Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

(O Globo, caderno Sociedade, Ana Azevedo, pág.4, 25.08.2019)

Além da evolução do desmatamento na Amazônia Legal (PA, AM, AC, RR, AP, MA, TO, MT e RO) a partir de 2004, o artigo mostra em gráficos de dispersão a evolução dos focos de queimadas no Brasil desde 1998, além de outros dados e informações sobre a Amazônia.

Aproveitei (o bonde andando) para reproduzir parte da fala do General Luiz Gonzaga Lessa, ex-Comandante Militar da Amazônia, proferida na CPI da FUNAI e publicada no livro AMAZÔNIA I, 2a. ed., Núcleo de estudos Estratégicos, Rio - RJ, 1999.

A QUESTÃO AMBIENTAL

"A preservação do meio ambiente é, sem dúvida, necessidade nacional. Primeiro, pela preservação em si, mas, também, para que não ofereçamos motivos e justificativas para possíveis intervenções externas, dentro desse quadro que acabei de apresentar. E a questão ambiental, na realidade, evoluiu aumentando a pressão sobre o Brasil a partir da década de 70, época em que na Amazônia se abriram estradas (referia-se à Transamazônica e suas estradas vicinais nas agrovilas), se faziam hidrelétricas, havendo realmente grandes desmatamentos em decorrência disso, quando passamos a receber pressões e cobranças muito fortes do exterior". (O grifo é meu).

EXPLORAÇÃO DA FLORESTA

Sobre a exploração da Amazônia, o General disse: "Então, aqui gostaria de buscar um exemplo recente de países que possuem áreas de floresta e que exploram essas áreas de maneira científica e correta. O Canadá, que tem 417 milhões de hectares de florestas, explora praticamente 25% dessa área, rendendo-lhe  ao ano 71 bilhões de dólares. Os Estados Unidos exploram dois terços da sua área. A Rússia quase a metade. Os demais países, quase integralmente. A Amazônia explora 10%. Nós, que temos 506 milhões de hectares de florestas exploramos 10% dessa área a um rendimento, no ano passado, de apenas 800 milhões de dólares". (Ele não se referiu ao potencial da floresta na produção de chuva, inclusive aqui no Sudeste com os seus rios voadores; muito menos na sua biodiversidade e imenso potencial farmacológico).

A QUESTÃO INDÍGENA

"Nesse sentido, julgo que 3 pontos, praticamente, definiriam qualquer política que o Governo buscasse sobre o trato com os nossos irmãos indígenas: Integrar ou segregar o índio ?         Que extensão terá uma terra indígena demarcada ? Explorar ou não as riquezas das terras indígenas ? A nossa população indígena é estimada em 326.000 índios, dos quais 144.000 estão na Amazônia Legal. É importante destacar que 11% do território brasileiro são destinados aos índios e que 83% das terras indígenas se encontram na Amazônia. O Brasil possui 561 terras indígenas, das quais 294 na Região Norte".

DENSIDADE POPULACIONAL

"Uma outra consideração preocupante na Amazônia relaciona-se com a sua densidade populacional. Possuímos numa área um pouco maior que a metade do Brasil, 20 milhões de habitantes. Dentro desse vazio demográfico, cito alguns pontos mais sensíveis, exatamente por estarem na fronteira; entre os Pelotões de Palmeiras do Javari e Assis Brasil, há uma extensão de 1.470 km sem praticamente nenhuma presença do Estado, seja ela federal, estadual ou municipal.".

"Dentro desse quadro, o que estamos oferecendo na realidade ? Um convite ao acolhimento de excedentes populacionais de outros países. Não estamos inventando isso, uma vez que propostas nesse sentido já foram concretamente apresentadas ao Governo brasileiro, em diferentes épocas: após a Guerra da Secessão americana, para que recebêssemos os negros americanos, aliviando as tensões naquele país; mais tarde foi proposto ao Presidente Dutra que acolhesse excedentes populacionais de Porto Rico; e houve também uma proposição de receber, após o término da 2a. Guerra Mundial, excedentes japoneses, particularmente nisseis". (Se a palestra não tivesse sido realizada 20 anos atrás, é possível que o General fizesse referências aos atuais refugiados da Venezuela e na Europa).

GARIMPO

"O garimpo é outro problema com que nos defrontamos na Amazônia. Por que o garimpo é problema ? Primeiro porque ele conduz a ilícitos, particularmente, pelo contrabando de metais valiosos e pedras preciosas. E segundo porque nós sabemos que indiscutivelmente o garimpo agride o meio ambiente. Logo, esta é uma questão que embora reduzida na Amazônia, em particular nas áreas indígenas, onde é quase residual, ainda é um problema que temos que enfrentar". (Não fez menção que o garimpo contribui para o desmatamento e que lança Mercúrio no ar e na água, contaminando os peixes e habitantes da região).

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 25 setembro 2019 às 7:21

ENGENHARIA MILITAR NA AMAZÔNIA

No livro Amazônia I, 2a. ed., de 1999, o Gen. Div. Enzo Martins Peri, ex Comandante da 2a. Região Militar/SP, começa dizendo que para melhor compreender o papel do Exército Brasileiro na segurança nacional e no desenvolvimento do País, vamos nos reportar à sua destinação, prevista no Art. 142 da Constituição Federal. Juntamente com as demais Forças Singulares, a missão do Exército é:

  • Defender a pátria
  • Garantir os poderes constitucionais
  • Garantir a lei e a ordem
  • Participar de operações internacionais

A Lei Complementar No. 97, de 09.06.1999, que dispõe sobre "a organização, o preparo e o emprego das Forças Armadas", lhe confere, ainda, como "atribuições subsidiárias":

  • Cooperar com o desenvolvimento nacional
  • Cooperar com a Defesa Civil

A Lei No. 2.922, de 21.09.1880, que previa o emprego da Engenharia Militar ”na construção de estradas de ferro, de linhas telegráficas estratégicas e em outros trabalhos de engenharia pertencentes ao Estado", pode ser considerada, de direito, o marco inicial da longa caminhada -- Exército e Nação -- juntos, em prol do desenvolvimento.

Quanto às vantagens da execução de obras pelo Exército, o General relacionava: boa qualidade; aplicação das especificações técnicas; menores custos de manutenção;  preço final das obras, normalmente, menor do que os praticados pelas empreiteiras; e realização das obras dando prioridade à mão-de-obra local, gerando empregos na região.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 19 setembro 2019 às 16:54

MILÍCIAS AMAZÔNICAS

(O Globo, Bernardo Mello Franco, Caderno País, 19.9.2019, pág. 5)

Defender a Amazônia é uma atividade de alto risco. Na última década, mais de 300 pessoas foram mortas em conflitos pela terra e pelas riquezas da floresta. A lista inclui agentes públicos, ativistas e indígenas que tentam resistir às motosserras.

O relatório "Máfias do Ipê", da Human Rights Watch, aponta ligações entre o crime organizado e o desmatamento. Os devastadores contratam grupos armados para proteger seus negócios ilegais. "É bem similar às milícias", define o defensor público Diego Rodrigues Costa, que acompanhou a investigação de chacinas encomendadas por madeireiros em Mato Grosso.

A (ONG) HRW afirma que a violência é uma realidade antiga, mas tende a se agravar com a política  antiambiental em vigor. "O governo Bolsonaro tem agido de forma agressiva para diminuir a capacidade do país de fazer cumprir suas leis ambientais", acusa.

De acordo com a entidade, o presidente "tem reduzido a fiscalização ambiental, enfraquecido as agências ambientais federais e atacado organizações e indivíduos que trabalham para preservar a floresta". "Suas palavras e ações na prática têm dado sinal verde às redes criminosas envolvidas na extração ilegal de madeira", afirma o relatório.

Os pesquisadores citam fatos e dados oficiais para embasar o diagnóstico. Nos primeiros sete meses do ano, o desmatamento avançou 67% em relação ao mesmo período de 2018. O número de multas aplicadas pelo Ibama caiu 38%. Enquanto a floresta arde, o governo "tem sinalizado perigoso apoio aos responsáveis pelo desmatamento", acusa a HRW.

Na segunda-feira, o Planalto forneceu mais um exemplo dessa cumplicidade. Os ministros Onyx Lorenzoni e Ricardo Salles receberam garimpeiros que invadiram uma floresta pública no Pará. Eles protestavam contra uma operação do Ibama, do ICMBio e da Força Nacional de Segurança que destruiu equipamentos usados em crimes ambientais.

Os garimpeiros pressionaram os ministros a punir os fiscais, que apenas cumpriram a lei. Deixaram o palácio animados, segundo relatos enviados aos colegas.

Num outro caderno do mesmo jornal e no mesmo dia, em entrevista com o escritor moçambicano Mia Couto, lhe foi perguntado: "Você também é biólogo e consultor ambiental. Como você se sentiu ao ver a Amazônia em chamas ?". Doeu muito. Eu sei que queimadas na Amazônia são recorrentes e que seria má fé culpar o governo atual por tudo. Mas eu percebo que há um outro incêndio no Brasil, um incêndio que alastra desrespeito à natureza e destrói a política ambiental e as instituições. Esse incêndio é o que mais me preocupa, porque ele não tem paralelo com o passado.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 13 setembro 2019 às 17:26

AMAZÔNIA 4.0

(Revista Globo Rural, Setembro 2019, Venilson Ferreira, pág. 14)

Maior valor da floresta é a biodiversidade

O cientista Carlos Nobre, uma das maiores autoridades do mundo em mudanças climáticas, quer implantar na Amazônia um projeto de incentivo à industrialização sustentável dos produtos da biodiversidade da floresta, afirmando ser este o maior potencial da Amazônia.

Como exemplo desse potencial, revela que os derivados do açaí movimentam US$ 15 bilhões no mundo e uma fração modesta, de apenas US$ 1 bilhão, fica na Amazônia. Existem mais de 50 produtos que foram desenvolvidos a partir do açaí, como alimentos nutracêntricos (funcionais), bebidas e cosméticos. A maior parte dessa industrialização para agregação de valor foi feita nos EUA (embora o Brasil tenha Centros de Pesquisa em Belém e Manaus --- a informação é minha, e não do entrevistado).

A Figura abaixo, da G1 - globo.com, mostra cestos de açaí sendo desembarcados no mercado do Ver-o-peso, em Belém - PA, para posterior comercialização, vindos da Amazônia.

No meu projeto (agora é ele quem fala), denominado Amazônia 4.0 de modelo sustentável, com uso das modernas tecnologias, em 2020 iremos começar a discutir a cadeia do cupuaçu e do cacau (ambos da mesma família -- o esclarecimento é meu) para a produção de chocolate e outros produtos. Depois será a vez da castanha (do Pará ou do Brasil -- eu de novo) e do setor de recursos genéticos.

Segundo Nobre, o que temos na Amazônia ainda é uma tradição de muita influência do crime organizado, ligado à extração ilegal de madeira, à grilagem de terras públicas, e uma pecuária e produção agrícola de baixa produtividade.

O que é que a floresta tem ?

A floresta tem açaí, pupunha, amêndoa de cacau, andiroba, manteiga de murumuru, borracha, babaçu, café, cupuaçu, guaraná, óleo de maracujá e de palma, madeira, carne e pesca.

(O agronegócio que valoriza a floresta em pé, pág. 44).

A Figura baixo mostra, à esquerda, frutos do cupuaçu (de forma ligeiramente alongada e cor mais clara), ao lado de ouriços (formato de esfera e marrom mais escuro) de castanha do pará ou do brasil; ao centro, as castanhas já fora da sua embalagem natural.

Voltando à entrevista do cientista Carlos Nobre pela Globo Rural eu acho que, pela imensa biodiversidade da Amazônia, eu acho até modesto focar apenas no açaí, cupuaçu e castanho do Pará, quando a tradição indígena local nos apontam tantas ervas medicinais com poderes farmacêuticos (e milhares de outros com esse potencial), ainda escondidos na floresta, como foi dito no resumo que fiz anteriormente sobre o livro Amazônia I, de 1999.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 11 setembro 2019 às 7:39

ONGs NA AMAZÔNIA (cont.)

Desde que o presidente Jair Bolsonaro insinuou que o aumento de queimadas na Amazônia pode ter sido causado por ONGs em retaliação ao corte de verbas do governo, muita desinformação circula nas redes sobre o número de organizações que atuam na região. Uma publicação no Facebook afirma que existem 100 mil ONGs na Amazônia. Nesta terça (27), em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo", o embaixador do Brasil na França, Luís Fernando Serra, afirmou: "Você vê 300 ONGs na Amazônia e zero no Nordeste". Fonte: G1.globo.com (1)

No livro AMAZÔNIA I (pág. 42), o General Luiz Gonzaga Lessa, ex-Comandante Militar da Amazônia, 20 anos atrás dizia o seguinte: "Nem todas as ONGs são prejudiciais ao país. O que achamos é que precisa haver um controle mais cerrado da sua atuação na Amazônia. Nossos dados indicam que mais de 700 ONGs operam na Amazônia. Umas são muito bem intencionadas, sem dúvida alguma, mas existem outras, cujos objetivos não estão claramente definidos".

Em maio deste ano, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou a edição mais atual da pesquisa As fundações privadas e associações sem fins lucrativos no Brasil – 2016. O levantamento foi feito pela primeira vez em 2002, com novas edições em 2005 e 2010, e utiliza dados do Cadastro Central de Empresas (Cempre) do IBGE.

Nesta edição, o instituto explica que mudou sua metodologia, refinando os dados até chegar à classificação chamada Fundações e Associações Privadas Sem Fins Lucrativos (Fasfil), que inclui as ONGs. Essa categoria permite detalhar, com maior precisão, o número e a área de atuação desse tipo de organização. Isso porque essa classificação exclui outras instituições sem fins lucrativos, como entidades pertencentes ao Sistema S, cartórios, condomínios, igrejas, partidos políticos, sindicatos, federações, confederações, cemitérios, funerárias, entre outros.

De acordo com o IBGE, o Brasil tem, ao todo, 236.950 organizações Fasfil. O Nordeste é a terceira região do país com mais instituições desse tipo: são 44.496. E nos estados da Amazônia Legal, formada pela região Norte (AC, AM, AP, PA, RO, RR e TO), por Mato Grosso e parte do Maranhão, há, ao todo, 15.919 fundações e associações sem fins lucrativos.

Dessas, 103 atuam em "meio ambiente e proteção animal", 284 em "defesa de direitos de grupos e minorias" e 130 em "outras formas de desenvolvimento e defesa de direitos", totalizando 517 organizações com essa finalidade. Outras 1.224 instituições trabalham com assistência social na Amazônia Legal. O restante se divide em categorias como habitação, saúde, cultura, educação e religião, por exemplo.

REF. (1)

https://g1.globo.com/fato-ou-fake/noticia/2019/08/27/e-fake-que-haj...

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 10 setembro 2019 às 17:28

AS ONGS NA AMAZÔNIA

Em dezembro de 2002, um geógrafo e dois engenheiros agrônomos enviaram um Manifesto ao Presidente da República eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, para denunciar o saque de nossos recursos florestais, a descaracterização do planejamento regional amazônico, o interesse e atuações das NGOs - No Governamental Organizations (ONGs - Organizações não governamentais) e suas subsidiárias do Brasil. (1)

Soltas, as grandes ONGs estrangeiras interferem no planejamento regional e mesmo federal. Sem prestar contas à legislação brasileira, elas atuam como "pontas-de-lança" do capital monopolista e de blocos de países hegemônicos do tipo EUA/Inglaterra/ Canadá, Bélgica/Holanda/Alemanha, França/Itália/Suíça e Japão/Indonésia, ao oferecer apoio em recursos humanos e financeiros para a elaboração e execução de programas e projetos no Brasil.

Conhecidas das administrações dos nove "países amazônicos" que fingem ignorar sua presença perniciosa, elas usam codinomes extraídos do glossário humanitário, naturalista, malthusiano, revisionista etc: Amigos da Terra (Friends of the Earth); Canadense para o Desenvolvimento Internacional (CI DA); Fundação Ford; Club 1001; Both Ends; Survival International; Conservation International; Fundação Interamericana (IAF); Fundação MacArthur; Fundação Rockefeller; Fundação W. Alton Jones; Fundação Mundial para a Natureza (Word Wide Fund for Nature—WWF); Instituto Summer de Lingüística (SIL); National Wildlife Federation — NWF The Nature Conservation —TNC; Grupo de Trabalho Europeu para a Amazônia; União Internacional para a Conservação da Natureza (UNIC) e o World Resource Institute — WRI." Algumas delas agindo como verdadeiras centrais de inteligência para grupos de interesses diversos. Inclusive agências de estudos geopolíticos e de estratégias para diversos tipos de atuação. A exemplo das ofensivas no sentido de minimizar as responsabilidades e atribuições de países soberanos, com base no jogo sujo da globalização do pensamento e do mercado.

Transmissoras de informações e fotos sobre tudo e todos os motivos que possam gerar benefícios aos países de origem interessados, elas são responsáveis, sobretudo, pela biopirataria: seus programas e projetos "ultrapassam, em muito, nossa capacidade de investimento". Por isso, são instrumentos para facilitar os acordos bilaterais entre países, envolvendo empresas e corporações transnacionais.

Como não se restringem às áreas de mineração, explorações agrícolas e pecuárias, agroindustrialização, manejo florestal, prospecção para exploração de gás e petróleo, saneamento ambiental urbano e ao chamado "desenvolvimento integrado sustentável", é no extrativismo e no ecoturismo em locais estratégicos, que as ONGs se tornam as grandes hospedeiras — com financiamentos de bancos e agências do capital financeiro mundial. Ainda mais quando têm à frente "antigos e recém saídos dirigentes de estatais, organismos ministeriais e instituições públicas dos estados e municípios."

Nesse momento surgem áreas de proteção, começando pelas "reservas extrativistas, dando continuidade às "reservas indígenas", "parques nacionais" e "estaduais", além das "florestas nacionais". Na realidade, são reservas estratégicas do capital financeiro que chegam a proibir a presença de empresários nativos não-associados nessas áreas, e tornam, automaticamente, inoperantes a vigência de leis editadas pelo governo brasileiro que possam destoar do processo de integração. Tratam-se de imensas faixas de solo, subsolo e espaço aéreo, destinadas à apropriação, incorporação e desterritorialização (principalmente da selva), sendo que uma parte do território, há muito, já se encontrava loteada.

Esses planos gestados na administração Cardoso são "primários e apresentam inconsistências e contradições insanáveis". Aparentemente progressista, porque poderia expandir para cinquenta milhões de hectares (equivalente ao território da França ou do estado de Minas Gerais) as ditas Florestas Nacionais (Flonas), que hoje ocupam área de oito milhões de hectares na Amazônia, a legislação especial permitiria que essa Floresta Nacional fosse objeto de concessões aos interesses e empresas de outros países sob o jargão do "manejo florestal sustentável" — na verdade, a destruição das florestas nacionais. Como aconteceu com as florestas da Ásia e da África, submetidas a esse mesmo tipo de empreendimentos, ou "manejos" — se sustentáveis em termos de autodeterminação, já seria inviável em termos de acompanhamento e avaliação, a julgar pelos recursos humanos e materiais disponíveis pelo IBAMA.

REF.: (1)

https://anovademocracia.com.br/no-6/1269-o-imperio-das-ongs-e-o-lot...

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 6 setembro 2019 às 16:41

MARKETING DE GUERRILHA COM O AVIÃO KC-390

A imprensa noticiou ontem a entrega à FAB do primeiro avião brasileiro KC-390, e a de hoje, que o Governo e PGR decidem destinar R$ 1 bi da Lava-Jato para Amazônia (O Globo, caderno Sociedade, página 27) no combate aos incêndios florestais.

Sabemos que a cúpula do Governo, a começar pelo vice, está cheia de Generais de quatro estrelas e, portanto, formados em estratégia de guerra e persuasão.

Unindo essa três notícias, ocorreu-me de imaginar, se não passou pela cabeça dos milicos usar  a versão do avião brasileiro configurada para o combate aos incêndios florestais, na Amazônia (vide imagem acima). Com a devida cobertura jornalística, estaríamos mostrando ao mundo que temos recursos (aviões nossos, inclusive) para combater os incêndios florestais com eficiência e, de quebra, ainda estaríamos fazendo propaganda de um produto para o G7 e demais países (europeus) onde ocorrem incêndios iguais aos nossos.

Uma alternativa mais barata (como todo mundo usa fake news) seria divulgar a foto nos principais jornais do mundo e dizer que a floresta lá embaixo é a Amazônia, e o avião também é brasileiro (para reduzir a mentira à metade).

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 5 setembro 2019 às 16:19

BIOPIRATARIA NA AMAZÔNIA

(Uma visão geral sobre a questão amazônica, Cel Inf Res EB Francimá Máximo, Amazônia I, página 180)

Biopirataria é o contrabando quantitativo e qualitativo de espécies de plantas e de animais retirados do território brasileiro para Centros de Pesquisas em vários lugares do mundo. Esta atividade ilícita está assumindo proporções gigantescas na Amazônia e causa prejuízos incalculáveis ao Brasil. A biopirataria  é o braço logístico que abastece clandestinamente as experiências científicas em escala planetária e a produção industrial na área da biotecnologia, um ramo novo da Ciência.

A matéria-prima da biotecnologia sai fundamentalmente da biodiversidade --- a totalidade das espécies vivas vegetais e animais de um ecossistema --- patrimônio da natureza sob a jurisdição de um determinado Estado.

O Brasil possui um terço das florestas tropicais do planeta, entre elas a Amazônia. Múltiplos ecossistemas abrigam incomum biodiversidade entre 5 e 30 milhões de espécies --- e só 1,4 milhão delas estão descritas. Das 240.000 espécies de plantas com flores no planeta, 150.000 estão nos trópicos. Dessas, 55.000 no nosso território, grande parte exclusivamente no Brasil.

Alguns casos concretos de biopirataria

Em 1965, o médico Sérgio Ferreira, da Universidade de São Paulo (USP), ao pesquisar o veneno da jararaca descobriu uma substância que provocava brusca queda de pressão arterial em pessoas picadas pela cobra. Patenteada pelo laboratório Wellcome, ela deu origem a uma família de anti-hipertensivos que hoje (1999) movimentam 4 bilhões de dólares ao ano. O Brasil não recebe nada por esta descoberta.

A Sharman Pharmaceuticals, da Califórnia (EUA), já estudou e catalogou aproximadamente 7.000 plantas com potencial farmacêutico com base no conhecimento dos índios da Amazônia.

A Biolink, do químico Conrad Gorinsky, patenteou em Londres a Rupununine, substância extraída das sementes da árvore beberu (Octotea roioei), e Cumaniol, obtida das folhas da mandioca, usada tradicionalmente pelos índios Wapixanas como anticoncepcional e veneno para a pesca, respectivamente. Segundo Gorinsky, cujas patentes estão sendo contestadas na justiça inglesa pela FUNAI, a Rupununine teria ainda o poder de controlar o vírus da Aids e inibir o desenvolvimento de vários tumores, enquanto o Cumaniol seria até agora o mais potente estimulante conhecido do sistema nervoso central.

Em 1998, o laboratório Abbot anunciava a síntese de um novo composto, o ABT-694, a partir da toxina encontrada na pele do sapo amazônico Epipedobates tricolor (o primeiro, sob o círculo, na Figura acima). Segundo os cientistas deste laboratório, este remédio daria início a uma nova família de analgésicos inibidores da dor crônica, capazes de substituir os derivados do ópio.

Entre os Caiapós, os índios mais idosos pingam nos olhos o sumo do jaborandi, planta nativa do Pará, como remédio contra o glaucoma. Logo "pesquisadores" em breve lançarão no mercado mais um remédio baseado na inesgotável medicina indígena. Entre esses mesmos índios, já foram levantadas 34 espécies de plantas para tratar de diarreias. De algumas poderiam derivar compostos para a produção de antibióticos específicos.

Aviões cruzam os céus (da Amazônia) carregando peles de animais silvestres, "peles de fantasia", diamantes, pedras preciosas, pepitas (de ouro), aves, animais, peixes, amostras da flora, sementes, "cargas nobres", rumo ao estrangeiro, em geral Bogotá, Iquitos, e daí para Miami, Amsterdam e alhures...

Testemunhamos indignados e impotentes o total abandono do poder público, municipal, estadual e federal dentro das nossas fronteiras, facilitando a ação criminosa de algumas madeireiras, as agressões ao meio ambiente e outros delitos que tanto favorecem a propaganda contra o Brasil no exterior. (pág. 197)

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 1 setembro 2019 às 18:28

AS QUEIMADAS NO BRASIL

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 1 setembro 2019 às 11:23

ISSO FOI DITO HÁ MAIS DE 20 ANOS ATRÁS

"As investidas internacionais voltadas para a Amazônia, as notícias internacionalmente deturpadas sobre a devastação da floresta, as novas proposições de uma Escola Geopolítica que prega a Soberania Relativa, a campanha sistemática do movimento ecológico para a preservação da Amazônia são indícios claros de que a soberania nacional sobre a Amazônia está seriamente ameaçada".

"A imprensa mundial, particularmente nos Estados Unidos, Inglaterra, França e Itália, quase diariamente publica artigos sobre a Amazônia, sempre questionando a soberania brasileira sobre a área. São veículos poderosos como: The Economist Newspaper (Londres), The New Yorker, The Wall Street Journal, Time, etc. (dos Estados Unidos); e Il Popolo (Roma)".

"Está em curso uma campanha internacional, uma 'orquestração sincronizada', promovida pelos países ricos, principalmente o G7, para internacionalizar ou no mínimo manter a Amazônia intocada para a exploração futura (por eles) dos seus imensos recursos".

Fonte: Amazônia I, 1999, página 111.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 31 agosto 2019 às 8:00

DENSIDADE DEMOGRÁFICA (parte 2)

A média apresentada abaixo se reduz bastante apenas com a exclusão dos habitantes da Capital (que, como mostra o Quadro abaixo, é de mais de um milhão em 3 dos 9 estados). E reduzirá ainda mais, computados todos os habitantes das demais cidades.

(Nos cálculos acima, desconsideramos a diferença de dois anos nas datas do número de habitantes do estado e das suas capitais, bem como o desconto da área dessas cidades, por achá-los irrelevantes para o entendimento do raciocínio).

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