Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Eng. Agr. José Luiz Viana do Couto
jviana@openlink.com.br

Mais de 80% da população brasileira moram em centros urbanos no Brasil. E é preciso garantir a interação social das cidades. As pessoas não podem viver em “ilhas de fantasia”, isoladas umas das outras, como vem sendo priorizado no Rio de Janeiro.

A sociedade civil deve promover grandes eventos capazes de potencializar questões importantes para a cidade. Não podemos deixar os governos falando sozinhos. Os governos, em geral, não são propositivos, mas reativos. Formulam políticas em reação aos movimentos sociais. Para que isso ocorra, é preciso que a sociedade aja. Temos ainda uma visão arcaica, que considera o governo como formulador de tudo. Falta debate.
(Parte da resposta do arquiteto e urbanista carioca Sérgio Magalhães, novo presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB, ao ser perguntado pela Razão Social, de O Globo, 15/12/09, sobre como pretende incentivar os debates sobre a gestão das cidades).

Conheço o dinamismo e o idealismo do arquiteto Sérgio Magalhães, desde quando trabalhamos juntos no Grupo Tarefa de Planejamento – GTPLAN do Instituo Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA, encarregado de projetar as agrovilas e o planejamento agrícola da Transamazônica (que ainda não existia), na década de 70. Ele tornou-se figura polêmica, recentemente, ao propor à Prefeitura do Rio de Janeiro, que transferisse as obras da Vila Olímpica, da Barra da Tijuca para a Zona Portuária do Rio de Janeiro.

Aproveito a “carona” para pinçar mais alguns trechos da sua entrevista e “esquentar” o debate iniciado pelo meu (outro) amigo, Engenheiro Florestal Eduardo Jankosz, na comunidade (do Orkut) São José dos Pinhais – PR, sobre a urbanização da sua cidade, que fica na região metropolitana de Curitiba, a “capital ecológica do Brasil”.

1 – “Recuperar as áreas mais pobres e abandonadas da cidade, tornar as regiões centrais habitáveis e não expandir demais”, são algumas proposições do urbanista, para tornar o Rio de Janeiro uma cidade sustentável e com mais qualidade de vida.

2 – Algumas cidades estrangeiras podem servir de modelo para as atuais intervenções urbanísticas aqui no Brasil. Ele citou, p.ex., as cidades americanas do século XIX (Los Angeles é uma delas; se expandiu exageradamente, deixando seu centro abandonado) como superadas, e Londres (que investiu em transporte público sobre trilhos para tornar mais eficiente a mobilidade), como um caso que pode ser facilmente copiado.

3 – “Apostar na revitalização e no adensamento das áreas centrais, é uma tendência de todo o urbanismo contemporâneo”, disse S.M. no início da sua entrevista. “No caso do Rio de Janeiro e de outras cidades brasileiras, não há necessidade de expansão. Por um simples motivo: não temos dinheiro para investir numa expansão sustentável”.

4 – “Qual é o maior bem que uma cidade pode ter ? É a própria garantia da vida urbana. Quando pensamos em sustentabilidade urbana, temos que refletir: ´Será que nossos filhos terão, no mínimo, as mesmas condições de interação social que temos hoje ?´”, disse S.M.

O NOSSO PAPEL NOS DEBATES
Se eu não entendo de futebol, como poderia escalar um time ? É isso o que eu acho sobre propostas viáveis de atuações urbanísticas. Por outro lado, mesmo não sendo Arquiteto ou Urbanista, por viver na cidade e sofrer com as conseqüências do seu mau planejamento ou gestão (violência, tempo de deslocamentos, alagamentos e outras mazelas urbanas), tenho o direito e o dever de dar os meus “pitecos”. Além do mais, como dizia um famoso filósofo: “Penso, logo existo”. Só não sei exatamente a quem reclamar.

Um dos pouquíssimos exemplos de instrumentos efetivos de mudanças, se bem que pequenas, é a coluna do Ancelmo Góis (oglobo.com.br/ancelmo), que reserva um dia da semana para publicar fotos carros nas calçadas ou de praças abandonadas da cidade, terminando com a frase: “Olá Eduardo Paes (Prefeito do Rio), cuida mais dessa!”. E funciona; na semana seguinte, publica o mesmo brinquedo ou banco, já consertado.

Nas intervenções de maior vulto, seria ótimo se órgãos de classe respeitáveis (como o CREA, o Rotary Clube, a Associação de Moradores ou a própria Prefeitura) reunissem os interessados nos problemas urbanos para discutir soluções.

Exibições: 76

Comentar

Você precisa ser um membro de Rede Agronomia para adicionar comentários!

Entrar em Rede Agronomia

© 2019   Criado por Gilberto Fugimoto.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço