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COMO O MARKETING E A COMUNICAÇÃO PODEM AJUDAR NA EDUCAÇÃO DO PRODUTOR?

Por Coriolano Xavier, membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) e Professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing. 

O marketing e a comunicação rural podem contribuir muito para o desenvolvimento e a capacitação do produtor rural e já tem sido assim há décadas. Na agricultura moderna o insumo tornou-se informação, conhecimento puro, e seu marketing está sempre ensinando e assumindo um forte papel educativo. 

Veja-se o caso da genética vegetal dos OGMs (Organismos Geneticamente Modificados) e também a evolutiva genética do suíno e do frango. Veja-se a nutrição animal de alta performance, o chip nos pneus de tratores, o manejo integrado de pragas e os métodos da agricultura de precisão. Tudo mudou e as tecnologias de produção exigem, cada vez mais, saber e capacitação. 

É devido a esse DNA peculiar que o marketing das empresas, cooperativas e revendas têm sido importante no desenvolvimento e atualização do produtor. E um olhar sobre as atuais tendências tecnológicas da produção agropecuária indica que a contribuição do chamado marketing rural continuará decisiva nesse aspecto. 

Mas além dessa atividade quase que missionária e diária, disseminada através dos produtos, o marketing rural também produziu grandes campanhas educativas desde os anos 80, como os clássicos Fique de Olho no Milho, Administre – É Assim Que Se Ganha, Plantio Direto e Concursos de Produtividade. 

Em períodos mais recentes temos outros bons exemplos como o Seminário Internacional de Suinocultura, Marketing Reverso da Pepsico, Aplique Bem, Fundação Espaço Eco, Escola no Campo, Planeta Faminto, Embaixadores da Soja, Universidade da Cana e Pequenas Histórias de Plantar e Colher – só para citar alguns. 

Em todos eles, de ontem e de hoje, vamos encontrar um traço comum de gestão. São projetos nascidos em ambiente empresarial com sólidas estratégias de branding e, na sua maioria, envolveram parcerias entre marcas ou veículos, aliança estado-privado (principalmente no fator conteúdo) e visão estratégica e geopolítica para o agro. 

Nos anos 80 tínhamos a bandeira da Revolução Verde e foram usadas todas as ferramentas de comunicação para mobilizar o campo na direção de práticas e atitudes evolutivas de produção, desde o “beabá” agronômico de como plantar certo e cuidar bem das plantas, até os princípios básicos da administração rural. 

Hoje vivemos a pós-modernidade do agronegócio e um grande desafio do marketing rural será a educação e comunicação para a sustentabilidade. Muito provavelmente, isso passará por parcerias estratégicas entre marcas, não só devido à dimensão de investimentos, mas também em função da consolidação de empresas que o agronegócio experimentou. 

Um aspecto novo tende a ser o envolvimento maior da representação político-institucional do produtor, pois no mundo atual a participação social é o oxigênio dos projetos de alcance coletivo.  A parceria da mídia também será essencial e, junto com ela, o grande desafio de alistar as mídias sociais nessa guerra pela educação e capacitação para a sustentabilidade. 

Aliás, bem que seria bom ver de novo grandes campanhas educativas horizontais no agronegócio. As demandas temáticas (ou oportunidades) estão aí, com todo mundo falando: conceitos e metodologias de gestão e internacionalidade do nosso agro. Além, é claro, da área de tecnologia, que estará mais dinâmica do que nunca. 

Sobre o CCAS

O Conselho Científico para Agricultura Sustentável- CCAS é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados a sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa sejam colocados a disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça.

 

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