Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Raquel Maria Cury
Rodrigues, analista de mercado do FarmPoint, entrevistou Armindo
Kichel, pesquisador da Embrapa Gado de Corte durante o I Congresso
Internacional da Produção Pecuária no mês de agosto. Na entrevista,
Armindo comenta sobre a integração lavour-pecuária-floresta,
sustentabilidade e mão-de-obra.

Destaques da entrevista

"Para uma atividade ser sustentável hoje, ela precisa ser primeiramente
econômica. Ninguém mais brinca de pecuária, ninguém mais brinca de
agricultura, pois são investimentos muito altos e tem que ter um retorno
financeiro. O segundo ponto, é que para ser sustentável, tem que causar
um bem-estar para a sociedade e as pessoas envolvidas tem que se
beneficiar dessa economia, com bons salários, bom padrão de vida. Por
último, nós temos que ter preservação ambiental, e a integração
lavoura-pecuária-floresta reduz os riscos, devido à diversificação dos
sistemas produtivos. Com isso, menos riscos climáticos e menos riscos
mercadológicos. Trabalhar com sistemas integrados capacita a
mão-de-obra, pois exige uma qualificação maior da mão-de-obra".

"Nos sistemas integrados normalmente são utilizados mais investimentos,
trabalha-se com carne, com soja, com milho, com floresta, então existe
um aporte de capital bem maior para isso e exige uma competência maior
de gestão. Esse sistema é sustentável principalmente para o meio
ambiente, pois quando eu planto só soja sobre soja, cai a matéria
orgânica do solo e eu não tenho cobertura para plantio direto. Quando eu
realizo a integração com a pecuária e com as pastagens, eu vou cobrir o
solo, vou fazer um plantio direto, vai reter mais água, vai sequestrar
mais carbono e vai ter menor emissão de gases de efeito estufa".

"Quando eu coloco a floresta, vai dar sombra para o boi (bem-estar animal). O
sistema agrosilvopastoril é positivo, é uma atividade que produz
alimento com zero de emissão de efeitos poluentes e apresenta créditos.
Hoje, floresta com grãos e com carne, tem créditos de carbono, tem
crédito de metano e em curto prazo, esse produto precisa ser valorizado.
Queremos agora que o bom produtor, que o bom sistema, seja aplaudido,
seja premiado e valorizado".

"Temos vários projetos a mais de 20 anos com integração lavoura-pecuária e nos últimos anos entramos também
com o sistema de florestas. Nós temos hoje um projeto chamado
Integração-Lavoura-Pecuária coordenado por Brasília, que integra 34
centros da Embrapa e 08 regiões do Brasil. São ações de validação e
transferência de tecnologias, e ações de pesquisa, para coletar mais
dados do sistema e municiar os produtores e os ecologistas dizendo que
há um sistema hoje no qual o produtor pode produzir com alta qualidade,
alta quantidade e sem poluir, e ainda sim melhorar o meio ambiente".

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