Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

*Por Ciro Antonio Rosolem, membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) e professor da FCA/Unesp Botucatu.

 

A tecnologia agrícola brasileira é sucesso. Mérito da pesquisa agrícola e dos agricultores. Muita gente. Muita pesquisa. Em números, a produtividade de soja, pouco maior que 2.100 kg ha-1 no anos 90, chega a 3.060 kg ha-1 atualmente. Esse avanço aliado aos preços internacionais favoráveis gera uma expectativa de renda alta. Nas cidades, o comércio começa a calcular o faturamento, o aumento do negócio, um futuro melhor. Será?

O custo de produção na fazenda cresceu bem acima da inflação dos últimos anos. A boa notícia é que os ganhos de produtividade neutralizaram em boa parte esse aumento. A custos de hoje, com a produtividade de vinte e poucos anos atrás, um saco de soja sairia da fazenda, no Mato Grosso, a aproximadamente R$ 62,00. Nesta região o agricultor recebe de R$ 44,00 a R$ 47,00. Esse é valor da tecnologia. A viabilização da soja nesta região. Bom, mas o preço internacional é ainda bem maior. O que está acontecendo?

A soja de Sorriso da presente safra paga R$ 18,00 por saca para chegar a Paranaguá, ou Santos. Ou seja, a mesma soja que sai de Sorriso a R$ 46,00, vale, no porto, antes de embarcar, R$ 64,00. Uma bela diferença. Com transporte mais eficiente, barato, decente, o Brasil seria ainda mais competitivo, nossas cidades do interior seriam ainda melhores. Não é de hoje que o transporte é caro, mas, mesmo assim, a média de frete Sorriso/Paranaguá nos anos de 2010 a 2012 foi próxima de R$ 200,00 por tonelada, ou R$ 12,00 por saca. Em condição semelhante, o agricultor receberia, hoje, R$ 52,00. Se forem computados nestes números o custo dos portos mais caros do mundo, a diferença seria ainda maior.

Vamos fazer uma conta um pouco diferente, de trás pra frente. Se mantidos os custos de frete dos últimos anos, uma produtividade de aproximadamente 2.600 kg ha-1 seria suficiente para se obter faturamento semelhante ao que tem hoje, produzindo 3.060 ha-1. Produtividades da ordem de 2.600 kg ha-1 eram obtidas no MT lá pelos idos de 1995/96. Assim, quem realmente se beneficia do enorme esforço da pesquisa e do aumento da produtividade? Certamente não o agricultor, não as cidades do nosso interior, não a sociedade que, além de tudo, tem seu caminho para a praia atrapalhado. Minha gente, governos incompetentes, descompromissados, reféns de sindicatos, varreram do mapa, em apenas 1 ano, os ganhos equivalentes a mais de 15 anos de pesquisa tecnológica, no caso da soja. Até quando?

 

Sobre o CCAS

O Conselho Científico para Agricultura Sustentável - CCAS é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados a sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõe a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa seja colocado a disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça.

Acompanhe o CCAS no Facebook: http://www.facebook.com/agriculturasustentavel

Exibições: 96

Comentar

Você precisa ser um membro de Rede Agronomia para adicionar comentários!

Entrar em Rede Agronomia

Comentário de José Leonel Rocha Lima em 28 maio 2013 às 1:20

Boa abordagem e analise.

Gostei de ler sobre o CCAS.

O CEA - Congresso Estadual de Agronomia abriu inscrições de trabalhos científicos. Confiram!

 

© 2021   Criado por Gilberto Fugimoto.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço