Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Até o momento, no Brasil, a única relação existente da Ecologia com a Hidrologia (daí o termo Ecohidrologia) se restringia à Limnologia, ou o estudo de águas paradas, como as dos lagos e represas (http://ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/limno.htm) mas, agora, chegou a vez das águas correntes, escopo também da Hidrologia. Entretanto, nos países mais desenvolvidos, este ramo da ciência (a partir de 2010) vai além, destacando a manutenção da biota. Apesar de dizerem que a nossa legislação sobre recursos hídricos (com a Lei das Águas, ou Lei N. 9.433/97) é uma das mais avançadas do mundo, ela não contempla a biota no quesito de Outorga (permissão para retirada) de água dos mananciais.

Por outro lado, a maioria das nossas grandes barragens (1) não dispõe de eclusas ou escadas de peixe, que permitam a piracema (desova de peixes nas cabeceiras dos rios).

Felizmente começam a aparecer os primeiros trabalhos de conclusão de curso (2) que levam em conta esses parâmetros, dando destaque a softwares até então desconhecidos para nós, como o PHABSIM - Physical Habitat Simulation, RIVER2D (www.river2d.ualberta.ca), CasimirFish2D, IFIM - Instream Flow Increment Methodology, NetLogo e Aqualogus-eFlow, principalmente nos Estados Unidos, Canadá e União Europeia, Portugal no meio. Quem diria, hein, que os patrícios da terrinha estão mais adiantados que nós em Ciências Ambientais e da Água?

O Programa de Ecohidrologia IHP da UNESCO(3) está focado em um entendimento integrado dos processos biológicos e hidrológicos a nível de bacia hidrográfica, a fim de criar um base científica para uma abordagem socialmente aceitável, eficaz em termos de custos e gestão sustentável dos recursos de água doce.

Os três princípios básicos desta Disciplina são mostrados na Figura abaixo e são:

1 - DUPLA REGULAÇÃO. Regulação da biota pela alteração da Hidrologia e regulação da Hidrologia pela modelação da biota.

2 - INTEGRAÇÃO. Integração de várias regulações agindo de modo sinérgico para estabilizar e melhorar a qualidade dos recursos hídricos.

3 - HARMONIZAÇÃO. Harmonização de medidas ecohidrológicas com a necessária infraestrutura hidrotécnica.

Leia mais, no Google.

E para finalizar, se você tiver a cara de pau de me perguntar: "O que eu tenho a ver com isso ?", eu respondo:

  1. a) A Agricultura é a responsável pela retirada de cerca de 70% da água dos mananciais, logo, você como representante da classe, também é um dos 'culpados' por essa agressão ao meio ambiente;
  2. b) O pescado, maior representante da biota dos rios e lagos, quando criado em cativeiro, tem a maior conversão alimentar (consome 1 kg de ração para produzir 1 kg de carne) dentre todos os animais; e
  3. c) O Engenheiro Agrônomo com conhecimentos de Ecohidrologia, poderá competir com os Engenheiros Ambientais, Civis, Agrícolas, de Pesca, Biólogos e Zootecnistas no mercado de trabalho.

Então ? Vai perder (mais) essa ?

 

REFERÊNCIAS:

(1)Mostra das grandes barragens brasileiras em página criada por mim no site da Rural do Rio - http://ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/bigdam.htm

(2) "Modelagem Ecohidrológica Usando o PHABSIM como Suporte para a Gestão de Recursos Hídricos, com Foco na Outorga de Uso da Água", Camila R. Gomes, UFV, Viçosa-MG, 2011.

(3) Ecohydrology for Sustainability, UNESCO, França.

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Comentário de Balduino Puerari Custódio em 11 dezembro 2018 às 8:57

Bom dia José!!  Os tratamentos de esgotos é uma área que gosto e estudo e com isso consegui implantar um sistema piloto, com plantas macrófitas em flutuação (typha domingenses)  numa  ETE, retirando o aerador e implantado  as macrófitas. Foi no município de Novo Hamburgo no RS. pela empresa NHR Engenharia , da qual faço parte. Também fizemos um projeto executivo para atender uma população de 250 mil habitantes, para esta cidade. Atualmente fizemos ETEs com macrófitas  ,sistema de Eco Depuração da NHR Engenharia. Veja o link do videos.https://www.youtube.com/watch?v=OwUEEpByExM   

 Um grande abraço. Balduíno

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 10 dezembro 2018 às 16:12

Balduino,

O tratamento de esgotos domésticos é outra área que, em geral, o Engenheiro Agrônomo "passa por cima", mas que tem esse grande link que são as macrófitas aquáticas e as wetlands. Bom saber que trabalha com isso. Sou Engenheiro Sanitarista (meu Mestrado foi na Fiocruz do Rio de Janeiro em 1968), mas nunca projetei uma ETE, pois me especializei em Irrigação e Drenagem. Aliás, eu soube recentemente que a ETE da Região dos Lagos, aqui no Rio de Janeiro, tem por base as macrófitas aquáticas.

Um abraço

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 10 dezembro 2018 às 16:05

Balduino, boa tarde.

Obrigado por suas palavras de incentivo. É que já fui Professor (UFRRJ) e gosto de escrever. Além do mais, embora o currículo do Engenheiro Agrônomo seja extenso, tem áreas que ele não domina, mas que são úteis profissionalmente, e a da Ecologia é uma delas. De fato, como dizia São Francisco, é dando que se recebe. E você acaba de provar isso.

Um abraço.

Comentário de Balduino Puerari Custódio em 10 dezembro 2018 às 16:01

Gostei também de ter postado sobre tratamento de efluentes com macrófitas aquáticas.  Pois trabalho  com Typha dominguenses e com capim vertiver , em sistemas de tratamento em flutuação.  Pois é um sistema altamente sustentável e com baixo custo de manutenção. 

Comentário de Balduino Puerari Custódio em 10 dezembro 2018 às 15:55

Só tenho elogios ao colega José Luiz Viana do Couto! todos seus comentários são de grande utilidade e  serventia . Me sinto  na sala de aula recebendo conhecimento. És uma fonte de conhecimento! Obrigado por compartilhar seu saber! Pois já diziam os antigos sábios..... quem divulga conhecimento mais conhecimento recebera!!

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 30 novembro 2018 às 17:42

DIVERSIDADE

Pelo baixo número de visualizações dos meus posts que tratam de temas ambientais, eu sou forçado a reconhecer que os colegas da Rede não gostam mesmo de falar no assunto. Eu não os culpo por isso. Os conceitos básicos de diversidade de espécies, p. ex., deveriam ter sido ensinados logo na primeira aula do Curso de Agronomia.

Se isso tivesse acontecido, talvez a futura ministra da Agricultura não teria tido a coragem de declarar em público que "ainda existem áreas a serem desmatadas no Brasil".

Cinco anos atrás eu passei um mês nos Emirados Árabes a passeio, e a melhor lembrança que trouxe de Abu Dhabi, onde fiquei, foi a abundância de passarinhos na cidade, graças ao (seu) maior programa de arborização urbana do mundo, que atraiu dezenas de espécies de pássaros dos países vizinhos e não desérticos. E à irrigação extensiva das árvores, é claro.

Eu gostaria de lhes mostrar os cálculos do Índice de Diversidade de Espécies de Shannon, o mais popular entre os Ecologistas mas, antes disso, a Figura abaixo relaciona outros 4, também famosos, comparando o número de espécies identificadas em duas comunidades.

Os valores típicos do Índice de Shannon são entre 1,5 e 3,5 sendo que raramente são > 4 no mundo real.

A diversidade está relacionada ao número de espécies de uma comunidade e suas abundâncias relativas. Comunidade é um conjunto de populações de diferentes espécies, que se regulam estruturalmente através de interações cológicas. Finalmente, a estrutura da comunidade tem a ver com a abundância (número total de indivíduos de cada espécie), riqueza (número de espécies diferentes) e composição (percentagem das mesmas).

O software PAST (sigla formada com letras de Paleontological Statistics Software Package for Education and Data Analysis) é ideal para os cálculos, apesar de que qualquer planilha Excel também pode apresentar os mesmos resultados.

A Figura abaixo, montada numa planilha Excel apenas como suporte artístico, mostra o Índice de Shannon de uma comunidade a partir da abundância de 5 espécies. Observe que, do lado esquerdo, o cálculo havia sido feito numa planilha, e o resultado (H = 0,2539) foi confirmado com o uso do PAST. Além disso outros dez índices também foram calculados para comparação. Aproveitando um espaço no lado esquerdo, acrescentei outro cálculo (dessa vez sob a forma de gráfico) da chamada análise de cluster, ou afinidade entre as espécies. Os comandos estão em letras azuis e negrito.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 29 novembro 2018 às 14:00

EXEMPLO DE USO DO PAST

Nos últimos 8 anos já indiquei 9 softwares gratuitos para facilitar a sua vida (vide lista abaixo e os posts respectivos, ao final). Agora chegou a vez do Past, para estatística, podendo ser utilizado no estudo das macrófitas aquáticas e com os exemplos que mostrei no post de Estatística Ambiental.

Jruler, 27.04.18, medição (1); ImageJ, 31.03.18, medição (2); Python, 19.03.18, programação (3); QGIS, 24.01.18, programação (4); R, 10.12.17, estatística (5); SWAT/Arcmap, 2.9.17, bacias (6); Fragstat, 28.05.17, cálculos (7); Inkscape, 18.10.15, desenho (8); Epanet2, 13.10.11, projeto de água (9).

Uma situação mais real: algumas espécies de macro-invertebrados de água doce da família Chironomidae (Diptera) podem ser indicadoras de qualidade ambiental. Certas espécies só ocorrem em ambientes preservados, enquanto que outras estão presentes em sistemas aquáticos bastante eutrofizados. Os dados apresentados abaixo são de Marques et al. (1999). Os autores coletaram em 20 pontos da bacia do Rio Doce, no estado de Minas Gerais. Em cada ponto, foram medidas diversas variáveis físico-químicas da água, entre elas, a concentração de nitrogênio total, que é indicador de grau de eutrofização. Diversas espécies de Chironomidae foram coletadas. Abaixo apresentamos os dados de ocorrência de duas espécies. Observe que nos dados originais a presença das espécies está categorizada em 3 classes de abundância.

Podemos elaborar as seguintes hipóteses referentes à Tanitarsus sp.:

Ho: A ocorrência de Tanitarsus na bacia do Rio Doce não depende da concentração de nitrogênio total na água;

Ha: Tanitarsus é um organismo sensível à eutrofização, e ocorre preferencialmente em ambientes menos poluídos.

A Figura abaixo é um PrtScn da tela de abertura do software, que lembra a do Excel, listando as 20 ocorrências dos invertebrados aquáticos acima, para um estudo de qualidade da água de um certo córrego. No exemplo queríamos saber o índice de diversidade beta, que é mostrado na montagem que fiz da janela com o resultado, a pós os comandos (do menu): Diversity > Beta diversity.

O software é gratuito e muito poderoso (faz os cálculos e plota os resultados) e o seu uso é quase intuitivo.

Bom proveito.

REFERÊNCIAS

(1) http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/me-a-com-precis-o-as-suas-...

(2) http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/an-lise-morfom-trica-de-fo...

(3) http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/python-essa-linguagem-mara...

(4) http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/embarque-nessa-plataforma

(5) http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/como-n-o-se-apaixonar-pelo...

(6) http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/estudo-de-bacias-com-arcmap

(7) http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/fragmentos-florestais

(8) http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/o-corel-draw-dos-pobres

(9) http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/rede-de-abastecimento-d-gua

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 28 novembro 2018 às 17:28

EIA DE MACRÓFITAS AQUÁTICAS

As plantas aquáticas são componentes importantes dos corpos hídricos, pois proporcionam locais para reprodução, alimentação e proteção para organismos aquáticos, incluindo peixes, aves e insetos e auxiliam na proteção e estabilização das margens, entre outras funções. Em certas condições, porém, as plantas aquáticas podem se tornar um problema. Seu crescimento excessivo pode afetar os usos da água, como a recreação, irrigação, abastecimento de cidades e indústrias, navegação e geração de energia. Em algumas situações, podem representar problemas para a saúde pública, pois oferecem ambientes adequados para o desenvolvimento de vetores de doenças (mosquitos, moluscos e outros).

A produtividade primária das macrófitas aquáticas está diretamente relacionada à temperatura e à luminosidade, além da disponibilidade de nutrientes, incluindo Carbono e Oxigênio dissolvido.(1) Os  principais fatores limitantes são: nutrientes, temperatura, radiação solar, velocidade da corrente e competição.

Eichhornia crassipes, Salvinia molesta e Pistia stratiotes apresentam tendência a ocupar superfícies amplas de canais, rios, lagos e reservatórios, impedindo a circulação de barcos. Ocorre também a formação de ambiente favorável para o crescimento de insetos e moluscos com implicação médico-sanitária. Nos sistemas geradores de energia das usinas hidrelétricas pode haver a necessidade de remoção periódica de biomassa vegetal acumulada nas grades de proteção das tomadas d’água. Os tempos de duplicação variaram entre 4,1 dias (Egeria najas) e 285 (Salvinia cubensis) dias. A velocidade do fluxo é considerada: a) lenta = 0,05 a 0,12 m/s, b) moderada = 0,12 a 0,24 m/s e d) rápida = 0,40 a 0,49 m/s, quando passa a interferir nas macrófitas, bem como ondas maiores que 0,50 m de altura (fetch > 4 km). Os dois principais fatores utilizados para explicar a alta densidade de peixes em habitats com vegetação (aquática) são a disponibilidade de alimento e o abrigo contra a predação.

Os equipamentos para controle mecânico podem colher, dragar, empurrar, rebocar, picar, cortar ou realizar duas ou mais dessas funções conjuntamente. Os herbicidas representam um método rápido e eficiente de controlar plantas aquáticas. Em reservatórios de hidrelétricas já foi usado o Fluridone com sucesso, como no de Jupiá. Cerca de 15 t/ha de macrófitas retiradas pode ser considerada uma quantidade pequena. Fungos, insetos e peixes poder servir ao controle biológico.

No trabalho Avaliação dos Impactos Ambientais devido ao uso de Mecanismos de Controle de Macrófitas em Reservatórios, Karina A. F. Berti, Univ. Fed. de Itajubá, 2013, apresenta um modelo de estudo interessante. Índice de Caso de Referência (ICRref) que equivale ao cálculo dos impactos causados pela presença de macrófitas e pela utilização dos mecanismos de controle em cada item dentro do aspecto selecionado, sendo seu valor calculado a partir da seguinte equação: ICR = F*p*N onde ICR = Índice de Caso de Referência, F = fator geral de aspecto, p = peso do item no aspecto selecionado e N = impacto causado pela macrófita.

A Figura abaixo apresenta os valores propostos para cada termo da equação.

Assim, p.ex., o ICR para a Turbidez da água é calculado da seguinte forma: 50 x 0,4 x 3 = 60.

Considerando os pesos atribuídos aos prejuízos ocasionados pela utilização dos diversos tipos de mecanismos de controle de macrófitas de acordo com cada aspecto e item selecionados, segundo as bibliografias consultadas, foi criada a matriz de interação para o aspecto água, fauna e flora.

O resultado final do estudo é o gráfico tipo rosa-dos-ventos abaixo, obtido no Excel com os dados de Água, Fauna e Flora (percentuais relativos ao ICR de cada solução viável), com os comandos: Inserir > Outros gráficos > Radar.

Observe que quanto mais afastado do centro da 'teia', mais impactante é a solução. Assim, p.ex., o método Químico é o menos recomendado, tanto para a qualidade da água, quanto para a flora.

Considera-se espécie predominante aquela com mais de 50% de ocupação média da área vegetada.

A Ecologia e Manejo das Macrófitas Aquáticas está publicada no livro abaixo, de Thomaz e Bini:

(1) http://www.eduem.uem.br/livros/ebook/ebook_eemdma.pdf

Bom proveito.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 25 novembro 2018 às 5:30

MACRÓFITAS AQUÁTICAS EM RESERVATÓRIOS

Segundo Thomaz (1998), as macrófitas aquáticas possuem importante papel ecológico, podendo se constituir como principal produtor de matéria orgânica e se apresentando como local de desova, proteção e alimentação para vários invertebrados e vertebrados. Por outro lado, causam danos ambientais devido ao seu crescimento exagerado. São seres autótrofos fotossintetizantes que habitam desde brejos até terrenos totalmente alagados (Tardivo, 2012).

Camargo (2003) ressalta que qualquer macrófita pode ser considerada daninha em potencial, uma vez que, em condições favoráveis, ela tende a proliferar ocupando áreas extensas dos mananciais.

A Figura abaixo apresenta fotos de algumas macrófitas aquáticas encontradas facilmente no Brasil.

Vale ressaltar que a maioria dos problemas em reservatórios atualmente registrados no Brasil é ocasionada por espécies nativas, como a Egeria densa, Egeria najas, Pistia stratiotes e Salvinia auriculata (Thomaz, 2002).

O aguapé (Eichhornia crassipes), original da América do Sul, é uma das espécies mais produtivas do mundo e sua infestação, além de trazer prejuízos aos usos múltiplos da água favorece a proliferação de insetos, moluscos e larvas causadores de doenças, uma vez que seu crescimento abundante ocorre somente em águas poluídas, especialmente esgoto urbano (National Academy of Sciences, 1976, apud Salati, 2006).

Um dos impactos mais sérios em reservatórios no Brasil é o crescimento excessivo de macrófitas aquáticas. O acesso de macrófitas em um reservatório impede o uso múltiplo da água, principalmente a produção de energia elétrica. Os métodos de controle convencionais são: químico, biológico, físico e mecânico. Grande parte deste texto advém dos trabalhos MONITORAMENTO E MANEJO DE MACRÓFITAS AQUÁTICAS EM RESERVATÓRIOS TROPICAIS BRASILEIROS, de Marcelo Pompêo, IB/USP, São Paulo, 2017 e Avaliação dos Impactos Ambientais devido ao uso de Mecanismos de Controle de Macrófitas em Reservatórios, TCC de Karina Berti, da Universidade Federal de Itajubá-MG, 2013.

Classificação

Segundo Esteves (1988) as macrófitas aquáticas podem ser: emersas (Junco e Taboa), submersas enraizadas (Elódea e Cabomba), flutuantes (Alface d’água, Aguapé, Orelha-de-rato), submersas livres (Utriculária), com folhas flutuantes (Lírio d’água e Vitória-régia), como mostra a Figura abaixo.

O aguapé (Eichhornia crassipes), é tido como um dos grandes problemas de represas e canais, pelo crescimento exagerado (Kissmann, 1997), podendo chegar de 360 a 480 t/ha.ano. Vide foto 6 da Figura abaixo.

A biomassa produzida pelas macrófitas pode ter vários fins, como forragem para animais (peixes , suínos, aves, etc), adubo orgânico , indústria, obtenção de biogás , entre outros . As lemnáceas podem ser utilizadas até como alimento humano, rico em proteína.

Mecanismos de Controle

A partir do momento em que as macrófitas passam a ocasionar problemas para os usos múltiplos dos ecossistemas aquáticos (como, p.ex., o entupimento de turbinas ou a dificuldade da navegação), surge a necessidade de aplicar um dos métodos corretivos de manejo para o controle, que podem ser: físicos, químicos (herbicida Fluridone), mecânicos ou biológicos.

Entre os vários mecanismos que podem ser aplicados, o método físico de poda e coleta manual é o mais simples e mais indicado para lagos de pequeno porte e ligeiramente infestados. A retirada manual das plantas possibilita preservar o Oxigênio e eliminar os brotos que gerariam novas plantas e os nutrientes que alimentariam as plantas vivas. Neste controle são utilizadas pás, facas e bolsas vazadas para sua retirada do ambiente e posterior armazenagem e remoção do vegetal em sua totalidade ou em partes.

Para o descarte, o aterro sanitário é recomendado como destino para o destino de macrófitas aquáticas removidas. Ou como ração na alimentação de tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus).

Através do método biológico (ex.: carpa-capim e insetos como besouros) busca-se manter controlável a população de espécies indesejadas com o uso de inimigos naturais, de modo a reduzir o dano causado e a tornar a presença da espécie tolerável (Nachtigal, 2008).

A alteração do nível de água também é citada por Pompêo (2009) e pode ser realizada tanto para aumentar quanto diminuir o nível de água do reservatório. O uso de tinta na água, grade no fundo, lâmina cortante, dragagem, bioherbicida e lança-chamas, também são métodos alternativos de controle.

Segundo Wade (1990), dentre os métodos convencionais citados, o método mecânico pode ser considerado o menos impactante. Se aplicado corretamente, não deixa resíduos tóxicos nem espécies exóticas continuam ativas no ecossistema após sua aplicação.

Apesar de, a grande maioria das vezes, ser utilizado o controle corretivo contra as macrófitas, o controle preventivo poderia reduzir o problema. Investir em coletores de estações de tratamento de esgoto solucionariam as causas do crescimento, uma vez que o lançamento de nutrientes de efluentes domésticos e industriais ou por escoamento superficial de áreas agrícolas no Brasil são os principais fatores responsáveis pela eutrofização e consequentemente pelo crescimento acelerado de macrófitas aquáticas (Pompêo, 2009; Bianchini Jr; Cunhasantino, 2010).

Índice de Estado Trófico

Um ambiente eutrofizado possui grande quantidade de nutrientes dissolvidos como Nitrogênio, Fósforo e Carbono, aumentando a colonização de macrófitas no ambiente a níveis elevados (Brigante; Espíndola, 2003).

O Índice de Estado Trófico - IET de rios e represas é, segundo a CETESB,mostrado na Figura abaixo.

A Classificação do IET, modificado pela CETESB, é reproduzida na tabela da Figura abaixo.

Tratamento de esgotos

Uma das formas de tratamento de esgoto (1) é a utilização de filtros biológicos, com brejos construídos (= leitos cultivados) e de lagoas com plantas aquáticas. As plantas flutuantes absorvem nutrientes da água enquanto as emergentes os retiram do solo (Mesléard & Perennou , 1996).

Segundo a Embrapa, Lemnáceas ou lentilhas d' água são muito usadas no caso das águas servidas (esgoto) , pela capacidade de se propagarem rapidamente e de retirarem substâncias tóxicas da água . Outras plantas eficientes são o aguapé (Eichhornia crassipes), a alface-d´água (Pistia stratiotes), a orelha-de-onça (Salvinia auriculata) e a taboa (Typha domingensis).

A Figura abaixo mostra duas dessas macrófitas: o aguapé e a alface d´água.

Uso na Piscicultura

A Referência (2) mostra o uso de plantas aquáticas na Piscicultura.

Produção de Tijolos

Ref. (3)

Produção de Etanol

Ref. (4)

Biocombustível com Algas

Ref. (5)

REFERÊNCIAS:

(1) https://core.ac.uk/download/pdf/33884086.pdf

(2) http://www.snatural.com.br/criacao-intensiva-peixe-plantas-aquaticas/

(3) http://www.elecs2013.ufpr.br/wp-content/uploads/anais/2003/2003_art...

(4) https://henriquecortez.wordpress.com/2009/04/09/uma-pequena-planta-...

(5) http://azeheb.com.br/blog/biocombustivel-com-microalgas-nova-ideia-...

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 22 novembro 2018 às 7:53

TURBIDÍMETRO CASEIRO

No post anterior a Figura mostrava a leitura de 1 m no disco de Secchi e, pela Tabela, a única informação disponível era que o manancial tinha caráter Eutrófico (k = 1,7/Zds = 1,7/1 = 1,7). Vale lembrar que o termo Eutrófico refere-se ao manancial com alta população de fitoplâncton e elevada produtividade primária. Oligotrófico é o contrário.

A Figura abaixo, com o Índice de Estado Trófico de Carlson, esta informação é confirmada e apresenta mais duas informações:

1) o manancial apresenta o Índice de Clorofila-A sendo de 20 μg/L ou ppb; e

2) a dosagem aproximada de Fósforo Total é de 47 μg/L ou ppb (microgramas por litro ou partes por bilhão).

Informação idêntica à do monograma acima é fornecida pela Tabela da Figura abaixo, do site americano do USGS.

Vimos que a turbidez vem a ser a falta de transparência da água provocada por: sedimentos (areia, silte e argila), fragmentos de folhas em decomposição, bactérias, organismos aquáticos microscópicos, algas e precipitados químicos. A Figura abaixo mostra os limites práticos tolerados/recomendados para a turbidez da água.

O turbidímetro é o aparelho utilizado para a leitura, sendo constituído de um nefelômetro, sendo a turbidez expressa em unidades nefelométricas de turbidez (UNT). Por ser um aparelho relativamente caro, nas regiões mais carentes, pode-se improvisar um turbidímetro portátil, cujo princípio de funcionamento foi inspirado pelo Disco de Secchi (criado em 1865 por Angelo Secchi).

Tubo de Secchi

Trata-se de um tubo de vidro ou de plástico transparente, tendo-se colado ao fundo um disco de plástico pintado em 4 quadrantes (branco e preto, alternado) e dotado de uma escala vertical. A leitura é feita após despejar porções da água retirada do manancial e observar com um dos olhos, no topo do tubo, se o disco do fundo ainda está visível. O site abaixo mostra como se faz. (1)

A Figura abaixo, tirada do site da Agência de Controle da Poluição do Estado de Minnesota (2), nos Estados Unidos, mostra um garoto (voluntário) medindo a turbidez de um córrego com o Secchi de tubo. Instruções para uso estão no site anexo.(3)

REFERÊNCIAS:

(1) http://www.virginia.edu/blandy/blandy_web/education/Bay/TurbidityTu...

(2)

https://www.pca.state.mn.us/water/using-secchi-tube-readings-stream...

(3)

https://www.globe.gov/documents/11865/320eaa47-1309-44dd-844a-77671...

https://inside.nku.edu/content/dam/row/docs/howtomaketurbiditytube.pdf

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