Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

(Saneamento à míngua, O Globo, Rio, pág. 10, 17.9.18)

Dados do Instituto Trata Brasil mostram que após a Rio 2016, investimento em esgoto caiu 71% de 2015 a 2016. Se isto aconteceu na segunda maior cidade do Brasil, imagina no resto.

--- É preciso uma maior articulação entre os setores de saneamento e saúde --- alerta o pesquisador Paulo Barrocas, do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz.

Parece que perdemos a coragem de nos envergonhar. Um país que se orgulha tanto do seu agronegócio, não está nem aí para o esgoto a céu aberto que corre nas ruas, até de cidades importantes, como (a minha) Belém-PA. A situação no campo, só não é pior, porque já passamos de 85% de urbanização, ou seja o pessoal do campo, veio fazer cocô nos rios das cidades.

Além de Engenheiro Agrônomo, sou também Engenheiro Sanitarista (fiz Mestrado em Saúde Pública na Fiocruz em 1968), mas me envergonho desse ramo da Engenharia, que pouco evoluiu do século 19 para cá.

Como a estória daquele beija flor que tentava apagar um incêndio com esguichos de água do seu bico, eu tenho feito a minha parte, pelo menos divulgando alguns conceitos básicos. Veja:

1) Dimensionamento de fossa séptica, 9.2.18, 649 exibições.

http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/dimensionamento-de-fossa-s...

2) Saneamento básico rural, 8.1.18, 249 exib.

http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/saneamento-b-sico-rural

3) Ramal de esgotos sanitários, 18.4.15, 66 exib.

http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/ramal-de-esgotos-sanit-rios

4) Saneamento ambiental na zona rural, 11.11.14, 948 exib.

http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/saneamento-ambiental-na-zo...

5) Projeto de emissário submarino, 29.1.13, 2203 exib.

http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/projeto-de-emiss-rio-subma...

 

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 24 setembro 2018 às 9:12

VALO DE OXIDAÇÃO

Esse dispositivo simples nada mais é do que uma pequena estação de tratamento de esgotos - ETE. Muito usado até a década de 80, inclusive aqui no Rio de Janeiro, mereceu um livro da Companhia Estadual de Tecnologia de Saneamento Básico e Defesa do Meio Ambiente de São Paulo - CETESB, em 1976, chamado "Valos de Oxidação Aplicados a Esgotos Domésticos" (José Cleantho C. Gondim, 137 pág.).

A Figura abaixo mostra a planta baixa de um valo, seguido do Decantador. Os rotores são do tipo Hess ou Penha, este fabricado pela CEDAE, na época, no bairro de mesmo nome.

A Figura abaixo refere-se ao dimensionamento hidráulico do REDUTOR DE VELOCIDADE, vez que o motor elétrico que impulsiona cada rotor tem 1.750 rpm mas o rotor deve ter apenas cerca de 103 rpm. Esclarecemos que a redução necessária seria de 17 vezes (no caso do valo para 3 mil habitantes dimensionado anteriormente), mas no catálogo do fabricante Lilo que tomamos para exemplo, a mais próxima era de 1:19, razão porque a rotação passaria de 103 rpm para 90.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 22 setembro 2018 às 18:04

CALCULADORA (DE VALO) ON LINE

https://mathtab.com/app_id=4138

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 22 setembro 2018 às 17:40

VALO DE OXIDAÇÃO

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 20 setembro 2018 às 15:15

PRECISAMOS NOS ENTROSAR

Quando eu me formei (Escola Nacional de Agronomia, atual UFRRJ, Seropédica-RJ, Dezembro de 1966) você não era nem nascido. Ano seguinte eu já estava trabalhando como Engenheiro de Projetos no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA. Na ocasião a Fiocruz ofereceu vagas para o seu Curso de Mestrado em Saúde Pública (Engenharia Sanitária), e só eu aceitei. Em 1968 eu estava com o canudo debaixo do braço. Mas, o que o colega tem a ver com isso ?

Antes de responder deixe eu me adiantar no tempo. Quase 3 décadas depois, eu era Professor da mesma escola em que me formei e resolvi fazer o Doutorado. Em Geografia. Como eu era especialista em irrigação, o Conselho Departamental não queria me liberar (mesmo em tempo parcial), por se tratar de área diferente da que eu lecionava. Na votação, ganhei por um voto, e 4 anos depois também concluí com aproveitamento (UFRJ, 1998) o Curso.

Agora, voltemos à vaca fria. O que um Engenheiro Agrônomo tem a ver com Saúde Pública ? Embora eu nunca tivesse deixado de ser Engenheiro de Projetos (com foco na água), eu acho que a resposta está na frase da Figura abaixo (recortada e modificada do meu site de Riscos de Acidentes na Zona Rural, pendurada desde a década de 80 na página da UFRRJ).(*)

O Globo de hoje (20.09.2018, cad. Sociedade, pág. 27) diz em letras garrafais que, no ano passado,  "Mais de 30% (exatamente 34,7%) dos municípios tiveram doenças associadas ao saneamento", segundo o IBGE, e que, apesar de um crescimento no número de instrumentos de gestão, apenas 38,2% das cidades têm uma política municipal sobre o tema. Ao final, listo as principais endemias rurais no Brasil, várias delas relacionadas ao saneamento básico.

Mas, espera aí ! Por que precisamos nos entrosar ? Agora já no século 21, com respeito ao meu post sobre o dimensionamento hidráulico de (solução para os esgotos de uma residência isolada) Sumidouro (se é que você o leu), verá que foi preciso a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT intervir para criar regras para um simples teste de infiltração, sem consultar os Engenheiros Agrônomos, que são os especialistas no lançamento artificial de água ao solo (a famosa irrigação). Nesse campo, costumamos utilizar 2 anéis metálicos concênticos chamados de Infiltrômetro de Muntzel modificado, mas que faz o teste num único dia.

Aliás, por falar em esgoto, no site acima referido, publiquei na época uma Figura que, embora localize bem o Sumidouro mas com outro nome (quadrado com fundo amarelo), está ultrapassado por (ainda) se referir ao Filtro biológico e Valo de oxidação como estação de tratamento de esgotos - ETE em uso, em vez do reator UASB seguido por filtro anaeróbio; de Reatores Sequenciais em Batelada Avançado - ASBR; ou do Desintegrador Ultrassônico de Matéria Orgânica - DUMO (http://www.revistatae.com.br/3913-noticias), p.ex.. Ainda com relação a esse fluxograma dos esgotos, lembro que a fossa seca que aparece lá em cima no primeiro braço à esquerda, é a 'famosa' casinha, ainda hoje muito usada na zona rural, e que é a solução que mais se parece com o 'trono' da ilustração que encabeça esta série (se tivesse o buraco e barro em volta, é claro).

(*)http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/

Principais endemias rurais no Brasil

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 19 setembro 2018 às 11:28

DIMENSIONAMENTO DE SUMIDOURO

Segundo o livro Tratamento de Esgotos Domésticos, de Jordão & Pessoa, 8a. ed., ABES, 2017, pág. 351, os sumidouros são também conhecidos como poços absorventes, recebendo os efluentes diretamente das fossas sépticas, tendo, portanto, vida útil longa, devido à facilidade de infiltração do líquido praticamente isento dos sólidos causadores da colmatação do solo.

Estas unidades consistem de escavações, cilíndricas ou prismáticas, tendo as paredes protegidas por pedras, tijolos, madeira, etc. O material utilizado nas paredes não deve ser rejuntado, de modo a permitir fácil infiltração do líquido no terreno. A cobertura dos sumidouros deverá ser de lajes de concreto armado, dotadas de abertura de inspeção, cuja menor dimensão será no mínimo de 60 cm, com tampão de fechamento hermético.

Dimensionamento

As dimensões dos sumidouros serão determinadas em função das características de absorção do terreno, indicadas pelo coeficiente de infiltração, e calculadas de acordo com os testes de absorção do solo. Na falta destes testes, pode-se utilizar os valores indicados na Tabela abaixo.

O ensaio de infiltração recomendado pela ABNT deve ser feito em 3 pontos do terreno onde será instalado o sumidouro. Abrir uma cova de 30 cm x 30 cm x 30 cm, raspando o fundo e os lados, para que fiquem bem ásperos. Encher o fundo com uma camada de 5 cm de brita n. 1 bem limpa. Em seguida, manter o buraco cheio de água durante 4 horas, adicionando mais água à medida que ela vai infiltrando, para simular grandes chuvas. Dia seguinte e em cada buraco, enche-los com água, aguardando que a mesma se escoe completamente. Em seguida, encher novamente os buracos com água até a altura de 15 cm, cronometrando o tempo em que o nível da mesma baixa 1 cm (portanto, para 14 cm). Com os tempos determinados na operação, entrar na curva abaixo e ler os coeficientes de infiltração correspondentes. O menor dos valores encontrados (em l/m².dia) deverá ser adotado. Em terrenos arenosos ou muito absorventes, onde a água nos buracos infiltre os 15 cm em menos de 3 minutos, deve-se, em cada buraco, fazer 6 testes de infiltração com espaço de 10 minutos entre cada teste. O tempo marcado para o último teste deve então ser anotado como verdadeiro.

A expressão seguinte é usada para o cálculo da área de infiltração necessária:

A = Q/Ci   onde: A = área total de infiltração (m²), Q = vazão afluente (l/d) e Ci = coeficiente de infiltração (l/m².d).

Praticamente pode-se como segurança não considerar a área do fundo, pois este logo se colmata. Não obstante, a norma da ABNT considera o fundo e as paredes como área de infiltração. Recomenda-se como volume útil mínimo do sumidouro o volume útil da fossa séptica contribuinte. Deve-se reservar terreno para possíveis ampliações (outras unidades).

Disposição no terreno

A Figura abaixo mostra a posição relativa da casa, fossa séptica, caixa de distribuição e sumidouros (se for mais de um). A distância (D) entre sumidouros, deve ser maior que 3 vezes o diâmetro dos sumidouros e nunca menor que 6 m.

Exemplo numérico

A Figura abaixo mostra um dimensionamento hidráulico de sumidouro retirado de um Manual na Internet. Quando o sumidouro é um poço cilíndrico, a superfície útil do terreno por onde a água de esgoto irá infiltrar, nada mais é do que a retificação da circunferência (2*π*R) multiplicada pela altura do poço (h), constituindo-se num retângulo.

No caso em pauta, a área absorvente será : A = 2*π*R*h = 2 x 3,14 x 1,5/2 x 3,38 = 15,9 m². Ora, se o coeficiente de infiltração (Ci) é de 75,4 litros em um metro quadrado, em 15,9 m² será 75,4 x 15,9 = 1.200 litros, que é a vazão de projeto.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 18 setembro 2018 às 11:16

VAI SENTAR NO TRONO OU NÃO VAI ?

(Resistência à mudanças)

No artigo "O terapeuta das empresas" (Época Negócios, N.139, Setembro 2018, pág. 58), o futurólogo alemão Gerd Leonhard foi perguntado se ele encontra muita resistência à mudanças.

GERD. Sim. Todo mundo é resistente à mudanças --- isso é humano. Há apenas duas razões para mudar: dor e amor. Só assim pessoas e empresas mudam.

Interessante é que os espíritas kardecistas dizem a mesma coisa, com outras palavras: Só evoluímos (aprendemos), com a caridade (= amor) ou pela dor (física ou psicológica).

No caso do Saneamento Básico, eu estou convencido que, para mudar, temos primeiro que ter a noção da relação causa-efeito do que diz respeito ao esgoto sanitário e as (várias) doenças dele decorrentes. Foi o que disse o técnico da Fiocruz na reportagem de O Globo citada no início.

Em seguida, vem a tecnologia. Mudar, só se for por algo melhor. Acontece que os métodos mais usuais de tratamento de esgotos são antigos e pouco eficientes.

Na zona rural, temos duas motivações a mais para tratar os esgotos: a geração de biofertilizantes (como faz a fossa séptica biodigestora da Embrapa) e a produção de gás metano, com a construção de biodigestores. Isso sem contar com a possibilidade da irrigação (*), e da instalação de jardins filtrantes ou wetlands construídas, como mostrei no meu post sobre o uso de plantas no tratamento de esgotos (aqui e na Revista Irrigazine N.56, Maio 2018, pág. 24).

Nas cidades, o que encarece a implantação do tratamento é o projeto da rede pública de coleta, as ligações domiciliares, as elevatórias (e, consequentemente, o gasto com bombas e energia elétrica) e a construção das estações de tratamento de esgotos - ETEs.

Ao acabar com o lançamento dos esgotos brutos (sem tratamento) nos cursos de água, nosso maior retorno (além da saúde dos usuários e do retorno da vida silvestre), será a alegria de poder pescar (e consumir o peixe, é claro) próximo de nossa casa.

Com mais de 7 décadas de existência, uma única vez na vida eu tive a felicidade de ver um rio urbano com águas cristalinas: foi em Genebra, na Suíça, na década de 70. A imagem do paraíso.

(*) Israel, Estados Unidos e outros países desenvolvidos já fazem isso há mais de um século.

P.S.

Gilberto,

de fato, o que brecou o Brasil no último Índice de Desenvolvimento Humano - IDH (composto de saúde, educação e renda) foi justamente a Saúde, por conta das más condições de Saneamento Básico.

Francisco,

infelizmente, neste caso, temos de vestir a carapuça. Veja um diálogo meu com um colega Engenheiro Agrônomo pelo Facebbok, depois que leu este meu post da Rede Agronomia:

Comentário de Francisco Lira em 17 setembro 2018 às 20:11

Vivemos em terra de analfabetos que não enxergam a importância da coleta de esgotos, coisa de primeiro mundo por pessoas de primeiro mundo. Nesse país  calçamento barato gera voto fora a isso o resto é desprezível pela maioria dos eleitores. 

Comentário de Gilberto Fugimoto em 17 setembro 2018 às 19:17

José Luiz,

Eu entendo que a maior dívida contemporânea do Estado brasileiro é o saneamento. Saúde e educação estão razoavelmente universalizadas, ainda que mal atendidas em termos qualitativos. Saneamento entretanto está longe de alcançar a universalização de cobertura. 

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