Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

GRAVE INCIDÊNCIA DE PRAGAS EM SEMENTES DE GUAPURUVÚ. Ago 2017

Vejam anexo duas fotos de frutos e sementes de guapuruvú. Um conjunto de 50 frutos coletados ontem e hoje (4 e 5 de Agosto) em sequencia (ou seja, não pré-escolhidos): metade (25) totalmente estragados e outros 25 sementes aparentemente saudáveis, embora algumas ligeiramente onduladas e retorcidas. Um índice de incidência muito grave.

São de um imenso guapuruvú, aqui em nosso mini parque em Bragança Paulista, com 20 anos de idade, plantado por nós.

Coleto essas sementes desde os tempos de criança na fazenda de meus tios em Araras e nunca tinha visto isso.

Produto de alterações climáticas? Que enfraquece e abre espaço para doenças e pragas? A seca dos últimos anos?

O que será da produção do ano que vem?

...

Lembremos que o Guapuruvú produz sementes relativamente grandes aos milhares e que um eucalipto ou quaresmeira, produzem sementes minúsculas, aos trilhares por muda. Dai a importância dessa incidência de praga nas sementes do guapuruvú.

O guapuruvú (Schizolobium parahyba), na última foto à esquerda em floração, é uma árvore de grande porte, madeira leve, utilizada por índios e caboclos para fazerem canoas.

Exibições: 38

Comentar

Você precisa ser um membro de Rede Agronomia para adicionar comentários!

Entrar em Rede Agronomia

Comentário de Rodolfo Geiser em 18 agosto 2017 às 17:07

SOBRE INCIDENCIA DE PRAGAS E DOENÇAS EM GUAPURUVÚS.

Recebi de Rodrigo Victor, eng. agr. e pesquisador científico, a seguinte mensagem.

Caríssimos, bom dia!

 

I.-

Em função das provocações de vocês acerca da mortalidade dos guapuruvús, fui procurar me informar sobre o caso. Há alguns anos a Secretaria do Meio Ambiente formou um grupo para pesquisar o assunto, sob a coordenação do Instituto Biológico.

O estudo resta inconcluso, mas obtive alguma informação do pesquisador coordenador do estudo, Francisco, do IB, a saber:  Coletamos amostras de Coleoptera tanto Scolytinae quanto Platypodinae durante 01 ano. Esses insetos foram enviados para um especialista. Na época conseguimos isolar um fungo... possível causador da morte das árvores, veiculado pelos Coleoptera. Basicamente foi isso...

Não obtive até agora a identificação das 16 espécies coletadas... também estou no aguardo... Quanto a haver alguma evidência se a infecção é secundária devido a eventual debilidade da árvore, as mesmas estavam saudáveis.

 

II.-

Ainda de Rodrigo Victor: Acho que isso não encerra o assunto, mas joga alguma luz sobre ele. Particularmente, não creio que a alteração dos gases atmosféricos seja a causa primária da enfermidade. Ao contrário, a literatura sobre mudanças climáticas tem mostrado que o excesso de CO2 na atmosfera tem funcionado como "fertilizante" das plantas, favorecendo seu crescimento. Tampouco poluição do ar é de se especular como causa, posto que a doença atinge árvores tanto em São Paulo quanto na Ilha Grande. Outras causas das mudanças climáticas? Não sei. Notem que a espécie possui extrema plasticidade de ocorrência, da Bahia ao Rio Grande do Sul.

 

Em termos de fenômenos globais, sabe-se que a adubação nitrogenada em larga escala na agricultura aumentou a emissão de gases à base de nitrogênio por parte dos ecossistemas, aumentando chuva ácida e eutrofização de ambientes. Não é maluco se pensar que esses ambientes mais ricos em nitrogênio podem gerar seivas mais nutritivas e maior atratividade de pragas, mas seria uma linha totalmente especulativa.

 

III.-

Em sequencia, recebi do eng. agr. Mauro Victor os seguintes comentários: Excelente Rodrigo Victor; a indagação se o fungo é agente secundário ou não procede:

trabalhei na Holanda com Pinus nigra var. corsicana, introduzido desde as ilhas da Córsega- Valdoniello, Pertusato, etc; -  todas as plantações ao NORTE DO RENO estavam parasitadas pelo fungo Bronchorstia pinea; ao SUL DO RENO estavam sadias. Fiz um estudo de balanço hídrico (NASA- THORN. E MATTER) e comprovei que a eficiência térmica entre o sul e o norte da Holanda era de apenas UM GRAU CELSIUS; o estudo está em SILVICULTURA EM SP. Então entendo que esse material vegetal é muito sensível ao cambio de pequenos parâmetros climáticos.

Muito obrigado, Rodolfo Geiser. E vamos aguardando novas informações.

Comentário de Manoel José Sant´Anna em 9 agosto 2017 às 19:05

Boa tarde prezados colegas, esta é uma das árvores mais frondosas do bioma da mata atlântica, um belo exemplar esta localizado no parque museu de Inhotim / MG. Talvez uma mudança de foco cultural, não provocassem uma reação de quem possui esta majestade em sua reserva, e se usar um controle biológico como o metharrizium spp, nos bosques de indivíduos, preservando suas sementes, para posteridade. Difícil, mas pode ser possível.

Comentário de Rodolfo Geiser em 7 agosto 2017 às 19:50

Caros colegas da Rede de Agronomia, sobre esse assunto do guapuruvú, recebi via MSG de email, comentários de dois colegas, os quais compartilho aqui dada sua relevância.

PRIMEIRA MENSAGEM.

Mauro Victor,  Engenheiro Agrônomo, ex Diretor do Instituto Florestal de São Paulo e autor de “BRASIL- O Capital Natural”, FEPAP, 2007, conta que “observa o colapso de guapuruvús há 40 anos no Horto Florestal da Cantareira, bem como em Ilha Grande”, SP. Muito do que ocorre pode ser “consequência do ANTROPOCENO”. Sugere que se veja a questão sob “a perspectiva dos períodos geológicos - todo o sudeste e sul do Brasil era coberto por coníferas que cederam lugar à Mata Atlântica, sendo as coníferas empurradas cada vez mais para o sul. Quando os... lusos aqui chegaram havia 19.000.000 de hectares de coníferas. Hoje não tem 1.000.000 de hectares e... devemos aplicar os conceitos de SILVIGÊNESE E SUCESSÃO VEGETAL para entender melhor o que ocorre”. E acrescenta: “... vejam que no caso da poluição de Cubatão o prof. TROPPMEYER correlacionou a maior ou menor ocorrência de algas, musgos e vegetais inferiores nos troncos e galhos do arvoredo com o nível de poluição do sítio”.

SEGUNDA MENSAGEM.

Nosso colega Luis Filipe Castro dos Santos, engenheiro agrônomo formado em Portugal e especializado em ‘Arquitetura Paisagística’, escreveu: “Sobre teu estimado Guapuruvú, bem como sobre todos aqueles que vislumbrei numa rápida passagem por Ilha Grande (em 2010)... . . Na oportunidade, muito nos chamou a  atenção um fato que, agora, também merece um pouco de suas preocupações: por todo o lado, aleatoriamente, imensas copas de GUAPURUVU iam fenecendo, marcando o verde da paisagem com a palidez mortal das folhagens ressequidas. Acreditamos, Mauro e eu, que essa espécie, talvez por sua maior sensibilidade,  se comporta como um TIPO DE SENTINELA AVANÇADA, que denuncia desequilíbrios na composição dos gases atmosféricos ou da radiação solar, resultantes das agressões poderosas praticadas pelo Homem contra o meio ambiente. Assim como existem plantas pioneiras, que primeiro colonizam e recuperam áreas devastadas, proporcionando apoio e melhoria das condições locais, para o restabelecimento das demais espécies, constituintes das comunidades vegetais locais, outros tipos de plantas, como o GUAPURUVU, funcionam no sentido oposto, denunciando ameaças  que se desencadeiam contra os ecossistemas em seu conjunto.

Obrigado a todos.

© 2017   Criado por Gilberto Fugimoto.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço

Offline

Vídeo ao vivo