Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

FLORESTAS ENERGÉTICAS: VISÃO TERRITORIAL E GEOTECNOLOGIAS

Moacir José Sales Medrado[1] (medrado@cnpf.embrapa.br)

Tem sido crescente a participação da energia de fontes renováveis (EFR) na matriz energética mundial. No Brasil, a energia de biomassa florestal
(EBF) deverá ser uma das principais alternativas de EFR destinada ao
atendimento de demandas residenciais urbanas e rurais e do setor
industrial, em especial a siderurgia; estima-se que para uma produção de
gusa da ordem de 27 milhões de toneladas, necessita-se de 17,5 milhões
de toneladas de carvão, que podem ser produzidas a partir de 3,3 milhões
de hectares de eucaliptos. Portanto, as florestas energéticas, serão,
certamente, uma ferramenta importantíssima evitando, inclusive, a
utilização ilegal de produtos extraídos de florestas naturais (Amazônia e
Mata Atlântica), e da caatinga e do cerrado brasileiro.

O Brasil é um dos países que melhor poderá se beneficiar do aproveitamento de madeira para fins energéticos. Suas vantagens são
enormes. Possui: a) cerca de 90 milhões de hectares disponíveis para
novas alternativas; b) clima e solo propícios para o desenvolvimento de
espécies florestais de rápido crescimento; c) silvicultura avançada; d)
milhões de hectares de florestas manejadas com resíduos aproveitáveis
para geração de energia; e) um Serviço Florestal Brasileiro (SFB) recém
criado; e f) um Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal (FNDF) para
financiamento do setor florestal.

A área de plantações florestais comerciais no Brasil concentra-se nas regiões Sudeste e Sul, com destaque para os estados de Minas Gerais
(MG), São Paulo (SP), Espírito Santo (ES) e Paraná (PR). As plantações
florestais de MG e ES são para celulose, as de SP e dos estados sulinos
são para produção de chapas de madeira e celulose, e as de Mato Grosso
do Sul (MS) são em grande parte vendidas para fabricação de celulose.
Nas outras regiões, destaque para Bahia no Nordeste, MS no Centro –
Oeste, Pará (PA) e Amapá (AP) no Norte.

Esta situação indica a possibilidade de problemas em algumas regiões. Falhas no planejamento de médio e longo prazos poderão fazer com que: na
Amazônia, em função de que as plantações florestais com espécies
exóticas feitas no PA e AP são para produção de celulose e, ainda, da
escassez de sistemas de produção monoculturais ou mistos para espécies
florestais nativas com potencial para produção de energia, prevaleça a
utilização de resíduos florestais provenientes da industrialização de
madeira extraída da exploração sustentada de madeira em florestas
naturais e das derrubadas para fins de produção agropecuária; No
meio-norte, tem-se visto que no Maranhão (MA) houve a expansão de
siderúrgicas após o início da exploração de minério de ferro da Serra de
Carajás e o carvão vegetal é insumo para a transformação de minério de
ferro em ferro-gusa. No Nordeste, a maioria da biomassa florestal
utilizada para produção de energia, continue proveniente da degradação
da vegetação natural, inclusive da caatinga; e no Centro-Oeste siga a
destruição do cerrado de forma ilegal e como forma de solucionar a
necessidade de madeira para secagem dos grãos produzidos na região.

A produção de carvão vegetal no Brasil, ainda é dependente da exploração de matas nativas, embora esteja crescendo a importância do carvão
vegetal oriundo de plantações florestais comerciais. Os principais
estados produtores de carvão vegetal no Brasil são MG, MS, MA, BA e
Goiás (GO). Essa concentração regional da produção de carvão vegetal
ocorre devido ao estabelecimento, nesses estados ou em seus vizinhos, de
siderúrgicas que consomem o carvão vegetal. Uma outra questão
importante a ser considerada é que as plantações florestais localizam-se
em poucos estados, estão concentradas em poucas áreas dentro de cada
estado e próximas das empresas que demandam a madeira para fins
industriais.

Considerando os aspectos anteriores, torn-se evidente que a integração de geotecnologias (topografia, base cartográfica, sistemas de informações
geográficas e sistemas de posicionamento global) será de fundamental
importância para o planejamento e gerenciamento das empresas florestais
envolvidas no programa de produção de energia. Elas, também serão
imprescindíveis no planejamento e na gestão nacional do programa de
produção de biomassa florestal. O uso de sistemas de georefenciamento,
em especial, será fundamental para a avaliação do suprimento de
biomassa, estimativas dos custos de transporte para plantas existentes e
mesmo para localização de plantas novas. Eles têm a importância de
adicionar ao processo de planejamento a dimensão espacial podendo serem
usados, em primeiro lugar, para a análise da distribuição espacial das
florestas energéticas, em segundo para impor restrições espaciais
relacionadas ao uso adequado da terra, e em terceiro lugar para calcular
a capacidade e o teto de geração de energia baseado nos locais
disponíveis. O uso de SIG como ferramenta para análise temporal e
espacial pode, também, provê meios para identificar e quantificar os
fatores espaciais e climáticos afetando a disponibilidade de energia de
biomassa florestal potencial.

Por fim, as geotecnologias poderão auxiliar ao governo, aos empresários e aos produtores na obtenção de informações necessárias ao desenvolvimento
das florestas energéticas, de forma mais rápida, precisa e com menor
custo, quando comparadas às geradas pelas técnicas subjetivas
tradicionalmente utilizadas.



[1] Engenheiro Agrônomo, CREA 1.742-D, Doutor em Agronomia e Especialista em: Planejamento Agrícola; Manejo de Agroecossistemas; e Agrofloresta;

Exibições: 91

Comentar

Você precisa ser um membro de Rede Agronomia para adicionar comentários!

Entrar em Rede Agronomia

© 2020   Criado por Gilberto Fugimoto.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço