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O livro mais vendido na Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental - ABES, há vários anos, é o "Tratamento de Esgotos Domésticos" (Eduardo P. Jordão e Constantino A. Pessôa, 8a.ed, 913p., 2017), que adquiri recentemente e ainda estou lendo.

Dentre os métodos de tratamento citados, o primeiro a receber a atenção dos autores foi o "Dimensionamento das Fossas Sépticas de Câmara Única", que eu resumi para vocês, numa planilha Excel e posto aqui e agora.

Na planilha abaixo são apresentados os parâmetros de projeto, as tabelas com alguns deles e um exemplo prático. O desenho da fossa séptica eu fiz em AutoCAD (concluí esta semana um Curso online grátis de AutoCAD 2 D no Instituto Sem Fronteiras).

Dizem os autores que "este processo, patenteado há quase um século, perdurará por outro tanto, como solução econômica para residências isoladas", como as da nossa zona rural (pág. 333).

Esse dispositivo (a fossa séptica) é padronizado pela ABNT, através das normas NBR 7.229/93 (Construção e Operação de Sistemas de Tanques Sépticos) e NBR 13.969/97. O seu funcionamento é simples e consiste na retenção dos esgotos na fossa por dado período, que varia de 24 hs, quando o número de contribuintes é de até 1.500 pessoas, a 12 hs, quando ele vai até mais de 9.000 usuários.

O resultado é a sedimentação média de 50% dos sólidos em suspensão e remoção da demanda bioquímica de oxigênio - DBO de 30%. Por causa dessa baixa eficiência, é que outros processos de tratamento dos esgotos domésticos devem se suceder ao uso da fossa séptica como, p.ex., as wetlands, campos de absorção, filtros biológicos, valos de oxidação e outros. Alguns deles eu me referi no blog Saneamento Básico Rural.

 (http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/saneamento-b-sico-rural)

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 9 fevereiro 2018 às 17:10

O QUE DEVE VIR DEPOIS DA FOSSA SÉPTICA

A simples instalação de fossas sépticas (pela sua baixa eficiência na remoção de DBO e de sólidos em suspensão) não poderá ser classificada como solução (adequada) para o destino de esgotos, se os seus efluentes não forem dispostos racionalmente, de modo a evitar problemas (sanitários) nas regiões onde se deseja preservar um grau de salubridade criteriosamente estabelecido, ou seja, proteger o meio ambiente.

A aceitação incondicional e simplória do emprego de fossas sépticas (pior ainda, achar que, com ela, se resolveu o problema de esgotos do local onde foram instaladas), em grupamentos habitacionais, tem sido a principal causa do retardamento das melhorias das condições de salubridade destas regiões.

Entre os processos eficientes e econômicos de disposição do efluente líquido das fossas têm sido adotados as seguintes soluções:

> diluição (corpo d´água receptor);

> sumidouro (também conhecidos como poços absorventes);

> vala de infiltração (indicada para terrenos permeáveis);

> vala de filtração (usada em terrenos impermeáveis);

> zona de raízes (conhecida como wetlands construídas); e

> filtro de areia.

Há mais de 20 anos atrás, na minha página sobre Riscos de Acidentes na Zona Rural e Noções de Saneamento, eu publiquei este esquema, que relaciona algumas soluções.

Alguns autores estabelecem que a vazão do corpo de água receptor (rio ou córrego) deve ser, no mínimo, 40 vezes maior do que a vazão do efluente das fossas sépticas.

Recomenda-se posicionar a fossa séptica a mais de 15 m de um poço raso de abastecimento de água (conhecido como poço Amazonas) ou, com mais segurança, a mais de 20 m de distância.

Essas informações são muito importantes, pois eu já vi um Engenheiro Civil da empresa onde eu também trabalhava, projetar uma casa de praia na Região dos Lagos Fluminense, com uma fossa (que ele chamou de sumidouro) ao lado de uma cisterna. Há casos também, muito comuns, de se projetarem sumidouros em terrenos impermeáveis.

Sumidouro

Depois do lançamento dos efluentes da fossa séptica no córrego ou rio mais próximo, o método mais simples e seguro de destino dos esgotos, é o sumidouro. Ele consiste num poço raso e seco, cilíndrico, sem fundo, construído com tijolos não rejuntados (eles ficam separados dos vizinhos, justamente para deixar passar o líquido efluente), projetado em terrenos cujo coeficiente de infiltração (medido previamente no local) seja superior a 90 l/m².dia.

Abaixo, um projetinho de Sumidouro:

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 9 fevereiro 2018 às 9:10

UM ESCLARECIMENTO

Se você tentou usar a equação do volume com os dados que mostrei e não deu certo, é porque, ao comprimir lateralmente a imagem para ocupar menos espaço, acabei omitindo que o Tempo de Detenção mostrado na planilha está em horas e, para que seja usado na fórmula, tem de ser transformado em dias logo, T = 20h/24h = 0,83 (que não aparece na planilha porque a coluna H está oculta. Aqui embaixo está a correta:

Portanto, desculpe a omissão.

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