ficar a 1,4 m do solo e consegue acumular cerca de 125 mm de chuva sem transbordar. A medição é feita diariamente, por volta das 8 hs da manhã, com uma proveta graduada em milímetros.

Um roteiro de cálculo das grandezas características das chuvas foi reproduzido da minha apostilha Lições de Hidrologia, Imprensa Universitária da UFRRJ, 1989, e é mostrado na Figura abaixo.

No exemplo numérico apresentado, a chuva de I = 42 mm/h foi a segunda mais intensa em 5 anos de observação. Mas, como saber se esta chuva pode ser considerada uma Chuva Intensa ? Basta consultar a Tabela mostrada na Figura abaixo.

Entrando na Tabela com a duração de 10 minutos, observa-se que a chuva só será considerada (tecnicamente) intensa se a sua altura atingir o limite de 7,5 mm (ou I = 45 mm/h), o que não foi o caso.

Interesse do Estudo das Chuvas na Agricultura

As chuvas são a fonte de água para o desenvolvimento das plantas, dessedentação de animais, consumo humano, industrial, regulação climática e interesse paisagístico.

Na Agricultura, a altura está vinculada à área de cultivo e produção de água na microbacia hidrográfica onde se localiza a propriedade. A duração interessa à reposição da umidade do solo, formação do lençol freático e risco de erosão superficial do solo. A intensidade, se pequena, interessa à irrigação; se média, ao abastecimento d´água; e se máxima, à drenagem agrícola. A frequência interessa ao crescimento vegetativo das plantas e dessedentação de animais. Finalmente, o tempo de recorrência interessa ao projeto de barragens e ao estudo das estiagens.

Processos de Formação das Chuvas

Os 3 tipos de chuva interessam tanto aos agricultores quanto aos citadinos (moradores de cidades).

1 - As chuvas orográficas são formadas por influência do relevo, localizam-se no litoral da Serra do Mar (entre Rio de Janeiro e São Paulo), sendo intensas e localizadas.

2 - As chuvas convectivas são provocadas pelo aquecimento do solo, ocorrem na Amazônia e no Cerrado e, como as anteriores, são localizadas e intensas.

3 - As chuvas frontais são originadas do encontro de frentes frias e quentes, destacando-se por cobrirem grandes áreas (dezenas de quilômetros), longa duração, mas relativamente baixa intensidade.

As estiagens (ausência de chuva) também são de muito interesse para a Agricultura, com destaque para os veranicos. Neste caso, a característica mais importante é o Tempo de Recorrência.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 10 abril 2019 às 19:04

Jorge Alberto,

Obrigado. E por falar em comparações futuras, a tabelinha da Figura abaixo, que fiz no Excel com a Equação das Chuvas Intensas do Rio de Janeiro (já exibida no meu post sobre o tema de 2 meses atrás) e fórmula de Ulisses Alcântara, é útil para o conhecimento do Tempo de Recorrência de uma chuva qualquer (logicamente se ela caiu no Rio de Janeiro - RJ). Para isso, basta comparar a intensidade registrada e conferir à qual valor de T corresponde; se não quiser ter o trabalho de usar a planilha para calcular o valor exato.

Tempo de Recorrência ou Período de Retorno é o tempo que, estatisticamente, devemos esperar para que uma chuva com intensidade igual ou menor se repita. O de 2 meses atrás foi T = 3.500 anos.

Um abraço.

Comentário de Jorge Alberto Dias Vasconcelos em 10 abril 2019 às 17:25

Parabéns pela postagem! Realmente os dados são impressionantes e úteis para que possamos utilizá-los em comparações futuras. Lamentavelmente as autoridades às vezes ignoram a ciência e não atuam na prevenção.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 10 abril 2019 às 15:53

Gilberto,

Obrigado. Não apenas os dados são impressionantes. Mesmo compadecido com as famílias que tiveram ceifadas vidas de parentes e viram seus bens destruídos, impressionou-me na TV ver a energia da água descendo dos morros e escadas e destruindo casas, carros e ciclovias. Durante essas chuvas torrenciais (a maior que eu já vi foi a de 1966), apesar da segurança do quarto andar do edifício onde moro na Tijuca, não posso deixar de lembrar as cenas iniciais do filme "O dia depois de amanhã", quando a chuva mostrada era o início de uma nova era glacial.

Um abraço.

Comentário de Gilberto Fugimoto em 10 abril 2019 às 11:49

José Luiz,

Parabéns pela postagem.

Dados impressionantes para nós que presenciamos os efeitos dessas chuvas intensas!

abração

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