Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Já discuti com inúmeros colegas sobre a questão do  Crédito Rural e a obrigatoriedade ou não da participação de um profissional de Assistência Técnica elaborando um projeto, que é encaminhado à instituição financeira.

Muitos defendem ardorosamente a participação, outros apesar de entender que seria necessário, dizem que esta obrigatoriedade não existe, pois não há previsão legal no MCR. Apesar disso, em muitos estados sei que os CREAs tem feito esta fiscalização e autuado os produtores rurais.

Entretanto, vemos diariamente que pelo menos no estado de São Paulo, muitas instituições de crédito rural estão desobrigando os produtores de apresentarem projetos. Em escala nacional isso será um padrão do Banco do Brasil, através das novas plataformas digitais. 

Eu gostaria de saber dos colegas como está sendo enfrentado este problema pelo brasil afora.

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Comentário de Eduardo B. Teixeira Mendes em 13 fevereiro 2017 às 22:47

Caro Nede Lande, eu concordo com sua colocação. Pois os órgãos de extensão (EMATER na maioria do Brasil e CATI em SP) realmente deveriam dar mais atenção a sua atividade fim e permitir que os profissionais liberais e pequenos escritórios de Planejamento e Assessoria Rural, desenvolvessem em parceria com eles o trabalho de desenvolvimento de projetos de financiamento.

Aqui em SP até o ano passado, a CATI fazia esse serviço e cobrava por ele, competindo diretamente e economicamente com o setor privado, principalmente no atendimento a Pronafistas. O convênio do MDA com o Governo de SP acabou, mas há um programa estadual que compete diretamente com o PRONAF, chamado de FEAP, que os projetos somente podem ser feitos pelo pessoal da Secretaria de Agricultura. Porém, quando o produtor vai até a agência, ele precisa de um Cadastro junto a instituição bancária, que a Secretaria não faz e aí querem que as empresas conveniadas façam o cadastro de graça.

Então o seu ponto foi muito relevante na discussão.

Comentário de Eduardo B. Teixeira Mendes em 13 fevereiro 2017 às 22:40

QUERO CONVIDAR A TODOS QUE ESTÃO PARTICIPANDO DESTA DISCUSSÃO A PARTICIPAREM DO NOSSO GRUPO DESTINADO ESPECIFICAMENTE A TRATAR DE CRÉDITO RURAL.

Comentário de Nede Lande Vaz da Silva em 13 fevereiro 2017 às 11:05

Um ponto levemente polêmico é que boa parte dos projetos para bancos estão sendo feitos pelas EMATER e, possivelmente, com uma visão bem burocrática, tendo como maior objetivo obter fundos para estas instituições que padecem por falta de recursos. O campo de trabalho para o agrônomo, profissional liberal, que poderia ter uma ação menos burocrática fica bastante prejudicado. Os serviços de extensão tem que fazer extensão e, necessariamente, com apoio governamental.

Comentário de Gilberto Fugimoto em 13 fevereiro 2017 às 10:02

João Francisco,

Essa postagem chega a ser injusto com vc, pois a riqueza de assuntos merecia um blog a parte!

abraços

Comentário de João Francisco Neto em 12 fevereiro 2017 às 19:12

 

CREDITO RURAL E O AGRÔNOMO

Essa é uma polêmica interessante. Vou traçar uma analogia entre dois fatos pra tentar passar o que penso a respeito.

Logo que me formei em 1966, vivíamos um momento em que duas correntes se entrecruzavam no contexto da extensão rural. Uma acompanhava a tendência do governo militar pela introdução de um modelo agrícola empresarial no Brasil, voltado para a produção de bens de exportação. Evidentemente que essa vertente implicava em mudanças estruturais de impacto como a concentração da propriedade, a introdução dos insumos industriais, a padronização de sementes e o financiamento para a estruturação de propriedades de grande porte. O modelo implicava no deslocamento de grande parte da população rural para as cidades: êxodo rural e urbanização. Na década de 50 a população rural que girava em torno de 70% da população rapidamente caiu para 40, 30 e atualmente imagino que deva estar em torno de 20%. E não para de cair. Se isso foi bom ou ruim é outra pauta para ser discutida. Na verdade, soubemos esvaziar o campo, mas não soubemos urbanizar com dignidade.

 

Outra vertente propunha um cenário diferente que implicava a fixação dos pequenos agricultores no meio rural por meio de melhoria da tecnologia tradicional que era baseada no machado e no fogo. Foi o advento das ideias orgânicas inspiradas nos movimentos orgânicos da Europa e do Japão principalmente. Eu embarquei nessa canoa. Inicialmente era considerada maluquice, hoje é até charmoso ser agrônomo orgânico. Aqui em Brasília dá até cacife pra ser deputado.

Havia na época um ponto de semelhança entre as duas correntes: ambos os modelos dependiam da figura do agrônomo presente porque tanto os agricultores tradicionais como o novos empresários rurais não sacavam das tecnologias propostas. A alternativa orgânica implicava em profunda mudança de mentalidade em que a sustentabilidade do Planeta contava mais que o lucro. Um termo começava a ser muito falado: ecologia. Não havia uma sistematização tecnológica disponível para quem quisesse se tornar orgânico.

A corrente do agronegócio lidava com abordagens bem mais simples. Pacotes tecnológicos estavam disponíveis nas empresas de pesquisa e extensão rural públicas e privadas. Com os incentivos creditícios e seguro rural disponíveis (para agricultura orgânica não havia seguro) só se precisava capacitar operários no manejo de máquinas e implementos. A mente empresarial já existia em outras atividades econômicas translada-la para o agronegócio só carecia assegurar lucratividade.  Foi a era de ouro do agrônomo. Eu vivi essa época...só que me tornei desconfiado quando o rio no qual eu pescara durante a juventude passou a não dar mais peixe.

 

Agora o outro fato:

Como eu disse, a corrente orgânica não dispunha de uma tecnologia sistematizada. A EMBRAPA só recentemente aderiu à ideia de que era interessante pesquisar alternativas ao agronegócio. Os movimentos orgânicos finalmente ganharam as mídias em função das mudanças climáticas e da difusão das dietas alimentares mais saudáveis.

Mas naqueles tempos, não se sabia o que era compostagem. No que me tocava dentro do movimento, como agrônomo, resolvi pesquisar o que existia juntar tudo e não deixar que tudo virasse um “balaio de gato” ao sabor do achismo tão comum em nosso país. Outros colegas também se dedicaram a esse trabalho, mas acho que me arrisquei demais, tanto que perdi o trabalho de extensionista. Viajei por países da Europa, principalmente Holanda buscando tecnologia e o governo do DF me contratou pra realizar uma pesquisa nacional nos moldes da que foi feita nos States e deu no Recomendações para a Agricultura Orgânica. Depois da Europa, uma viagem aos States e as expedições pela agricultura tradicional e a orgânica iniciante do Brasil, me assentei em Brazlândia, DF, numa chácara arrendada ao governo e botei no campo aquilo que havia coletado. Após 3 anos saiu um manual de horticultura:Manual de Horticultura Ecológica, da Nobel e várias apostilas.  Durante mais de 20 anos, o manual vendeu bem e embora se dirigisse a pequenos cultivos podia ser adaptado para dimensões comerciais. Pois bem, no anos passado a Nobel tomou a iniciativa de parar as reedições. Justificativa: O manual tornou-se absoleto. Tá tudo na Internet hoje em dia. 

Pra mim, o agrônomo com o perfil tão solicitado no início do agronegócio ou aquele que ensina a fazer o composto e a plantar um pé de couve tornaram-se também absoletos. Tá tudo na internet ou nos pacotes tecnológicos. Estará sendo demandado um novo tipo de agrônomo pelos novos tempos e novos cenários que ainda não estão muito bem definidos? Como diz o Chico Pinheiro: Coragem, que hoje ainda é segunda feira!

 

Comentário de Flávio Luiz Botaro em 9 fevereiro 2017 às 22:10

O problema maior é que principalmente a nível de estado de São Paulo, os projetos técnicos se tornaram apenas mais um passo burocrático para a liberação do crédito quando visto pelo produtor e pelas instituições principalmente, deveríamos bater firme na tecla de que o projeto técnico e toda uma consulta completa para melhor andamento da atividade proposta e o acompanhamento técnico se fará de suma importância ao produtor para todo bom andamento da atividade proposta, desde o plantio até a colheita.

Comentário de Eduardo B. Teixeira Mendes em 8 fevereiro 2017 às 1:14

Boa sugestão

Comentário de Gilberto Fugimoto em 7 fevereiro 2017 às 14:12

Eduardo,

Não fica mais simples nomear só crédito rural? Até pq exercício profissional está implicito em toda a Rede Agronomia.

Comentário de Eduardo B. Teixeira Mendes em 6 fevereiro 2017 às 22:51

Foi criado um grupo de discussão com o mesmo tema, como foi a sugestão do Gilberto

Comentário de Gilberto Fugimoto em 6 fevereiro 2017 às 18:42

Eduardo,

Como vc postou este tema, vc poderia criar o Grupo!

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