Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Agrotóxicos, agroquímicos ou defensivos agrícolas são produtos químicos (ou naturais, como a nicotina do tabaco ou fumo, p.ex.) destinados ao combate às pragas (insetos, ácaros e nematóides), doenças (fúngicas, bacterianas, etc.) e ervas daninhas, que prejudicam as lavouras, com o objetivo de aumentar a produtividade agrícola. Existem cerca de 1000 princípios ativos de agrotóxicos, comercializados em mais de 10 mil formulações diferentes.

O Censo Agropecuário do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) indicou que 56% das propriedades rurais do país utilizam defensivos de forma inadequada. O número reflete que a aplicação de agroquímicos acaba ocorrendo sem assistência técnica e com a utilização dos equipamentos de proteção, muitas vezes, de forma inadequada.(***)

TIPOS
1 - Inseticidas (combatem os insetos, como a formiga)
2 - Acaricidas (contra os ácaros, como o rajado)
3 - Nematicidas (exterminam os nematóides, como os do gênero Meloigynes)
4 - Fungicidas (atacam os fungos, como a vassoura-de-bruxa, do cacau)
5 - Bactericidas (ação contra as bactérias, como a podridão-parda)
6 - Herbicidas (destroem as ervas daninhas como o arroz-vermelho)

GRUPOS QUÍMICOS
(Exemplos, de Inseticidas)
a) Organoclorados (DDT);
b) Organofosforados (Malation);
c) Carbamatos (Carbaril);
d) Piretróides (Permetrina);
e) Dipiridilos;
f) Fenoxi-Acéticos;
g) Dinitrofenóis e Clorofenóis;
h) Arseniais e Inorgânicos;
i) Mercuriais Orgânicos; e
j) Outros.

Por serem substâncias tóxicas que podem prejudicar o homem, os animais domésticos e o meio ambiente, os agrotóxicos somente devem ser utilizados com a orientação de um Engenheiro Agrônomo (especializado em Fitopatologia) e com a adoção do Receituário Agronômico.

IMPACTOS AMBIENTAIS
-> Saúde humana
-> Contaminação dos alimentos
-> Poluição de rios (morte de peixes)
-> Erosão do solo e desertificação
-> Extinção de várias espécies de animais

O uso exagerado de agrotóxicos tem diretamente a ver com:
a) a saúde da população (agricultores e consumidores) e dos animais;
b) contaminação do solo e dos mananciais (de superfície e subterrâneos); e
c) as barreiras fitossanitárias de países estrangeiros (prejuízo às exportações).

Quando acumulados no corpo humano, mesmo em doses relativamente pequenas, os agrotóxicos produzem sérios efeitos sobre a saúde: câncer, desordens neurológicas, cirrose hepática, mutações genéticas, malformações congênitas e até o óbito. Uma forma de se saber se o agricultor está contaminado com organofosforados, é através do teste (de sangue) da colinesterase.

A Organização Mundial de Saúde – OMS estima que, anualmente, 500 mil a 1 milhão de pessoas sofrem contaminações graves por agrotóxicos, das quais 5 a 10 mil são casos fatais.

Para o cultivo de batata, tomate e berinjela (p.ex.), que são muito suscetíveis às pragas, são utilizadas grandes quantidades de agrotóxicos. Na cultura do tomate e do morango, são usados diferentes tipos de agrotóxicos, em intervalos muito curtos, alguns deles com princípios ativos já banidos em muitos países. (*)

Os agrotóxicos podem ser absorvidos por via oral, dérmica (em 90% dos casos) ou respiratória. Quando ingeridos em doses altas, podem acarretar lesões nos órgãos onde são metabolizados (fígado e rins) e, eventualmente, depressão do sistema nervoso central (ANVISA, 2006). O herbicida Diuron, p.ex., tem elevado potencial carcinogênico. Perigosos não apenas para o agricultor que os manuseia, mas para o consumidor ao ingerir alimentos tratados na lavoura com esses produtos.

Inúmeros trabalhos têm revelado a presença de níveis alarmantes de agrotóxicos e seus produtos de degradação, em solos, águas superficiais e subterrâneas. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, em 2006, o Brasil era considerado o 2o. maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Atualmente, existem 398 ingredientes ativos e 1002 produtos formulados registrados no Brasil, além de produtos não regulamentados que continuam sendo utilizados pelos agricultores.

Depois de serem aplicados sobre o solo e/ou plantas, os agrotóxicos são submetidos a uma série de processos biológicos e não biológicos que podem implicar na degradação ou transporte através da atmosfera, dos solos, dos organismos e, particularmente, da água. O caminho e a extensão deste transporte são diferentes em função do composto.

TOXICIDADE
Na avaliação toxicológica, é comum tomar-se como referência, entre outros parâmetros, a [b]Dose Letal Média (DL50)[/b], que é a quantidade de inseticida que aplicada uma única vez em cada indivíduo de uma população (em geral, ratos albinos machos, de laboratório), resulta em 50% de mortalidade; em 24h após contato com a pele ou em 14 dias após via oral. Quanto menor a DL50, mais tóxico é o produto. O mais tóxico de todos, o inseticida Aldicarbe, com DL50= 1mg/kg PV (um miligramo por quilo de peso vivo), é letal na base de 8mg (4 gotas) para um homem de 80 quilos.

Existem 4 CLASSES de toxicidade para os agrotóxicos: (**)
I... Faixa vermelha. Extremamente tóxico. DL50 <5 – 50 mg/kg. Ex.: Metomil (Inseticida e Acaricida, DL50=17)
II.. Faixa amarela. DL50 = 50 - 500 mg/kg. Altamente tóxico. Ex.: Clorpirifós (Inseticida e Acaricida)
III. Faixa azul. Medianamente tóxico. DL50 = 500 – 5000 mg/kg. Ex.: Tiametoxam (Inseticida)
IV.. Faixa verde. Pouco tóxico (mas é tóxico). DL50 > 5000 mg/kg. Ex.: Glifosato (Herbicida)

AVALIAÇÃO AMBIENTAL
Para avaliação da presença de agrotóxicos em amostras ambientais, é de grande importância o conhecimento de suas propriedades físicas e químicas, tais como:
a) Solubilidade;
b) Coeficiente de partição (Kow);
c) Especiação;
d) Constante de Henry (Kh) e pressão de vapor (PV); e
e) Coef.de adsorção a matéria orgânica (Koc) e meia-vida (DT50).

Essa informações, associadas às diferentes características ambientais, classificam os agrotóxicos no que diz respeito à sua persistência, toxicidade e bioacumulação.

SOLUÇÕES POSSÍVEIS
(para evitar o uso de agrotóxicos e/ou remediar o seu efeito)
1 – Cultivo orgânico
2 – Preservação de áreas silvestres
3 – Uso de plantas companheiras (de efeito repelente)
4 – Prática da rotação de culturas
5 – Controle biológico de pragas
6 – Controle (armadilhas) por Feromônios
7 – Uso de tecnologias avançadas (exemplos abaixo)

Di Bernardo e Dantas (2005) e Shwarzenbach e aux. (2006) mencionam que várias tecnologias têm sido usadas para a remoção de micropoluentes na presença de matrizes orgânicas e inorgânicas na água, destacando-se a oxidação química, a adsorção, a sedimentação e a filtração. Um dos desafios é a diversidade de produtos, com características químicas diferentes.

A Enga. Civil Ângela Dantas, da EESC-USP e auxiliares, utilizaram as técnicas da adsorção em carvão ativado granular e da pré-oxidação, numa instalação piloto de escoamento contínuo, para a remoção dos herbicidas Diuron e Hexazinona de água subterrânea.
(Pré-oxidação e adsorção em carvão ativado granular para remoção dos herbicidas Diuron e Hexazinona de água subetrrânea, Revista Engenharia Sanitária e Ambiental, ABES, Rio de Janeiro, jul-set/09, pág.373).

Outro trabalho digno de consulta, no mesmo exemplar da revista, de autoria da Química Maria A.L. Milhome e auxs., intitula-se:
Avaliação do potencial de contaminação de águas superficiais e subterrâneas por pesticidas aplicados na agricultura do Baixo Jaguaribe, CE.

LINKS:

Uma proposta de ensino da UFRGS (Educação Ambiental):

Outros dados sobre o RISCO NA APLICAÇÃO DE AGROTÓXICOS


E sobre estatísticas de acidentes com agrotóxicos (no Brasil)

Manual do uso de agrotóxicos (ilustrado)

(*)

(**)

(***)

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Comentário de Alves Nascimento Filho em 30 outubro 2010 às 12:40
Muito bom o post!
Realmente é muito preocupante o uso inadequado e descontrolado de produtos químicos no meio ambiente e a falta de orientação aos trabalhadores rurais...
Abraço.
Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 7 maio 2010 às 9:05
Lucas,
quando eu ainda lecionava na UFRRJ, participei (como aluno e como professor) de um Curso de Aplicação Aérea, e desde então fiquei sabendo que esta tecnologia, quando bem aplicada, é até mais segura do que a aplicação convencional de agrotóxicos. A razão está na habilidade do piloto e no ultra-baixo-volume (UBV) que, como o nome diz, usa uma quantidade de "veneno" infinitamente menor. O problema da DERIVA (ação do vento) existe, de fato, mas as técnicas disponíveis conseguem minimizá-lo.
Um abraço.
Comentário de Lucas Marinho em 6 maio 2010 às 21:41
Muito bom o artigo.

Gostaria de saber em relação dos agrotóxicos, jogados por aviões em lavouras, ela praticamente devia ser abolida?, em relação a contaminação, que é ajudada pelo vento. Prejudicial não só para os agricultores, como para culturas sensíveis. Pq aconteceu um caso aqui em MT,uma fazenda teve q parar suas atividades com certa cultura, pelo fato de fazendas vizinhas, jogando agrotóxicos com aviões.

Gostaria de saber, oq o Srº pensa sobre o assunto.
Abraço.
Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 11 dezembro 2009 às 15:32
Caro Eduardo,
acho que não é muito recomendável estipular uma distância entre o local da aplicação e a fonte hídrica, mas sim, analisar cada caso e usar o bom senso pois, talvez mais importante que esse parâmetro, estejam:
a) a tecnologia de aplicação, a dosagem empregada e o adestramento do aplicador;
b) a direção e intensidade do vento dominante na hora da aplicação e a sua deriva; e
c) a declividade dos terrenos onde o produto está sendo usado e seu carreamento pelas enxurradas.
A presença do técnico no local, certamente, decidirá qual a distância segura da aplicação.
Salvo melhor juizo.
Abraço
Comentário de Eduardo Augusto Agnellos Barbosa em 11 dezembro 2009 às 15:03
Primeiramente gostaria de parabenizar o José Luiz pelo seu atigo.


Tenho algumas duvidas sobre a aplicação de agrotóxico, qual a distancia de lagos, rios, nascentes, etc e das áreas de proteção permanente que deve ser realizada a aplicação do agrotóxico?
Abraços
Comentário de Bruno Moraes em 10 dezembro 2009 às 11:35
Então José Luiz, concordo com vc. Hoje, quando se fala em meio ambiente, vemos a apenas conscientização
sobre o aquecimento global. Ás vezes o governo passa alguma propaganda instrutiva abordando a devolução de embalagens vazias de agrotóxicos, mas não se fala dos problemas da contaminação. Isso é um assunto que deveria ser tratado com mais seriedade. Na pouca experiência que tenho (acabei de me formar), em alguns estágios que fiz (controle de doenças), vi produtores se submeterem a utilizar QUALQUER recurso a fim de realizar o controle de doenças em feijão e tomate. Escutei da boca de produtores rurais,dizendo que fizeram aplicações "pesadas" em feijoeiro.
Se vc tiver alguma coisa falando sobre contrabando de agrotóxicos e quais estão na "lista negra", seria interessante postar!
Abcs
Comentário de Afranio M. de Melo Franco em 10 dezembro 2009 às 10:20
Muito abrangente e instrutivo. Conheço bem o tema pois trabalhei dez anos na comercialização, controle e orientação de uso e respeito ao período de carência de diversos principios ativos. Parabéns José Luiz.
Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 10 dezembro 2009 às 6:38
Bruno,
acho que o CREA deveria orientar os Agrônomos para um maior rigor no uso de agrotóxicos, inclusive, capacitando-os a adotarem outras tecnologias de aplicação, como aquela por aviões agrícolas (que, por usarem ultra baixo volume - UBV, diminuem os riscos ambientais). Além, é claro, de incentivar a adoção da Agricultura Orgânica em larga escala. A Polícia Federal deveria, ainda, fiscalizar o contrabando de agrotóxicos (falsificados) na fronteira com o Paraguai e outros países. E a imprensa, só sabe divulgar fatos políticos e acidentes de carro ? Por que não fazem uma campanha pelo uso correto de agrotóxicos ?
Um abraço.
Comentário de Bruno Moraes em 9 dezembro 2009 às 18:23
Li o artigo e achei interessante. Diante dos problemas mensionados, penso: Essa cultura do uso indiscriminado de agrotóxicos, imposta pelas multinacionais desde a revolução verde, permanecerá até quando? Qual o papel dos engenheiros agrônomos diante os problemas de contaminação? Vender: soluções limpas com menor recompensa para o representante, difíceis de serem vendidas pois ás vezes são mais caras e com baixa amplitude de divulgação.... OU: As já conhecidas fórmulas que se arrastam desde os anos 70, com grande propaganda, boas remunerações aos representantes de vendas...?
Comentário de Gilberto Fugimoto em 9 dezembro 2009 às 16:06
José Luiz,
Excelente artigo sobre agrotóxicos.
Uma ampla descrição do tema com qualidade técnica.
Vale a pena ser visto pelos membros da Rede.

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