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Fertilizantes Nitrogenados de Liberação Controlada

No solo, o nitrogênio (N) encontra-se, na maior parte, nas formas orgânicas que são mineralizadas pela atividade dos microorganismos. O nitrogênio (N) é exigido pelas culturas em maior quantidade, em relação ao trio NPK. As recomendações de N, em kg/ha, baseiam-se na quantidade extraída pela cultura, e nas transformações que ocorrem no solo, como: mineralização, lixiviação, volatilização, nitrificação, etc. A forma N-nítrica é a que predomina no solo, permanecendo na solução, favorecendo a lixiviação para as camadas mais profundas, longe do alcance das raízes da planta. A lixiviação é a principal perda de N disponível para a planta. A eficiência dos adubos nitrogenados é em torno de 50%, devido às perdas dos nitratos por 
lixiviação ou do óxido nitroso para a atmosfera. O excesso de nitratos lixiviados causa sérios problemas ao meio ambiente, e uma perda de recursos econômicos pelo produtor rural, no emprego de maiores dosagens de fertilizantes. Para minimizar estas perdas, existemfertilizantes nitrogenados de liberação controlada que podem estar revestidos ou estabilizados com inibidores da nitrificação ou com inibidores da urease. Eles vão liberando N durante o ciclo de absorção pela planta. O potássio (K) também está sujeito à perdas por lixiviação que são maiores em solos arenosos, ou solos com baixa CTC, devido aos baixos teores de argila e de matéria orgânica. Os fertilizantes de liberação controlada de N podem ser:
1. Inibidores ou de estabilização
Estes reduzem as perdas de N porque demoram mais a converter o N em formas que seriam facilmente perdidas. A proteção pode durar dias, semanas e o efeito residual aparecerá se houver condições reais para as perdas.
2. Não revestidos, mas de disponibilidade lenta
Há uma necessidade de decomposição bioquímica dos compostos, que atrasam a disponibilidade de N. A proteção dura de semanas a meses.
3. Fertilizantes solúveis revestidos
Eles protegem o nutriente. São produtos com N na forma tradicional, mas revestidos. Podem ser revestidos com enxofre (S) ou com polímeros. No caso do revestimento com enxofre (S) há necessidade de romper o revestimento que dependerá de sua espessura, e das condições ambientais.
Além das perdas de N por lixiviação, volatilização, etc, aacidificação do solo é outro problema. Os fertilizantes nitrogenados, devido ao processo de nitrificação, aumentam a acidez do solo. Todos os fertilizantes nitrogenados, sejam convencionais ou de liberação controlada, provocam a acidificação do solo, pois passam pelo processo de nitrificação liberando o íon H+. O sulfato de amônio, após 60 dias, apresenta o maior grau de acidificação do solo, porque o N-amoniacal passa rapidamente para a forma N-nítrica, liberando quatro (4) íons de H+.  Aumentando a dose de N no solo, o pH diminui proporcionalmente. A incorporação dos adubos nitrogenados no solo seria a alternativa para diminuir as perdas e reter mais N-amônio. Porém, no Sistema de Plantio Direto isto seria incompatível.
ANJOS e TEDESCO (1976) estudando a volatilização de amônia da uréia e do sulfato de amônio, concluíram que a uréia apresentou as maiores perdas em solo descoberto.
Da Ros, Clovis Orlando; Brum, Angelo Marcos; estudaram aprodução de trigo com diferentes fontes de N (uréia, sulfato de amônio e Sulfammo), em Cruz Alta/RS. Além destas três fontes, os tratamentos constaram, também, da utilização do dobro de uréia e outro sem N. Aplicaram, também, fontes de P e K. A conclusão foi que não houve diferenças significativas no rendimento de trigo com o emprego das diferentes fontes de N. Ressaltaram que o trigo foi plantado sobre área colhida com soja, cujos resíduos mineralizados podem ter beneficiado o cereal.
A EMBRAPA, realizou experimentos na cultura do algodão, no oeste da Bahia (2008/2009), com fontes de N (uréia, nitrato de amônio, sulfato de amônio, uréia super N, e Sulfammo). A uréia super N possui 44% de nitrogênio, é revestida com inibidores de urease e apresenta liberação lenta. Este efeito inibidor da urease pode durar 14 dias. Recomendam analisar o custo com a aplicação dos produtos uréia super N e Sulfammo.
A utilização de fertilizantes de liberação controlada ou lenta de nutrientes pode ser uma alternativa para diminuir as perdas. Contudo, é bom levar em consideração os resultados de pesquisa com estas fontes diferenciadas de N, pois, em alguns experimentos, não houve diferenças significativas em relação às convencionais. Quanto o agricultor poderia diminuir na dosagem? Qual o custo-benefício que estas fontes promoveriam em relação às convencionais? São respostas que o técnico, ao recomendar uma adubação, deverá ter em mente. Tem-se que verificar a eficiência dos adubos de liberação controlada, em relação ao convencional, para se estimar o quanto de N poderá ser diminuído na aplicação e que se traduzirá em diminuição no custo do fertilizante empregado pelo produtor rural. É claro que estudos mais avançados deveriam ser feitos para avaliar as perdas: utilização de lisímetros, colheita dos lixiviados após cada rega, e análise dos lixiviados para determinar os nitratos.

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