Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

     Depois das entrevistas e dos vários artigos anteriores, sobre Gramados Esportivos, neste artigo, abordaremos, as diferenças entre Gramados NATURAIS e os SINTÉTICOS.

     Tenho recebido inúmeras perguntas em relação aos motivos de não encontrarmos muitos gramados artificiais no Brasil e no Mundo, em jogos de elite. Para ilustrar a dimensão da recusa a esse tipo de gramado, vou citar alguns casos.

      Durante a pré-temporada européia 2009, o Real Madrid foi ao Canadá enfrentar o Toronto Futebol Clube, em amistoso. E o estádio BMO Field, com gramado sintético, foi coberto por um piso “de grama de verdade” apenas para este jogo por exigência do clube madrilenho. A justificativa: Kaká, Cristiano Ronaldo e companhia não podiam “correr riscos”. A operação custou US$ 250 mil. Depois da partida, a grama natural foi retirada e doada para escolas de Toronto...

      Há mesmo jogadores de elite que tem em seus contratos proibição de atuar em gramados sintéticos.

      Não é novidade também, a Seleção Brasileira de Futebol ao jogar nos USA, usar o mesmo artifício de colocar maxi rolos de grama natural, sobre o sintético, para evitar problemas.

      Ainda, recentemente, o Grêmio sofreu em gramado sintético, no “Gaução”: http://estadiovip.com.br/61058/gremio-perde-na-estreia-do-gauchao-c...

http://diariogaucho.clicrbs.com.br/rs/esporte/gremio/noticia/2014/0...

      É fato que jogadores, técnicos, médicos e dirigentes apresentam reservas ao gramado artificial. Segundo os jogadores, o piso é muito duro, o quique da bola é diferente, a movimentação mais difícil, e o atrito da pele com a fibra sintética (nylon, poliéster, etc.) provoca queimaduras nos joelhos ou qualquer parte do corpo que tiver atrito com o sintético. E em jogos diurnos, nem a chuteira parece proteger o jogado:  ttp://www.bbc.com/sport/football/35551542

      Técnicos, preparadores físicos e médicos alardeiam o aumento das contusões atribuído ao piso mais duro do gramado sintético. Entre muitos estudos existentes, cito uma das matérias que ligam o uso sistemático dos gramados sintéticos a lesões: http://www.healio.com/orthopedics/sports-medicine/news/online/%7B1a...

      Além disso, os dirigentes que, via de regra, são avessos a grandes investimentos em infraestrutura de centros de treinamentos e gramados, reclamam do custo da grama sintética... No hemisfério Norte, esses custos podem ser mais atrativos. 

     Todos esses fatores, conjugados à natural resistência humana a aceitar mudanças, têm inviabilizado uma maior difusão dos gramados sintéticos, mesmo em situações em que impedimentos climáticos tornariam mais lógico o seu uso. 

     Não há, de fato, registro de partidas oficiais importantes (Copas do Mundo) em estádios com gramados artificiais. Nem mesmo a Copa de 1994, nos EUA, país de grande difusão dos gramados artificiais, teve jogos nesse tipo de piso. 

 

Custos / Durabilidade

        Analisando puramente o custo do item grama, no Brasil, o gramado natural é mais barato que o artificial. No modelo mais caro de plantio (tapetes ou maxi rolos), o gramado natural custa, em média, treze reais o metro quadrado. Este valor cai se os sistemas de plugs ou sprigs foram utilizados para o plantio. Já o gramado sintético, de qualidade, dificilmente custará menos de trinta e cinco reais o metro quadrado. Estamos observando somente o item grama (sem drenagem e topsoil no gramado natural e contra piso no sintético).

      A durabilidade de um gramado natural, bem construído e mantid,o é indefinida. Não é exagero falarmos de dez, 20 ou mesmo 30 anos de vida útil. Já o gramado sintético tem uma garantia média dos fabricantes de dois a cinco anos, quando deve ser trocado. Claro que o gramado natural tem custo de manutenção. . . mas o sintético, se muito utilizado também o tem.

      No entanto, isso não significa que o gramado natural seja, necessariamente, superior ao artificial, que leva vantagem em pelo menos dois quesitos: capacidade de suporte de pisoteio e viabilidade em condições climáticas ou de iluminação adversas.

      Além disso, a evolução de qualidade dos gramados artificiais tem sido enorme nos últimos dez anos. Com o passar do tempo é provável que ganhem cada vez mais espaço – primeiramente nos centros de treinamento (CTs) e em estádios com severos impedimentos ao gramado natural.

 

Gramados híbridos

      Extrapolando um pouco a análise, temos ainda os gramados híbridos, que, na verdade, são gramados naturais com um certo percentual de fibra sintética (de até 7% – limite estabelecido junto com as federações internacional e europeia).

      Os híbridos já são usados nos EUA e na Europa, onde o caso mais emblemático é o do inglês Emirates Stadium. A custo menor que o do gramado artificial, este novo tipo de gramado promete grandes vantagens: quique da bola igual ao do gramado natural, aumento do suporte de pisoteio em até 5 vezes, maior resistência a condições climáticas e de iluminação adversas, redução de ocorrência de áreas carecas, além de outras. No Brasil, as Arenas Corinthians e do Grêmio tem gramados híbridos. 

       Mas há também desvantagens. Os híbridos são muito mais caros que os naturais e não facilitam algumas operações importantes de manutenção.

      Tudo isso promove a franca preferência pelos gramados naturais no mundo inteiro. No entanto, cada estádio é um estádio, e os operadores devem avaliar suas opções na tênue linha entre o tecnicamente adequado e o economicamente viável.

 

Saudações Agronômicas!

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Comentário de Artur Melo em 2 setembro 2016 às 13:21

Para registro  -  Gramados sintéticos são vedados há mais de 20 anos, em Campeonatos Oficiais de Países que tem severas restrições climáticas. ainda assim, preferem os gramados naturais - http://desporto.sapo.pt/futebol/liga_inglesa/artigo/2015/02/25/club... 

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